Os argentinos estão na moda

30 de abril de 2013 ·



«Bastou uma lágrima para que a argentina Máxima Zorreguieta, de 41 anos, conquistasse a simpatia de toda a Holanda, país do qual será rainha consorte a partir desta terça-feira (30).

Onze anos atrás, quando se casou com o príncipe Willem-Alexander, a economista era desconhecida no pequeno reino europeu e o fato de seu pai, Jorge Zorreguieta, ter sido secretário de Agricultura do governo ditatorial de Jorge Rafael Videla (1976-1981) na Argentina era uma mancha em sua reputação.

Mas o choro pela ausência do pai, proibido de participar da cerimônia pelas autoridades holandesas, e também da mãe, que optou por não ir sozinha, reverteu a situação drasticamente.

Sua demonstração pública de emoção foi vista com bons olhos e nos últimos anos sua popularidade chegou a ser maior do que a do marido e da própria sogra, a rainha Beatrix, que nesta terça-feira passa a coroa ao filho.

Esta é a primeira vez em mais de 120 anos que a Holanda terá um rei - a história recente tem reservado o trono do país às mulheres: Emma (rainha regente de 1890 a 1898), Wilhelmina (1898 a 1948), Juliana (1948 a 1980) e Beatrix (1980 a 2013).

E a linha de sucessão após o novo monarca começa com a princesa Catharina-Amalia, filha de Máxima e de Willem-Alexander. A herdeira do trono holandês tem ainda duas irmãs, Alexia e Ariane.

Plebeia

Máxima seria a primeira nascida na América Latina (no caso dela, em Buenos Aires) a ocupar o posto de rainha-consorte em um país europeu.

A rainha Sílvia, da Suécia, nascida na cidade alemã de Heidelberg, é filha de pai alemão e mãe brasileira e morou em São Paulo entre 1947 e 1957. Ela fala português fluentemente e ocupa o posto na monarquia sueca desde 1973, quando o Carl 16º Gustaf se tornou rei.

Em comum, as duas têm um passado de plebeias pertencentes à elite. Máxima estudou no famoso colégio bilíngue Northlands, em um bairro nobre da capital argentina, e, depois de se formar em economia, em 1995, se mudou para Nova York, onde trabalhou em uma série de instituições financeiras, entre elas o Deutsche Bank.

Após um tempo de carreira e períodos de trabalho nos Estados Unidos e na Europa, foi apresentada a Willem-Alexander por uma amiga aristocrata durante uma viagem e dois anos depois estava casada com o futuro chefe da monarquia Orange-Nassau.

Destaque e acusações

Além da personalidade latina, emotiva, Máxima se destacou pelo interesse pela cultura local e a rapidez com que aprendeu a falar holandês.

Em 2009 foi nomeada como representante de um programa especial das Nações Unidas para avançar o desenvolvimento inclusivo por meio do microcrédito e viajou por diversos países.

Mas ela e o marido também já foram alvos de acusações. Em 2011, um jornal holandês acusou os dois de evasão de impostos por meio de um paraíso fiscal. A polêmica surgiu por um projeto do casal de construir uma casa de veraneio em Moçambique - que logo foi descartado.

A imprensa holandesa também já levantou a questão das férias extravagantes do casal, para lugares caros e exóticos.

Monarquia holandesa

A família real holandesa é tradicionalmente informal quando comparada a outras monarquias europeias. Os príncipes costumam estudar em escolas públicas, e as cerimônias são menos pomposas.

Mas os mesmos monarcas que patinam no gelo ao lado dos súditos mantêm a casa real mais cara da Europa: de acordo com um informe divulgado em 2011, os gastos anuais dos Orange-Nassau superam os US$ 50 milhões anuais (cerca de R$ 100 milhões).

Apesar dos altos gastos da família real, 59% dos holandeses dizem confiar nos Orange-Nassau, enquanto apenas 12% demonstram confiança nos políticos, e 75% apoiam a manutenção da monarquia constitucional.

O rei e a rainha já anunciaram que por ora continuarão vivendo em Wassenaar, uma pequena cidade de 25 mil habitantes em uma das áreas mais ricas da Holanda, e que devem levar alguns anos até se mudarem para o palácio real de Bosch, em Haia.
Além disso, manterão a herdeira do trono holandês e suas irmãs na escola pública onde estudam.

A festa de coroação ocorre na terça-feira, no tradicional Queen's Day, ou Koninginnedag - o Dia da Rainha - quando as ruas e canais de Amsterdã e do resto do país se vestem de laranja para celebrar o aniversário da rainha.»




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30 de abril de 2013

Os argentinos estão na moda



«Bastou uma lágrima para que a argentina Máxima Zorreguieta, de 41 anos, conquistasse a simpatia de toda a Holanda, país do qual será rainha consorte a partir desta terça-feira (30).

Onze anos atrás, quando se casou com o príncipe Willem-Alexander, a economista era desconhecida no pequeno reino europeu e o fato de seu pai, Jorge Zorreguieta, ter sido secretário de Agricultura do governo ditatorial de Jorge Rafael Videla (1976-1981) na Argentina era uma mancha em sua reputação.

Mas o choro pela ausência do pai, proibido de participar da cerimônia pelas autoridades holandesas, e também da mãe, que optou por não ir sozinha, reverteu a situação drasticamente.

Sua demonstração pública de emoção foi vista com bons olhos e nos últimos anos sua popularidade chegou a ser maior do que a do marido e da própria sogra, a rainha Beatrix, que nesta terça-feira passa a coroa ao filho.

Esta é a primeira vez em mais de 120 anos que a Holanda terá um rei - a história recente tem reservado o trono do país às mulheres: Emma (rainha regente de 1890 a 1898), Wilhelmina (1898 a 1948), Juliana (1948 a 1980) e Beatrix (1980 a 2013).

E a linha de sucessão após o novo monarca começa com a princesa Catharina-Amalia, filha de Máxima e de Willem-Alexander. A herdeira do trono holandês tem ainda duas irmãs, Alexia e Ariane.

Plebeia

Máxima seria a primeira nascida na América Latina (no caso dela, em Buenos Aires) a ocupar o posto de rainha-consorte em um país europeu.

A rainha Sílvia, da Suécia, nascida na cidade alemã de Heidelberg, é filha de pai alemão e mãe brasileira e morou em São Paulo entre 1947 e 1957. Ela fala português fluentemente e ocupa o posto na monarquia sueca desde 1973, quando o Carl 16º Gustaf se tornou rei.

Em comum, as duas têm um passado de plebeias pertencentes à elite. Máxima estudou no famoso colégio bilíngue Northlands, em um bairro nobre da capital argentina, e, depois de se formar em economia, em 1995, se mudou para Nova York, onde trabalhou em uma série de instituições financeiras, entre elas o Deutsche Bank.

Após um tempo de carreira e períodos de trabalho nos Estados Unidos e na Europa, foi apresentada a Willem-Alexander por uma amiga aristocrata durante uma viagem e dois anos depois estava casada com o futuro chefe da monarquia Orange-Nassau.

Destaque e acusações

Além da personalidade latina, emotiva, Máxima se destacou pelo interesse pela cultura local e a rapidez com que aprendeu a falar holandês.

Em 2009 foi nomeada como representante de um programa especial das Nações Unidas para avançar o desenvolvimento inclusivo por meio do microcrédito e viajou por diversos países.

Mas ela e o marido também já foram alvos de acusações. Em 2011, um jornal holandês acusou os dois de evasão de impostos por meio de um paraíso fiscal. A polêmica surgiu por um projeto do casal de construir uma casa de veraneio em Moçambique - que logo foi descartado.

A imprensa holandesa também já levantou a questão das férias extravagantes do casal, para lugares caros e exóticos.

Monarquia holandesa

A família real holandesa é tradicionalmente informal quando comparada a outras monarquias europeias. Os príncipes costumam estudar em escolas públicas, e as cerimônias são menos pomposas.

Mas os mesmos monarcas que patinam no gelo ao lado dos súditos mantêm a casa real mais cara da Europa: de acordo com um informe divulgado em 2011, os gastos anuais dos Orange-Nassau superam os US$ 50 milhões anuais (cerca de R$ 100 milhões).

Apesar dos altos gastos da família real, 59% dos holandeses dizem confiar nos Orange-Nassau, enquanto apenas 12% demonstram confiança nos políticos, e 75% apoiam a manutenção da monarquia constitucional.

O rei e a rainha já anunciaram que por ora continuarão vivendo em Wassenaar, uma pequena cidade de 25 mil habitantes em uma das áreas mais ricas da Holanda, e que devem levar alguns anos até se mudarem para o palácio real de Bosch, em Haia.
Além disso, manterão a herdeira do trono holandês e suas irmãs na escola pública onde estudam.

A festa de coroação ocorre na terça-feira, no tradicional Queen's Day, ou Koninginnedag - o Dia da Rainha - quando as ruas e canais de Amsterdã e do resto do país se vestem de laranja para celebrar o aniversário da rainha.»




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