Astrologia e Reencarnação - Apontamentos para uma aula em 2007

8 de janeiro de 2014 ·



ASTROLOGIA E REENCARNAÇÃO

Por Dorothée Koechlin de Bizemont
Extraído do seu livro “Astrologia Cármica”
Transcrições, excertos e sublinhados de António Rosa

Obs: Para ser estudado e analisado coma muita atenção pelos leitores.
Eu sei que a maioria dos actuais leitores não têm tempo para ler textos longos,

mas será que queremos realmente aprofundar alguma coisa?
Ou desejamos apenas umas frases lindinhas no Facebook?

Actualizado em 10 Junho 2007
Reorganizado em Janeiro de 2011
Actualizado em 8 Janeiro 2014
por António Rosa



Os astrólogos actuais podem repartir-se em duas tendências: os racionalistas e os espiritualistas. Os primeiros praticam a astrologia como um meio de conhecimento imediato dos homens. Empoleirada nas técnicas de investigação psicológica do século XIX e XX (psicanálise etc.), essa astrologia recusa as dimensões espirituais esotéricas. É, em suma, a irmã gémea da "medicina de consertos" ocidental, que só conhece o corpo material. Recusando a existência do corpo esotérico e do corpo astral, essa medicina só vê no homem um conjunto de reacções psicoquímicas. Como a medicina derivada das teorias de Pasteur, a astrologia racionalista ignora a finalidade cósmica do homem.

Para os astrólogos da segunda tendência, os espiritualistas, o estudo do tema individual não só descreve o corpo doente, a mente desequilibrada, ou a vida emocional perturbada, como também, mais ainda, esse tema astrológico pode responder às questões fundamentais que o indivíduo se coloca: "Quem sou eu? Para que serve a minha existência? Aonde irei depois de minha morte? De onde vim?"

O astrólogo espiritualista recoloca o homem numa estrutura de espaço e de tempo que esclarece sua finalidade. A astrologia espiritualista ou esotérica é naturalmente reencarnacionista. Seu nível de explicação é muito mais amplo. O tema actual representa apenas uma encarnação, a mais recente, que é a resultante das precedentes... O tema (em particular no momento da morte) chega a dar indicações sobre a próxima encarnação!

Efectivamente, um tema analisado nessa perspectiva "cármica" explica luminosamente os gostos, o temperamento, os defeitos e as qualidades do nativo. Descemos aí a um nível de investigação muito mais profundo do que a psicanálise, já que essa astrologia espiritual reconhece a marca das experiências anteriores sobre o comportamento actual do sujeito. Os traumatismos das vidas anteriores podem ser lidos num tema se o astrólogo é suficientemente competente, e se as faculdades de juízo são suficientemente refinadas.

Sem ser ela uma religião, a astrologia espiritualista é uma espécie de revelação sobre a organização divina do Cosmos. Assim como a "religião" tem algo a ver com "ligar", a astrologia espiritualista nos liga ao "projecto divino". "No começo, Deus criou o céu e a terra"- diz o Génesis. E Deus diz: "Que haja luminárias no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que elas sirvam de sinais, tanto para as festas como para os dias e as estações." O estudo dessas luminárias devia ser uma forma de meditação transcendental. Assim praticada, a astrologia desemboca num deslumbramento, enlightment, como dizem os americanos (traduzindo assim a noção de iluminação, cara aos budistas). A astrologia, a cabala, a numerologia, a alquimia, o I Ching, etc. são os arcanos do conhecimento superior.

Esta era também a maneira de pensar dos grandes mestres da Antiguidade. Aí está por que reencarnação e astrologia nunca se opuseram nas civilizações antigas. Caminhavam lado a lado, com toda a naturalidade, como dois tipos de pesquisas paralelas conduzidas simultaneamente pelos sacerdotes e pelos iniciados. Terão eles, entretanto, feito a síntese entre as duas?

No Oriente, sim. No Ocidente é menos nítido. Um enorme número de tradições esotéricas ocidentais, que se transmitiam de boca em boca, perderam-se. Foi o caso do ensinamento dos druidas, por exemplo que, na Gália e na Grã-Bretanha, bem parecem ter coordenado astrologia e reencarnação, como testemunha César.

Um pouco de história

CALDEUS, GREGOS E ROMANOS

Os caldeus, observadores pacientes e apaixonados do céu, criaram a astrologia ocidental. Seus assombrosos conhecimentos astronómicos haviam feito com que descobrissem os planetas, até Saturno, inclusive. Já haviam medido suas revoluções - sideral e sinódica, com uma margem de erro muito pequena, e podiam prever com antecedência sua posição. Eram particularmente bem informados sobre as diferentes fases da Lua, e previam com precisão a volta dos eclipses. Foram eles que, tendo traçado os limites da eclíptica, haviam-na dividido em 12 porções, que se tornaram os "signos do Zodíaco". E como haviam compreendido que certas posições astronómicas pareciam ocasionar de novo os mesmos movimentos (os mesmos traços de carácter), tinham desenvolvido a interpretação simbólica daquelas posições astrais - ou seja, a nossa astrologia.

Mas teriam eles associado esta última à reencarnação? Numa palavra, seriam eles capazes de reencontrar as vidas anteriores através da leitura de um tema? Não se sabe exactamente.

Mestres consumados na arte de prever o futuro, interessar-se-iam pelo passado anterior? Os caldeus não eram certamente, assim como nós hoje em dia, estranhos à noção de reencarnação: Zoroastro parece ter sido herdeiro de uma velha tradição local. E altamente provável que certos sacerdotes-astrólogos iniciados utilizassem a astrologia para conhecer a evolução cármica das almas. Mas nenhum texto ou documento chegou até nós, actualmente.

Os babilónios, que vieram depois dos caldeus, retomaram e desenvolveram amplamente sua ciência, tanto em astronomia-astrologia, quanto em esoterismo. Transmitiram-na aos gregos, de quem a herdamos. Pensa-se que os egípcios não ignoravam de modo algum a astrologia reencarnacionista. Mas seus conhecimentos nesse assunto permanecem tão misteriosos quanto a Esfinge e a Grande Pirâmide...

Quanto aos gregos, um grande número deles, como vimos, acreditavam na transmigração das almas. Mas os filósofos do período clássico que a mencionaram não a ligaram à astrologia caldéia (que só foi vulgarizada tardiamente entre os gregos, no século III antes de Cristo).

Entretanto, Alexandre trouxera brâmanes da sua expedição à índia, intensificando assim os intercâmbios religiosos com o mundo grego. As tradições caldeia e egípcia, assim como a mitologia grega e a influência indiana irão misturar-se para dar aqueles "mistérios" iniciáticos, tão em voga no início da era cristã, mas não parecem ter convergido para criar uma verdadeira escola de astrologia reencarnacionista. Ninguém, no Ocidente, parece ter-se preocupado em coordenar astrologia e reencarnação.

Ninguém, salvo, talvez, os druidas. Mas estes logo vão desaparecer, sem deixar seus ensinamentos. A consciência das vidas anteriores apaga-se pouco a pouco na Europa, a partir do século VII. A astrologia, em compensação, permanece oficial ainda durante mil anos. Mas ninguém lhe pede que seja "reencamacionista". O Ocidente esqueceu tudo...

Nos séculos XVIII e XIX, grande buraco negro: a astrologia, por sua vez, cai num descrédito total. Raros esotéricos, rosacrucianos, alquimistas e cabalistas conseguiram, no entanto, manter viva a chama, por vezes à custa de suas vidas. Eles estarão na origem de um renascimento que só se ampliará no século seguinte. Na Alemanha, Goethe, no entanto, mostrar-se-á convencido da realidade da reencarnação, e se apaixonará pela astrologia. Não estabelecerá, no entanto, a ligação entre as duas.

Enfim, na segunda metade do século XIX, e no início do século XX, irão levantar-se alguns grandes espíritos que se voltarão para as fontes indianas e tibetanas: no Oriente não se rejeitou a reencarnação, nem a astrologia. Melhor ainda, integrou-se uma à outra, com toda a naturalidade! Corajosamente, pioneiros europeus e americanos reintroduzem no Ocidente esses dois espantalhos, "ilusões diabólicas", "especulações perigosas", nascidas de uma "mentalidade pré-científica".

Como me dizia recentemente uma velha senhora: "A reencarnação? Minha filha, é muito perigoso mexer com essas coisas! Não se meta nisso de jeito nenhum. Todos os meus conhecidos que caíram nessa história tiveram os piores aborrecimentos!"

A ASTROLOGIA INDIANA E TIBETANA

Ao leste do Éden, a Árvore do Conhecimento nem sempre foi sufocada. Nas índias, no Tibete, e em outros países do Extremo-Oriente, a reencarnação faz parte da vida quotidiana, assim como também a astrologia. Os astrólogos indianos, quando estudam um tema, têm sempre presente no espírito a "roda das reencarnações". Estimam que têm sob os olhos o "momento" da corrida milenar de uma alma. Nas Índias e no Tibete, não se cogita de empreender uma ascese espiritual sem procurar conhecer os erros das vidas precedentes. Essa busca é feita sob a orientação de um mestre, guru, swami, sishi... que guia o adepto no caminho muitas vezes difícil desse conhecimento.

A astrologia está muito naturalmente integrada nesta busca espiritual. Os astrólogos indianos não trabalham apenas na "análise lógica do tema" - utilizam sem qualquer reticência sua mediunidade para ler ali as vidas anteriores. Assim, o astrólogo indiano é, por princípio, um iniciado e um sábio. Sua função é religiosa.

Sem entrar nos detalhes que veremos mais amplamente na sequência dos capítulos deste livro, apresentaremos a seguir, em termos muito gerais, as configurações pelas quais os astrólogos indianos determinam as vidas anteriores (e futuras) de um nativo. Consideram eles, essencialmente:

O NIDÂNAS

Os "signos do Zodíaco" na astrologia indiana não correspondem exactamente aos nossos, por causa da defasagem entre signos e constelações, devida à precessão dos equinócios. Entretanto, o Zodíaco indiano admite, como o nosso, uma divisão do ano em 12 partes que correspondem às 12 constelações da eclíptica. Cada uma dessas constelações é como uma "porta", por onde entra a alma que se encarna de novo. Cada porta ou "nidâna" corresponde ao desejo, à paixão dominante, que impeliu a alma a se encarnar. Existe uma correspondência simbólica entre os 12 nidânas e os signos do Zodíaco.

Estes últimos são representados num círculo, o Bhava Chakra, ilustração gráfica da roda das transmigrações, e oferecidos sob esta forma à meditação dos fiéis.

0 primeiro nidâna é representado com os traços de uma velha cega, e simboliza a ignorância, a vontade inconsciente que leva a alma a se reencamar. Seu simbolismo lembra o de Áries, ser de desejo, movido por impulsos muitas vezes cegos.

O segundo nidâna é representado por um oleiro modelando a argila. Símbolo do apego às formas da vida física, está muito próximo de Touro.

O terceiro nidâna é representado por um macaco trepando lepidamente numa árvore. Ele simboliza o desejo de conhecimento e uma certa instabilidade, que evocam bem os Gémeos.

O quarto nidâna é representado por uma barca contendo ora apenas um homem, ora uma família. Simboliza o desejo de existir por si mesmo, de ser autónomo. Esse desejo, no Ocidente, nasce no nível de Câncer (que evoca também o Oceano primordial, como a barca).

O quinto nidâna é representado por uma casa vazia, ou por uma máscara humana: simboliza o desejo de exteriorizar o poder dos sentidos, e também a ambição (o que corresponde bem ao Leão).

O sexto nidâna é representado por um casal de esposos, ou por um trabalhador atrás do seu arado. Simboliza o desejo de realização concreta, a fecundação. Corresponde à nossa Virgem (representada no Ocidente com uma espiga de trigo na mão).

O sétimo nidâna é representado por uma figura humana cujo olho foi varado por uma flecha. Simboliza o desejo de ternura e de prazer, as ilusões do coração que terminam na dor. Corresponde a Libra.

O oitavo nidâna é representado por um homem que se embriaga, e por uma mulher segurando uma garrafa de vinho. Simboliza a sede insaciável de gozo, que acorrenta o homem à roda das reencarnações, e corresponde ao Escorpião.

O nono nidâna é representado por um homem colhendo frutos, que coloca num cesto. É o desejo dos bens materiais, o apego às gratificações deste mundo, análogo ao simbolismo de Sagitário.

O décimo nidâna é representado por uma mulher grávida. Ela representa a plenitude da existência material, e a sujeição aos trabalhos terrestres. Este nidâna corresponde a Capricórnio.

O décimo primeiro nidâna é representado por uma criança nascendo. Simboliza o desprendimento que foi adquirido e que dá ao ser o desejo de renascer uma última vez para liquidar todo o seu carma. Essa motivação espiritual corresponde a Aquário.

O décimo segundo nidâna é representado por um cadáver em seu cortejo funerário. Simboliza a dissolução (muito neptuniana) de todos os laços terrestres que aprisionavam o ser. Corresponde a Peixes.

Decanatos, graus e outras subdivisões do Zodíaco


Cada signo do Zodíaco - tanto na índia como no Ocidente estende-se, então, por 30° do céu. Um decanato - um terço de um signo - contém 10º.

Os astrólogos indianos dão muita atenção às subdivisões do Zodíaco; os decanatos permitem, segundo eles, um conhecimento das vidas anteriores; os dwads e os navamsas, subdivisões do decanato e do signo, indicariam mais o desenvolvimento futuro da Entidade.

Cada grau do círculo celeste indica também alguma coisa do carma do nativo. Não desenvolverei aqui esses tópicos - apesar de interessantes - por falta de espaço!

O Ascendente

É examinado com o maior cuidado. O signo que se encontra situado na XII casa, logo acima do horizonte, é considerado como o signo ascendente da vida precedente. Exemplo: um nativo nascido com o Ascendente Libra tinha o Ascendente Virgem na encarnação precedente; não deve, portanto, causar espanto que ele ainda apresente características de Virgem, sobretudo no início desta vida. A alma percorre, assim, o Zodíaco, experimentando em cada encarnação as possibilidades dos signos, segundo sua progressão.

Os seis mundos

Não se pode compreender a astrologia indiana esquecendo os seis mundos começando por baixo:

- O mundo infernal, que corresponde ao plano de Saturno

- O mundo dos espíritos famintos, que corresponde ao plano da Lua

- O mundo animal, que corresponde ao plano de Vénus

- O mundo humano, que corresponde ao plano de Mercúrio

- O mundo dos Titãs, ou Heróis, ou deuses ciumentos, que corresponde ao plano de Marte.

- O mundo dos deuses, mundo da felicidade e da luz, o mais alto de todos, que corresponde ao plano de Júpiter

O acesso a esses três últimos mundos se faz por um bom carma, ao passo que, ao contrário, um carma pesado obriga a entidade a se reencarnar em um dos três mundos inferiores, onde reina a infelicidade.

As almas passam de um a outro mundo, segundo seus méritos. A astrologia permite ver de que mundo vem o recém-nascido e, ao morrer, em que mundo o indivíduo se reencarnará. O Sol, energia luminosa, forma do Buda, indica, por sua posição no signo e no decanato, como se disse acima, de que mundo vem o nativo.

Resumi muito grosseiramente o ponto de vista da astrologia indiana: os especialistas que me perdoem essa simplificação.

OS PIONEIROS OCIDENTAIS

Os primeiros pioneiros ocidentais da astrologia reencarnacionista foram buscá-la nas índias. Teósofos, antropóssofos, rosacrucianos não ignoram as fontes indianas.

Depois da geração dos pioneiros, outros astrólogos desenvolveram a astrologia esotérica, apoiando-se mais na inspiração mediúnica do que nos textos indianos (Alice Fowler, Irys Vorel, Donald Yott, Charles Vouga). Mas é notável que haja uma convergência entre a inspiração desses pesquisadores e as tradições indianas.

O caso limite é o de Edgar Cayce, que nunca pôs os pés num ashram, nem estudou astrologia indiana, e nem mesmo qualquer tradição reencarnacionista, e que, por sua simples inspiração mediúnica, reencontra valores que a India conservara e que a nossa astrologia esquecera. Aliás, foi a propósito do tema astrológico de seu amigo Lammers que Cayce mencionou pela primeira vez esta evidência que é a reencarnação. Para seu próprio espanto, ele declarou, sob sono hipnótico: "Outrora, ele (Lammers) foi monge." Foi preciso, depois, que Cayce, assim como os astrólogos ocidentais, percorresse um caminho muito longo para chegar à astrologia reencarnacionista aqui apresentada.

EDGAR CAYCE CONFIRMA A REALIDADE DAS PERMANÊNCIAS PLANETÁRIAS

As leituras caycianas, evidentemente, contêm um imenso número de comentários astrológico-reencarnacionistas.

Essas referências são totalmente surpreendentes para um astrólogo ocidental "clássico". Entretanto, pôde-se verificar cem vezes a justeza das previsões de Cayce, e também o quanto seus diagnósticos, tanto físicos quanto psíquicos, se mostraram exactos. Pode-se, então, pensar que sua visão astrológica corresponde a uma realidade. A astrologia actual está, aliás, em plena evolução. O materialismo do século XIX lhe cortara as asas: o século XXI provavelmente dará razão a Cayce. Aqueles, dentre os meus leitores, a quem essa questão interessa, podem reportar-se ao excelente livro de Margareth H. Gammon: Astrology and the Edgar Cayce readings, publicado pela ARE (Edgar Cayce Foundation, 1967 e 1973).

A maioria das 2.500 leituras de vidas apresentadas por Cayce entre 1923 e 1945 evocam a reencarnação. Segundo ele, as Entidades permanecem em diferentes épocas no plano terrestre - é o que chamamos de encarnações sucessivas - mas também permanecem em outros planos planetários, entre duas vidas terrestres. Edgar Cayce está longe de ser o único a ter falado nisso. Allan Kardec faz alusão ao assunto: "A medida que os Espíritos se depuram, encarnam-se em mundos cada vez mais perfeitos" (O Livro dos Espíritos, Editorial Angelorum-Novalis).

As Lettres de Christopher, de Rose-Marie Tristam, também falam nisso. Christopher, morto aos 17 anos no naufrágio de um navio torpedeado durante a Segunda Guerra Mundial, retorna depois de morto, regularmente, para falar com sua mãe. Conta-lhe suas actividades nos outros mundos: "Depois de deixar Sirius, visitamos vários satélites em tomo daquele grande centro de luz...". Conta também as expedições a Marte, a Júpiter, a Orion... É bem possível que, depois da morte, os humanos possam realizar com muita facilidade viagens interplanetárias, ou mesmo interestelares!

Albert Pauchard, em seu L'Autre Monde, fala também do "raio de Neptuno", que ilumina "o último contingente de um ciclo solar" - isto é, os que vão nascer entre 20 de Fevereiro e 20 de Março, em Peixes.

Nos Estados Unidos, o famosíssimo médium Arthur Ford falara de suas viagens em "projecção astral" (isto é, saída do corpo físico ou "desdobramento") a outros planetas. Contou mesmo que visitou Arcturus.

Voltando a Cayce, ele diz que as Entidades permanecem em outros planos planetários (ou estelares); ele chama essas permanências de "sojourns". Qual será a finalidade disso? Segundo ele, o plano divino de desenvolvimento das almas humanas prevê para elas uma série de experiências planetárias, para ampliar o campo de seus conhecimentos. Os reencarnacionistas em geral, tanto do Oriente como do Ocidente, estão de acordo: o campo terrestre é demasiado limitado. Devendo a alma chegar ao perfeito conhecimento (já que "nós somos deuses", como diz Paulo), precisa passar por uma grande diversidade de experiências cósmicas. Isso é necessário para a aprendizagem do estado divino!

Segundo Cayce, esses "sojourns" em planos de consciência diferentes são descritos no tema individual pelos planetas, que simbolizam diferentes planos de energia cósmica. Podemos, portanto, ler no nosso tema as experiências planetárias precedentes. Essas vilegiaturas em outros mundos desenvolvem nossas faculdades mentais. Nossas ideias, nossas intuições, nossos conhecimentos inatos, em suma, nossas aptidões intelectuais e imaginativas seriam directamente provenientes das experiências planetárias e siderais. Esses "estágios de formação" em diferentes "lugares" do sistema solar nos dariam nosso dinamismo mental, ao passo que nossa vida emocional seria antes o fruto de nossas encarnações terrestres.

Cayce diz frequentemente: "Tal Entidade chega de Saturno" (ou de Mercúrio, ou de Vénus etc.). Em inglês, entered from Saturn (esta alma alçou voo em Saturno).

Essas viagens interplanetárias que asseguram a "formação contínua" das almas não se limitam ao sistema solar; Cayce faz inúmeras alusões a estrelas como Arcturus (que parece um elevadíssimo lugar espiritual), Sirius, as Plêiades, Rigel, Bellatrix, Betelgeuse, a Polar ou constelações extra zodiacais, como a Grande Ursa, Orion, etc.

Sabe-se que os astrólogos da Antiguidade, e depois os astrónomos árabes, atribuíram uma grande influência às "estrelas fixas". Distinguiam perfeitamente estas últimas das "estrelas errantes", que são os planetas. A astrologia ocidental desconhece - ou simplesmente ignora - essas estrelas fixas, com raras excepções, como Vivian Robson ou Volguine; ou como a astrologia rosacruciana, que sublinha a importância de certas estrelas como Alcione, as Plêiades (constelação de Touro), as Aselli ou Anons (constelação de Câncer), Antares (constelação de Escorpião).

Alice Bailey, outra astróloga reencarnacionista, fala também da influência de Betelgeuse, da Grande Ursa, de Sirius. É óbvio que os astrólogos indianos também não ignoram as estrelas fixas, e sabem que elas encerram grandes mistérios.

Enfim, se Cayce insiste nas permanências planetárias e estrelares detém-se muito pouco nos aspectos entre os planetas, e nos signos do Zodíaco. É que o valor destes, na nossa astrologia ocidental, é alterado pela precessão dos equinócios, de que é imprescindível falar aqui.


UM PONTO IMPORTANTE: OS SIGNOS DO ZODÍACO E A PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS

[Este texto sobre a precessão dos equinócios, à excepção dos restantes é da autoria de António Rosa. Ver aqui.]

Nas páginas que se seguem , trataremos dos planetas nos signos do Zodíaco. Ora, impõe-se um acerto: o astrólogo sério, reencarnacionista ou não, deve levar em consideração a precessão dos equinócios.

O grande público, muitas vezes mal informado sobre a astrologia, pensa que esta se resume aos signos do Zodíaco. "Ah, você é Touro? Como eu gosto desses bichos!" O estudante pôde se dar conta de que os signos do Zodíaco eram apenas uma das "chaves" da astrologia. Os planetas são tão ou mais importantes do que eles! Alguns astrólogos não vêem os signos do Zodíaco senão como um jogo de filtros coloridos: cada planeta nos envia suas vibrações através do filtro do signo zodiacal que as colore.

Por vezes, espantamo-nos: certos nativos só têm poucas características descritas pelos signos... em compensação, comportam-se mais como o signo precedente. Muita gente, ainda assim, espantou-se com o facto de Hitler ter nascido com o sol em Touro - signo pacífico por excelência! Teria sido bem mais lógico que seu Sol estivesse em Áries, signo da guerra, sob a regência de Marte. Ora, é esse o caso... se levarmos em consideração a precessão dos equinócios!

Assim também Luís XIV, que escolhera como símbolo o Sol e se comportou como um verdadeiro Leão, evidentemente não nasceu com o Sol em Virgem - signo do perfeito subordinado! (5 de Setembro de 1638).

Assim o Zodíaco no qual trabalhamos está alterado. Actualmente, as constelações não coincidem mais com os signos do mesmo nome.

Lembro que os astrónomos reagruparam as estrelas fixas em 89 constelações. Esses grupos, evidentemente, são arbitrários. Mas não se podia deixar de rotular o céu, para poder se orientar nele! Ora, o Sol não dá cambalhotas ao acaso nessas 89 constelações: limita-se, comportadamente, às 12 que percorre todo ano, e que constituem, para ele, uma espécie de auto-estrada celeste. A essas constelações os Antigos haviam dado nomes de animais: ignora-se completamente porque... Mas não se deve pensar que fosse pura fantasia: os astrónomos astrólogos da Caldéia possuíam profundos conhecimentos esotéricos sobre o reino animal.

Em suma, o início do ano zodiacal, o "ponto vernal", ou "grau 0 de Áries", deve coincidir com o primeiro dos 12 sectores - ou signos -repartidos no céu no caminho anual do Sol (é a auto-estrada celeste que chamamos de Zodíaco). Esses 12 sectores do céu, de 300 (30x 12 = 360), são baptizados de acordo com os nomes das constelações que devem enquadrar.

Ora, em virtude da percepção dos equinócios, o Sol hoje em dia não nasce mais, no dia 21 de Março, na constelação de Áries. Em 228 depois de Cristo, era assim: o Sol nasceu bravamente, como lhe haviam mandado ao mesmo tempo em Áries-signo do Zodíaco e em Áries-constelação. Depois, pouco a pouco, começou a nascer no fim do signo de Peixes. Os astrólogos, como Ptolomeu, não prestaram mesmo muita atenção nisso: era uma aproximação… O mal é que, hoje em dia, a "aproximação" tornou-se "bem pouco próxima"!

O eixo da Terra gira lentamente sobre si mesmo em 26.000 anos: e é esse fenómeno, chamado "precessão dos equinócios", que faz com que o Sol nasça, todo dia 21 de Março, um pouco mais atrás nos signos.

Em virtude dessa progressiva defasagem, os 12 sectores de 300 repartidos no céu não coincidem mais com as constelações que lhes haviam dado o nome. A defasagem é mesmo tão importante que atinge hoje em dia (em 1983) cerca de 24°.

Os astrólogos indianos conhecem perfeitamente essa defasagem, que chamam de ayanamsa, e que levam em consideração na interpretação dos horóscopos.

Assim, um nativo de 1983, com o Sol a 5° de Escorpião estaria, para os astrólogos de 20 séculos atrás (assim como para os astrólogos indianos actuais) com o Sol a 110 de Libra. Não será de estranhar, então, que em sua juventude ele apresente tantos traços de carácter de Libra.

Essa defasagem progressiva irá levar pouco a pouco o Sol a nascer, em 21 de Março, na constelação de Aquário (mas sempre no signo, isto é, no sector de Áries). Desde o ano 228 da era cristã até agora, o Sol nascera na constelação de Peixes. Irá deixá-la por voltado ano 2 377, para entrar na de Aquário.

Portanto, os astrólogos verdadeiramente honestos, verdadeiramente preocupados com a verdade, deveriam levar em consideração a defasagem ayanamsa em suas interpretações. Uma Lua natal a 6° de Touro, por exemplo, é, no dia do nascimento, o que há de mais Áries!

Cada vez que eu mencionar um planeta (ou um nó) num signo, entenda-se que se trata do signo real, depois de feita a correcção pelo ayanamsa.

Dito isto, a "progressão" dos planetas os faz evoluir através do Zodíaco. Assim, a criança que nasce actualmente com o Sol a 5° de Sagitário, nasceu na verdade em Escorpião - e manifestará as características deste. Entretanto, por progressão de um grau por ano, o Sol, aos 25 anos, entrará no 1ºgrau de Capricórnio. Se subtrairmos o ayanamsa de 24°, esse Sol estará na verdade a 6° da constelação de Sagitário. E então que esse jovem terá um comportamento sagitariano.

Na prática corrente, seria preciso considerar os dois signos, antes e depois da subtracção do ayanamsa.

Os astrólogos da Pérsia antiga, os caldeus e os babilónios levavam em conta esse fenómeno e corrigiam seus horóscopos a partir disso. Mas os egípcios, depois os astrólogos do Baixo Império romano, seus sucessores na Idade Média e depois os modernos esqueceram o ayanamsa, que não pára de crescer de século para século.

Para concluir, a astrologia ocidental comum, actualmente, trabalha sobre bases em parte falsas, a menos que leve em consideração o ayanamsa - cuja tabela para o século XX é apresentada abaixo:

Exemplo muito significativo: o tema de Hitler

Para o seu nascimento, em 20 de Abril de 1889, às 18h21 min., em Braunau am Inn, na Áustria, o Zodíaco habitual dá 0" 48 Touro. Corrigindo a posição do Sol, pela subtracção do ayanamsa, encontramo-lo no início de Áries, a = 7º 48”, o que dá a esse signo de guerra e de fogo toda a sua força.

E A LIBERDADE, O QUE SE FAZ DELA?

A Tradição afirma, desde sempre: Astra inclinant, sed non cogunt, isto é: "Os astros indicam, mas não obrigam." Assim, segundo Tomás de Aquino: “Tudo o que existe na superfície deste mundo sublunar está sujeito à influência dos astros - mas o sábio domina os astros."

Cayce está inteiramente de acordo com essa óptica. Eis o que ele diz, textualmente: "A mais forte influência exercida sobre o destino do homem é, em primeiro lugar, a do Sol, depois a dos planetas mais próximos da Terra, ou então dos que são ascendentes na hora do nascimento. Mas é preciso entender aqui que nenhuma acção, de qualquer planeta, nem as fases do Sol, da Lua ou de qualquer corpo celeste é mais forte do que a vontade do homem."

É, portanto, claro: o sábio domina os astros.

Nenhum astrólogo sério, seja oriental, indiano ou chinês, pensa realmente que sejamos totalmente determinados pelos astros, como se fôssemos fantoches manobrados por alguém.

Só as pessoas que têm noções muito superficiais de astrologia ainda imaginam que ela seja determinista, e que nosso destino estaria organizado de antemão nos seus mínimos detalhes. A "roda das reencarnações", o samsara dos astrólogos budistas, não é uma fatalidade: os textos sagrados indianos afirmam que é preciso sair dela, para isso utilizando nossa liberdade!

Tomás de Aquino manifestou-se a respeito, de modo magistral, em sua Suma teológica (questão 96, "Da Adivinhação pelos astros"): "Quando um médico - diz ele -, à cabeceira de um doente, faz um diagnóstico a partir de determinados sintomas, e depois faz um prognóstico sobre a evolução da doença, diz-se por acaso que ele faz profecias? É evidente que não! Ele apenas exerce sua profissão de médico.

Assim também o astrólogo: ao ver tal ou tal configuração no céu, deduz dela tal ou tal previsão." Tanto o médico como o astrólogo deixam, em seu "prognóstico", uma grande margem para a liberdade do doente (ou nativo). Este último pode, por sua atitude mental, fazer fracassar os prognósticos do médico (ou do astrólogo). Sabe-se de tantos doentes que se deixam morrer, e de tantos outros que ressuscitam pela força de vontade!

Toda astrologia que negue a liberdade seria totalmente débil. Todo aquele que pretende abusar do seu poder em nome dos astros, aterrorizando o seu consulente, sacudindo-lhe no nariz um destino implacável ("Está escrito no céu"), não é digno do nome de astrólogo.

Actualizado em 10 Junho 2007

Reorganizado em Janeiro de 2011
Actualizado em 8 Janeiro 2014
por António Rosa
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3 comentários:

Susana Vitorino disse...
9 de janeiro de 2014 às 13:24  

Querido, António! Está é a minha praia. Uma praia que gostaria de ter explorado e aprendido mais, mas não tem dado para tudo. :-)

Gratidão por esta partilha, estou deliciada!!!

Beijos repenicados*

Astrid Annabelle disse...
9 de janeiro de 2014 às 19:31  

Boa tarde meu querido António!

Primeiramente, respondendo a sua pergunta no FB...estou bem, apenas morrendo de calor ...

"Segundamente"!!! [risos} irei ler com o espaço de comentários aberto ao meu lado para ir anotando o que gostei... adorei a imagem e já copiei para a minha pasta AR{António Rosa} de astrologia...

A explicação sobre a astrologia espiritualista é saborosa...

Também sou apaixonada pelo céu.....

Uma belíssima aula de História... maravilha de se ler!!!!

Não conhecia nada sobre a astrologia Indiana e Tibetana. Interessantíssimo!

Estou adorando o tema sobre Cayce...literalmente viajando em outras dimensões...{por isso foi bom eu ficar com o espaço para comentários aberto..teria perdido a sensação no final do texto}

O seu texto sobre OS SIGNOS DO ZODÍACO E A PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS está excelente..de muito fácil compreensão!

Um espetáculo para os sentidos!!!!!...só tenho que agradecer muito por tantas informações... tenho a certeza que irei ficar por horas ou dias matutando a respeito de tudo o que li aqui...
Beijão
Astrid Annabelle


Maria Paula disse...
11 de janeiro de 2014 às 11:27  

Adorei tudo o que escreveu! Desconhecia totalmente todas essas hipoteses levantadas! Há 1s anos fiz 2 consultas de astrologia polar taoísta e adorei pois situam-se mt nestas bases que o António refere. Muito obrigada pela enorme contribuição que nos dá com o seu enorme testemunho ♥

8 de janeiro de 2014

Astrologia e Reencarnação - Apontamentos para uma aula em 2007



ASTROLOGIA E REENCARNAÇÃO

Por Dorothée Koechlin de Bizemont
Extraído do seu livro “Astrologia Cármica”
Transcrições, excertos e sublinhados de António Rosa

Obs: Para ser estudado e analisado coma muita atenção pelos leitores.
Eu sei que a maioria dos actuais leitores não têm tempo para ler textos longos,

mas será que queremos realmente aprofundar alguma coisa?
Ou desejamos apenas umas frases lindinhas no Facebook?

Actualizado em 10 Junho 2007
Reorganizado em Janeiro de 2011
Actualizado em 8 Janeiro 2014
por António Rosa



Os astrólogos actuais podem repartir-se em duas tendências: os racionalistas e os espiritualistas. Os primeiros praticam a astrologia como um meio de conhecimento imediato dos homens. Empoleirada nas técnicas de investigação psicológica do século XIX e XX (psicanálise etc.), essa astrologia recusa as dimensões espirituais esotéricas. É, em suma, a irmã gémea da "medicina de consertos" ocidental, que só conhece o corpo material. Recusando a existência do corpo esotérico e do corpo astral, essa medicina só vê no homem um conjunto de reacções psicoquímicas. Como a medicina derivada das teorias de Pasteur, a astrologia racionalista ignora a finalidade cósmica do homem.

Para os astrólogos da segunda tendência, os espiritualistas, o estudo do tema individual não só descreve o corpo doente, a mente desequilibrada, ou a vida emocional perturbada, como também, mais ainda, esse tema astrológico pode responder às questões fundamentais que o indivíduo se coloca: "Quem sou eu? Para que serve a minha existência? Aonde irei depois de minha morte? De onde vim?"

O astrólogo espiritualista recoloca o homem numa estrutura de espaço e de tempo que esclarece sua finalidade. A astrologia espiritualista ou esotérica é naturalmente reencarnacionista. Seu nível de explicação é muito mais amplo. O tema actual representa apenas uma encarnação, a mais recente, que é a resultante das precedentes... O tema (em particular no momento da morte) chega a dar indicações sobre a próxima encarnação!

Efectivamente, um tema analisado nessa perspectiva "cármica" explica luminosamente os gostos, o temperamento, os defeitos e as qualidades do nativo. Descemos aí a um nível de investigação muito mais profundo do que a psicanálise, já que essa astrologia espiritual reconhece a marca das experiências anteriores sobre o comportamento actual do sujeito. Os traumatismos das vidas anteriores podem ser lidos num tema se o astrólogo é suficientemente competente, e se as faculdades de juízo são suficientemente refinadas.

Sem ser ela uma religião, a astrologia espiritualista é uma espécie de revelação sobre a organização divina do Cosmos. Assim como a "religião" tem algo a ver com "ligar", a astrologia espiritualista nos liga ao "projecto divino". "No começo, Deus criou o céu e a terra"- diz o Génesis. E Deus diz: "Que haja luminárias no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que elas sirvam de sinais, tanto para as festas como para os dias e as estações." O estudo dessas luminárias devia ser uma forma de meditação transcendental. Assim praticada, a astrologia desemboca num deslumbramento, enlightment, como dizem os americanos (traduzindo assim a noção de iluminação, cara aos budistas). A astrologia, a cabala, a numerologia, a alquimia, o I Ching, etc. são os arcanos do conhecimento superior.

Esta era também a maneira de pensar dos grandes mestres da Antiguidade. Aí está por que reencarnação e astrologia nunca se opuseram nas civilizações antigas. Caminhavam lado a lado, com toda a naturalidade, como dois tipos de pesquisas paralelas conduzidas simultaneamente pelos sacerdotes e pelos iniciados. Terão eles, entretanto, feito a síntese entre as duas?

No Oriente, sim. No Ocidente é menos nítido. Um enorme número de tradições esotéricas ocidentais, que se transmitiam de boca em boca, perderam-se. Foi o caso do ensinamento dos druidas, por exemplo que, na Gália e na Grã-Bretanha, bem parecem ter coordenado astrologia e reencarnação, como testemunha César.

Um pouco de história

CALDEUS, GREGOS E ROMANOS

Os caldeus, observadores pacientes e apaixonados do céu, criaram a astrologia ocidental. Seus assombrosos conhecimentos astronómicos haviam feito com que descobrissem os planetas, até Saturno, inclusive. Já haviam medido suas revoluções - sideral e sinódica, com uma margem de erro muito pequena, e podiam prever com antecedência sua posição. Eram particularmente bem informados sobre as diferentes fases da Lua, e previam com precisão a volta dos eclipses. Foram eles que, tendo traçado os limites da eclíptica, haviam-na dividido em 12 porções, que se tornaram os "signos do Zodíaco". E como haviam compreendido que certas posições astronómicas pareciam ocasionar de novo os mesmos movimentos (os mesmos traços de carácter), tinham desenvolvido a interpretação simbólica daquelas posições astrais - ou seja, a nossa astrologia.

Mas teriam eles associado esta última à reencarnação? Numa palavra, seriam eles capazes de reencontrar as vidas anteriores através da leitura de um tema? Não se sabe exactamente.

Mestres consumados na arte de prever o futuro, interessar-se-iam pelo passado anterior? Os caldeus não eram certamente, assim como nós hoje em dia, estranhos à noção de reencarnação: Zoroastro parece ter sido herdeiro de uma velha tradição local. E altamente provável que certos sacerdotes-astrólogos iniciados utilizassem a astrologia para conhecer a evolução cármica das almas. Mas nenhum texto ou documento chegou até nós, actualmente.

Os babilónios, que vieram depois dos caldeus, retomaram e desenvolveram amplamente sua ciência, tanto em astronomia-astrologia, quanto em esoterismo. Transmitiram-na aos gregos, de quem a herdamos. Pensa-se que os egípcios não ignoravam de modo algum a astrologia reencarnacionista. Mas seus conhecimentos nesse assunto permanecem tão misteriosos quanto a Esfinge e a Grande Pirâmide...

Quanto aos gregos, um grande número deles, como vimos, acreditavam na transmigração das almas. Mas os filósofos do período clássico que a mencionaram não a ligaram à astrologia caldéia (que só foi vulgarizada tardiamente entre os gregos, no século III antes de Cristo).

Entretanto, Alexandre trouxera brâmanes da sua expedição à índia, intensificando assim os intercâmbios religiosos com o mundo grego. As tradições caldeia e egípcia, assim como a mitologia grega e a influência indiana irão misturar-se para dar aqueles "mistérios" iniciáticos, tão em voga no início da era cristã, mas não parecem ter convergido para criar uma verdadeira escola de astrologia reencarnacionista. Ninguém, no Ocidente, parece ter-se preocupado em coordenar astrologia e reencarnação.

Ninguém, salvo, talvez, os druidas. Mas estes logo vão desaparecer, sem deixar seus ensinamentos. A consciência das vidas anteriores apaga-se pouco a pouco na Europa, a partir do século VII. A astrologia, em compensação, permanece oficial ainda durante mil anos. Mas ninguém lhe pede que seja "reencamacionista". O Ocidente esqueceu tudo...

Nos séculos XVIII e XIX, grande buraco negro: a astrologia, por sua vez, cai num descrédito total. Raros esotéricos, rosacrucianos, alquimistas e cabalistas conseguiram, no entanto, manter viva a chama, por vezes à custa de suas vidas. Eles estarão na origem de um renascimento que só se ampliará no século seguinte. Na Alemanha, Goethe, no entanto, mostrar-se-á convencido da realidade da reencarnação, e se apaixonará pela astrologia. Não estabelecerá, no entanto, a ligação entre as duas.

Enfim, na segunda metade do século XIX, e no início do século XX, irão levantar-se alguns grandes espíritos que se voltarão para as fontes indianas e tibetanas: no Oriente não se rejeitou a reencarnação, nem a astrologia. Melhor ainda, integrou-se uma à outra, com toda a naturalidade! Corajosamente, pioneiros europeus e americanos reintroduzem no Ocidente esses dois espantalhos, "ilusões diabólicas", "especulações perigosas", nascidas de uma "mentalidade pré-científica".

Como me dizia recentemente uma velha senhora: "A reencarnação? Minha filha, é muito perigoso mexer com essas coisas! Não se meta nisso de jeito nenhum. Todos os meus conhecidos que caíram nessa história tiveram os piores aborrecimentos!"

A ASTROLOGIA INDIANA E TIBETANA

Ao leste do Éden, a Árvore do Conhecimento nem sempre foi sufocada. Nas índias, no Tibete, e em outros países do Extremo-Oriente, a reencarnação faz parte da vida quotidiana, assim como também a astrologia. Os astrólogos indianos, quando estudam um tema, têm sempre presente no espírito a "roda das reencarnações". Estimam que têm sob os olhos o "momento" da corrida milenar de uma alma. Nas Índias e no Tibete, não se cogita de empreender uma ascese espiritual sem procurar conhecer os erros das vidas precedentes. Essa busca é feita sob a orientação de um mestre, guru, swami, sishi... que guia o adepto no caminho muitas vezes difícil desse conhecimento.

A astrologia está muito naturalmente integrada nesta busca espiritual. Os astrólogos indianos não trabalham apenas na "análise lógica do tema" - utilizam sem qualquer reticência sua mediunidade para ler ali as vidas anteriores. Assim, o astrólogo indiano é, por princípio, um iniciado e um sábio. Sua função é religiosa.

Sem entrar nos detalhes que veremos mais amplamente na sequência dos capítulos deste livro, apresentaremos a seguir, em termos muito gerais, as configurações pelas quais os astrólogos indianos determinam as vidas anteriores (e futuras) de um nativo. Consideram eles, essencialmente:

O NIDÂNAS

Os "signos do Zodíaco" na astrologia indiana não correspondem exactamente aos nossos, por causa da defasagem entre signos e constelações, devida à precessão dos equinócios. Entretanto, o Zodíaco indiano admite, como o nosso, uma divisão do ano em 12 partes que correspondem às 12 constelações da eclíptica. Cada uma dessas constelações é como uma "porta", por onde entra a alma que se encarna de novo. Cada porta ou "nidâna" corresponde ao desejo, à paixão dominante, que impeliu a alma a se encarnar. Existe uma correspondência simbólica entre os 12 nidânas e os signos do Zodíaco.

Estes últimos são representados num círculo, o Bhava Chakra, ilustração gráfica da roda das transmigrações, e oferecidos sob esta forma à meditação dos fiéis.

0 primeiro nidâna é representado com os traços de uma velha cega, e simboliza a ignorância, a vontade inconsciente que leva a alma a se reencamar. Seu simbolismo lembra o de Áries, ser de desejo, movido por impulsos muitas vezes cegos.

O segundo nidâna é representado por um oleiro modelando a argila. Símbolo do apego às formas da vida física, está muito próximo de Touro.

O terceiro nidâna é representado por um macaco trepando lepidamente numa árvore. Ele simboliza o desejo de conhecimento e uma certa instabilidade, que evocam bem os Gémeos.

O quarto nidâna é representado por uma barca contendo ora apenas um homem, ora uma família. Simboliza o desejo de existir por si mesmo, de ser autónomo. Esse desejo, no Ocidente, nasce no nível de Câncer (que evoca também o Oceano primordial, como a barca).

O quinto nidâna é representado por uma casa vazia, ou por uma máscara humana: simboliza o desejo de exteriorizar o poder dos sentidos, e também a ambição (o que corresponde bem ao Leão).

O sexto nidâna é representado por um casal de esposos, ou por um trabalhador atrás do seu arado. Simboliza o desejo de realização concreta, a fecundação. Corresponde à nossa Virgem (representada no Ocidente com uma espiga de trigo na mão).

O sétimo nidâna é representado por uma figura humana cujo olho foi varado por uma flecha. Simboliza o desejo de ternura e de prazer, as ilusões do coração que terminam na dor. Corresponde a Libra.

O oitavo nidâna é representado por um homem que se embriaga, e por uma mulher segurando uma garrafa de vinho. Simboliza a sede insaciável de gozo, que acorrenta o homem à roda das reencarnações, e corresponde ao Escorpião.

O nono nidâna é representado por um homem colhendo frutos, que coloca num cesto. É o desejo dos bens materiais, o apego às gratificações deste mundo, análogo ao simbolismo de Sagitário.

O décimo nidâna é representado por uma mulher grávida. Ela representa a plenitude da existência material, e a sujeição aos trabalhos terrestres. Este nidâna corresponde a Capricórnio.

O décimo primeiro nidâna é representado por uma criança nascendo. Simboliza o desprendimento que foi adquirido e que dá ao ser o desejo de renascer uma última vez para liquidar todo o seu carma. Essa motivação espiritual corresponde a Aquário.

O décimo segundo nidâna é representado por um cadáver em seu cortejo funerário. Simboliza a dissolução (muito neptuniana) de todos os laços terrestres que aprisionavam o ser. Corresponde a Peixes.

Decanatos, graus e outras subdivisões do Zodíaco


Cada signo do Zodíaco - tanto na índia como no Ocidente estende-se, então, por 30° do céu. Um decanato - um terço de um signo - contém 10º.

Os astrólogos indianos dão muita atenção às subdivisões do Zodíaco; os decanatos permitem, segundo eles, um conhecimento das vidas anteriores; os dwads e os navamsas, subdivisões do decanato e do signo, indicariam mais o desenvolvimento futuro da Entidade.

Cada grau do círculo celeste indica também alguma coisa do carma do nativo. Não desenvolverei aqui esses tópicos - apesar de interessantes - por falta de espaço!

O Ascendente

É examinado com o maior cuidado. O signo que se encontra situado na XII casa, logo acima do horizonte, é considerado como o signo ascendente da vida precedente. Exemplo: um nativo nascido com o Ascendente Libra tinha o Ascendente Virgem na encarnação precedente; não deve, portanto, causar espanto que ele ainda apresente características de Virgem, sobretudo no início desta vida. A alma percorre, assim, o Zodíaco, experimentando em cada encarnação as possibilidades dos signos, segundo sua progressão.

Os seis mundos

Não se pode compreender a astrologia indiana esquecendo os seis mundos começando por baixo:

- O mundo infernal, que corresponde ao plano de Saturno

- O mundo dos espíritos famintos, que corresponde ao plano da Lua

- O mundo animal, que corresponde ao plano de Vénus

- O mundo humano, que corresponde ao plano de Mercúrio

- O mundo dos Titãs, ou Heróis, ou deuses ciumentos, que corresponde ao plano de Marte.

- O mundo dos deuses, mundo da felicidade e da luz, o mais alto de todos, que corresponde ao plano de Júpiter

O acesso a esses três últimos mundos se faz por um bom carma, ao passo que, ao contrário, um carma pesado obriga a entidade a se reencarnar em um dos três mundos inferiores, onde reina a infelicidade.

As almas passam de um a outro mundo, segundo seus méritos. A astrologia permite ver de que mundo vem o recém-nascido e, ao morrer, em que mundo o indivíduo se reencarnará. O Sol, energia luminosa, forma do Buda, indica, por sua posição no signo e no decanato, como se disse acima, de que mundo vem o nativo.

Resumi muito grosseiramente o ponto de vista da astrologia indiana: os especialistas que me perdoem essa simplificação.

OS PIONEIROS OCIDENTAIS

Os primeiros pioneiros ocidentais da astrologia reencarnacionista foram buscá-la nas índias. Teósofos, antropóssofos, rosacrucianos não ignoram as fontes indianas.

Depois da geração dos pioneiros, outros astrólogos desenvolveram a astrologia esotérica, apoiando-se mais na inspiração mediúnica do que nos textos indianos (Alice Fowler, Irys Vorel, Donald Yott, Charles Vouga). Mas é notável que haja uma convergência entre a inspiração desses pesquisadores e as tradições indianas.

O caso limite é o de Edgar Cayce, que nunca pôs os pés num ashram, nem estudou astrologia indiana, e nem mesmo qualquer tradição reencarnacionista, e que, por sua simples inspiração mediúnica, reencontra valores que a India conservara e que a nossa astrologia esquecera. Aliás, foi a propósito do tema astrológico de seu amigo Lammers que Cayce mencionou pela primeira vez esta evidência que é a reencarnação. Para seu próprio espanto, ele declarou, sob sono hipnótico: "Outrora, ele (Lammers) foi monge." Foi preciso, depois, que Cayce, assim como os astrólogos ocidentais, percorresse um caminho muito longo para chegar à astrologia reencarnacionista aqui apresentada.

EDGAR CAYCE CONFIRMA A REALIDADE DAS PERMANÊNCIAS PLANETÁRIAS

As leituras caycianas, evidentemente, contêm um imenso número de comentários astrológico-reencarnacionistas.

Essas referências são totalmente surpreendentes para um astrólogo ocidental "clássico". Entretanto, pôde-se verificar cem vezes a justeza das previsões de Cayce, e também o quanto seus diagnósticos, tanto físicos quanto psíquicos, se mostraram exactos. Pode-se, então, pensar que sua visão astrológica corresponde a uma realidade. A astrologia actual está, aliás, em plena evolução. O materialismo do século XIX lhe cortara as asas: o século XXI provavelmente dará razão a Cayce. Aqueles, dentre os meus leitores, a quem essa questão interessa, podem reportar-se ao excelente livro de Margareth H. Gammon: Astrology and the Edgar Cayce readings, publicado pela ARE (Edgar Cayce Foundation, 1967 e 1973).

A maioria das 2.500 leituras de vidas apresentadas por Cayce entre 1923 e 1945 evocam a reencarnação. Segundo ele, as Entidades permanecem em diferentes épocas no plano terrestre - é o que chamamos de encarnações sucessivas - mas também permanecem em outros planos planetários, entre duas vidas terrestres. Edgar Cayce está longe de ser o único a ter falado nisso. Allan Kardec faz alusão ao assunto: "A medida que os Espíritos se depuram, encarnam-se em mundos cada vez mais perfeitos" (O Livro dos Espíritos, Editorial Angelorum-Novalis).

As Lettres de Christopher, de Rose-Marie Tristam, também falam nisso. Christopher, morto aos 17 anos no naufrágio de um navio torpedeado durante a Segunda Guerra Mundial, retorna depois de morto, regularmente, para falar com sua mãe. Conta-lhe suas actividades nos outros mundos: "Depois de deixar Sirius, visitamos vários satélites em tomo daquele grande centro de luz...". Conta também as expedições a Marte, a Júpiter, a Orion... É bem possível que, depois da morte, os humanos possam realizar com muita facilidade viagens interplanetárias, ou mesmo interestelares!

Albert Pauchard, em seu L'Autre Monde, fala também do "raio de Neptuno", que ilumina "o último contingente de um ciclo solar" - isto é, os que vão nascer entre 20 de Fevereiro e 20 de Março, em Peixes.

Nos Estados Unidos, o famosíssimo médium Arthur Ford falara de suas viagens em "projecção astral" (isto é, saída do corpo físico ou "desdobramento") a outros planetas. Contou mesmo que visitou Arcturus.

Voltando a Cayce, ele diz que as Entidades permanecem em outros planos planetários (ou estelares); ele chama essas permanências de "sojourns". Qual será a finalidade disso? Segundo ele, o plano divino de desenvolvimento das almas humanas prevê para elas uma série de experiências planetárias, para ampliar o campo de seus conhecimentos. Os reencarnacionistas em geral, tanto do Oriente como do Ocidente, estão de acordo: o campo terrestre é demasiado limitado. Devendo a alma chegar ao perfeito conhecimento (já que "nós somos deuses", como diz Paulo), precisa passar por uma grande diversidade de experiências cósmicas. Isso é necessário para a aprendizagem do estado divino!

Segundo Cayce, esses "sojourns" em planos de consciência diferentes são descritos no tema individual pelos planetas, que simbolizam diferentes planos de energia cósmica. Podemos, portanto, ler no nosso tema as experiências planetárias precedentes. Essas vilegiaturas em outros mundos desenvolvem nossas faculdades mentais. Nossas ideias, nossas intuições, nossos conhecimentos inatos, em suma, nossas aptidões intelectuais e imaginativas seriam directamente provenientes das experiências planetárias e siderais. Esses "estágios de formação" em diferentes "lugares" do sistema solar nos dariam nosso dinamismo mental, ao passo que nossa vida emocional seria antes o fruto de nossas encarnações terrestres.

Cayce diz frequentemente: "Tal Entidade chega de Saturno" (ou de Mercúrio, ou de Vénus etc.). Em inglês, entered from Saturn (esta alma alçou voo em Saturno).

Essas viagens interplanetárias que asseguram a "formação contínua" das almas não se limitam ao sistema solar; Cayce faz inúmeras alusões a estrelas como Arcturus (que parece um elevadíssimo lugar espiritual), Sirius, as Plêiades, Rigel, Bellatrix, Betelgeuse, a Polar ou constelações extra zodiacais, como a Grande Ursa, Orion, etc.

Sabe-se que os astrólogos da Antiguidade, e depois os astrónomos árabes, atribuíram uma grande influência às "estrelas fixas". Distinguiam perfeitamente estas últimas das "estrelas errantes", que são os planetas. A astrologia ocidental desconhece - ou simplesmente ignora - essas estrelas fixas, com raras excepções, como Vivian Robson ou Volguine; ou como a astrologia rosacruciana, que sublinha a importância de certas estrelas como Alcione, as Plêiades (constelação de Touro), as Aselli ou Anons (constelação de Câncer), Antares (constelação de Escorpião).

Alice Bailey, outra astróloga reencarnacionista, fala também da influência de Betelgeuse, da Grande Ursa, de Sirius. É óbvio que os astrólogos indianos também não ignoram as estrelas fixas, e sabem que elas encerram grandes mistérios.

Enfim, se Cayce insiste nas permanências planetárias e estrelares detém-se muito pouco nos aspectos entre os planetas, e nos signos do Zodíaco. É que o valor destes, na nossa astrologia ocidental, é alterado pela precessão dos equinócios, de que é imprescindível falar aqui.


UM PONTO IMPORTANTE: OS SIGNOS DO ZODÍACO E A PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS

[Este texto sobre a precessão dos equinócios, à excepção dos restantes é da autoria de António Rosa. Ver aqui.]

Nas páginas que se seguem , trataremos dos planetas nos signos do Zodíaco. Ora, impõe-se um acerto: o astrólogo sério, reencarnacionista ou não, deve levar em consideração a precessão dos equinócios.

O grande público, muitas vezes mal informado sobre a astrologia, pensa que esta se resume aos signos do Zodíaco. "Ah, você é Touro? Como eu gosto desses bichos!" O estudante pôde se dar conta de que os signos do Zodíaco eram apenas uma das "chaves" da astrologia. Os planetas são tão ou mais importantes do que eles! Alguns astrólogos não vêem os signos do Zodíaco senão como um jogo de filtros coloridos: cada planeta nos envia suas vibrações através do filtro do signo zodiacal que as colore.

Por vezes, espantamo-nos: certos nativos só têm poucas características descritas pelos signos... em compensação, comportam-se mais como o signo precedente. Muita gente, ainda assim, espantou-se com o facto de Hitler ter nascido com o sol em Touro - signo pacífico por excelência! Teria sido bem mais lógico que seu Sol estivesse em Áries, signo da guerra, sob a regência de Marte. Ora, é esse o caso... se levarmos em consideração a precessão dos equinócios!

Assim também Luís XIV, que escolhera como símbolo o Sol e se comportou como um verdadeiro Leão, evidentemente não nasceu com o Sol em Virgem - signo do perfeito subordinado! (5 de Setembro de 1638).

Assim o Zodíaco no qual trabalhamos está alterado. Actualmente, as constelações não coincidem mais com os signos do mesmo nome.

Lembro que os astrónomos reagruparam as estrelas fixas em 89 constelações. Esses grupos, evidentemente, são arbitrários. Mas não se podia deixar de rotular o céu, para poder se orientar nele! Ora, o Sol não dá cambalhotas ao acaso nessas 89 constelações: limita-se, comportadamente, às 12 que percorre todo ano, e que constituem, para ele, uma espécie de auto-estrada celeste. A essas constelações os Antigos haviam dado nomes de animais: ignora-se completamente porque... Mas não se deve pensar que fosse pura fantasia: os astrónomos astrólogos da Caldéia possuíam profundos conhecimentos esotéricos sobre o reino animal.

Em suma, o início do ano zodiacal, o "ponto vernal", ou "grau 0 de Áries", deve coincidir com o primeiro dos 12 sectores - ou signos -repartidos no céu no caminho anual do Sol (é a auto-estrada celeste que chamamos de Zodíaco). Esses 12 sectores do céu, de 300 (30x 12 = 360), são baptizados de acordo com os nomes das constelações que devem enquadrar.

Ora, em virtude da percepção dos equinócios, o Sol hoje em dia não nasce mais, no dia 21 de Março, na constelação de Áries. Em 228 depois de Cristo, era assim: o Sol nasceu bravamente, como lhe haviam mandado ao mesmo tempo em Áries-signo do Zodíaco e em Áries-constelação. Depois, pouco a pouco, começou a nascer no fim do signo de Peixes. Os astrólogos, como Ptolomeu, não prestaram mesmo muita atenção nisso: era uma aproximação… O mal é que, hoje em dia, a "aproximação" tornou-se "bem pouco próxima"!

O eixo da Terra gira lentamente sobre si mesmo em 26.000 anos: e é esse fenómeno, chamado "precessão dos equinócios", que faz com que o Sol nasça, todo dia 21 de Março, um pouco mais atrás nos signos.

Em virtude dessa progressiva defasagem, os 12 sectores de 300 repartidos no céu não coincidem mais com as constelações que lhes haviam dado o nome. A defasagem é mesmo tão importante que atinge hoje em dia (em 1983) cerca de 24°.

Os astrólogos indianos conhecem perfeitamente essa defasagem, que chamam de ayanamsa, e que levam em consideração na interpretação dos horóscopos.

Assim, um nativo de 1983, com o Sol a 5° de Escorpião estaria, para os astrólogos de 20 séculos atrás (assim como para os astrólogos indianos actuais) com o Sol a 110 de Libra. Não será de estranhar, então, que em sua juventude ele apresente tantos traços de carácter de Libra.

Essa defasagem progressiva irá levar pouco a pouco o Sol a nascer, em 21 de Março, na constelação de Aquário (mas sempre no signo, isto é, no sector de Áries). Desde o ano 228 da era cristã até agora, o Sol nascera na constelação de Peixes. Irá deixá-la por voltado ano 2 377, para entrar na de Aquário.

Portanto, os astrólogos verdadeiramente honestos, verdadeiramente preocupados com a verdade, deveriam levar em consideração a defasagem ayanamsa em suas interpretações. Uma Lua natal a 6° de Touro, por exemplo, é, no dia do nascimento, o que há de mais Áries!

Cada vez que eu mencionar um planeta (ou um nó) num signo, entenda-se que se trata do signo real, depois de feita a correcção pelo ayanamsa.

Dito isto, a "progressão" dos planetas os faz evoluir através do Zodíaco. Assim, a criança que nasce actualmente com o Sol a 5° de Sagitário, nasceu na verdade em Escorpião - e manifestará as características deste. Entretanto, por progressão de um grau por ano, o Sol, aos 25 anos, entrará no 1ºgrau de Capricórnio. Se subtrairmos o ayanamsa de 24°, esse Sol estará na verdade a 6° da constelação de Sagitário. E então que esse jovem terá um comportamento sagitariano.

Na prática corrente, seria preciso considerar os dois signos, antes e depois da subtracção do ayanamsa.

Os astrólogos da Pérsia antiga, os caldeus e os babilónios levavam em conta esse fenómeno e corrigiam seus horóscopos a partir disso. Mas os egípcios, depois os astrólogos do Baixo Império romano, seus sucessores na Idade Média e depois os modernos esqueceram o ayanamsa, que não pára de crescer de século para século.

Para concluir, a astrologia ocidental comum, actualmente, trabalha sobre bases em parte falsas, a menos que leve em consideração o ayanamsa - cuja tabela para o século XX é apresentada abaixo:

Exemplo muito significativo: o tema de Hitler

Para o seu nascimento, em 20 de Abril de 1889, às 18h21 min., em Braunau am Inn, na Áustria, o Zodíaco habitual dá 0" 48 Touro. Corrigindo a posição do Sol, pela subtracção do ayanamsa, encontramo-lo no início de Áries, a = 7º 48”, o que dá a esse signo de guerra e de fogo toda a sua força.

E A LIBERDADE, O QUE SE FAZ DELA?

A Tradição afirma, desde sempre: Astra inclinant, sed non cogunt, isto é: "Os astros indicam, mas não obrigam." Assim, segundo Tomás de Aquino: “Tudo o que existe na superfície deste mundo sublunar está sujeito à influência dos astros - mas o sábio domina os astros."

Cayce está inteiramente de acordo com essa óptica. Eis o que ele diz, textualmente: "A mais forte influência exercida sobre o destino do homem é, em primeiro lugar, a do Sol, depois a dos planetas mais próximos da Terra, ou então dos que são ascendentes na hora do nascimento. Mas é preciso entender aqui que nenhuma acção, de qualquer planeta, nem as fases do Sol, da Lua ou de qualquer corpo celeste é mais forte do que a vontade do homem."

É, portanto, claro: o sábio domina os astros.

Nenhum astrólogo sério, seja oriental, indiano ou chinês, pensa realmente que sejamos totalmente determinados pelos astros, como se fôssemos fantoches manobrados por alguém.

Só as pessoas que têm noções muito superficiais de astrologia ainda imaginam que ela seja determinista, e que nosso destino estaria organizado de antemão nos seus mínimos detalhes. A "roda das reencarnações", o samsara dos astrólogos budistas, não é uma fatalidade: os textos sagrados indianos afirmam que é preciso sair dela, para isso utilizando nossa liberdade!

Tomás de Aquino manifestou-se a respeito, de modo magistral, em sua Suma teológica (questão 96, "Da Adivinhação pelos astros"): "Quando um médico - diz ele -, à cabeceira de um doente, faz um diagnóstico a partir de determinados sintomas, e depois faz um prognóstico sobre a evolução da doença, diz-se por acaso que ele faz profecias? É evidente que não! Ele apenas exerce sua profissão de médico.

Assim também o astrólogo: ao ver tal ou tal configuração no céu, deduz dela tal ou tal previsão." Tanto o médico como o astrólogo deixam, em seu "prognóstico", uma grande margem para a liberdade do doente (ou nativo). Este último pode, por sua atitude mental, fazer fracassar os prognósticos do médico (ou do astrólogo). Sabe-se de tantos doentes que se deixam morrer, e de tantos outros que ressuscitam pela força de vontade!

Toda astrologia que negue a liberdade seria totalmente débil. Todo aquele que pretende abusar do seu poder em nome dos astros, aterrorizando o seu consulente, sacudindo-lhe no nariz um destino implacável ("Está escrito no céu"), não é digno do nome de astrólogo.

Actualizado em 10 Junho 2007

Reorganizado em Janeiro de 2011
Actualizado em 8 Janeiro 2014
por António Rosa
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3 comentários:

Susana Vitorino disse...

Querido, António! Está é a minha praia. Uma praia que gostaria de ter explorado e aprendido mais, mas não tem dado para tudo. :-)

Gratidão por esta partilha, estou deliciada!!!

Beijos repenicados*

Astrid Annabelle disse...

Boa tarde meu querido António!

Primeiramente, respondendo a sua pergunta no FB...estou bem, apenas morrendo de calor ...

"Segundamente"!!! [risos} irei ler com o espaço de comentários aberto ao meu lado para ir anotando o que gostei... adorei a imagem e já copiei para a minha pasta AR{António Rosa} de astrologia...

A explicação sobre a astrologia espiritualista é saborosa...

Também sou apaixonada pelo céu.....

Uma belíssima aula de História... maravilha de se ler!!!!

Não conhecia nada sobre a astrologia Indiana e Tibetana. Interessantíssimo!

Estou adorando o tema sobre Cayce...literalmente viajando em outras dimensões...{por isso foi bom eu ficar com o espaço para comentários aberto..teria perdido a sensação no final do texto}

O seu texto sobre OS SIGNOS DO ZODÍACO E A PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS está excelente..de muito fácil compreensão!

Um espetáculo para os sentidos!!!!!...só tenho que agradecer muito por tantas informações... tenho a certeza que irei ficar por horas ou dias matutando a respeito de tudo o que li aqui...
Beijão
Astrid Annabelle


Maria Paula disse...

Adorei tudo o que escreveu! Desconhecia totalmente todas essas hipoteses levantadas! Há 1s anos fiz 2 consultas de astrologia polar taoísta e adorei pois situam-se mt nestas bases que o António refere. Muito obrigada pela enorme contribuição que nos dá com o seu enorme testemunho ♥

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