Vamos falar do trânsito de Úrano em quadratura ao nosso Úrano natal. Este texto é especialmente dedicado às pessoas nascidas em 1949 e 1950, pois sentirão particularmente os efeitos deste trânsito ao longo de 2011 e 2012. Os nascidos nos anos seguintes (1951, 1952...), irao sentir este trânsito quando atingirem os seus 60 a 62 anos. É toda uma geração, neste caso, a dos anos 50, que teremos que aprender a viver com esta intensidade uraniana. Se quiserem puxar pela memória, lembrem-se do que ocorreu nas suas vidas quando estavam entre os 20 e 22 anos. A mesma energia volta a estar presente, só que em outra altura da vida, quando somos bem mais velhos e sem a frescura da juventude. Em 31 Maio 2010 publiquei
aqui, um outro texto sobre o trânsito de Úrano em quadratura ao meu Úrano natal.
Haverá uma necessidade de manifestar a sua individualidade, de ser mais independente, desejará viver a sua vida sem impedimentos, podendo haver em certos casos muito especiais, uma crise no seio familiar ou profissional. Sentirá que encontra inúmeros obstáculos, e isto, obviamente, produz uma grande nível de tensão e bastante nervosismo. Pode sentir que na sua vida, quase que de repente, a estabilidade em que tem vivido parece ter desaparecido. Quando falo em 'estabilidade', não me estou a referir apenas a questões materiais (emprego, negócios, trabalho, rendimentos) mas, também, a questões mentais e emocionais. Não se surpreenda se houver mudanças inesperadas na sua vida. Pois irão surgir. Vai depender apenas de como aceitará que essas mudanças sejam bem integradas na sua vida. Com Portugal a passar por uma tão violenta crise política e económica, tenho que ser cuidadoso com o que escrevo, para que não me interpretem apenas sob estes dois temas tão críticos actualmente.
Se pertence a esta geração dos anos 50, já fica avisado que algures, nesta década, passará por esta agitação pessoal. A minha recomendação vai para que fiquemos mais conscientes deste trânsito tão importante e que só nos apanha, geralmente, duas vezes na vida. Com essa consciência presente (se conseguirmos), é bom que olhemos para estas situações como forma de crescimento pessoal. Crescer, aos sessenta anos? Sim, o crescimento pessoal ocorre durante toda a nossa vida, independentemente da idade que se tenha. A diferença é que, quando somos mais crescidos, eventualmente, talvez estejamos mais preparados para aceitarmos essas mudanças. Nada é seguro. Nada é garantido. Tudo é precário e tudo é movimento. Para os que hoje andamos nos 60, a pergunta fundamental para este trânsito é esta:
que fazemos com o nosso tempo livre? E se a pessoa se reformar, mais tempo livre tem.
As vantagens deste trânsito para quem esteja consciente deste movimento celeste ou deste processo, como agora se diz, é a possibilidade da pessoa sentir um enorme crescimento mental, emocional e espiritual, podendo fazer frente - com a serenidade possível -, a todas as pequenas e grandes contrariedades nada agradáveis que a vida se encarrega de nos colocar pela frente. É o momento de deixarmos de lado todas aquelas ideias fixas que transportamos e percebermos o quão diferentes somos dos nossos pais, quando eles tinham a mesma idade. Descobrimos, então, que é assim que a humanidade avança - de geração em geração. Obviamente que, para aqueles que estão a ter o mesmo trânsito, mas aos 20, há um abismo enorme entre as nossas gerações.
Aos 60 (e picos) anos, a maioria das pessoas já tem a vida 'arrumada': filhos crescidos e independentes, netos, já viajaram, eventualmente já pagaram a casa que compraram há 30 anos e, com um bocadinho de sorte (em Portugal) não se viu subitamente no desemprego, que também pode ocorrer. Portanto, é a altura certa de repensar na sua vida para os próximos anos. Co-criar é muito bom.
E agora, que sei mais da vida, que já vivi 6 dezenas de anos, que posso fazer? Este é um trânsito muito ligado ao segundo retorno de Saturno, aos 58/59 anos. Somos obrigados a adaptar-nos a novas circunstâncias que nos preparam o caminho, recheado de incertezas, inseguranças e intranquilidade. A vida é assim mesma: sem certificados de garantia, de coisa nenhuma. Só nos resta seguir em frente.
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