O livre-arbítrio e a astrologia

29 de abril de 2013 ·



Minha mandala de poder: o Urso. Design by Marcelo Dalla.

Uma amiga que muito estimo fez-me a seguinte pergunta, aqui no blogue:

«Como é que o livre arbítrio "encaixa" na Astrologia, se esta estuda a posição dos astros quando nascemos (e não só), sendo que isso definirá o nosso futuro? Se tudo está "escrito no céu", onde fica o nosso poder de decisão?»

Atendendo que a resposta também foi dada no blogue, tive que usar da maior concisão que fui capaz. Saiu este pequeno texto:

Os astros não influenciam, nem decidem, nem determinam. Apenas dão pistas sobre o potencial de experimentarmos determinadas emoções.

O resto é com o ser humano.

O posicionamento dos astros num mapa de nascimento, dão-nos muitas informações daquilo que há poucos anos se convencionou chamar de psicologia. Mas fazem mais que isso, muito mais. Mostram-nos a pessoa complexa que somos.

Dou muitas vezes este pequeno exemplo sobre o livre-arbítrio:

No mesmo dia e hora e na mesma maternidade (cidade), 3 mulheres de classes sociais muito diferentes dão à luz um rapaz.

Os mapas dos rapazes são iguais.

Teoricamente, e a acreditar naquilo que se lê em livros e sites de astrologia, que falam muito de signos e pouco mais, os rapazes deveriam ter as mesmas características.

Obviamente, quando crescerem, serão pessoas bem diferentes.

Uma das mulheres que deu à luz é de uma classe social muito endinheirada, com grandes fortunas (bancos, seguros, etc).

Outra das mulheres é de classe média e vive de acordo com as suas circunstâncias.

A terceira mulher provém de um bairro social desfavorecido, onde se trafica o pior que se possa imaginar.

Logo à partida, estas crianças - com mapas iguais -, terão educação e oportunidades muito diferentes. Escolas diferentes. Motivações diferentes. Culturas diferentes. Ambientes sociais diferentes. Etc.

Mesmo partindo do princípio que cada mãe ama profundamente o seu filho e que lhes incuta os mesmos valores universais, estas crianças aprenderão a usar o livre-arbítrio de forma completamente distinta.

Logo ao nascer, são diferentes, com mapas iguais.

Ainda crianças e adolescentes, serão confrontados com escolhas (livre-arbítrio) completamente diferentes. Perante situações de vida similares.

Eu podería ir por aí fora, mas creio que está subentendido que o livre-arbítrio é um factor pessoal, mas que envolve situações externas a cada um, de forma bem marcada.

O mesmo se passará quando forem adultos.

Creio que este exemplo serve para ilustrar o que pretendo dizer.

Quando se olha a astrologia como meras previsões, pode-se cair com facilidade na ideia de que tudo está destinado. Não está.

As nossas escolhas e aceitação das respectivas consequências é que marcam aquilo que somos.

Eu escolho entrar em negação e não aceitar, sofrendo muito com isso? Ou escolho aceitar e sofrer o mínimo possível, mantendo-me bem comigo mesmo?

Muito obrigado.


Este artigo já tinha sido publicado a 19/8/2011, mas a tendência é ficar esquecido, por isso, reanimei-o a aparecer novamente, em 29-4-2013, dando início ao novo layout do blogue.
.

14 comentários:

William Garibaldi disse...
20 de novembro de 2011 às 19:29  

Que belo texto amigo António!
"Quando se olha a astrologia como meras previsões, pode-se cair com facilidade na ideia de que tudo está destinado. Não está."

Quero ainda acrecentar que as pessoas se esquecem da sincronicidade e da ressonância... e que através de ambas se tornam ligadas aos movimentos negativos ou positivos dos astros...

Bjao de Bom domingo pra ti!

William

Sandra Mendes disse...
20 de novembro de 2011 às 23:40  

Estimado António,

Tenho de concordar completamente com as suas palavras.

Já vivi essa experiência: Há uns anos atrás, encontrei um gémeo astrológico com o mesmo mapa natal que eu (nascido no mesmo dia, mês, ano, local), mas de sexo masculino.

Foi engraçado ver que nalgumas áreas das nossas vidas fizemos escolhas semelhantes (mesma universidade, curso superior) mas noutras até opostas (no secundário, eu seguiu um percurso de ciências e ele seguiu letras).

Eu cresci numa grande cidade e ele numa aldeia pequena. Eu sou filha única, ele tinha uma irmã. O nosso estilo de vestir pode-se dizer que era quase oposta. Isto para inumerar alguns aspetos.

Contudo, apesar de acreditar no livre arbítrio, eu continuo a amar a Astrologia. É uma fonte excelente para o nosso auto-conhecimento.

Tudo de bom,
Sandra Mendes

Isabel Redig disse...
21 de novembro de 2011 às 02:15  

Olá Antonio.

Excelente texto. Muito esclarecedor mesmo.

Sou apenas uma estudante fascinada pela Astrologia por entendê-la como um poderoso instrumento de auto-conhecimento.
E, entendo que, de algum modo, os Astros nos mostram e nos lembram as escolhas feitas pela alma no sentido de nossa evolução. O livre arbítrio está, em como iremos viver estas experiências. Se pelo seu aspecto negativo (pela dor)ou pelo positivo (pelo amor). Mas é inegável de que vamos vivê-las.
Acho que por isso tornou-se tão útil para a Psicologia e para a busca de um propósito nesta vida (Astrologia Cármica).

Uma boa semana para você.
Isabel Redig

Cláudia disse...
21 de novembro de 2011 às 09:17  

Aqui está um texto sem dúvida muito interessante. Parabéns pela eloquência e clareza.

MARCELO DALLA disse...
22 de novembro de 2011 às 08:24  

Disse tudo!!! E deforma simples, como dever ser.
Bem Hajas, querido!!!
abraço

António Rosa disse...
22 de novembro de 2011 às 11:01  

Querido William

Fico muito agradecido por ter vindo e ter deixado palavras tão bonitas.

Agradeço-te muito, meu querido.

António Rosa disse...
22 de novembro de 2011 às 11:01  

Sandra,

A vida é assim mesmo. Nós, enquanto seres humanos, somos superiores ao nosso próprio mapa. Acontece que muitas vezes ficamos baralhados e confusos e não atinamos connosco mesmo.

Grande abraço agradecido.

António Rosa disse...
22 de novembro de 2011 às 11:01  

Isabel,

Muito agradecido pels suas palavras e, sobretudo por se interessar por esta área da Vida que é a astrologia.

Os astros mostram-nos sobretudo o tipo de emoções (energias) que potencialmente iremos vivenciar. Se sabemos ou não «resolver» essas questões, sé assunto do ser humano, tal como cada pessoa é.

Grande abraço

António Rosa disse...
22 de novembro de 2011 às 11:02  

Cláudia,

Muito obrigado pela sua generosidade.

Abraço.

António Rosa disse...
22 de novembro de 2011 às 11:02  

Marcelo,

Que bom sentir o seu apoio. Mesmo bom.

Abraço.

Shin Tau disse...
23 de novembro de 2011 às 22:00  

Acrescento apenas que há mesmo gémeos, do mesmo sexo, e consequentemente com o mesmo mapa astral, da mesma família e as mesmas oportunidade e que dadas as escolhas feitas são tão diferentes!

Well putted! Custa-nos ainda muito aceitar que somos nós que fazemos o caminho, é talvez por nos encharcarem a cabeça com más ideias quando somos crianças de que ser responsável é penoso, daí fica o input e agora é uma carga dos diabos alterar a formatação!

Já tinha saudades de vir até aqui! :)

beijocas ursinho lindo!

Paula Mota disse...
24 de novembro de 2011 às 00:40  

António Rosa,

passo por aqui de vez em quando, parabens e obrigada pelo seu trabalho.

Mas essa do livre arbitrio, daria uma troca de ideias engraçada e longa..."a onde tens de ir não podes fugir..." e individuos com mapas iguais comportam-se de formas diferentes porque apresentam diferentes níveis de consciencia...diferentes lições a aprender...diferentes "dharmas" e "karmas"...não há 2 mapas iguais...assim como não há 2 indivíduos iguais...livre arbitrio? Mera ilusão...

Um abarço!

Susana disse...
30 de abril de 2013 às 10:12  

Bom dia António Rosa!
Obrigada por este texto :)
A propósito deste tema, eu costumo dizer sempre que a liberdade é o maior valor do homem!

António Rosa disse...
30 de abril de 2013 às 10:23  

Cara Susana

Também penso assim e nos meus escritos o tema do livre-arbítrio é frequente. Para que não se condicione a mente humana.

Muito agradecido.

29 de abril de 2013

O livre-arbítrio e a astrologia



Minha mandala de poder: o Urso. Design by Marcelo Dalla.

Uma amiga que muito estimo fez-me a seguinte pergunta, aqui no blogue:

«Como é que o livre arbítrio "encaixa" na Astrologia, se esta estuda a posição dos astros quando nascemos (e não só), sendo que isso definirá o nosso futuro? Se tudo está "escrito no céu", onde fica o nosso poder de decisão?»

Atendendo que a resposta também foi dada no blogue, tive que usar da maior concisão que fui capaz. Saiu este pequeno texto:

Os astros não influenciam, nem decidem, nem determinam. Apenas dão pistas sobre o potencial de experimentarmos determinadas emoções.

O resto é com o ser humano.

O posicionamento dos astros num mapa de nascimento, dão-nos muitas informações daquilo que há poucos anos se convencionou chamar de psicologia. Mas fazem mais que isso, muito mais. Mostram-nos a pessoa complexa que somos.

Dou muitas vezes este pequeno exemplo sobre o livre-arbítrio:

No mesmo dia e hora e na mesma maternidade (cidade), 3 mulheres de classes sociais muito diferentes dão à luz um rapaz.

Os mapas dos rapazes são iguais.

Teoricamente, e a acreditar naquilo que se lê em livros e sites de astrologia, que falam muito de signos e pouco mais, os rapazes deveriam ter as mesmas características.

Obviamente, quando crescerem, serão pessoas bem diferentes.

Uma das mulheres que deu à luz é de uma classe social muito endinheirada, com grandes fortunas (bancos, seguros, etc).

Outra das mulheres é de classe média e vive de acordo com as suas circunstâncias.

A terceira mulher provém de um bairro social desfavorecido, onde se trafica o pior que se possa imaginar.

Logo à partida, estas crianças - com mapas iguais -, terão educação e oportunidades muito diferentes. Escolas diferentes. Motivações diferentes. Culturas diferentes. Ambientes sociais diferentes. Etc.

Mesmo partindo do princípio que cada mãe ama profundamente o seu filho e que lhes incuta os mesmos valores universais, estas crianças aprenderão a usar o livre-arbítrio de forma completamente distinta.

Logo ao nascer, são diferentes, com mapas iguais.

Ainda crianças e adolescentes, serão confrontados com escolhas (livre-arbítrio) completamente diferentes. Perante situações de vida similares.

Eu podería ir por aí fora, mas creio que está subentendido que o livre-arbítrio é um factor pessoal, mas que envolve situações externas a cada um, de forma bem marcada.

O mesmo se passará quando forem adultos.

Creio que este exemplo serve para ilustrar o que pretendo dizer.

Quando se olha a astrologia como meras previsões, pode-se cair com facilidade na ideia de que tudo está destinado. Não está.

As nossas escolhas e aceitação das respectivas consequências é que marcam aquilo que somos.

Eu escolho entrar em negação e não aceitar, sofrendo muito com isso? Ou escolho aceitar e sofrer o mínimo possível, mantendo-me bem comigo mesmo?

Muito obrigado.


Este artigo já tinha sido publicado a 19/8/2011, mas a tendência é ficar esquecido, por isso, reanimei-o a aparecer novamente, em 29-4-2013, dando início ao novo layout do blogue.
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14 comentários:

William Garibaldi disse...

Que belo texto amigo António!
"Quando se olha a astrologia como meras previsões, pode-se cair com facilidade na ideia de que tudo está destinado. Não está."

Quero ainda acrecentar que as pessoas se esquecem da sincronicidade e da ressonância... e que através de ambas se tornam ligadas aos movimentos negativos ou positivos dos astros...

Bjao de Bom domingo pra ti!

William

Sandra Mendes disse...

Estimado António,

Tenho de concordar completamente com as suas palavras.

Já vivi essa experiência: Há uns anos atrás, encontrei um gémeo astrológico com o mesmo mapa natal que eu (nascido no mesmo dia, mês, ano, local), mas de sexo masculino.

Foi engraçado ver que nalgumas áreas das nossas vidas fizemos escolhas semelhantes (mesma universidade, curso superior) mas noutras até opostas (no secundário, eu seguiu um percurso de ciências e ele seguiu letras).

Eu cresci numa grande cidade e ele numa aldeia pequena. Eu sou filha única, ele tinha uma irmã. O nosso estilo de vestir pode-se dizer que era quase oposta. Isto para inumerar alguns aspetos.

Contudo, apesar de acreditar no livre arbítrio, eu continuo a amar a Astrologia. É uma fonte excelente para o nosso auto-conhecimento.

Tudo de bom,
Sandra Mendes

Isabel Redig disse...

Olá Antonio.

Excelente texto. Muito esclarecedor mesmo.

Sou apenas uma estudante fascinada pela Astrologia por entendê-la como um poderoso instrumento de auto-conhecimento.
E, entendo que, de algum modo, os Astros nos mostram e nos lembram as escolhas feitas pela alma no sentido de nossa evolução. O livre arbítrio está, em como iremos viver estas experiências. Se pelo seu aspecto negativo (pela dor)ou pelo positivo (pelo amor). Mas é inegável de que vamos vivê-las.
Acho que por isso tornou-se tão útil para a Psicologia e para a busca de um propósito nesta vida (Astrologia Cármica).

Uma boa semana para você.
Isabel Redig

Cláudia disse...

Aqui está um texto sem dúvida muito interessante. Parabéns pela eloquência e clareza.

MARCELO DALLA disse...

Disse tudo!!! E deforma simples, como dever ser.
Bem Hajas, querido!!!
abraço

António Rosa disse...

Querido William

Fico muito agradecido por ter vindo e ter deixado palavras tão bonitas.

Agradeço-te muito, meu querido.

António Rosa disse...

Sandra,

A vida é assim mesmo. Nós, enquanto seres humanos, somos superiores ao nosso próprio mapa. Acontece que muitas vezes ficamos baralhados e confusos e não atinamos connosco mesmo.

Grande abraço agradecido.

António Rosa disse...

Isabel,

Muito agradecido pels suas palavras e, sobretudo por se interessar por esta área da Vida que é a astrologia.

Os astros mostram-nos sobretudo o tipo de emoções (energias) que potencialmente iremos vivenciar. Se sabemos ou não «resolver» essas questões, sé assunto do ser humano, tal como cada pessoa é.

Grande abraço

António Rosa disse...

Cláudia,

Muito obrigado pela sua generosidade.

Abraço.

António Rosa disse...

Marcelo,

Que bom sentir o seu apoio. Mesmo bom.

Abraço.

Shin Tau disse...

Acrescento apenas que há mesmo gémeos, do mesmo sexo, e consequentemente com o mesmo mapa astral, da mesma família e as mesmas oportunidade e que dadas as escolhas feitas são tão diferentes!

Well putted! Custa-nos ainda muito aceitar que somos nós que fazemos o caminho, é talvez por nos encharcarem a cabeça com más ideias quando somos crianças de que ser responsável é penoso, daí fica o input e agora é uma carga dos diabos alterar a formatação!

Já tinha saudades de vir até aqui! :)

beijocas ursinho lindo!

Paula Mota disse...

António Rosa,

passo por aqui de vez em quando, parabens e obrigada pelo seu trabalho.

Mas essa do livre arbitrio, daria uma troca de ideias engraçada e longa..."a onde tens de ir não podes fugir..." e individuos com mapas iguais comportam-se de formas diferentes porque apresentam diferentes níveis de consciencia...diferentes lições a aprender...diferentes "dharmas" e "karmas"...não há 2 mapas iguais...assim como não há 2 indivíduos iguais...livre arbitrio? Mera ilusão...

Um abarço!

Susana disse...

Bom dia António Rosa!
Obrigada por este texto :)
A propósito deste tema, eu costumo dizer sempre que a liberdade é o maior valor do homem!

António Rosa disse...

Cara Susana

Também penso assim e nos meus escritos o tema do livre-arbítrio é frequente. Para que não se condicione a mente humana.

Muito agradecido.

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