Alexander McQueen, o hooligan revolucionário da moda inglesa

27 de fevereiro de 2010 ·

Alexander McQueen
17 Março 1969 - 22:45
Lewisham, London,
United Kingdom

Seu site
http://www.alexandermcqueen.com/

É sabido que o estilista britânico Alexander McQueen (40 anos), um dos nomes mais respeitados do mundo da moda, foi encontrado morto no dia 4 de Fevereiro de 2010, tendo-se enforcado num guarda-roupas do seu exclusivo apartamento em Mayfair, no centro de Londres, tendo deixado um bilhete de suicídio. Morreu no mesmo dia em que ocorreria o funeral de sua mãe, que tinha falecido uns dias antes.

Alexander McQueen foi um dos mais influentes designers da última década. Desenhou roupas para personalidades ou celebridades como Beyoncé, Fergie, Rihanna, Janet Jackson, Mary J. Blige, Lady GaGa, Naomi Campbell, Sarah Jessica Parker, Cameron Diaz, Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anna Paquin, Katie Holmes, Camilla Belle, Michelle Obama e o Príncipe Charles.

O estilista com a mãe, num evento recente.

Desde muito cedo sentiu o chamamento da moda. Aos 16 anos abandonou a escola e ocupou um lugar de aprendiz nos alfaiates de Savile Row "Anderson and Shepherd". Esta experiência deu-lhe a oportunidade de apurar a técnica de confecção de roupa e de alfaiate, capacidades pelas quais é hoje famoso.

Se olharmos para o mapa do estilista, notamos que nesse ano (1986), Plutão transitava por Escorpião e passava por cima do seu ascendente, iniciando uma nova vida, que viria a ser influente a nível mundial. Júpiter entrou na sua quinta casa, o sítio onde mora a «criatividade» nos nossos mapas.

Na sua aprendizagem de alfaiate da alta costura, McQueen passou da "Anderson and Shepherd" para "Gieves and Hawkes" e depois para os costureiros "Angels and Bermans". A sua variada aprendizagem deu-lhe a oportunidade de dominar muitas técnicas diferentes de confecção de roupa. Mestria a que deu bom uso durante a sua carreira. Pode-se dizer que a sua aprendizagem mais formal terminou, quando, com 21 anos, mudou-se para Milão para trabalhar com Romeo Gigli.

Em 1990, quando tinha 21 anos, os seus trânsitos mostram-nos que Júpiter iniciou a sua caminhada pela nona casa do mapa do estilista. Sabemos que a casa 9 trata de assuntos do estrangeiro, da fé, de assuntos superiores. Alexander McQueen, sendo muito jovem, ao mudar-se para Milão, dava o primeiro passo em direcção ao topo do mundo.

O seu mapa natal. Clicar para ampliar.


Toda esta experiência foi convertida em sucesso e McQueen conseguiu terminar um mestrado em design de moda na prestigiada Central St. Martins College. A sua colecção, o culminar da sua aprendizagem, recebeu as atenções da imprensa e estabeleceu-o como jovem estilista promissor. Pode-se dizer que a sua carreira iniciou em 1992, aos 23 anos, quando uma sua colecção foi comprada por 5 mil libras pela estilista Isabella Blow, que se tornaria a sua mentora e grande incentivadora.

Verificamos que nesse ano, o benéfico Júpiter transitava esplendoroso pela sua décima casa, dando-se um impulso à sua carreira e trazendo reconhecimento social, ao mesmo tempo que fazia um contacto estreito com o ascendente do seu mapa natal, dando-lhe um impulso tremendo para prosseguir a sua carreira de estilista.

Então, tratou de fazer o seu próprio nome. As suas passagens de modelo eram notoriamente teatrais e o seu estilo "brutalmente aguçado" trouxe-lhe muita atenção e aclamações. Também fabricou uma reputação. McQueen, em virtude de uma imagem petulante de mau rapaz e frequentes explosões de mau humor, tornou-se no "l'enfant terrible". Aproveitando esta faceta, McQueen e a sua nova marca estavam a tomar conta da moda londrina.

A entrada do edifício do seu exclusivo apartamento (£ 640.000) em Mayfair,
no centro de Londres, no dia em que o seu corpo foi descoberto pela irmã.

Em 1997, foi contratado pela casa de alta-costura Givenchy. Rápida e imprudentemente, despediu o fundador da marca, Hubert de Givenchy, considerando-o "irrelevante". A sua arrogância era espantosa e achava-se superior à própria indústria da moda. Aprendeu amargamente, na própria pele: a sua primeira colecção para a Givenchy foi um fracasso. A sua permanência na Givenchy foi sempre muito difícil. O seu génio é que o salvou de não ter sido sumariamente depedido.

Obviamente que só poderia ser assim, pois McQueen, enquanto ser humano, precisava de crescer e aprofundar o seu interior. Com 28 anos, em 1997, Saturno estava com um posicionamento astrológico pressionante: entrava na sua sexta casa (onde se faz a rotina do trabalho) e em simultâneo, fazia conjunção ao Saturno natal, o bem conhecido retorno. A vida exigia que o estilista tivesse que aprender à sua própria custa, da forma mais dramática possível.

Apesar deste flop, McQueen, contudo, era ainda respeitado no mundo da moda e recebeu uma segunda oportunidade. A vida dá-nos sempre uma nova oportunidade, que no caso do estilista foi uma grande demonstração de respeito numa indústria marcadamente implacável.

Em 2000, o Grupo Gucci adquiriu uma participação de controlo, 51% na linha "McQueen", tendo o estilista ficado à frente, como criativo da marca, com a máquina Gucci a controlar os possíveis desmandos pessoais. Este passo pôs fim à tumultuosa relação de McQueen com a Givenchy e conferiu-lhe uma maior liberdade criativa, que ele soube aproveitar de forma genial.

2000 também foi o ano em que Alexander McQueen, que nunca ocultou que era gay, se casou com o documentarista George Forsyth.

Estes dois últimos exemplos - o sócio Gucci e o seu casamento no mesmo ano -, são excelentes para falarmos um pouco sobre o que acontecia na sua sétima casa em 2000, quando ele tinha 31 anos. Saturno transitava por esta casa, trazendo-lhe o peso de um sócio fortíssimo, como é o Grupo Gucci, mas também formalizou a sua relação afectiva em forma de casamento. Se fosse só Saturno a transitar por esta casa, talvez a solução não fosse esta, mas na mesma casa, em trânsito, encontrava-se Júpiter, o grande benéfico.



A partir de 2001, Alexander McQueen soube aproveitar bem as oportunidades que a vida lhe dera e concentra-se na sua própria marca tendo-a expandido para todo o mundo. Os seus confortáveis 49% da empresa tornaram-no rico, tendo ajudado financeiramente, diversas causas de solidariedade. Entre 2001 e 2009, McQueen desenvolveu e consolidou diversos projectos: colecções para mulher e para homem, acessórios, duas fragrâncias (Kingdom 2003 and MyQueen 2005) e a abertura de diversas lojas com a sua marca em Nova Yorque, Londres, Milão, Las Vegas e Los Angeles.

Estes foram os prémios oficiais que Alexander McQueen recebeu em vida: British Designer of the year 1996, 1997, 2001 e 2003. International Designer of the Year pelo The Council of Fashion Designer's of America (CFDA) em 2003, 'A Most Excellent Commander of The British Empire’ (CBE), feito comemdador pela Rainha de Inglaterra em 2003. GQ Menswear Designer of the Year em 2007.

Em 2003 recebeu o reconhecimento formal da indústria da moda como podemos constatar mais acima pelos prémios recebidos nesse ano e, enquanto britânico, foi agraciado com a comenda que a Rainha de Inglaterra atribui aos seus cidadãos mais ilustres: Saturno ao entrar no ponto cardinal de Câncer, fazia uma quadratura ao seu eixo nodal, situados nos pontos cardinais de Carneiro / Aries (na casa 5) e Balança / Libra (na casa 6), trazendo-lhe o reconhecimento do mérito público. Júpiter em Leão (a vontade de estar debaixo dos holofotes) entrava na sua décima casa, a do reconhecimento social.

A editora da revista Vogue britânica classificou McQueen como um "génio dos tempos modernos" - "Alexander McQueen influenciou uma geração inteira de designers. A sua imaginação brilhante não conhecia limites enquanto ele produzia colecção após colecção de designs extraordinários".

O seu mapa, no dia em que se suicidou (4 Fev 2010), aos 40 anos (iria cumprir 41 umas semanas depois), apresenta-se bastante delicado e intenso. Já submetido à muito conhecida oposição de Úrano, a Lua estava entre Saturno e Plutão, posicionamento bastante incómodo, por barrar possíveis desenvolvimentos. A mesma Lua recebia aspectos bem próximos de Úrano e Mercúrio, tendo-se deixado ir em pensamentos menos positivos. A Lua, significando a mãe e a sua mentora, a estilista Isabella Blow, estava em posicionamento debilitado. A sua psique fez o resto.

23 comentários:

Bya disse...
27 de fevereiro de 2010 às 13:10  

Uau...........obrigada pela atenção....pois as ondas se reestabelecem e o tempo de parada cessa agora estamos todos por uma novo começo...

Obrigada!

angela disse...
27 de fevereiro de 2010 às 13:53  

Tem dores que são insuportaveis...as vezes as pessoas se esquecem que é por um momento, depois melhora.
bonito post.
beijo

Maria Paula Ribeiro disse...
27 de fevereiro de 2010 às 15:00  

Boa tarde António,

Bela aula, incidindo mais em Júpiter, ao "vivo e a cores" ;)
Gostei do "enfant terrible" ;))))
Bem-hajas.

marcelo dalla disse...
27 de fevereiro de 2010 às 22:42  

Antonio meu amigo, este é um post especial! Muito bem escrito, interessantíssimo. Bom saber sobre a vida desse grande estilista.

Pena que o seu gênio não o impediu de cometer essa grande estupidez. Muita luz pra ele!!! Foi uma grande perda para a arte atual.

Parabéns, meu querido! Vou divulgar.
abraço

Ana Cristina disse...
27 de fevereiro de 2010 às 22:51  

aqui uma apaixonada pela obra, tenho a honra de ter algumas "peças", estou grata pela hora e detalhes...assim que possa vou-me deliciar com a carta dele. Obrigada.

António Rosa disse...
27 de fevereiro de 2010 às 23:19  

Bya

Obrigado pelas palavras delicadas. Beijo.

António Rosa disse...
27 de fevereiro de 2010 às 23:19  

Ângela

Sem dúvida que há dores muito agrestes e os pensamentos embrenham-se em tortura. Beijo.

António Rosa disse...
27 de fevereiro de 2010 às 23:20  

Maria Paula

Também és uma "enfant terrible" no sentido da criatividade e produtividade. Beijos.

António Rosa disse...
27 de fevereiro de 2010 às 23:20  

Marcelo

Muito obrigado pelas palavras gentis. Gostei de preparar este post, apesar de ter trabalhado nele durante vários dias. Muita luz para ele. Abraço.

António Rosa disse...
27 de fevereiro de 2010 às 23:20  

Ana Cristina

Disponha dos dados. Foi tudo conferido exaustivamente.

Léo Santos disse...
28 de fevereiro de 2010 às 00:07  

E é por isso que eu sou medíocre! Já pensou se eu fosse gênio! Acabaria me suicidando!

Um abraço!

Astrid Annabelle disse...
28 de fevereiro de 2010 às 02:32  

António!
Aqui está o comentário que tentei postar logo cedo e não consegui:
"Impressionante o relato que fez sobre a vida desse "gênio da moda".
Eu conheço muito pouco a respeito. Mas, me interesso especificamente
sobre as atuações de Saturno na vida das pessoas.
Achei interesssantíssimo.
Beijos
Astrid Annabelle
P.S.
Também enviei um email para você..um pedido de opinião...

António Rosa disse...
28 de fevereiro de 2010 às 09:59  

Léo

Tanta gente que se suicida, sem ser génio, sendo apenas seres humanos comuns. Apreciei a sua visita. Abraço.

António Rosa disse...
28 de fevereiro de 2010 às 10:00  

Astrid

Já respondi ao seu email. Foi uma vida curta mas intensa e com significado.

Beijo.

Rui António Santos disse...
28 de fevereiro de 2010 às 13:02  

Olá António, que vida criativa, A lua debilitada, deveria propor-lhe individualização, a sua psique não aguentou.

Plutão em Virgem, Jupiter e Urano em Balança na 11, grupos amigos, sociedades arte, criatividade onde ele se indentificava e o Sol na 5, terá havido um choque na sua consciência, que as suas feridas mais profundas não conseguiram suportar, Kiron tambem está na 5.

Belo artigo, não conhecia este estilista.

Bom fim de semana. Abraço

António Rosa disse...
28 de fevereiro de 2010 às 13:27  

Rui

Obrigado pela análise e pela simpatia.

Abraço, amigo.

Serginho Tavares disse...
28 de fevereiro de 2010 às 17:23  

deus precisava de roupas novas por isso deixou ele ir
saudades do mestre
do grande mestre McQueen

cristinasiqueira disse...
1 de março de 2010 às 01:48  

Oi Antonio,

Fantástica postagem e que trabalho astrológico vc realizou sobre a vida do extravagante e genial McQueen.

Lá no blog www.cristinasiqueira.blogspot.com
postei GRATIDÂO e você está nas entrelinhas.

Beijos,

Cris

António Rosa disse...
1 de março de 2010 às 08:40  

Serginho

Também era apreciador do seu imenso talento. Deixou uma marca profunda nesta sua passagem por aqui. Abraço.

António Rosa disse...
1 de março de 2010 às 10:35  

Cristina,

Desejo-lhe uma rápida recuperação. Nova vida, com mais qualidade.

Grato a si.

Beijo

Adelaide Figueiredo disse...
1 de março de 2010 às 12:37  

Olá António.

Análise muito interessante. Ir-me-ei debruçar um pouco sobre ela. Só assim se vai aprendendo com estas experiências.
Desewjo-lhe uma boa semana.

Abraço

António Rosa disse...
1 de março de 2010 às 12:41  

Olá Adelaide

Vai verificar que é um mapa muito simples de analisar.

Uma boa semana para ti.

Glorinha L de Lion disse...
2 de março de 2010 às 14:58  

Esse rapaz era um gênio, e como todos os gênios, atormentado por ter em si, muitos num só...uma pena...
Amigo, ontem recebi seu livro! Amei a dedicatória e ontem à noite já mergulhei nele e li os signos de todos aqui de casa...eu acho que depois de uma certa idade nosso ascendente é quem manda, não é? Eu tenho muitas características de virgem, mas não a maioria delas...mas, como não sei qual é meu signo ascendente...não sei onde procurar.
Um beijo,Antonio, adorei meu presente!

27 de fevereiro de 2010

Alexander McQueen, o hooligan revolucionário da moda inglesa

Alexander McQueen
17 Março 1969 - 22:45
Lewisham, London,
United Kingdom

Seu site
http://www.alexandermcqueen.com/

É sabido que o estilista britânico Alexander McQueen (40 anos), um dos nomes mais respeitados do mundo da moda, foi encontrado morto no dia 4 de Fevereiro de 2010, tendo-se enforcado num guarda-roupas do seu exclusivo apartamento em Mayfair, no centro de Londres, tendo deixado um bilhete de suicídio. Morreu no mesmo dia em que ocorreria o funeral de sua mãe, que tinha falecido uns dias antes.

Alexander McQueen foi um dos mais influentes designers da última década. Desenhou roupas para personalidades ou celebridades como Beyoncé, Fergie, Rihanna, Janet Jackson, Mary J. Blige, Lady GaGa, Naomi Campbell, Sarah Jessica Parker, Cameron Diaz, Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anna Paquin, Katie Holmes, Camilla Belle, Michelle Obama e o Príncipe Charles.

O estilista com a mãe, num evento recente.

Desde muito cedo sentiu o chamamento da moda. Aos 16 anos abandonou a escola e ocupou um lugar de aprendiz nos alfaiates de Savile Row "Anderson and Shepherd". Esta experiência deu-lhe a oportunidade de apurar a técnica de confecção de roupa e de alfaiate, capacidades pelas quais é hoje famoso.

Se olharmos para o mapa do estilista, notamos que nesse ano (1986), Plutão transitava por Escorpião e passava por cima do seu ascendente, iniciando uma nova vida, que viria a ser influente a nível mundial. Júpiter entrou na sua quinta casa, o sítio onde mora a «criatividade» nos nossos mapas.

Na sua aprendizagem de alfaiate da alta costura, McQueen passou da "Anderson and Shepherd" para "Gieves and Hawkes" e depois para os costureiros "Angels and Bermans". A sua variada aprendizagem deu-lhe a oportunidade de dominar muitas técnicas diferentes de confecção de roupa. Mestria a que deu bom uso durante a sua carreira. Pode-se dizer que a sua aprendizagem mais formal terminou, quando, com 21 anos, mudou-se para Milão para trabalhar com Romeo Gigli.

Em 1990, quando tinha 21 anos, os seus trânsitos mostram-nos que Júpiter iniciou a sua caminhada pela nona casa do mapa do estilista. Sabemos que a casa 9 trata de assuntos do estrangeiro, da fé, de assuntos superiores. Alexander McQueen, sendo muito jovem, ao mudar-se para Milão, dava o primeiro passo em direcção ao topo do mundo.

O seu mapa natal. Clicar para ampliar.


Toda esta experiência foi convertida em sucesso e McQueen conseguiu terminar um mestrado em design de moda na prestigiada Central St. Martins College. A sua colecção, o culminar da sua aprendizagem, recebeu as atenções da imprensa e estabeleceu-o como jovem estilista promissor. Pode-se dizer que a sua carreira iniciou em 1992, aos 23 anos, quando uma sua colecção foi comprada por 5 mil libras pela estilista Isabella Blow, que se tornaria a sua mentora e grande incentivadora.

Verificamos que nesse ano, o benéfico Júpiter transitava esplendoroso pela sua décima casa, dando-se um impulso à sua carreira e trazendo reconhecimento social, ao mesmo tempo que fazia um contacto estreito com o ascendente do seu mapa natal, dando-lhe um impulso tremendo para prosseguir a sua carreira de estilista.

Então, tratou de fazer o seu próprio nome. As suas passagens de modelo eram notoriamente teatrais e o seu estilo "brutalmente aguçado" trouxe-lhe muita atenção e aclamações. Também fabricou uma reputação. McQueen, em virtude de uma imagem petulante de mau rapaz e frequentes explosões de mau humor, tornou-se no "l'enfant terrible". Aproveitando esta faceta, McQueen e a sua nova marca estavam a tomar conta da moda londrina.

A entrada do edifício do seu exclusivo apartamento (£ 640.000) em Mayfair,
no centro de Londres, no dia em que o seu corpo foi descoberto pela irmã.

Em 1997, foi contratado pela casa de alta-costura Givenchy. Rápida e imprudentemente, despediu o fundador da marca, Hubert de Givenchy, considerando-o "irrelevante". A sua arrogância era espantosa e achava-se superior à própria indústria da moda. Aprendeu amargamente, na própria pele: a sua primeira colecção para a Givenchy foi um fracasso. A sua permanência na Givenchy foi sempre muito difícil. O seu génio é que o salvou de não ter sido sumariamente depedido.

Obviamente que só poderia ser assim, pois McQueen, enquanto ser humano, precisava de crescer e aprofundar o seu interior. Com 28 anos, em 1997, Saturno estava com um posicionamento astrológico pressionante: entrava na sua sexta casa (onde se faz a rotina do trabalho) e em simultâneo, fazia conjunção ao Saturno natal, o bem conhecido retorno. A vida exigia que o estilista tivesse que aprender à sua própria custa, da forma mais dramática possível.

Apesar deste flop, McQueen, contudo, era ainda respeitado no mundo da moda e recebeu uma segunda oportunidade. A vida dá-nos sempre uma nova oportunidade, que no caso do estilista foi uma grande demonstração de respeito numa indústria marcadamente implacável.

Em 2000, o Grupo Gucci adquiriu uma participação de controlo, 51% na linha "McQueen", tendo o estilista ficado à frente, como criativo da marca, com a máquina Gucci a controlar os possíveis desmandos pessoais. Este passo pôs fim à tumultuosa relação de McQueen com a Givenchy e conferiu-lhe uma maior liberdade criativa, que ele soube aproveitar de forma genial.

2000 também foi o ano em que Alexander McQueen, que nunca ocultou que era gay, se casou com o documentarista George Forsyth.

Estes dois últimos exemplos - o sócio Gucci e o seu casamento no mesmo ano -, são excelentes para falarmos um pouco sobre o que acontecia na sua sétima casa em 2000, quando ele tinha 31 anos. Saturno transitava por esta casa, trazendo-lhe o peso de um sócio fortíssimo, como é o Grupo Gucci, mas também formalizou a sua relação afectiva em forma de casamento. Se fosse só Saturno a transitar por esta casa, talvez a solução não fosse esta, mas na mesma casa, em trânsito, encontrava-se Júpiter, o grande benéfico.



A partir de 2001, Alexander McQueen soube aproveitar bem as oportunidades que a vida lhe dera e concentra-se na sua própria marca tendo-a expandido para todo o mundo. Os seus confortáveis 49% da empresa tornaram-no rico, tendo ajudado financeiramente, diversas causas de solidariedade. Entre 2001 e 2009, McQueen desenvolveu e consolidou diversos projectos: colecções para mulher e para homem, acessórios, duas fragrâncias (Kingdom 2003 and MyQueen 2005) e a abertura de diversas lojas com a sua marca em Nova Yorque, Londres, Milão, Las Vegas e Los Angeles.

Estes foram os prémios oficiais que Alexander McQueen recebeu em vida: British Designer of the year 1996, 1997, 2001 e 2003. International Designer of the Year pelo The Council of Fashion Designer's of America (CFDA) em 2003, 'A Most Excellent Commander of The British Empire’ (CBE), feito comemdador pela Rainha de Inglaterra em 2003. GQ Menswear Designer of the Year em 2007.

Em 2003 recebeu o reconhecimento formal da indústria da moda como podemos constatar mais acima pelos prémios recebidos nesse ano e, enquanto britânico, foi agraciado com a comenda que a Rainha de Inglaterra atribui aos seus cidadãos mais ilustres: Saturno ao entrar no ponto cardinal de Câncer, fazia uma quadratura ao seu eixo nodal, situados nos pontos cardinais de Carneiro / Aries (na casa 5) e Balança / Libra (na casa 6), trazendo-lhe o reconhecimento do mérito público. Júpiter em Leão (a vontade de estar debaixo dos holofotes) entrava na sua décima casa, a do reconhecimento social.

A editora da revista Vogue britânica classificou McQueen como um "génio dos tempos modernos" - "Alexander McQueen influenciou uma geração inteira de designers. A sua imaginação brilhante não conhecia limites enquanto ele produzia colecção após colecção de designs extraordinários".

O seu mapa, no dia em que se suicidou (4 Fev 2010), aos 40 anos (iria cumprir 41 umas semanas depois), apresenta-se bastante delicado e intenso. Já submetido à muito conhecida oposição de Úrano, a Lua estava entre Saturno e Plutão, posicionamento bastante incómodo, por barrar possíveis desenvolvimentos. A mesma Lua recebia aspectos bem próximos de Úrano e Mercúrio, tendo-se deixado ir em pensamentos menos positivos. A Lua, significando a mãe e a sua mentora, a estilista Isabella Blow, estava em posicionamento debilitado. A sua psique fez o resto.

23 comentários:

Bya disse...

Uau...........obrigada pela atenção....pois as ondas se reestabelecem e o tempo de parada cessa agora estamos todos por uma novo começo...

Obrigada!

angela disse...

Tem dores que são insuportaveis...as vezes as pessoas se esquecem que é por um momento, depois melhora.
bonito post.
beijo

Maria Paula Ribeiro disse...

Boa tarde António,

Bela aula, incidindo mais em Júpiter, ao "vivo e a cores" ;)
Gostei do "enfant terrible" ;))))
Bem-hajas.

marcelo dalla disse...

Antonio meu amigo, este é um post especial! Muito bem escrito, interessantíssimo. Bom saber sobre a vida desse grande estilista.

Pena que o seu gênio não o impediu de cometer essa grande estupidez. Muita luz pra ele!!! Foi uma grande perda para a arte atual.

Parabéns, meu querido! Vou divulgar.
abraço

Ana Cristina disse...

aqui uma apaixonada pela obra, tenho a honra de ter algumas "peças", estou grata pela hora e detalhes...assim que possa vou-me deliciar com a carta dele. Obrigada.

António Rosa disse...

Bya

Obrigado pelas palavras delicadas. Beijo.

António Rosa disse...

Ângela

Sem dúvida que há dores muito agrestes e os pensamentos embrenham-se em tortura. Beijo.

António Rosa disse...

Maria Paula

Também és uma "enfant terrible" no sentido da criatividade e produtividade. Beijos.

António Rosa disse...

Marcelo

Muito obrigado pelas palavras gentis. Gostei de preparar este post, apesar de ter trabalhado nele durante vários dias. Muita luz para ele. Abraço.

António Rosa disse...

Ana Cristina

Disponha dos dados. Foi tudo conferido exaustivamente.

Léo Santos disse...

E é por isso que eu sou medíocre! Já pensou se eu fosse gênio! Acabaria me suicidando!

Um abraço!

Astrid Annabelle disse...

António!
Aqui está o comentário que tentei postar logo cedo e não consegui:
"Impressionante o relato que fez sobre a vida desse "gênio da moda".
Eu conheço muito pouco a respeito. Mas, me interesso especificamente
sobre as atuações de Saturno na vida das pessoas.
Achei interesssantíssimo.
Beijos
Astrid Annabelle
P.S.
Também enviei um email para você..um pedido de opinião...

António Rosa disse...

Léo

Tanta gente que se suicida, sem ser génio, sendo apenas seres humanos comuns. Apreciei a sua visita. Abraço.

António Rosa disse...

Astrid

Já respondi ao seu email. Foi uma vida curta mas intensa e com significado.

Beijo.

Rui António Santos disse...

Olá António, que vida criativa, A lua debilitada, deveria propor-lhe individualização, a sua psique não aguentou.

Plutão em Virgem, Jupiter e Urano em Balança na 11, grupos amigos, sociedades arte, criatividade onde ele se indentificava e o Sol na 5, terá havido um choque na sua consciência, que as suas feridas mais profundas não conseguiram suportar, Kiron tambem está na 5.

Belo artigo, não conhecia este estilista.

Bom fim de semana. Abraço

António Rosa disse...

Rui

Obrigado pela análise e pela simpatia.

Abraço, amigo.

Serginho Tavares disse...

deus precisava de roupas novas por isso deixou ele ir
saudades do mestre
do grande mestre McQueen

cristinasiqueira disse...

Oi Antonio,

Fantástica postagem e que trabalho astrológico vc realizou sobre a vida do extravagante e genial McQueen.

Lá no blog www.cristinasiqueira.blogspot.com
postei GRATIDÂO e você está nas entrelinhas.

Beijos,

Cris

António Rosa disse...

Serginho

Também era apreciador do seu imenso talento. Deixou uma marca profunda nesta sua passagem por aqui. Abraço.

António Rosa disse...

Cristina,

Desejo-lhe uma rápida recuperação. Nova vida, com mais qualidade.

Grato a si.

Beijo

Adelaide Figueiredo disse...

Olá António.

Análise muito interessante. Ir-me-ei debruçar um pouco sobre ela. Só assim se vai aprendendo com estas experiências.
Desewjo-lhe uma boa semana.

Abraço

António Rosa disse...

Olá Adelaide

Vai verificar que é um mapa muito simples de analisar.

Uma boa semana para ti.

Glorinha L de Lion disse...

Esse rapaz era um gênio, e como todos os gênios, atormentado por ter em si, muitos num só...uma pena...
Amigo, ontem recebi seu livro! Amei a dedicatória e ontem à noite já mergulhei nele e li os signos de todos aqui de casa...eu acho que depois de uma certa idade nosso ascendente é quem manda, não é? Eu tenho muitas características de virgem, mas não a maioria delas...mas, como não sei qual é meu signo ascendente...não sei onde procurar.
Um beijo,Antonio, adorei meu presente!

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