O embondeiro

17 de maio de 2010 ·




As fotografias deste post são autoria e propriedade do
Sr. Victor Fernando Gomes Rodrigues.

Este embondeiro está situado em Sanculo, perto da ilha de Moçambique,
num 'resort' que está em vias de entrar em funcionamento.



«O embondeiro é uma árvore que chega a alcançar alturas de 5 a 25m (excepcionalmente 30m), e até 7m de diâmetro do tronco (excepcionalmente 11m). Destaca-se pela capacidade de armazenamento de água dentro do tronco, que pode alcançar até 120.000 litros. Os embondeiros desenvolvem-se em zonas sazonalmente áridas, e são árvores de folha caduca, caindo as suas folhas durante a estação seca. Alguns têm a fama de terem vários milhares de anos, mas como a sua madeira não produz anéis de crescimento, isso é impossível de ser verificado: poucos botânicos dão crédito a essas reivindicações de idade extrema. É a árvore nacional de Madagáscar e o emblema nacional do Senegal. Também existem e são muito populares na Austrália. Os aborígenes comem a sua fruta e usam as folhas como planta medicinal. Também existe em outras partes do mundo, sobretudo levadas por africanos, para utilização dos seus rituais.» - Fonte: Wikipédia.



Não há quem não se impressione com a aparência algo lúgubre, algo misteriosa, mas sempre solene e bela dessa grande árvore, um dos símbolos de África. Com a sua aparência fossilizada na idade adulta, o embondeiro além de marcar a paisagem algo árida, remete a outros significados e por isso mesmo é cercado de aspectos lendários. Mas esta árvore da vida não está presente só no imaginário africano. Todos os que leram o “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, sabem que parte da história gira à volta de um embondeiro [ou imbondeiro, baobá], pois vive num receio permanente de que esta árvore se apodere do seu pequeno asteróide.

Quando me surge a palavra «embondeiro», associo-a sempre e instantaneamente, aos meses finais do meu serviço militar em Mueda, pois recebia a cada 2 ou 3 meses uma encomenda de livros à cobrança, enviados pela D. Ivete, da Livraria Académica, em Maputo [ex-Lourenço Marques]. A última encomenda que recebi, nestas condições, foi em 1973 e nela vinha o recém editado livro de Eugénio Lisboa, «Crónica dos Anos da Peste» (1ª edição em Moçambique, Livraria Académica, 1973 [vol 1] e 1975 [vol 2]; reedição em tomo único em 1996, em Portugal, pela Imprensa Nacional). A generalidade dos ensaios que escreveu e publicou em Moçambique foram coligidos nos dois volumes desta sua «Crónica dos Anos da Peste». Uma das obras monumentais da literatura escrita em Moçambique. Eu já tinha sido informado pelo Eduardo Pitta, que o livro estava no prelo. E estava ansioso para o ler.

Ensaísta, crítico literário e poeta, Eugénio Lisboa, nesta sua obra trata, sobretudo das suas análises de crítica literária a vários autores, maioritariamente de língua portuguesa: José Régio, Rui Knopfli, José Craveirinho, Reinaldo Ferreira, Irene Lisboa, Henry de Montherlan e muitos, muitos outros autores.

Mas aquilo que tenho mais presente deste livro é um texto com o título «Os embondeiros também morrem» e que trata do desaparecimento das nossas vidas, daquelas pessoas que nos foram necessárias: pais, irmãos, amigos, tios, etc. Foi tão marcante esse texto na minha vida que quando a minha Mãe faleceu, em 2008, escrevi um curto post no meu blogue «Cova do Urso», que intitulei «No Zen For Me - os velhos embondeiros também tombam».

Até aos meus 20 anos não soube o que era perder para a morte, a presença de pessoas chegadas. Essa proximidade com a morte começou em 1970, com o desencarne do meu Pai, decorreu durante os 3 anos de serviço militar obrigatório, com vários companheiros abatidos na guerra colonial e, continuou depois, até hoje, com uma longuíssima sucessão de Seres (humanos e animais), que fizeram parte da minha vida, incluindo um filho ainda bebé.

Aquilo que os seres humanos têm de mais certo e garantido é a morte. Muitos, têm medo à morte. Porque para o resto da vida, não há certificados de garantia para coisa nenhuma.  A vida é movimento e mudanças. E a morte é isso, também. Um movimento que termina nesta nossa 3ª dimensão, mas que continua a outros níveis mais subtis para a nossa visão.

É isso que o embomdeiro representa para mim. São fortes, resistentes e têm vidas prolongadas, mas também tombam. Tal como muitos de nós.


Para se perceber o diâmetro deste embomdeiro do Sanculo.

Este post é dedicado ao amigo Victor Fernando Gomes Rodrigues e Família,
exactamente por estarem numa fase eminente de perda de um embondeiro das suas vidas.
Um abraço, Victor Fernando. Muito obrigado pela tua imensa generosidade.


.

17 de maio de 2010

O embondeiro




As fotografias deste post são autoria e propriedade do
Sr. Victor Fernando Gomes Rodrigues.

Este embondeiro está situado em Sanculo, perto da ilha de Moçambique,
num 'resort' que está em vias de entrar em funcionamento.



«O embondeiro é uma árvore que chega a alcançar alturas de 5 a 25m (excepcionalmente 30m), e até 7m de diâmetro do tronco (excepcionalmente 11m). Destaca-se pela capacidade de armazenamento de água dentro do tronco, que pode alcançar até 120.000 litros. Os embondeiros desenvolvem-se em zonas sazonalmente áridas, e são árvores de folha caduca, caindo as suas folhas durante a estação seca. Alguns têm a fama de terem vários milhares de anos, mas como a sua madeira não produz anéis de crescimento, isso é impossível de ser verificado: poucos botânicos dão crédito a essas reivindicações de idade extrema. É a árvore nacional de Madagáscar e o emblema nacional do Senegal. Também existem e são muito populares na Austrália. Os aborígenes comem a sua fruta e usam as folhas como planta medicinal. Também existe em outras partes do mundo, sobretudo levadas por africanos, para utilização dos seus rituais.» - Fonte: Wikipédia.



Não há quem não se impressione com a aparência algo lúgubre, algo misteriosa, mas sempre solene e bela dessa grande árvore, um dos símbolos de África. Com a sua aparência fossilizada na idade adulta, o embondeiro além de marcar a paisagem algo árida, remete a outros significados e por isso mesmo é cercado de aspectos lendários. Mas esta árvore da vida não está presente só no imaginário africano. Todos os que leram o “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, sabem que parte da história gira à volta de um embondeiro [ou imbondeiro, baobá], pois vive num receio permanente de que esta árvore se apodere do seu pequeno asteróide.

Quando me surge a palavra «embondeiro», associo-a sempre e instantaneamente, aos meses finais do meu serviço militar em Mueda, pois recebia a cada 2 ou 3 meses uma encomenda de livros à cobrança, enviados pela D. Ivete, da Livraria Académica, em Maputo [ex-Lourenço Marques]. A última encomenda que recebi, nestas condições, foi em 1973 e nela vinha o recém editado livro de Eugénio Lisboa, «Crónica dos Anos da Peste» (1ª edição em Moçambique, Livraria Académica, 1973 [vol 1] e 1975 [vol 2]; reedição em tomo único em 1996, em Portugal, pela Imprensa Nacional). A generalidade dos ensaios que escreveu e publicou em Moçambique foram coligidos nos dois volumes desta sua «Crónica dos Anos da Peste». Uma das obras monumentais da literatura escrita em Moçambique. Eu já tinha sido informado pelo Eduardo Pitta, que o livro estava no prelo. E estava ansioso para o ler.

Ensaísta, crítico literário e poeta, Eugénio Lisboa, nesta sua obra trata, sobretudo das suas análises de crítica literária a vários autores, maioritariamente de língua portuguesa: José Régio, Rui Knopfli, José Craveirinho, Reinaldo Ferreira, Irene Lisboa, Henry de Montherlan e muitos, muitos outros autores.

Mas aquilo que tenho mais presente deste livro é um texto com o título «Os embondeiros também morrem» e que trata do desaparecimento das nossas vidas, daquelas pessoas que nos foram necessárias: pais, irmãos, amigos, tios, etc. Foi tão marcante esse texto na minha vida que quando a minha Mãe faleceu, em 2008, escrevi um curto post no meu blogue «Cova do Urso», que intitulei «No Zen For Me - os velhos embondeiros também tombam».

Até aos meus 20 anos não soube o que era perder para a morte, a presença de pessoas chegadas. Essa proximidade com a morte começou em 1970, com o desencarne do meu Pai, decorreu durante os 3 anos de serviço militar obrigatório, com vários companheiros abatidos na guerra colonial e, continuou depois, até hoje, com uma longuíssima sucessão de Seres (humanos e animais), que fizeram parte da minha vida, incluindo um filho ainda bebé.

Aquilo que os seres humanos têm de mais certo e garantido é a morte. Muitos, têm medo à morte. Porque para o resto da vida, não há certificados de garantia para coisa nenhuma.  A vida é movimento e mudanças. E a morte é isso, também. Um movimento que termina nesta nossa 3ª dimensão, mas que continua a outros níveis mais subtis para a nossa visão.

É isso que o embomdeiro representa para mim. São fortes, resistentes e têm vidas prolongadas, mas também tombam. Tal como muitos de nós.


Para se perceber o diâmetro deste embomdeiro do Sanculo.

Este post é dedicado ao amigo Victor Fernando Gomes Rodrigues e Família,
exactamente por estarem numa fase eminente de perda de um embondeiro das suas vidas.
Um abraço, Victor Fernando. Muito obrigado pela tua imensa generosidade.


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