Dedicado à amiga Maria Izabel Viegas - quadratura de Plutão ao Sol

5 de novembro de 2009 ·


Este tema foi proposto pela terapeuta e astróloga Maria Izabel Viegas, autora dos blogues «Memórias de Vidas Passadas», «Viajantes na Linha do Tempo» e «Despertar de Memórias», a quem dedico o artigo, como gratidão pelo muito que aprendo com ela, nos seus blogues.


O tema deste texto trata das possibilidades do trânsito de Plutão em quadratura ao Sol natal.

Antes de continuar, quero deixar claro que este trânsito não afecta a todos por igual. Varia consoante a idade da pessoa, a experiência de vida, nível cultural aprendido e desenvolvido, meio social a que pertence e, sobretudo, a forma filosófica e espiritual como encara a vida. Sem quietude interna, sem processos de aceitação pessoal perante as questões do dia-a-dia, não se passa «da melhor maneira» por este trânsito. Ficando isto claro, passemos à natureza do trânsito.

A natureza primária deste trânsito chama-se «conflito». A situação mais comum deste trânsito na vida das pessoas é a possibilidade de experimentar o conflito com outra pessoa ou uma situação em concreto, abertamente desafiador.

Se o trânsito destes planetas fosse uma conjunção, a natureza básica seria uma «erupção interior que não se consegue conter»; se fosse uma oposição trataria de um «ataque demolidor» do campo oposto. Aqui, na quadratura, estaremos sempre a falar de «conflitos».


Vou ter que dar uma pequena explicação sobre o posicionamento de Plutão nos signos, para dar maior compreensão aos leitores menos familiarizados com as contas astrológicas.

A forma do conflito que se apresentar à pessoa depende das casas e dos signos onde estão situados os planetas. Portanto, com inúmeras variáveis. São 12 casas onde poderão estar o Sol e Plutão. No que a signos se refere, o Sol pode estar num dos 12, mas Plutão só poderá estar entre os signos Câncer e Sagitário, pois como é um planeta muito lento e com uma enorme órbita em redor do Sol (cerca de 250 anos), nesta nossa reencarnação colectiva (a população maioritária do planeta), só conhecemos os efeitos directos deste planeta em poucos de signos.

Se soubermos que Plutão ingressou pela última vez em Câncer em 1912, percebemos imediatamente que as pessoas vivas com Plutão nos primeiros graus neste signo, hoje são bastante idosas. Terão aprendido o suficiente para não entrarem em grandes conflitos. Entrou no signo seguinte, Leão, em Outubro de 1937. Em Virgem, em Outubro de 1956. Em Libra/Balança, em Outubro de 1971. Em Escorpião, em Novembro de 1983. Em Sagitário, em Janeiro de 1995 (são muito jovens actualmente). Eu passei por esta quadratura quando tinha 18 anos e pela oposição aos 56. Não foi fácil.

Voltemos, definitivamente, ao «conflito». Este ambiente pode ser provocado por algo absolutamente insignificante, que só as partes envolvidas valorizam, como pode ter uma base com questões poderosas. Nesta situação, neste trânsito, o conflito pode ser muito atraente para a pessoa, mas também temos que considerar a possibilidade de ser um assunto repulsivo, desagradável, provocando sérios transtornos. A atracção e repulsão podem ocorrer ao mesmo tempo. Muito plutónico, portanto.

Se a situação for esta – atracção e repulsão simultâneas -, é garantido que a pessoa sente que não quer fugir ao desafio que se apresenta. Irá embrenhar-se em pleno no conflito, neste combate, esgotando-a. Por uma razão simples: porque aceitar a possibilidade de se afastar do conflito, significa abandonar algo que é muito apreciado. Portanto, a pessoa deve preparar-se para esta situação, sobretudo no início do trânsito.

A pessoa pode preferir encarar este conflito como uma batalha contra o outro ou uma determinada situação. Porém, não costuma ser a escolha mais sábia, nem a mais conveniente. Apesar de ser doloroso, recomendo que a escolha entre seguir o conflito ou ignorá-lo, seja o deixar que o interno faça a sua escolha, evitando dar espaço ao ego. Ir atrás do conflito é o caminho certo para a ocorrência de estragos. Ser firme é uma coisa. Ser teimoso e orgulhoso é outra.

Falemos um pouco de Plutão neste trânsito. Com Plutão as regras são simples: pegar ou largar, aceitar ou resistir. Este trânsito ao Sol trata de aprendermos a soltar algo e aceitar essa situação, com a maior serenidade possível. Não é fácil. Mas o ser humano, habitualmente, não quer fazer nenhuma das coisas.

Esta situação é mais enfática neste trânsito ao Sol porque a nossa luminária representa o conjunto de identificações dirigidas ao ego. São poucas as pessoas (entre os biliões que habitam o planeta Terra) que tenham transcendido a representação do Sol, enquanto ego, evoluindo para a representação do Ser, sem ego. Por isso é que reencarnamos: para aprendermos e tentarmos esta transcendência.

Como consequência do nosso ego em ebulição, este trânsito de Plutão em quadratura ao Sol é sempre um troço duro de roer para o nosso sentido de continuidade pessoal. Não é fantasioso supor que esta quadratura representa de algum modo, uma certa «morte»; assim, vamos aprendendo a aquietar-nos, a sossegarmos, a não vivermos em excitação constante. Recordam-se de mais acima ter dito que este trânsito varia consoante as condições de cada pessoa? Este trânsito aos 'trintas', é muito diferente se ocorrer aos 'cinquentas' ou 'sessentas'. Percebem o que digo? A vida ensina-nos.

Chegou o momento de deixarmos de parte o lado mais arisco e destrutivo do trânsito e observarmos o outro lado, pois Plutão trabalha em dois tempos: destruição e regeneração.

Esta regeneração chegará na segunda metade do trânsito, que pode durar dois anos ou mais. Veremos surgir em nós mesmos uma forma de identidade nova, mais enraizada na própria vida. Um enraizamento mais profundo, mais fértil, mais saboroso. A olharmos para trás, constataremos que fizemos uma enorme caminhada. Que foi um caminho pejado de alguns perigos, que fomos aplanando, aprendendo a valorizar-nos. E assim, ‘la nave va’

Se a quadratura for «crescente» suporá um compromisso mais profundo com as nossas forças vitais, afastamento do que é ambíguo, fixando metas mais razoáveis. Se a quadratura for «minguante» passaremos a ter uma perspectiva mais realista e mais profunda da vida, ficando mais aptos à adaptação, sem utopias.

É a aprendizagem da subida ao patamar da sabedoria.

Passem bem. Muito obrigado.

21 comentários:

Cris França disse...
5 de novembro de 2009 às 13:33  

Ola Antonio

Belo post, amigo:
O Canto de Contar Contos vai comemorar o seu primeiro ano de vida e eu vim te convidar para a festa, passe por lá para saber mais.

Um beijo

Cris

Sandro Gomes disse...
5 de novembro de 2009 às 14:14  

Olá, Antônio.

Vc poderia me explicar essa idéia de "ataque demolidor" de Plutão em sua oposição ao Sol? Em 2015 ele inicia esse ataque aos meus Mercúrio e Sol natais.

Uma sugestão para um post sobre Plutão e seus trânsitos: os trígonos. Será que eles são mais transformadores do que as quadraturas?

Maria Izabel Viégas disse...
5 de novembro de 2009 às 14:52  

António querido, não tenho palavras para agradecer-te. É um anjo amigo.
Só de ler ...estou a chorar.
Vou analisar tudo que me aconteceu , (claro que não posso falar de algumas situações) imagine , acontecendo desde plutão está entrando e saindo ainda em sagitário na minha casa 12. Consegui sentir esse efeito n'alma inquieta( fui olhar meu mapa, pois em "casa de ferreiro o espeto é de pau", é um defeito meu rs) e , graças ao Pai Amoroso, entendi os sinais, entreguei-me chamado à espiritualizaçãce para a cura. Neste mister tudo abriu-se... onde ia nem falava já estava no lugar certo;mas... o conflito vem a mim, mesmo se eu ficar debaixo da cama, calada. Até meu coração resolveu aprontar comigo...
Vou ler mais, mais e muito...analisar meu mapa e volto com o meu depoimento.
Grata amigo, tua generosidade é imensa.
Eu volto...
Beijos nesta alma linda e neste coração de luz!
Que Deus sempre te abençoe!

António Rosa disse...
5 de novembro de 2009 às 15:39  

Cris

Já estive no seu blogue e deixei um comentário. Muito obrigado pela ideia tão bonita.

Beijos

António Rosa disse...
5 de novembro de 2009 às 15:40  

Sandro

O tal 'ataque demolidor' é simples: de onde menos espera aparece uma ou mais situações que o colocam fora do seu habitual. Dito desta maneira, parece simples, mas olhe que é bem duro. Há sempre uma parte de nós mais frágil que é ameaçada.

Em 2015? O melhor é nem pensar nisso... :)

Obrigado pela proposta dos trígonos. Não são tão 'regeneradores', pois são muito mais 'integradores'.

Abraço

angela disse...
5 de novembro de 2009 às 16:13  

Aii Antonio, acho que não adianta temer é tentar encarar o que vier.
beijos

António Rosa disse...
5 de novembro de 2009 às 16:17  

Queria Maria Izabel

Foi com muito prazer que parei para pensar no que deveria escrever. Fez-me bem à alma. Andei com o texto na mente e nos apontamentos, nos últimos dias, desde segunda-feira. Hoje cedo, saiu.

Muito obrigado por me ter posto no caminho do pensamento positivo, pois tenho andado meio afastado, com as tarefas do dia-a-dia a imporem de outro jeito.

Gostei muito da sua expressão: «mas... o conflito vem a mim, mesmo se eu ficar debaixo da cama, calada». A quadratura é isso mesmo. Vem até nós. Somos desafiados.

Tive que fazer uma retrospectiva de vida para me recordar da minha quadratura aos 18 anos e da oposição, aos 56. Apenas há 4 anos. Em amabas as situações a minha vida deu uma volta muito grande.

Já aprendi que nós, astrólogos, ficamos mais frágeis perante o nossso mapa. No último ano tenho perguntado coisas dos meus trânsitos à minha amiga e astróloga Ana Cristina Corrêa Mendes, pois sózinho não chegaria ao destino, em condições.

Não precisa voltar, mas como sabe, é sempre muito bem recebida neste paralelo.

Beijos na sua alma.

António Rosa disse...
5 de novembro de 2009 às 16:26  

Angela

A sua quadratura de Plutão ao seu Sol natal aconteceu entre 1993, tendo finalizado em 1997. Só a Angela saberá se foram anos decisivos na sua vida. Não precisar dar feedback.

Ter medo não ajuda, por isso tem toda a razão. Como bem sabe, nem toda a gente consegue... :)

Beijos

angela disse...
5 de novembro de 2009 às 16:49  

Antonio
em 1993 o mundo parecia sorrir para mim, as coisas iam muito bem e o futuro parecia luminoso quando de uma hora para outra, em fins de 95, começou a adoecer os homens de minha familia, meu sogro e mei pai se foram em um ano e meu marido teve uma doença dificil e sofrida (esta bem atualmente), meu irmão descobriu ser portador de hepatite C e após alguns anos de luta tmbém se foi e eu tive que abrir mão dos sonhos e segurar a mão deles e fazer o que me era possível. Nunca tinha lidado com o sofrimento físico tão de perto e me rasgou inteira. Bem...alguma hora eu teria que me deparar com essas coisas que são da vida, acho até que me vieram tarde, de qualquer jeito acho que é meu ponto fraco, não suporto ver pessoas sofrendo dor física, a psiquica não me judia.
Acabei dando um retorno longo, mas me sinto acolhida por você.
Obrigada
beijos

António Rosa disse...
5 de novembro de 2009 às 17:20  

Angela

Isso foi uma quadratura-limite. Sol é a referência masculina por excelência. Se a quadratura fosse à Lua, seriam as mulheres as afectadas.

Muito agradecido por ter contado parte da sua história. Os trânsitos de Plutão assim: demorados, intensos, nada fáceis. mas temos que os incorporar, aceitando aquilo que a vida nos apresenta.

Grande carma que limpou nessa época.

Beijo de agradecimento.

Rosa Araújo disse...
5 de novembro de 2009 às 17:26  

Olá António

Fui ver no meu mapa... :)
Ainda só vivi a oposição de Plutão ao meu Sol, lá por volta dos 22/23/24 anos, e que corresponde ao nascimento da minha 1ª filha, a seguir demiti-me da profissão que tinha e tive que aprender a adaptar-me à nova situação com menos um ordenado em casa (tenho o Sol na casa II ). Não me ocorre mais nada.
Quanto á quadratura, só acontecerá lá para 2032...

Para mim foi bem pior a oposição de Plutão à minha Lua natal... (que aconteceu à pouco)...

bjs

marcelo dalla disse...
5 de novembro de 2009 às 17:46  

Querido amigo, aprendi muito. Quero agora fazer uma retrospectiva pra lembrar do que aconteceu comigo.
Plutão, a Jornada Evolutiva da Alma. Este é o nome de um livro que quero muito ler, não me lembro o nome do autor. Vou pesquisar.

grande abraço

António Rosa disse...
5 de novembro de 2009 às 17:52  

Rosa,

Quando somos jovens e não muito peso saturnino no mapa, conseguimos resolver com mais leveza certas situações. Depois, o tempo encarrega-se de ir apagando as dores daquelas recordações. Ainda bem que assim é.

Muito agradecido por ter vindo e comentado.

beijo

António Rosa disse...
5 de novembro de 2009 às 17:55  

Marcelo

Será Jeff Green?

Encontra-o disponível na net, gratuito.

Grande abraço

Astrid Annabelle disse...
6 de novembro de 2009 às 15:07  

António!
Ontem estive aqui lendo e relendo seu post. Não quis colocar nenhum comentário sem antes pensar bem.
Fiquei matutando no tema e me lembrei que há três anos atrás você me dizia que Plutão estava sendo um grande vilão nos acontecimentos da minha vida!
Acontece que tenho a impressão que ele se apaixonou por mim e não larga mais do meu pé!!!!!! lol
Pelo menos é essa a sensação que tive lendo o texto acima e isso ocorre há muito, mas muito mais do que três anos!!!!
Será que é possível?
Um beijo para você e outro para a Maria Izabel
Astrid Annabelle

Rui António Santos disse...
6 de novembro de 2009 às 15:35  

Olá amigo António, uma quadratura de Plutão ao Sol é muito forte nesmo, a regeneração da consciência dá-se através de mortes psiquicas, que nos vão fazer crescer e mudar, e isso pode doer muito quando a pessoa não está preparada.

Uma leitura que me ajudou muito foi o livro de Escorpião de Maria Flávia. Onde Maria Flávia fala de Marte/Plutão , mas tambem o caminho que Plutão atravessa até ficar regenerado.

Estou com um trigno de Plutão a Plutão Natal e ao Ascendente, o tempo para mim é de integração.

Não é por acaso este seu Post, neste mês de Escorpião. O pensamento semente para este Mès é: Guerreiro eu sou e da Batalha saio triunfante.

Sempre aprendendo consigo

Abraço Grande

António Rosa disse...
7 de novembro de 2009 às 11:31  

Astrid

Estava agora a olhar o seu mapa e tenho que concordar consigo. Basicamente, tem sido sempre Plutão a funcionar, além de haver outros trânsitos em simultâneo:

Se olhar para o seu mapa natal, verá que o seu Ascendente está no grau 27 de Gémeos.

Também notará que Úrano está conjunto a 2º do Ascendente, no grau 25, na casa 12.

Também pode ver que tem a seguir ao Ascendente, o planeta Mercúrio no grau 1º de Câncer e um pouco mais abaixo, Vénus, no grau 10 de Câncer.

Excepto Vénus, Plutão tem estado a fazer oposição a esta fila. Primeiro, em Sagitário e agora em capricórnio (nas casas 6 e 7). Começou em 2003 e foi intensificando a sua acção. Primeiro com Úrano, que já deixou para trás. Seguiu-se o Ascendente, que está quase a terminar. Não se esqueça que quando toca o ascendente é como se estivesse a tocar em toda a sua vida.

Neste momento está a fazer oposição a Mercúrio. É a altura de avançar com os seus projectos. Tem irmãos, Astrid?

Daqui por 2 anos é que começa a fazer oposição a Vénus. Falaremos disso em privado, mais tarde.

Beijo

António Rosa disse...
7 de novembro de 2009 às 11:32  

Rui

Também conheço a excelente obra de Maria Flávia. Muito obrigado pelas suas palavras generosas.

Abraço.

Astrid Annabelle disse...
7 de novembro de 2009 às 11:56  

Bom dia António!
Puxa...não esperava tudo isso!
Então eu senti correto...sabe eu tenho cada vez mais apostado no meu sentir!...anda ótimo!!!...
Já copiei e colei na pasta de astrologia para ler e reler...e eu faço isso mesmo!!!
Tive um irmão mas já é falecido...aliás da minha família de origem não tem mais ninguém vivo.
"Daqui por 2 anos é que começa a fazer oposição a Vénus."
Agora me deixou curiosa....
Ficarei aguardando...
Um beijo bem grande por essa análise.
Astrid Annabelle

António Rosa disse...
7 de novembro de 2009 às 12:33  

Astrid

Não foi uma análise, mas apenas um apontamento de confirmação da sua intuição.

Bom fim-de-semana.

Anónimo disse...
27 de fevereiro de 2010 às 18:48  

Olá António

Vou ter muito em breve essa quadratura... aliás, há já algum tempo que sinto que se aproxima... tenho o Sol na V, a 6º de Balança (nasci em 1966)... não sei quando se dará a quadratura exacta.
mas venho essencialmente agradecer-lhe o seu texto... estou precisamente dentro do "conflito". e não por acaso numa "luta", não só de Sol e Plutão, mas de casa V e casa VIII...ou seja: ou de facto me aquieto e me regenero, ou continuarei a morrer-me todos os dias um pouco, sem renascer para mais nada...
e, no entanto, sentindo o que sei e o que já fiz, creio que olharei para trás, quando a quadratura passar, com a certeza de ter dado alguns passos gigantes.

obrigada ♥

Inês BB

5 de novembro de 2009

Dedicado à amiga Maria Izabel Viegas - quadratura de Plutão ao Sol


Este tema foi proposto pela terapeuta e astróloga Maria Izabel Viegas, autora dos blogues «Memórias de Vidas Passadas», «Viajantes na Linha do Tempo» e «Despertar de Memórias», a quem dedico o artigo, como gratidão pelo muito que aprendo com ela, nos seus blogues.


O tema deste texto trata das possibilidades do trânsito de Plutão em quadratura ao Sol natal.

Antes de continuar, quero deixar claro que este trânsito não afecta a todos por igual. Varia consoante a idade da pessoa, a experiência de vida, nível cultural aprendido e desenvolvido, meio social a que pertence e, sobretudo, a forma filosófica e espiritual como encara a vida. Sem quietude interna, sem processos de aceitação pessoal perante as questões do dia-a-dia, não se passa «da melhor maneira» por este trânsito. Ficando isto claro, passemos à natureza do trânsito.

A natureza primária deste trânsito chama-se «conflito». A situação mais comum deste trânsito na vida das pessoas é a possibilidade de experimentar o conflito com outra pessoa ou uma situação em concreto, abertamente desafiador.

Se o trânsito destes planetas fosse uma conjunção, a natureza básica seria uma «erupção interior que não se consegue conter»; se fosse uma oposição trataria de um «ataque demolidor» do campo oposto. Aqui, na quadratura, estaremos sempre a falar de «conflitos».


Vou ter que dar uma pequena explicação sobre o posicionamento de Plutão nos signos, para dar maior compreensão aos leitores menos familiarizados com as contas astrológicas.

A forma do conflito que se apresentar à pessoa depende das casas e dos signos onde estão situados os planetas. Portanto, com inúmeras variáveis. São 12 casas onde poderão estar o Sol e Plutão. No que a signos se refere, o Sol pode estar num dos 12, mas Plutão só poderá estar entre os signos Câncer e Sagitário, pois como é um planeta muito lento e com uma enorme órbita em redor do Sol (cerca de 250 anos), nesta nossa reencarnação colectiva (a população maioritária do planeta), só conhecemos os efeitos directos deste planeta em poucos de signos.

Se soubermos que Plutão ingressou pela última vez em Câncer em 1912, percebemos imediatamente que as pessoas vivas com Plutão nos primeiros graus neste signo, hoje são bastante idosas. Terão aprendido o suficiente para não entrarem em grandes conflitos. Entrou no signo seguinte, Leão, em Outubro de 1937. Em Virgem, em Outubro de 1956. Em Libra/Balança, em Outubro de 1971. Em Escorpião, em Novembro de 1983. Em Sagitário, em Janeiro de 1995 (são muito jovens actualmente). Eu passei por esta quadratura quando tinha 18 anos e pela oposição aos 56. Não foi fácil.

Voltemos, definitivamente, ao «conflito». Este ambiente pode ser provocado por algo absolutamente insignificante, que só as partes envolvidas valorizam, como pode ter uma base com questões poderosas. Nesta situação, neste trânsito, o conflito pode ser muito atraente para a pessoa, mas também temos que considerar a possibilidade de ser um assunto repulsivo, desagradável, provocando sérios transtornos. A atracção e repulsão podem ocorrer ao mesmo tempo. Muito plutónico, portanto.

Se a situação for esta – atracção e repulsão simultâneas -, é garantido que a pessoa sente que não quer fugir ao desafio que se apresenta. Irá embrenhar-se em pleno no conflito, neste combate, esgotando-a. Por uma razão simples: porque aceitar a possibilidade de se afastar do conflito, significa abandonar algo que é muito apreciado. Portanto, a pessoa deve preparar-se para esta situação, sobretudo no início do trânsito.

A pessoa pode preferir encarar este conflito como uma batalha contra o outro ou uma determinada situação. Porém, não costuma ser a escolha mais sábia, nem a mais conveniente. Apesar de ser doloroso, recomendo que a escolha entre seguir o conflito ou ignorá-lo, seja o deixar que o interno faça a sua escolha, evitando dar espaço ao ego. Ir atrás do conflito é o caminho certo para a ocorrência de estragos. Ser firme é uma coisa. Ser teimoso e orgulhoso é outra.

Falemos um pouco de Plutão neste trânsito. Com Plutão as regras são simples: pegar ou largar, aceitar ou resistir. Este trânsito ao Sol trata de aprendermos a soltar algo e aceitar essa situação, com a maior serenidade possível. Não é fácil. Mas o ser humano, habitualmente, não quer fazer nenhuma das coisas.

Esta situação é mais enfática neste trânsito ao Sol porque a nossa luminária representa o conjunto de identificações dirigidas ao ego. São poucas as pessoas (entre os biliões que habitam o planeta Terra) que tenham transcendido a representação do Sol, enquanto ego, evoluindo para a representação do Ser, sem ego. Por isso é que reencarnamos: para aprendermos e tentarmos esta transcendência.

Como consequência do nosso ego em ebulição, este trânsito de Plutão em quadratura ao Sol é sempre um troço duro de roer para o nosso sentido de continuidade pessoal. Não é fantasioso supor que esta quadratura representa de algum modo, uma certa «morte»; assim, vamos aprendendo a aquietar-nos, a sossegarmos, a não vivermos em excitação constante. Recordam-se de mais acima ter dito que este trânsito varia consoante as condições de cada pessoa? Este trânsito aos 'trintas', é muito diferente se ocorrer aos 'cinquentas' ou 'sessentas'. Percebem o que digo? A vida ensina-nos.

Chegou o momento de deixarmos de parte o lado mais arisco e destrutivo do trânsito e observarmos o outro lado, pois Plutão trabalha em dois tempos: destruição e regeneração.

Esta regeneração chegará na segunda metade do trânsito, que pode durar dois anos ou mais. Veremos surgir em nós mesmos uma forma de identidade nova, mais enraizada na própria vida. Um enraizamento mais profundo, mais fértil, mais saboroso. A olharmos para trás, constataremos que fizemos uma enorme caminhada. Que foi um caminho pejado de alguns perigos, que fomos aplanando, aprendendo a valorizar-nos. E assim, ‘la nave va’

Se a quadratura for «crescente» suporá um compromisso mais profundo com as nossas forças vitais, afastamento do que é ambíguo, fixando metas mais razoáveis. Se a quadratura for «minguante» passaremos a ter uma perspectiva mais realista e mais profunda da vida, ficando mais aptos à adaptação, sem utopias.

É a aprendizagem da subida ao patamar da sabedoria.

Passem bem. Muito obrigado.

21 comentários:

Cris França disse...

Ola Antonio

Belo post, amigo:
O Canto de Contar Contos vai comemorar o seu primeiro ano de vida e eu vim te convidar para a festa, passe por lá para saber mais.

Um beijo

Cris

Sandro Gomes disse...

Olá, Antônio.

Vc poderia me explicar essa idéia de "ataque demolidor" de Plutão em sua oposição ao Sol? Em 2015 ele inicia esse ataque aos meus Mercúrio e Sol natais.

Uma sugestão para um post sobre Plutão e seus trânsitos: os trígonos. Será que eles são mais transformadores do que as quadraturas?

Maria Izabel Viégas disse...

António querido, não tenho palavras para agradecer-te. É um anjo amigo.
Só de ler ...estou a chorar.
Vou analisar tudo que me aconteceu , (claro que não posso falar de algumas situações) imagine , acontecendo desde plutão está entrando e saindo ainda em sagitário na minha casa 12. Consegui sentir esse efeito n'alma inquieta( fui olhar meu mapa, pois em "casa de ferreiro o espeto é de pau", é um defeito meu rs) e , graças ao Pai Amoroso, entendi os sinais, entreguei-me chamado à espiritualizaçãce para a cura. Neste mister tudo abriu-se... onde ia nem falava já estava no lugar certo;mas... o conflito vem a mim, mesmo se eu ficar debaixo da cama, calada. Até meu coração resolveu aprontar comigo...
Vou ler mais, mais e muito...analisar meu mapa e volto com o meu depoimento.
Grata amigo, tua generosidade é imensa.
Eu volto...
Beijos nesta alma linda e neste coração de luz!
Que Deus sempre te abençoe!

António Rosa disse...

Cris

Já estive no seu blogue e deixei um comentário. Muito obrigado pela ideia tão bonita.

Beijos

António Rosa disse...

Sandro

O tal 'ataque demolidor' é simples: de onde menos espera aparece uma ou mais situações que o colocam fora do seu habitual. Dito desta maneira, parece simples, mas olhe que é bem duro. Há sempre uma parte de nós mais frágil que é ameaçada.

Em 2015? O melhor é nem pensar nisso... :)

Obrigado pela proposta dos trígonos. Não são tão 'regeneradores', pois são muito mais 'integradores'.

Abraço

angela disse...

Aii Antonio, acho que não adianta temer é tentar encarar o que vier.
beijos

António Rosa disse...

Queria Maria Izabel

Foi com muito prazer que parei para pensar no que deveria escrever. Fez-me bem à alma. Andei com o texto na mente e nos apontamentos, nos últimos dias, desde segunda-feira. Hoje cedo, saiu.

Muito obrigado por me ter posto no caminho do pensamento positivo, pois tenho andado meio afastado, com as tarefas do dia-a-dia a imporem de outro jeito.

Gostei muito da sua expressão: «mas... o conflito vem a mim, mesmo se eu ficar debaixo da cama, calada». A quadratura é isso mesmo. Vem até nós. Somos desafiados.

Tive que fazer uma retrospectiva de vida para me recordar da minha quadratura aos 18 anos e da oposição, aos 56. Apenas há 4 anos. Em amabas as situações a minha vida deu uma volta muito grande.

Já aprendi que nós, astrólogos, ficamos mais frágeis perante o nossso mapa. No último ano tenho perguntado coisas dos meus trânsitos à minha amiga e astróloga Ana Cristina Corrêa Mendes, pois sózinho não chegaria ao destino, em condições.

Não precisa voltar, mas como sabe, é sempre muito bem recebida neste paralelo.

Beijos na sua alma.

António Rosa disse...

Angela

A sua quadratura de Plutão ao seu Sol natal aconteceu entre 1993, tendo finalizado em 1997. Só a Angela saberá se foram anos decisivos na sua vida. Não precisar dar feedback.

Ter medo não ajuda, por isso tem toda a razão. Como bem sabe, nem toda a gente consegue... :)

Beijos

angela disse...

Antonio
em 1993 o mundo parecia sorrir para mim, as coisas iam muito bem e o futuro parecia luminoso quando de uma hora para outra, em fins de 95, começou a adoecer os homens de minha familia, meu sogro e mei pai se foram em um ano e meu marido teve uma doença dificil e sofrida (esta bem atualmente), meu irmão descobriu ser portador de hepatite C e após alguns anos de luta tmbém se foi e eu tive que abrir mão dos sonhos e segurar a mão deles e fazer o que me era possível. Nunca tinha lidado com o sofrimento físico tão de perto e me rasgou inteira. Bem...alguma hora eu teria que me deparar com essas coisas que são da vida, acho até que me vieram tarde, de qualquer jeito acho que é meu ponto fraco, não suporto ver pessoas sofrendo dor física, a psiquica não me judia.
Acabei dando um retorno longo, mas me sinto acolhida por você.
Obrigada
beijos

António Rosa disse...

Angela

Isso foi uma quadratura-limite. Sol é a referência masculina por excelência. Se a quadratura fosse à Lua, seriam as mulheres as afectadas.

Muito agradecido por ter contado parte da sua história. Os trânsitos de Plutão assim: demorados, intensos, nada fáceis. mas temos que os incorporar, aceitando aquilo que a vida nos apresenta.

Grande carma que limpou nessa época.

Beijo de agradecimento.

Rosa Araújo disse...

Olá António

Fui ver no meu mapa... :)
Ainda só vivi a oposição de Plutão ao meu Sol, lá por volta dos 22/23/24 anos, e que corresponde ao nascimento da minha 1ª filha, a seguir demiti-me da profissão que tinha e tive que aprender a adaptar-me à nova situação com menos um ordenado em casa (tenho o Sol na casa II ). Não me ocorre mais nada.
Quanto á quadratura, só acontecerá lá para 2032...

Para mim foi bem pior a oposição de Plutão à minha Lua natal... (que aconteceu à pouco)...

bjs

marcelo dalla disse...

Querido amigo, aprendi muito. Quero agora fazer uma retrospectiva pra lembrar do que aconteceu comigo.
Plutão, a Jornada Evolutiva da Alma. Este é o nome de um livro que quero muito ler, não me lembro o nome do autor. Vou pesquisar.

grande abraço

António Rosa disse...

Rosa,

Quando somos jovens e não muito peso saturnino no mapa, conseguimos resolver com mais leveza certas situações. Depois, o tempo encarrega-se de ir apagando as dores daquelas recordações. Ainda bem que assim é.

Muito agradecido por ter vindo e comentado.

beijo

António Rosa disse...

Marcelo

Será Jeff Green?

Encontra-o disponível na net, gratuito.

Grande abraço

Astrid Annabelle disse...

António!
Ontem estive aqui lendo e relendo seu post. Não quis colocar nenhum comentário sem antes pensar bem.
Fiquei matutando no tema e me lembrei que há três anos atrás você me dizia que Plutão estava sendo um grande vilão nos acontecimentos da minha vida!
Acontece que tenho a impressão que ele se apaixonou por mim e não larga mais do meu pé!!!!!! lol
Pelo menos é essa a sensação que tive lendo o texto acima e isso ocorre há muito, mas muito mais do que três anos!!!!
Será que é possível?
Um beijo para você e outro para a Maria Izabel
Astrid Annabelle

Rui António Santos disse...

Olá amigo António, uma quadratura de Plutão ao Sol é muito forte nesmo, a regeneração da consciência dá-se através de mortes psiquicas, que nos vão fazer crescer e mudar, e isso pode doer muito quando a pessoa não está preparada.

Uma leitura que me ajudou muito foi o livro de Escorpião de Maria Flávia. Onde Maria Flávia fala de Marte/Plutão , mas tambem o caminho que Plutão atravessa até ficar regenerado.

Estou com um trigno de Plutão a Plutão Natal e ao Ascendente, o tempo para mim é de integração.

Não é por acaso este seu Post, neste mês de Escorpião. O pensamento semente para este Mès é: Guerreiro eu sou e da Batalha saio triunfante.

Sempre aprendendo consigo

Abraço Grande

António Rosa disse...

Astrid

Estava agora a olhar o seu mapa e tenho que concordar consigo. Basicamente, tem sido sempre Plutão a funcionar, além de haver outros trânsitos em simultâneo:

Se olhar para o seu mapa natal, verá que o seu Ascendente está no grau 27 de Gémeos.

Também notará que Úrano está conjunto a 2º do Ascendente, no grau 25, na casa 12.

Também pode ver que tem a seguir ao Ascendente, o planeta Mercúrio no grau 1º de Câncer e um pouco mais abaixo, Vénus, no grau 10 de Câncer.

Excepto Vénus, Plutão tem estado a fazer oposição a esta fila. Primeiro, em Sagitário e agora em capricórnio (nas casas 6 e 7). Começou em 2003 e foi intensificando a sua acção. Primeiro com Úrano, que já deixou para trás. Seguiu-se o Ascendente, que está quase a terminar. Não se esqueça que quando toca o ascendente é como se estivesse a tocar em toda a sua vida.

Neste momento está a fazer oposição a Mercúrio. É a altura de avançar com os seus projectos. Tem irmãos, Astrid?

Daqui por 2 anos é que começa a fazer oposição a Vénus. Falaremos disso em privado, mais tarde.

Beijo

António Rosa disse...

Rui

Também conheço a excelente obra de Maria Flávia. Muito obrigado pelas suas palavras generosas.

Abraço.

Astrid Annabelle disse...

Bom dia António!
Puxa...não esperava tudo isso!
Então eu senti correto...sabe eu tenho cada vez mais apostado no meu sentir!...anda ótimo!!!...
Já copiei e colei na pasta de astrologia para ler e reler...e eu faço isso mesmo!!!
Tive um irmão mas já é falecido...aliás da minha família de origem não tem mais ninguém vivo.
"Daqui por 2 anos é que começa a fazer oposição a Vénus."
Agora me deixou curiosa....
Ficarei aguardando...
Um beijo bem grande por essa análise.
Astrid Annabelle

António Rosa disse...

Astrid

Não foi uma análise, mas apenas um apontamento de confirmação da sua intuição.

Bom fim-de-semana.

Anónimo disse...

Olá António

Vou ter muito em breve essa quadratura... aliás, há já algum tempo que sinto que se aproxima... tenho o Sol na V, a 6º de Balança (nasci em 1966)... não sei quando se dará a quadratura exacta.
mas venho essencialmente agradecer-lhe o seu texto... estou precisamente dentro do "conflito". e não por acaso numa "luta", não só de Sol e Plutão, mas de casa V e casa VIII...ou seja: ou de facto me aquieto e me regenero, ou continuarei a morrer-me todos os dias um pouco, sem renascer para mais nada...
e, no entanto, sentindo o que sei e o que já fiz, creio que olharei para trás, quando a quadratura passar, com a certeza de ter dado alguns passos gigantes.

obrigada ♥

Inês BB

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