Pedir ajuda

26 de julho de 2008 ·

Há muitas alturas da vida em que precisamos de ajuda e o apoio que solicitamos parece não estar disponível. Podemos amaldiçoar a sorte ou sentir que somos uma vítima das circunstâncias e perguntamos, "Por que será que isto me está a acontecer?" Existem muitos factores que contribuem para a receptividade à ajuda, sobretudo as questões do livre-arbítrio e da escolha individual, mas o factor mais significante é a capacidade e a vontade de pedir. Precisamos aprender a receber a ajuda que realmente necessitamos e desejamos.

Pode já ter notado que, no que diz respeito a relações humanas, quando as pessoas precisam de ajuda e outras lhes oferecem o respectivo auxílio, a resposta a esse auxílio é crucial para a qualidade da ajuda que irão receber. Por exemplo, se visse uma pessoa a carregar com dificuldade uns sacos pesados e disponibilizasse a sua ajuda, ficaria mais apto a ajudá-la, caso a pessoa respondesse depressa e afirmativamente.

Mas como por hábito, as pessoas recusam a ajuda ou são lentas a responder, você teria de se esforçar muito mais e despender mais energia para aliviar a pessoa do peso que carrega. Caso a pessoa não quisesse realmente a sua ajuda ou se sentisse constrangida em a aceitar, sentindo-se na obrigação de a recusar, você poderia optar por não voltar a oferecê-la. Certas pessoas estão tão mentalmente treinadas a resistir ao apoio que necessitam que obrigam as pessoas que se estão a oferecer a esforçarem-se várias vezes mais do que o necessário.

A maioria de nós já desempenhou ambos os papéis. Todos nós só temos a ganhar se aprendermos a aceitar a ajuda que nos oferecem, bem como a oferecê-la aos outros. Em muitas situações, a necessidade a satisfazer é menos óbvia do que ajudar alguém a levar sacos pesados e, normalmente, essa necessidade passa bastante despercebida, a menos que a pessoa que precise de ajuda esteja disposta a pedi-la.

Em várias relações (pessoais ou profissionais), as pessoas têm tanto medo de serem vistas como vulneráveis, incompetentes ou mal sucedidas que lutam sozinhas com tarefas muito grandes. Normalmente, esta situação acontece em ambientes profissionais competitivos e desprovidos, do topo ao fundo da hierarquia, de um espírito saudável de trabalho de equipa. Costuma haver muito medo em pedir o apoio aos outros, para não serem considerados incapazes de fazerem o seu trabalho. Também acontece temerem que um colega ambicioso assuma as suas responsabilidades e lhes tire o cargo (emprego/salário).

Se, nas nossas relações humanas, não pedirmos ajuda, nunca aprenderemos uns com os outros nem construiremos parcerias de apoio. Se necessita de ajuda, peça-a. Uma indicação da sua disponibilidade ao apoio é tudo o que é necessário. Ao pedir ajuda, está a usar o seu livre-arbítrio no sentido correcto, autorizando que os outros intervenham. Ou, então, co-crie mentalmente esse pedido... Não se esqueça de agradecer.

17 comentários:

Ana Cristina Corrêa Mendes disse...
26 de julho de 2008 às 08:56  

Bom dia, :-)pequenas grandes coisas que todos em seu tempo aprenderão assim como ajudar também não é tão simples como possa aparentar :-)

Bom sábado para si António.

Astrid Annabelle disse...
26 de julho de 2008 às 09:36  

É, António, o orgulho é que entra como grande vilão nessa história.
É livre a pessoa que se permite ser ajudada...e livre também quem ajuda por compaixão.
O segredo portanto é ser livre!!!
Um beijo de bom dia.
Ma Jivan Prabhuta

Samsara disse...
26 de julho de 2008 às 10:17  

António, nem imaginas como tenho trabalhado isto ao longo dos últimos anos, sempre tive muita dificuldade em pedir ajuda e aceitar ajuda, sempre tive que fazer muita coisa sozinha. Sempre achei que tinha que ter esta capa forte, mesmo que estivesse detruída por dentro. Sempre foi mais fácil ajudar do que ser ajudada. Hoje estou muito diferente e estou a gostar do resultado, apesar de ainda haver muito para fazer, muito mesmo.
Gostei muito deste texto, simples, mas de conteúdo riquíssimo, que são os que mais gosto.
Bjs.

António Rosa disse...
26 de julho de 2008 às 10:57  

Olá Ana Cristina,

Nada fácil. Ajudar sem interferir, sem julgar, sem exigir troca.

Bom sábado.

António Rosa disse...
26 de julho de 2008 às 10:58  

Olá Astrid,

Ser livre! Sem cobranças.

Beijos.

António Rosa disse...
26 de julho de 2008 às 10:59  

Samsara,

Porque pensas que escrevi este texto (já tem uns anitos)? Para eu aprender a receber ajuda...

Bom sábado.

Maria Paula disse...
26 de julho de 2008 às 12:04  

Bom dia

Fiquei sem pingo de sangue a correr pelas veias de tão lindo, sublime e emocionante é este texto.
Não tenho mais palavras...
Um abraço
MP

António Rosa disse...
26 de julho de 2008 às 12:09  

Maria Paula,

Muito obrigado. Pedir ajuda é sempre muito difícil. Prestar ajuda, também.

Beijinho

Mariz disse...
26 de julho de 2008 às 17:18  

Savé António!
Belo texto. Coloquei um post, cuja conclusão era semelhante. O seu está para além de bem escrito, dada a clareza,vem focar o aspecto do EQUILÍBRIO DO UNIVERSO!
E aí é que bate o busílis da questão. É que... a coisa é para doer mesmo!
Sempre me conheci "dando", ser solícita, prestável; mas... depois queixava-me, quando necessitava de alguém..não estavam lá!
Só aos 40 e muitos alguém - olhe a sua amiga Flávia - me disse que eu tinha o hábito der dar,dar,dar, desmedidamente e que agora tinha de aprender e receber ou até mesmo a pedir.
Esse processo custou-me os olhos da cara...pedir! - não por orgulho ou superioridade - pensava que não tinha o direito de incomodar as pessoas ou, por outro lado, ser "pesada" a alguém...só de pensar que pudessem ver-me como "aproveitadora" ou "pendura" ou algo do género, já era o bastante, para ficar incomodada! Realmente a nossa cabeça é um inferno autêntico se não tomarmos medidas severas. Foi o que fiz, Assim, fui receber ensinaments dos yoguis brahmas.
Hoje, já peço sem custo algum...se calhar, porque não posso dsr senão o que tenho: eu própria.
O Universo sabe sempre o que faz, mas também não se manifesta com dó ou piedade! - mas por incrível que pareça...só assim, aprendemos!

Abraço e bom fim de semana...sem "pedinchices" - rsrsrsr

Mariz
ESPAVO!

Mariz disse...
26 de julho de 2008 às 17:20  

Ah! Ofereço o meu Award. Quer recebê-lo?
Quer que lhe mande o url por mail, ou retira directo do meu blog?
é uma forma de "receber" - saber aceitar!
Vem a propósito, não?

Mariz

adelaide figueiredo disse...
26 de julho de 2008 às 19:25  

Olá António

O seu post fez-me meditar!
Também sou daquelas que não peço ajuda. Para mim será mais fácil prestá-la, no entanto, acho que tem muita razão. É orgulho, vergonha, ou porque seja um pouco fechada.

Obrigada por me fazer pensar um pouco

Adelaide Figueiredo

António Rosa disse...
26 de julho de 2008 às 19:32  

Mariz

Agradecido pela contribuição e pelo "Award". Depois vou lá buscá-lo.

António Rosa disse...
26 de julho de 2008 às 19:32  

Olá Adelaide,

Seja bem-vinda aos comentários do blogue.

Também sou assim, com alguma dificuldade em pedir. Melhorou nos últimos anos... =)

joana disse...
27 de julho de 2008 às 10:02  

É lixado às vezes este meu orgulho ;)
Um beijo António, adorei :)

António Rosa disse...
28 de julho de 2008 às 08:56  

Olá Joana,

Desculpe só agora cumprimentá-la, mas ontem, domingo, nem me aproximei do computador.

Beijinho

joana disse...
28 de julho de 2008 às 10:03  

:)

Maria Paula disse...
6 de agosto de 2008 às 15:25  

Boa tarde António!

Relembrei este seu post porque hoje recebo a visita de uma amiga minha que a meu pedido de ajuda se prontificou em vir...
Aqui o trabalho está proporcional ao tempo....ardente!!!!! :)))))

Obrigado António!
Beijinhos

26 de julho de 2008

Pedir ajuda

Há muitas alturas da vida em que precisamos de ajuda e o apoio que solicitamos parece não estar disponível. Podemos amaldiçoar a sorte ou sentir que somos uma vítima das circunstâncias e perguntamos, "Por que será que isto me está a acontecer?" Existem muitos factores que contribuem para a receptividade à ajuda, sobretudo as questões do livre-arbítrio e da escolha individual, mas o factor mais significante é a capacidade e a vontade de pedir. Precisamos aprender a receber a ajuda que realmente necessitamos e desejamos.

Pode já ter notado que, no que diz respeito a relações humanas, quando as pessoas precisam de ajuda e outras lhes oferecem o respectivo auxílio, a resposta a esse auxílio é crucial para a qualidade da ajuda que irão receber. Por exemplo, se visse uma pessoa a carregar com dificuldade uns sacos pesados e disponibilizasse a sua ajuda, ficaria mais apto a ajudá-la, caso a pessoa respondesse depressa e afirmativamente.

Mas como por hábito, as pessoas recusam a ajuda ou são lentas a responder, você teria de se esforçar muito mais e despender mais energia para aliviar a pessoa do peso que carrega. Caso a pessoa não quisesse realmente a sua ajuda ou se sentisse constrangida em a aceitar, sentindo-se na obrigação de a recusar, você poderia optar por não voltar a oferecê-la. Certas pessoas estão tão mentalmente treinadas a resistir ao apoio que necessitam que obrigam as pessoas que se estão a oferecer a esforçarem-se várias vezes mais do que o necessário.

A maioria de nós já desempenhou ambos os papéis. Todos nós só temos a ganhar se aprendermos a aceitar a ajuda que nos oferecem, bem como a oferecê-la aos outros. Em muitas situações, a necessidade a satisfazer é menos óbvia do que ajudar alguém a levar sacos pesados e, normalmente, essa necessidade passa bastante despercebida, a menos que a pessoa que precise de ajuda esteja disposta a pedi-la.

Em várias relações (pessoais ou profissionais), as pessoas têm tanto medo de serem vistas como vulneráveis, incompetentes ou mal sucedidas que lutam sozinhas com tarefas muito grandes. Normalmente, esta situação acontece em ambientes profissionais competitivos e desprovidos, do topo ao fundo da hierarquia, de um espírito saudável de trabalho de equipa. Costuma haver muito medo em pedir o apoio aos outros, para não serem considerados incapazes de fazerem o seu trabalho. Também acontece temerem que um colega ambicioso assuma as suas responsabilidades e lhes tire o cargo (emprego/salário).

Se, nas nossas relações humanas, não pedirmos ajuda, nunca aprenderemos uns com os outros nem construiremos parcerias de apoio. Se necessita de ajuda, peça-a. Uma indicação da sua disponibilidade ao apoio é tudo o que é necessário. Ao pedir ajuda, está a usar o seu livre-arbítrio no sentido correcto, autorizando que os outros intervenham. Ou, então, co-crie mentalmente esse pedido... Não se esqueça de agradecer.

17 comentários:

Ana Cristina Corrêa Mendes disse...

Bom dia, :-)pequenas grandes coisas que todos em seu tempo aprenderão assim como ajudar também não é tão simples como possa aparentar :-)

Bom sábado para si António.

Astrid Annabelle disse...

É, António, o orgulho é que entra como grande vilão nessa história.
É livre a pessoa que se permite ser ajudada...e livre também quem ajuda por compaixão.
O segredo portanto é ser livre!!!
Um beijo de bom dia.
Ma Jivan Prabhuta

Samsara disse...

António, nem imaginas como tenho trabalhado isto ao longo dos últimos anos, sempre tive muita dificuldade em pedir ajuda e aceitar ajuda, sempre tive que fazer muita coisa sozinha. Sempre achei que tinha que ter esta capa forte, mesmo que estivesse detruída por dentro. Sempre foi mais fácil ajudar do que ser ajudada. Hoje estou muito diferente e estou a gostar do resultado, apesar de ainda haver muito para fazer, muito mesmo.
Gostei muito deste texto, simples, mas de conteúdo riquíssimo, que são os que mais gosto.
Bjs.

António Rosa disse...

Olá Ana Cristina,

Nada fácil. Ajudar sem interferir, sem julgar, sem exigir troca.

Bom sábado.

António Rosa disse...

Olá Astrid,

Ser livre! Sem cobranças.

Beijos.

António Rosa disse...

Samsara,

Porque pensas que escrevi este texto (já tem uns anitos)? Para eu aprender a receber ajuda...

Bom sábado.

Maria Paula disse...

Bom dia

Fiquei sem pingo de sangue a correr pelas veias de tão lindo, sublime e emocionante é este texto.
Não tenho mais palavras...
Um abraço
MP

António Rosa disse...

Maria Paula,

Muito obrigado. Pedir ajuda é sempre muito difícil. Prestar ajuda, também.

Beijinho

Mariz disse...

Savé António!
Belo texto. Coloquei um post, cuja conclusão era semelhante. O seu está para além de bem escrito, dada a clareza,vem focar o aspecto do EQUILÍBRIO DO UNIVERSO!
E aí é que bate o busílis da questão. É que... a coisa é para doer mesmo!
Sempre me conheci "dando", ser solícita, prestável; mas... depois queixava-me, quando necessitava de alguém..não estavam lá!
Só aos 40 e muitos alguém - olhe a sua amiga Flávia - me disse que eu tinha o hábito der dar,dar,dar, desmedidamente e que agora tinha de aprender e receber ou até mesmo a pedir.
Esse processo custou-me os olhos da cara...pedir! - não por orgulho ou superioridade - pensava que não tinha o direito de incomodar as pessoas ou, por outro lado, ser "pesada" a alguém...só de pensar que pudessem ver-me como "aproveitadora" ou "pendura" ou algo do género, já era o bastante, para ficar incomodada! Realmente a nossa cabeça é um inferno autêntico se não tomarmos medidas severas. Foi o que fiz, Assim, fui receber ensinaments dos yoguis brahmas.
Hoje, já peço sem custo algum...se calhar, porque não posso dsr senão o que tenho: eu própria.
O Universo sabe sempre o que faz, mas também não se manifesta com dó ou piedade! - mas por incrível que pareça...só assim, aprendemos!

Abraço e bom fim de semana...sem "pedinchices" - rsrsrsr

Mariz
ESPAVO!

Mariz disse...

Ah! Ofereço o meu Award. Quer recebê-lo?
Quer que lhe mande o url por mail, ou retira directo do meu blog?
é uma forma de "receber" - saber aceitar!
Vem a propósito, não?

Mariz

adelaide figueiredo disse...

Olá António

O seu post fez-me meditar!
Também sou daquelas que não peço ajuda. Para mim será mais fácil prestá-la, no entanto, acho que tem muita razão. É orgulho, vergonha, ou porque seja um pouco fechada.

Obrigada por me fazer pensar um pouco

Adelaide Figueiredo

António Rosa disse...

Mariz

Agradecido pela contribuição e pelo "Award". Depois vou lá buscá-lo.

António Rosa disse...

Olá Adelaide,

Seja bem-vinda aos comentários do blogue.

Também sou assim, com alguma dificuldade em pedir. Melhorou nos últimos anos... =)

joana disse...

É lixado às vezes este meu orgulho ;)
Um beijo António, adorei :)

António Rosa disse...

Olá Joana,

Desculpe só agora cumprimentá-la, mas ontem, domingo, nem me aproximei do computador.

Beijinho

joana disse...

:)

Maria Paula disse...

Boa tarde António!

Relembrei este seu post porque hoje recebo a visita de uma amiga minha que a meu pedido de ajuda se prontificou em vir...
Aqui o trabalho está proporcional ao tempo....ardente!!!!! :)))))

Obrigado António!
Beijinhos

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