Dicionário Místico - A hierarquia angelical

1 de agosto de 2010 ·


Existem várias versões relativamente às ordens ou coros angelicais. Entre as autoridades eclesiásticas que apresentaram as suas versões das ordens estão Santo Ambrósio, são Jerónimo, o Papa Gregório o Grande e a Constituição Apostólica. Entre as autoridades hebraicas estão Moisés Maimónides, o Zohar, o Maseket Azilut e o Bertih Menusha. Chegam-nos outras versões de Isidoro de Sevilha, Juan de Damasco, 'A Divina Comédia', de Dante e a obra sobre alta magia de Francis Barrett intitulada 'O Mago'. No entanto, a versão mais universalmente aceite é a do grupo conhecido por Pseudo-Dionísio, que data do Século VI e foi adjudicada erroneamente a Dionísio, o Aeropagita, que viveu no Século I da Era Cristã. Diz-se que Dionísio foi o primeiro bispo de Atenas e que foi martirizado pelos romanos durante o reinado do imperador Domiciano. As obras que lhe são adjudicadas são 'A Hierarquia Celestial' e 'A Hierarquia Eclesiástica' mas, na realidade, estas obras foram escritas muitos anos mais tarde por um grupo de neoplatónicos anónimos que adoptaram o seu nome e que, por isso, são conhecidos como Pseudo-Dionísio, tendo o significado de "falso Dionísio".

Estas obras, que se crê terem sido publicadas na Síria ou no Egipto, foram citadas pela primeira vez no Segundo Conselho de Constantinopla. Só após o Século VII é que os escritos de Pseudo-Dionísio apareceram na Europa, vindo a inspirar muitos teólogos e escritores cristãos como são Tomás de Aquino, Dante Alighieri e John Milton.

Segundo Pseudo-Dionísio, existem três ordens angelicais, cada uma composta por três coros, totalizando nove coros. Nas outras versões, a quantidade de coros varia. Por exemplo, segundo Santo Ambrósio e São Gregório, existem nove coros, mas a ordem seguida não é a mesma que para Pseudo—Dionísio. São Jerónimo apenas refere seis coros, mas São Tomás na sua magnífica obra, 'Summa Teológica', aceita a ordem tal como Pseudo-Dionísio a apresenta. Por outro lado, as autoridades hebraicas citam dez em vez de nove coros, porque os seus cálculos se baseiam nas dez esferas da Árvore da Vida, que é parte intrínseca da Cabala hebraica.

Vamos utilizar o conceito dos nove coros angelicais de Pseudo-Dionísio, mas vamos ter também em consideração a versão cabalística de dez coros de acordo com a Cabala hebraica.

Primeira Ordem — Esta Ordem com os seus três Coros controla a ordem do universo e a manifestação da vontade divina, que levam a cabo.

1. Serafins
2. Querubins
3. Tronos

Segunda Ordem — Esta Ordem com os seus três Coros representa o Poder de Deus e está encarregada de governar os planetas, especialmente a Terra. Também levam a cabo as ordens dos Anjos da Primeira Ordem e dirigem os Anjos da Terceira Ordem.

4. Dominações
5. Virtudes
6. Potestades

Terceira Ordem — Esta Ordem com os seus três Coros protege e guia a humanidade e elevam as nossas preces ao Criador.
7. Principados
8. Arcanjos
9. Anjos

Conforme se vê nesta lista, os Anjos formam o nono e último coro celestial de Terceira Ordem. Isto é, embora todos os membros das hostes celestes sejam conhecidos como anjos, existe um coro em especial que tem esse nome, o que significa que alguns mensageiros celestes são apenas Anjos, enquanto outros além de serem Anjos, ocupam outras posições mais importantes da hierarquia celeste. Dito de outra forma, todos pertencem ao nono coro e são Anjos, mas alguns também pertencem a coros superiores como os Arcanjos, Querubins ou Serafins.



Primeira Ordem - Serafins

Este é o mais elevado dos Coros Angelicais. A tradição hebraica descreve-os como serpentes de fogo, uma vez que a serpente é um símbolo de cura e sabedoria. O título de Serafim é composto por SER, que significa "espírito elevado" e RAFA, que significa "o que cura". Um Serafim é, então, "um espírito elevado que cura". O nome de Rafael, o médico divino, não pertence a este coro e é composto por RAFA e EL, que significa filho de Deus. Rafael significa, então, "o filho de Deus que cura". Os Serafins são descritos como seres brilhantes e incorruptíveis. O seu esplendor é tal que nenhum dos outros Coros pode olhá-los de frente. Um ser humano seria desintegrado imediatamente se conseguisse postar-se diante de um Serafim em toda a sua glória. A sua missão é controlar e dirigir a energia divina que flui do Trono de Deus e inflamar no coração do ser humano de amor por Deus. Por este motivo são conhecidos como Anjos do Amor. O profeta Isaías é o único que os menciona no Antigo Testamento, no capítulo sexto do livro com o seu nome, onde os descreve com quatro caras (símbolo dos quatro ventos e quatro elementos) e seis pares de asas. Duas asas cobrem os seus pés, duas servem para voar, e com duas cobrem o rosto. Cada asa é do tamanho do céu. Os Serafins rodeiam o trono de Deus, entoando continuamente o Triságono Divino:

Santo, Santo, Santo,
Senhor Deus dos Exércitos.

Por serem os que estão mais próximos do Trono divino, e arderem continuamente no amor a Deus, os Serafins são conhecidos como "seres ardentes". Os Príncipes Regentes dos Serafins são Metraton, Miguel, Serafiel, Jehoel, Uriel, Shemuel e Natanael.

Primeira Ordem - Querubins

Este é o segundo Coro angelical. O conceito de Querubim como bebé adorável e gorducho com azinhas está completamente errado. Estes bebés alados não são Querubins mas sim "Querubens", mais conhecidos na terminologia da arte como Putti. Os Querubins são os anjos que Deus colocou como guardas na entrada do Éden, com uma espada flamejante. A palavra Querubim provém de "Karibu", e é de origem assíria e significa "aquele que reza ou intercede". Entre os assírios, os Querubins eram criaturas aladas com rosto de leão ou de homem e corpo de esfinge, águia ou touro. No Antigo Testamento, no livro do "Êxodo", Deus ordena a Moisés que coloque a imagem de um Querubim de cada lado da Arca da Aliança, com as asas estendidas. O profeta Ezequiel descreve-os com corpos humanos, quatro asas e quatro rostos, cada um virado para um ponto cardeal. O rosto que está virado para a frente é um rosto de homem; o da direita representa um leão; o da esquerda representa um touro; e o de trás, uma águia. Estes são os símbolos dos quatro elementos: água, fogo, ar e terra e as quatro triplicidades astrológicas, representadas pelos signos de Aquário, Leão, Touro e Escorpião. Ezequiel também nos diz que estes seres divinos cobrem o corpo com duas das suas asas e voam com as outras duas. S. João, no "Apocalipse", descreve os Querubins com seis asas em vez de quatro e cobertos de uma infinidade de olhos, uma descrição mais adequada aos Serafins. Na tradição judaica, os Querubins representam o vento e são eles que conduzem a Merkabah (a carruagem de Deus) e carregam o Seu Trono num andor. Os muçulmanos crêem que os Querubins foram criados a partir das lágrimas vertidas pelo Arcanjo Miguel pelos pecados dos fiéis. O seu nome entre os muçulmanos é Al-Karubyian, que significa "os que estão perto de Alá". Diz—se que dos Querubins, que são a essência da Sabedoria, flui uma subtil essência de conhecimento, que recebem directamente de Deus. Entre os nomes que lhes são atribuídos, temos "as Criaturas Vivas", "Criaturas Aladas" e "Bestas Sagradas". Os Príncipes Regentes dos Querubins são Gabriel, Querubiel, Ofaniel, Rafael, Uriel, e Zofiel.

Primeira Ordem - Tronos

Este é o terceiro Coro e o seu nome deriva de estarem à frente do Trono de Deus. A sua missão é inspirar fé no poder do Criador. Diz-se que habitam o Terceiro ou Quarto Céu. Também se diz que são eles que estão encarregados de executar a justiça divina. Algumas autoridades identificam-nos com as rodas de fogo descritas por Ezequiel na sua visão apocalíptica. Estas criaturas são descritas pelo profeta como rodas flamejantes cobertas por uma infinidade de olhos, que se movem sempre em conjunto com os Querubins. Na Cabala são conhecidas como Merkabah, a carruagem divina que os Querubins carregam sobre um andor. "As Rodas" é um dos nomes que lhes são atribuídos. Em hebreu, são por vezes identificados com Ofanim, e outras vezes com Arelim ou Erelim. Os Príncipes Regentes dos Tronos são Orifiel, Zakfiel, Jofiel e Raziel.



Segunda Ordem - Dominações

Este é o quarto Coro, que também é conhecidos como os "Senhores", e são os que adjudicam as tarefas ou missões aos anjos menores. A majestade de Deus é revelada através deles. Estes anjos não se manifestam frequentemente aos seres humanos, pois parte da sua missão é manter a ordem no Cosmos. Na Cabala são identificados com os Hasmalim. Entre os seus símbolos de autoridade encontram-se o ceptro e o globo, que simboliza o mundo, e uma espada como símbolo da sua autoridade sobre as restantes criaturas. Segundo a tradição angelical, os Dominações vestem-se de verde e dourado. Este Coro recebe as suas instruções dos Querubins e dos Tronos. O seu nome deriva da epístola de S.Paulo aos Coríntios, onde este menciona os Dominações, os Tronos, os Poderes e os Principados. O segundo Livro de Enoch também alude aos Tronos como fazendo parte dos exércitos angelicais. Diz-se que os Dominações são canais de misericórdia e que habitam o Segundo Céu. Os seus Príncipes Regentes são Zadquiel, Hashmal, Zacariel e Muriel.

Segunda Ordem - Virtudes

Este é o quinto Coro e, segundo o seu nome indica, são os que conferem o dom da virtude aos seres humanos, principalmente graça e valor. Os Virtudes presidem sobre os elementos do mundo material e regem o processo da vida celestial. Têm a seu cargo o movimento dos planetas, estrelas e galáxias e controlam as leis cósmicas. A astronomia e a astrofísica são regidas por este Coro. Quanto à Terra, os Virtudes estão encarregadas da Natureza e das leis que regem o planeta, incluindo todos os fenómenos naturais. Segundo são Tomás de Aquino, os Virtudes são o Coro que está encarregado de realizar milagres na Terra. Os anjos que ajudaram Jesus na Sua Ascensão também eram membros do Quinto Coro celeste. Os Virtudes estão associadas aos santos e a todos os heróis que combatem o Mal. Diz-se que foram os Virtudes que deram a David valor suficiente para destruir o gigante Golias. Na Cabala são conhecidos por Malachim, ou Tarshashim. Os Príncipes Regentes dos Virtudes são Miguel, Gabriel, Uzziel, Peliel, Anael, Hamaliel, Barbiel, Sabriel e Tarshish.

Segunda Ordem - Potestades

Este é o sexto Coro e a sua missão principal é guardar e defender a ordem no Céu, e evitar que os anjos do Mal destruam o Mundo. Pensa—se que este Coro angelical foi o primeiro a ser criado por Deus, apesar da tradição nos dizer que Deus criou todos os anjos ao mesmo tempo. Este Coro tem permissão divina para perdoar e castigar, e também para criar segundo a vontade divina, levando a cabo os seus desígnios. Parte da missão das Potestades é ajudar o ser humano a resistir às tentações do Mal e a vencê-lo, inclinando-se diante do amor de Deus e das suas Leis. Os Potestades residem entre o Primeiro e o Segundo Céu, e guardam o caminho para o Céu. Também actuam como guias das almas perdidas e são eles que escrevem a história da Humanidade. Os Potestades também são conhecidos como Autoridades, Potências, Dinamismo e Potentados. Segundo algumas autoridades, a maior parte dos anjos rebeldes pertencia ao Coro dos Potestades antes da sua queda. Pensa-se que um destes anjos caídos, chamado Crocell, revelou ao Rei Salomão que ainda tinha esperanças de fazer as pazes com Deus e regressar às Potestades. Os Príncipes Regentes dos Potestades são Gabriel, Verchiel e Camael, muitas vezes identificado com Samael.


Terceira Ordem - Principados

Este é o sétimo Coro e está encarregado de proteger todos os reis, príncipes, juizes e governantes da Terra, iluminando-os para que tomem decisões justas. Também protegem as nações, as grandes organizações, as religiões e os príncipes da igreja, incluindo o Papa. Os seus símbolos são o ceptro, a cruz e a espada. Os Príncipes Regentes deste coro são Anael, Cerviel e Rekiel. Os príncipes celestes são conhecidos como Sarim.

Terceira Ordem - Arcanjos

Este é o oitavo Coro e é a ele que comete interceder pelos pecados ou fraquezas (especialmente a ignorância) dos seres humanos, perante o Trono Divino. são também eles que lutam continuamente contra Satanás e as suas legiões, para proteger o mundo. Segundo a tradição judaica, os Arcanjos estão intimamente relacionados com os planetas. Outras autoridades dizem que estão relacionados com os 12 signos zodiacais. Pseudo-Dioníso descreveu—os como portadores dos segredos divinos. Os Arcanjos são mencionados tanto no Antigo como no Novo Testamento. A Epístola de Judas conta que, quando o Arcanjo Miguel estava a disputar com Satanás o corpo de Moisés (após a sua morte), não conseguiu deixar de emitir juízos sobre o espírito infernal, dizendo—lhe "O Senhor te renega". Existe uma grande confusão a respeito dos Arcanjos e muitos outros anjos que não pertencem a este Coro e são designados através deste título, porque no início da angelologia apenas se reconheciam duas classes de entidades celestiais: os Arcanjos e os Anjos. Foi através do trabalho de escritores como são Tomás de Aquino, Santo Agostinho e do grupo de Pseudo-Dionísio, que as várias ordens angelicais foram organizadas de forma correcta. Por esse motivo, os anjos mais elevados eram chamados Arcanjos, um costume que tem persistido ao longo dos tempos. Mas nem todos os anjos superiores são Arcanjos. Por exemplo, Sadkiel, Camael, Casiel, Azrael e Asariel, que se contam entre os regentes dos signos zodiacais, não são Arcanjos, embora sejam, com frequência, chamados por esse título. Na realidade, todos estes anjos pertencem a Coros de uma hierarquia superior à dos Arcanjos. Os Príncipes Regentes desta ordem são Metraton, Miguel, Rafael, Uriel, Gabriel, Barbiel, Barachiel e Jehudiel

Terceira Ordem - Anjos

Este é o Nono Coro e a sua missão principal é actuar como intermediários entre Deus e os seres humanos. Apesar de todas as hostes celestes serem conhecidas como anjos, este é um Coro específico e dele fazem parte os Anjos da Guarda. Os Anjos são o Coro Celeste que está mais próximo dos seres humanos, a quem ajudam constantemente. Diz-se que existe uma escola para os Anjos no Sexto Céu, onde os Arcanjos os ensinam, conforme nos relata Enoch, que afirma ter visitado esta escola durante a sua visão apocalíptica do Céu. Entre outros temas estudados nesta escola, estão a astronomia, a ecologia e a oceanografia, além da vegetação terrestre e da celestial e da psicologia dos seres humanos. Todos os Anjos que Enoch viu nesta escola tinham rostos idênticos e estavam vestidos da mesma maneira. Os Príncipes Regentes do Coro dos Anjos são Gabriel, Chaiiel, Adnakiel e Faleg.

3 comentários:

Cris França disse...
1 de agosto de 2010 às 22:17  

aqui em casa, eu e Juju rezamos aos anjos todas as noites, tenho certeza que eles nos ouvem. bjs querido

Meru Sâmi disse...
1 de agosto de 2010 às 22:21  

...E você sabia que os Tronos, de Primeira Ordem, São os Magníficos Orixás tão descriminados?
Os Orixás são Os Tronos Divinos, Regentes Naturais da Criação.
Bom trabalho...!

Beijos.

orvalho do ceu disse...
1 de agosto de 2010 às 23:34  

Olá, gosto de aprender sobre essa matéria angelical.
Abraços dominicais e tenha serenidade.

1 de agosto de 2010

Dicionário Místico - A hierarquia angelical


Existem várias versões relativamente às ordens ou coros angelicais. Entre as autoridades eclesiásticas que apresentaram as suas versões das ordens estão Santo Ambrósio, são Jerónimo, o Papa Gregório o Grande e a Constituição Apostólica. Entre as autoridades hebraicas estão Moisés Maimónides, o Zohar, o Maseket Azilut e o Bertih Menusha. Chegam-nos outras versões de Isidoro de Sevilha, Juan de Damasco, 'A Divina Comédia', de Dante e a obra sobre alta magia de Francis Barrett intitulada 'O Mago'. No entanto, a versão mais universalmente aceite é a do grupo conhecido por Pseudo-Dionísio, que data do Século VI e foi adjudicada erroneamente a Dionísio, o Aeropagita, que viveu no Século I da Era Cristã. Diz-se que Dionísio foi o primeiro bispo de Atenas e que foi martirizado pelos romanos durante o reinado do imperador Domiciano. As obras que lhe são adjudicadas são 'A Hierarquia Celestial' e 'A Hierarquia Eclesiástica' mas, na realidade, estas obras foram escritas muitos anos mais tarde por um grupo de neoplatónicos anónimos que adoptaram o seu nome e que, por isso, são conhecidos como Pseudo-Dionísio, tendo o significado de "falso Dionísio".

Estas obras, que se crê terem sido publicadas na Síria ou no Egipto, foram citadas pela primeira vez no Segundo Conselho de Constantinopla. Só após o Século VII é que os escritos de Pseudo-Dionísio apareceram na Europa, vindo a inspirar muitos teólogos e escritores cristãos como são Tomás de Aquino, Dante Alighieri e John Milton.

Segundo Pseudo-Dionísio, existem três ordens angelicais, cada uma composta por três coros, totalizando nove coros. Nas outras versões, a quantidade de coros varia. Por exemplo, segundo Santo Ambrósio e São Gregório, existem nove coros, mas a ordem seguida não é a mesma que para Pseudo—Dionísio. São Jerónimo apenas refere seis coros, mas São Tomás na sua magnífica obra, 'Summa Teológica', aceita a ordem tal como Pseudo-Dionísio a apresenta. Por outro lado, as autoridades hebraicas citam dez em vez de nove coros, porque os seus cálculos se baseiam nas dez esferas da Árvore da Vida, que é parte intrínseca da Cabala hebraica.

Vamos utilizar o conceito dos nove coros angelicais de Pseudo-Dionísio, mas vamos ter também em consideração a versão cabalística de dez coros de acordo com a Cabala hebraica.

Primeira Ordem — Esta Ordem com os seus três Coros controla a ordem do universo e a manifestação da vontade divina, que levam a cabo.

1. Serafins
2. Querubins
3. Tronos

Segunda Ordem — Esta Ordem com os seus três Coros representa o Poder de Deus e está encarregada de governar os planetas, especialmente a Terra. Também levam a cabo as ordens dos Anjos da Primeira Ordem e dirigem os Anjos da Terceira Ordem.

4. Dominações
5. Virtudes
6. Potestades

Terceira Ordem — Esta Ordem com os seus três Coros protege e guia a humanidade e elevam as nossas preces ao Criador.
7. Principados
8. Arcanjos
9. Anjos

Conforme se vê nesta lista, os Anjos formam o nono e último coro celestial de Terceira Ordem. Isto é, embora todos os membros das hostes celestes sejam conhecidos como anjos, existe um coro em especial que tem esse nome, o que significa que alguns mensageiros celestes são apenas Anjos, enquanto outros além de serem Anjos, ocupam outras posições mais importantes da hierarquia celeste. Dito de outra forma, todos pertencem ao nono coro e são Anjos, mas alguns também pertencem a coros superiores como os Arcanjos, Querubins ou Serafins.



Primeira Ordem - Serafins

Este é o mais elevado dos Coros Angelicais. A tradição hebraica descreve-os como serpentes de fogo, uma vez que a serpente é um símbolo de cura e sabedoria. O título de Serafim é composto por SER, que significa "espírito elevado" e RAFA, que significa "o que cura". Um Serafim é, então, "um espírito elevado que cura". O nome de Rafael, o médico divino, não pertence a este coro e é composto por RAFA e EL, que significa filho de Deus. Rafael significa, então, "o filho de Deus que cura". Os Serafins são descritos como seres brilhantes e incorruptíveis. O seu esplendor é tal que nenhum dos outros Coros pode olhá-los de frente. Um ser humano seria desintegrado imediatamente se conseguisse postar-se diante de um Serafim em toda a sua glória. A sua missão é controlar e dirigir a energia divina que flui do Trono de Deus e inflamar no coração do ser humano de amor por Deus. Por este motivo são conhecidos como Anjos do Amor. O profeta Isaías é o único que os menciona no Antigo Testamento, no capítulo sexto do livro com o seu nome, onde os descreve com quatro caras (símbolo dos quatro ventos e quatro elementos) e seis pares de asas. Duas asas cobrem os seus pés, duas servem para voar, e com duas cobrem o rosto. Cada asa é do tamanho do céu. Os Serafins rodeiam o trono de Deus, entoando continuamente o Triságono Divino:

Santo, Santo, Santo,
Senhor Deus dos Exércitos.

Por serem os que estão mais próximos do Trono divino, e arderem continuamente no amor a Deus, os Serafins são conhecidos como "seres ardentes". Os Príncipes Regentes dos Serafins são Metraton, Miguel, Serafiel, Jehoel, Uriel, Shemuel e Natanael.

Primeira Ordem - Querubins

Este é o segundo Coro angelical. O conceito de Querubim como bebé adorável e gorducho com azinhas está completamente errado. Estes bebés alados não são Querubins mas sim "Querubens", mais conhecidos na terminologia da arte como Putti. Os Querubins são os anjos que Deus colocou como guardas na entrada do Éden, com uma espada flamejante. A palavra Querubim provém de "Karibu", e é de origem assíria e significa "aquele que reza ou intercede". Entre os assírios, os Querubins eram criaturas aladas com rosto de leão ou de homem e corpo de esfinge, águia ou touro. No Antigo Testamento, no livro do "Êxodo", Deus ordena a Moisés que coloque a imagem de um Querubim de cada lado da Arca da Aliança, com as asas estendidas. O profeta Ezequiel descreve-os com corpos humanos, quatro asas e quatro rostos, cada um virado para um ponto cardeal. O rosto que está virado para a frente é um rosto de homem; o da direita representa um leão; o da esquerda representa um touro; e o de trás, uma águia. Estes são os símbolos dos quatro elementos: água, fogo, ar e terra e as quatro triplicidades astrológicas, representadas pelos signos de Aquário, Leão, Touro e Escorpião. Ezequiel também nos diz que estes seres divinos cobrem o corpo com duas das suas asas e voam com as outras duas. S. João, no "Apocalipse", descreve os Querubins com seis asas em vez de quatro e cobertos de uma infinidade de olhos, uma descrição mais adequada aos Serafins. Na tradição judaica, os Querubins representam o vento e são eles que conduzem a Merkabah (a carruagem de Deus) e carregam o Seu Trono num andor. Os muçulmanos crêem que os Querubins foram criados a partir das lágrimas vertidas pelo Arcanjo Miguel pelos pecados dos fiéis. O seu nome entre os muçulmanos é Al-Karubyian, que significa "os que estão perto de Alá". Diz—se que dos Querubins, que são a essência da Sabedoria, flui uma subtil essência de conhecimento, que recebem directamente de Deus. Entre os nomes que lhes são atribuídos, temos "as Criaturas Vivas", "Criaturas Aladas" e "Bestas Sagradas". Os Príncipes Regentes dos Querubins são Gabriel, Querubiel, Ofaniel, Rafael, Uriel, e Zofiel.

Primeira Ordem - Tronos

Este é o terceiro Coro e o seu nome deriva de estarem à frente do Trono de Deus. A sua missão é inspirar fé no poder do Criador. Diz-se que habitam o Terceiro ou Quarto Céu. Também se diz que são eles que estão encarregados de executar a justiça divina. Algumas autoridades identificam-nos com as rodas de fogo descritas por Ezequiel na sua visão apocalíptica. Estas criaturas são descritas pelo profeta como rodas flamejantes cobertas por uma infinidade de olhos, que se movem sempre em conjunto com os Querubins. Na Cabala são conhecidas como Merkabah, a carruagem divina que os Querubins carregam sobre um andor. "As Rodas" é um dos nomes que lhes são atribuídos. Em hebreu, são por vezes identificados com Ofanim, e outras vezes com Arelim ou Erelim. Os Príncipes Regentes dos Tronos são Orifiel, Zakfiel, Jofiel e Raziel.



Segunda Ordem - Dominações

Este é o quarto Coro, que também é conhecidos como os "Senhores", e são os que adjudicam as tarefas ou missões aos anjos menores. A majestade de Deus é revelada através deles. Estes anjos não se manifestam frequentemente aos seres humanos, pois parte da sua missão é manter a ordem no Cosmos. Na Cabala são identificados com os Hasmalim. Entre os seus símbolos de autoridade encontram-se o ceptro e o globo, que simboliza o mundo, e uma espada como símbolo da sua autoridade sobre as restantes criaturas. Segundo a tradição angelical, os Dominações vestem-se de verde e dourado. Este Coro recebe as suas instruções dos Querubins e dos Tronos. O seu nome deriva da epístola de S.Paulo aos Coríntios, onde este menciona os Dominações, os Tronos, os Poderes e os Principados. O segundo Livro de Enoch também alude aos Tronos como fazendo parte dos exércitos angelicais. Diz-se que os Dominações são canais de misericórdia e que habitam o Segundo Céu. Os seus Príncipes Regentes são Zadquiel, Hashmal, Zacariel e Muriel.

Segunda Ordem - Virtudes

Este é o quinto Coro e, segundo o seu nome indica, são os que conferem o dom da virtude aos seres humanos, principalmente graça e valor. Os Virtudes presidem sobre os elementos do mundo material e regem o processo da vida celestial. Têm a seu cargo o movimento dos planetas, estrelas e galáxias e controlam as leis cósmicas. A astronomia e a astrofísica são regidas por este Coro. Quanto à Terra, os Virtudes estão encarregadas da Natureza e das leis que regem o planeta, incluindo todos os fenómenos naturais. Segundo são Tomás de Aquino, os Virtudes são o Coro que está encarregado de realizar milagres na Terra. Os anjos que ajudaram Jesus na Sua Ascensão também eram membros do Quinto Coro celeste. Os Virtudes estão associadas aos santos e a todos os heróis que combatem o Mal. Diz-se que foram os Virtudes que deram a David valor suficiente para destruir o gigante Golias. Na Cabala são conhecidos por Malachim, ou Tarshashim. Os Príncipes Regentes dos Virtudes são Miguel, Gabriel, Uzziel, Peliel, Anael, Hamaliel, Barbiel, Sabriel e Tarshish.

Segunda Ordem - Potestades

Este é o sexto Coro e a sua missão principal é guardar e defender a ordem no Céu, e evitar que os anjos do Mal destruam o Mundo. Pensa—se que este Coro angelical foi o primeiro a ser criado por Deus, apesar da tradição nos dizer que Deus criou todos os anjos ao mesmo tempo. Este Coro tem permissão divina para perdoar e castigar, e também para criar segundo a vontade divina, levando a cabo os seus desígnios. Parte da missão das Potestades é ajudar o ser humano a resistir às tentações do Mal e a vencê-lo, inclinando-se diante do amor de Deus e das suas Leis. Os Potestades residem entre o Primeiro e o Segundo Céu, e guardam o caminho para o Céu. Também actuam como guias das almas perdidas e são eles que escrevem a história da Humanidade. Os Potestades também são conhecidos como Autoridades, Potências, Dinamismo e Potentados. Segundo algumas autoridades, a maior parte dos anjos rebeldes pertencia ao Coro dos Potestades antes da sua queda. Pensa-se que um destes anjos caídos, chamado Crocell, revelou ao Rei Salomão que ainda tinha esperanças de fazer as pazes com Deus e regressar às Potestades. Os Príncipes Regentes dos Potestades são Gabriel, Verchiel e Camael, muitas vezes identificado com Samael.


Terceira Ordem - Principados

Este é o sétimo Coro e está encarregado de proteger todos os reis, príncipes, juizes e governantes da Terra, iluminando-os para que tomem decisões justas. Também protegem as nações, as grandes organizações, as religiões e os príncipes da igreja, incluindo o Papa. Os seus símbolos são o ceptro, a cruz e a espada. Os Príncipes Regentes deste coro são Anael, Cerviel e Rekiel. Os príncipes celestes são conhecidos como Sarim.

Terceira Ordem - Arcanjos

Este é o oitavo Coro e é a ele que comete interceder pelos pecados ou fraquezas (especialmente a ignorância) dos seres humanos, perante o Trono Divino. são também eles que lutam continuamente contra Satanás e as suas legiões, para proteger o mundo. Segundo a tradição judaica, os Arcanjos estão intimamente relacionados com os planetas. Outras autoridades dizem que estão relacionados com os 12 signos zodiacais. Pseudo-Dioníso descreveu—os como portadores dos segredos divinos. Os Arcanjos são mencionados tanto no Antigo como no Novo Testamento. A Epístola de Judas conta que, quando o Arcanjo Miguel estava a disputar com Satanás o corpo de Moisés (após a sua morte), não conseguiu deixar de emitir juízos sobre o espírito infernal, dizendo—lhe "O Senhor te renega". Existe uma grande confusão a respeito dos Arcanjos e muitos outros anjos que não pertencem a este Coro e são designados através deste título, porque no início da angelologia apenas se reconheciam duas classes de entidades celestiais: os Arcanjos e os Anjos. Foi através do trabalho de escritores como são Tomás de Aquino, Santo Agostinho e do grupo de Pseudo-Dionísio, que as várias ordens angelicais foram organizadas de forma correcta. Por esse motivo, os anjos mais elevados eram chamados Arcanjos, um costume que tem persistido ao longo dos tempos. Mas nem todos os anjos superiores são Arcanjos. Por exemplo, Sadkiel, Camael, Casiel, Azrael e Asariel, que se contam entre os regentes dos signos zodiacais, não são Arcanjos, embora sejam, com frequência, chamados por esse título. Na realidade, todos estes anjos pertencem a Coros de uma hierarquia superior à dos Arcanjos. Os Príncipes Regentes desta ordem são Metraton, Miguel, Rafael, Uriel, Gabriel, Barbiel, Barachiel e Jehudiel

Terceira Ordem - Anjos

Este é o Nono Coro e a sua missão principal é actuar como intermediários entre Deus e os seres humanos. Apesar de todas as hostes celestes serem conhecidas como anjos, este é um Coro específico e dele fazem parte os Anjos da Guarda. Os Anjos são o Coro Celeste que está mais próximo dos seres humanos, a quem ajudam constantemente. Diz-se que existe uma escola para os Anjos no Sexto Céu, onde os Arcanjos os ensinam, conforme nos relata Enoch, que afirma ter visitado esta escola durante a sua visão apocalíptica do Céu. Entre outros temas estudados nesta escola, estão a astronomia, a ecologia e a oceanografia, além da vegetação terrestre e da celestial e da psicologia dos seres humanos. Todos os Anjos que Enoch viu nesta escola tinham rostos idênticos e estavam vestidos da mesma maneira. Os Príncipes Regentes do Coro dos Anjos são Gabriel, Chaiiel, Adnakiel e Faleg.

3 comentários:

Cris França disse...

aqui em casa, eu e Juju rezamos aos anjos todas as noites, tenho certeza que eles nos ouvem. bjs querido

Meru Sâmi disse...

...E você sabia que os Tronos, de Primeira Ordem, São os Magníficos Orixás tão descriminados?
Os Orixás são Os Tronos Divinos, Regentes Naturais da Criação.
Bom trabalho...!

Beijos.

orvalho do ceu disse...

Olá, gosto de aprender sobre essa matéria angelical.
Abraços dominicais e tenha serenidade.

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Caro leitor, tem muito por onde escolher. Sinta-se bem neste blogue. Pode copiar os textos que entender para seu uso pessoal, para estudar, para crescer interiormente e para ser feliz. Considere-me como estando do seu lado. No entanto, se é para reproduzir em outro blogue ou website, no mínimo, tenha a delicadeza de indicar que o texto é do «Cova do Urso» e, como tal, usar o respectivo link, este: http://cova-do-urso.blogspot.pt/ - São as regras da mais elementar cortesia na internet. E não é porque eu esteja apegado aos textos, pois no momento em que são publicados, vão para o universo. Mas, porque o meu blogue, o «Cova do Urso» merece ser divulgado. Porquê? Porque é um dos melhores do género, em língua portuguesa (no mínimo) e merece essa atenção.


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O «Cova do Urso» nasceu a 22-11-2007, às 21:34, em Queluz, Portugal.

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