«Neptuno, o Senhor dos Mares», por Carmen Ferreira

6 de setembro de 2011 ·

texto e foto do SAPO Mulher - daqui.



Nada é por acaso, logo, não é de estranhar que sendo o tema desta crónica, a última deste ciclo, o Senhor dos Mares, me tenha perdido e no tempo e tenha navegado à deriva antes de a iniciar.

É fácil perdermo-nos em Neptuno… Por isso, o melhor, para me reposicionar, é mesmo começar pelo início, contando sobre o seu nascimento.

Talvez ainda se lembrem que Saturno, o pai de Neptuno, tomado pelo medo de ser destronado, devorava os seus filhos. E que Reia, que já estava mesmo cansada de perder os seus rebentos, engendrou uma forma, assim como tinha feito com Júpiter e com Plutão, de esconder Neptuno da fúria devoradora de seu pai entregando-o a uns pastores para que fosse criado longe de perigos.

Quando o temor de Saturno se concretizou e os seus próprios filhos, por razões que ele próprio alimentou com o seu medo de perder o poder, o expulsaram do trono Olímpico, coube a Neptuno como recompensa pela participação revoltosa, o reino das águas e assim chegou ao cargo de Senhor dos Oceanos.

Como símbolo do seu poder usa o tridente com o qual abala a terra e os oceanos, criando os terramotos e os maremotos. Com o seu toque faz brotar água e tem o direito de criar as grandes secas e as grandes inundações. É no fundo do Mar Egeu que tem a sua moradia, num belo palácio de ouro, e percorre o seu reinado numa carruagem, seguida por milhares de nereidas, hipocampos, delfins, ninfas e todas as deslumbrantes criaturas marinhas que encheram a imaginação de todo o tipo de artistas.

A criação do cavalo, a partir de um pedra usando o seu tridente, foi o seu contributo para a competição com Atena numa disputa pelo poder sobre a cidade de Atenas.

Numa reunião no Olímpo, os deuses deliberaram que o domínio da cidade seria atribuído a quem fosse capaz de desencantar o presente mais útil á Humanidade.

A sua oferta á humanidade, que lembra um pouco o significado de Sagitário,(cujo símbolo é um centauro, misto de homem e cavalo) não foi, no entanto, capaz de vencer a oliveira criada por Atena. (Está visto que para os Deuses o alimento, a vida e a luz que a oliveira representa valeram bem mais que tudo que o cavalo
significa…)

Este rei aquático era conhecido pelos seus poderes mágicos que usava para se disfarçar fazia-se envolver por uma nebulosa aura, atraindo com ela magneticamente as mulheres dos outros. Aproveitando com isso para as roubar e seduzir.

Dizem as más línguas que, uma vez que recebeu no seu reino os órgãos castrados de Saturno, também participou na progenitura de Vénus, a deusa do amor saída das suas águas, ou seja, deu início ao principio da paternidade partilhada.

E esta não é sua única filha famosa nestas andanças mitológicas, é possível que também conheçam Medusa e as suas várias cabeças e ainda Atlas que carregou o mundo nas suas costas. Há ainda quem lhe atribua a progenitura de Pégasus, (a sua mania dos cavalos) embora não seja consensual este facto.

Quem está habituado a ler nas entrelinhas mitológicas, já percebeu, entretanto, o essencial da simbologia deste planeta no enredo astrológico.

Neptuno representa o sonho, as fantasias mas também o vício. Nele não há limites e é impossível detê-lo. Tal como as suas águas, traz prazer, inspiração, mas pode afogar em destruição.

Se observarmos a época em que foi descoberto o planeta, encontraremos algumas pistas sobre os seus múltiplos significados. Assim o nascimento da Cruz Vermelha, a criação dos Direitos Humanos, os contributos de Freud com a hipnose de depois com a psicanálise, o conceito de inconsciente colectivo de Carl Jung, o aparecimento da fotografia e do cinema e a sua inevitável criação de mitos e ilusões transmitidos massivamente. São bons exemplos da carga simbólica atribuída a Neptuno.

Como o seu ciclo pelo zodíaco leva 168 anos a completar, isto equivale a dizer que fica em cada signo aproximadamente 12 anos. Assim o signo de morada para cada geração, do Rei dos Oceanos, fala-nos sobre os mitos captados pelo inconsciente colectivo de cada geração.

A sua morada no nosso mapa natal mostra onde procuramos pelo absoluto, onde teremos que lidar com a desilusão que segue, inevitavelmente, a ilusão, e indica o nosso roteiro para o caminho espiritual.

Como vem sendo habitual, fica a sugestão para procurarem um tradutor competente que vos ajude a entender melhor o que Neptuno tem a dizer sobre o vosso plano individual de vida e, de que forma, melhor o podem sintonizar.

Procure perto de si, ou até longe, se quiser aproveitar as novas tecnologias, um(a) astrólogo(a) e logo ficará mais claro o caminho a seguir…

Até já,

Carmen Ferreira


Carmen Ferreira
Astróloga
Tel: 225028162 / 916324459
969607594 / 939224361
nemsodelua@gmail.com
http://nemsodelua.blogspot.com

.

5 comentários:

Astrid Annabelle disse...
6 de setembro de 2011 às 13:36  

Gostei de ler a Carmen com Neptuno!
Gosto dos textos dela e leio todos.
Com toda a certeza faço parte da corte de Neptuno...com toda a certeza!
Beijo agradecido aos dois...Carmen e António.
Bom dia!
Astrid Annabelle

António Rosa disse...
7 de setembro de 2011 às 08:06  

Bom dia, Astrid,

Pois andamos todos. E vai durar.

Beijos.

Soraia disse...
7 de setembro de 2011 às 19:40  

Olá António!

Eu adoro esse Senhor dos Mares...
Suas lições são preciosas.

Grata pela partilha.
Até mais.

Maria Izabel Viégas disse...
7 de setembro de 2011 às 20:30  

Ant onio amigo, antes que eu fique aqui na minha conchinha prateada, imersa nestas águas de Netuno ;)
quero te deixar um beijo saudoso !!!
E falar do quanto a Carmen é divina, amo tudo que ela escreve...agradeco aos dois pela inspiração e generosa partilha!
beijo beijo beijo

MARCELO DALLA disse...
8 de setembro de 2011 às 01:23  

Adorei!!!!
Sou completamente apaixonado pela simbologia de Netuno e a Carmem nos conta de maneira deliciosa.
Grato a ela e você, amigo!!!
abraços

6 de setembro de 2011

«Neptuno, o Senhor dos Mares», por Carmen Ferreira

texto e foto do SAPO Mulher - daqui.



Nada é por acaso, logo, não é de estranhar que sendo o tema desta crónica, a última deste ciclo, o Senhor dos Mares, me tenha perdido e no tempo e tenha navegado à deriva antes de a iniciar.

É fácil perdermo-nos em Neptuno… Por isso, o melhor, para me reposicionar, é mesmo começar pelo início, contando sobre o seu nascimento.

Talvez ainda se lembrem que Saturno, o pai de Neptuno, tomado pelo medo de ser destronado, devorava os seus filhos. E que Reia, que já estava mesmo cansada de perder os seus rebentos, engendrou uma forma, assim como tinha feito com Júpiter e com Plutão, de esconder Neptuno da fúria devoradora de seu pai entregando-o a uns pastores para que fosse criado longe de perigos.

Quando o temor de Saturno se concretizou e os seus próprios filhos, por razões que ele próprio alimentou com o seu medo de perder o poder, o expulsaram do trono Olímpico, coube a Neptuno como recompensa pela participação revoltosa, o reino das águas e assim chegou ao cargo de Senhor dos Oceanos.

Como símbolo do seu poder usa o tridente com o qual abala a terra e os oceanos, criando os terramotos e os maremotos. Com o seu toque faz brotar água e tem o direito de criar as grandes secas e as grandes inundações. É no fundo do Mar Egeu que tem a sua moradia, num belo palácio de ouro, e percorre o seu reinado numa carruagem, seguida por milhares de nereidas, hipocampos, delfins, ninfas e todas as deslumbrantes criaturas marinhas que encheram a imaginação de todo o tipo de artistas.

A criação do cavalo, a partir de um pedra usando o seu tridente, foi o seu contributo para a competição com Atena numa disputa pelo poder sobre a cidade de Atenas.

Numa reunião no Olímpo, os deuses deliberaram que o domínio da cidade seria atribuído a quem fosse capaz de desencantar o presente mais útil á Humanidade.

A sua oferta á humanidade, que lembra um pouco o significado de Sagitário,(cujo símbolo é um centauro, misto de homem e cavalo) não foi, no entanto, capaz de vencer a oliveira criada por Atena. (Está visto que para os Deuses o alimento, a vida e a luz que a oliveira representa valeram bem mais que tudo que o cavalo
significa…)

Este rei aquático era conhecido pelos seus poderes mágicos que usava para se disfarçar fazia-se envolver por uma nebulosa aura, atraindo com ela magneticamente as mulheres dos outros. Aproveitando com isso para as roubar e seduzir.

Dizem as más línguas que, uma vez que recebeu no seu reino os órgãos castrados de Saturno, também participou na progenitura de Vénus, a deusa do amor saída das suas águas, ou seja, deu início ao principio da paternidade partilhada.

E esta não é sua única filha famosa nestas andanças mitológicas, é possível que também conheçam Medusa e as suas várias cabeças e ainda Atlas que carregou o mundo nas suas costas. Há ainda quem lhe atribua a progenitura de Pégasus, (a sua mania dos cavalos) embora não seja consensual este facto.

Quem está habituado a ler nas entrelinhas mitológicas, já percebeu, entretanto, o essencial da simbologia deste planeta no enredo astrológico.

Neptuno representa o sonho, as fantasias mas também o vício. Nele não há limites e é impossível detê-lo. Tal como as suas águas, traz prazer, inspiração, mas pode afogar em destruição.

Se observarmos a época em que foi descoberto o planeta, encontraremos algumas pistas sobre os seus múltiplos significados. Assim o nascimento da Cruz Vermelha, a criação dos Direitos Humanos, os contributos de Freud com a hipnose de depois com a psicanálise, o conceito de inconsciente colectivo de Carl Jung, o aparecimento da fotografia e do cinema e a sua inevitável criação de mitos e ilusões transmitidos massivamente. São bons exemplos da carga simbólica atribuída a Neptuno.

Como o seu ciclo pelo zodíaco leva 168 anos a completar, isto equivale a dizer que fica em cada signo aproximadamente 12 anos. Assim o signo de morada para cada geração, do Rei dos Oceanos, fala-nos sobre os mitos captados pelo inconsciente colectivo de cada geração.

A sua morada no nosso mapa natal mostra onde procuramos pelo absoluto, onde teremos que lidar com a desilusão que segue, inevitavelmente, a ilusão, e indica o nosso roteiro para o caminho espiritual.

Como vem sendo habitual, fica a sugestão para procurarem um tradutor competente que vos ajude a entender melhor o que Neptuno tem a dizer sobre o vosso plano individual de vida e, de que forma, melhor o podem sintonizar.

Procure perto de si, ou até longe, se quiser aproveitar as novas tecnologias, um(a) astrólogo(a) e logo ficará mais claro o caminho a seguir…

Até já,

Carmen Ferreira


Carmen Ferreira
Astróloga
Tel: 225028162 / 916324459
969607594 / 939224361
nemsodelua@gmail.com
http://nemsodelua.blogspot.com

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5 comentários:

Astrid Annabelle disse...

Gostei de ler a Carmen com Neptuno!
Gosto dos textos dela e leio todos.
Com toda a certeza faço parte da corte de Neptuno...com toda a certeza!
Beijo agradecido aos dois...Carmen e António.
Bom dia!
Astrid Annabelle

António Rosa disse...

Bom dia, Astrid,

Pois andamos todos. E vai durar.

Beijos.

Soraia disse...

Olá António!

Eu adoro esse Senhor dos Mares...
Suas lições são preciosas.

Grata pela partilha.
Até mais.

Maria Izabel Viégas disse...

Ant onio amigo, antes que eu fique aqui na minha conchinha prateada, imersa nestas águas de Netuno ;)
quero te deixar um beijo saudoso !!!
E falar do quanto a Carmen é divina, amo tudo que ela escreve...agradeco aos dois pela inspiração e generosa partilha!
beijo beijo beijo

MARCELO DALLA disse...

Adorei!!!!
Sou completamente apaixonado pela simbologia de Netuno e a Carmem nos conta de maneira deliciosa.
Grato a ela e você, amigo!!!
abraços

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