Escola de Artes e Ofícios - o meu pai foi Mestre Tipógrafo nesta escola

18 de junho de 2009 ·

Foto de Maria  Leonor Lacerda
A «Escola de Artes e Ofícios», na ilha de Moçambique, foi criada em 1907, pela organização religiosa conhecida como «Salesianos», uma ordem de padres e freiras católicos, vocacionados para o ensino [ www.salesianos.pt ]. Na época, dependia da organização em Portugal.

A 5 de Outubro de 1910 deu-se o regicídio e a instauração da República em Portugal. Três dias depois, no dia 8, por decreto, o governo republicano apoderou-se das instituições escolares então existentes nas mãos das organizações religiosas. Hoje, chamaríamos de «nacionalizações».

Nos anos 20 do século XX, a situação foi corrigida e as propriedades de ensino voltaram para as mãos dos seus criadores, mas todas as instituições que havia, então, em África, ficaram em poder do estado republicano.

Decorria o início do ano de 1949 quando os meus pais chegaram à ilha, para que ele exercesse a sua função de Mestre Tipógrafo.


A escola tinha alunos internos que além de aulas mais convencionais, também aprendiam um ofício. Nesta escola ensinava-se carpintaria, serralheria, tipografia, confecção de roupas e electricidade. Muito avançados para a época, parte dos seus rendimentos provinha dos trabalhos que executavam para fora. Os melhores fatos de homem eram os feitos nesta escola.

A tipografia ficava no lado direito da porta de entrada principal. As vezes que lá estive! Não vou mencionar o nome de nenhum dos Mestres de então, pois certamente que me vou esquecer de alguém. A cocuanice não perdoa. Muita da minha lenda pessoal passa por este edifício e o que ele representava para a minha família e para a ilha, em geral.


Não faço ideia qual seja a situação actual, mas ainda há poucos anos, apenas havia 2 cursos profissionais a funcionar: um curso de Administração/Contabilidade e outro de Construção civil e a direcção da escola lutava com muita dificuldades didáticas, financeiras e de equipamento, para manter tudo em funcionamento. Havendo uma quantidade significativa de alunos. A Rede Salesiana ainda presta apoio a esta organização, material específico de apoio aos professores, para além do apetrechamento da biblioteca. Também é apoiada pela Oikus.

Cerca de 115 milhões de crianças no mundo não vão à escola. 876 milhões de pessoas no mundo são iletradas, dois terços das quais são mulheres.


Minhas irmãs Rosa Maria Miranda e Rosarinho, comigo, na companhia do nosso pai.


Antes de surgir a era moderna, a tipografia trabalhava com letras de chumbo, como as ilustrações abaixo, guardadas em caixas de madeira. 

Tal como o meu pai, muitíssima gente em todo o mundo, de tanto respirarem o pó deste chumbo, morreram com cancros de pulmão.

Felizmente, hoje em dia, nada disto se usa nas artes gráficas, excepto em oficinas muito artesanais, mas hoje em dia, as pessoas que manuseiam este material, possuem modernos equipamentos de protecção.

Tudo sobre «Tipografia», aqui.

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18 de junho de 2009

Escola de Artes e Ofícios - o meu pai foi Mestre Tipógrafo nesta escola

Foto de Maria  Leonor Lacerda
A «Escola de Artes e Ofícios», na ilha de Moçambique, foi criada em 1907, pela organização religiosa conhecida como «Salesianos», uma ordem de padres e freiras católicos, vocacionados para o ensino [ www.salesianos.pt ]. Na época, dependia da organização em Portugal.

A 5 de Outubro de 1910 deu-se o regicídio e a instauração da República em Portugal. Três dias depois, no dia 8, por decreto, o governo republicano apoderou-se das instituições escolares então existentes nas mãos das organizações religiosas. Hoje, chamaríamos de «nacionalizações».

Nos anos 20 do século XX, a situação foi corrigida e as propriedades de ensino voltaram para as mãos dos seus criadores, mas todas as instituições que havia, então, em África, ficaram em poder do estado republicano.

Decorria o início do ano de 1949 quando os meus pais chegaram à ilha, para que ele exercesse a sua função de Mestre Tipógrafo.


A escola tinha alunos internos que além de aulas mais convencionais, também aprendiam um ofício. Nesta escola ensinava-se carpintaria, serralheria, tipografia, confecção de roupas e electricidade. Muito avançados para a época, parte dos seus rendimentos provinha dos trabalhos que executavam para fora. Os melhores fatos de homem eram os feitos nesta escola.

A tipografia ficava no lado direito da porta de entrada principal. As vezes que lá estive! Não vou mencionar o nome de nenhum dos Mestres de então, pois certamente que me vou esquecer de alguém. A cocuanice não perdoa. Muita da minha lenda pessoal passa por este edifício e o que ele representava para a minha família e para a ilha, em geral.


Não faço ideia qual seja a situação actual, mas ainda há poucos anos, apenas havia 2 cursos profissionais a funcionar: um curso de Administração/Contabilidade e outro de Construção civil e a direcção da escola lutava com muita dificuldades didáticas, financeiras e de equipamento, para manter tudo em funcionamento. Havendo uma quantidade significativa de alunos. A Rede Salesiana ainda presta apoio a esta organização, material específico de apoio aos professores, para além do apetrechamento da biblioteca. Também é apoiada pela Oikus.

Cerca de 115 milhões de crianças no mundo não vão à escola. 876 milhões de pessoas no mundo são iletradas, dois terços das quais são mulheres.


Minhas irmãs Rosa Maria Miranda e Rosarinho, comigo, na companhia do nosso pai.


Antes de surgir a era moderna, a tipografia trabalhava com letras de chumbo, como as ilustrações abaixo, guardadas em caixas de madeira. 

Tal como o meu pai, muitíssima gente em todo o mundo, de tanto respirarem o pó deste chumbo, morreram com cancros de pulmão.

Felizmente, hoje em dia, nada disto se usa nas artes gráficas, excepto em oficinas muito artesanais, mas hoje em dia, as pessoas que manuseiam este material, possuem modernos equipamentos de protecção.

Tudo sobre «Tipografia», aqui.

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