O difícil que é perdoar

18 de novembro de 2012 ·

Minha terra, ilha de Moçambque. A minha casa ficava para a direita da foto, a 50 metros, mesmo em frente à Câmara Municipal. Consigo ver as portas da Gráfica do meu pai. Foto do sr. Zulfikar Abdurremane Amur

Aquilo que chamamos de «perdão» é um atributo dos seres de grande estatura espiritual. Não vou falar aqui do princípio de tudo que é o 'auto-perdão', pois então iria complicar mais a questão. Fiquemo-nos no comum 'perdoar alguém'.

A maioria de nós acredita que 'perdoar' é tomarmos a decisão de afastarmos para o mais longe possível o objecto da nossa raiva ou mágoa. Claro que isto não é perdoar. O que eu tenho ouvido em tom muito baixinho: já perdoei o meu pai, a minha mãe, o meu ex, a minha amiga, a minha comadre, o meu colega. Na verdade decidiram que não querem mais incomodar-se com aquela ausência de afectos.

O mundo cor-de-rosa é pródigo em exemplos: ex-esposas de jogadores muito famosos que sempre facilitaram a presença do pai junto dos filhos comuns. Elas, entretanto, arranjaram novo namorado e, na cabecinha delas está tudo bem e podem conviver com os filhos do jogador. Quando eles arranjam namorada, começam a surgir os inúmeros obstáculos para o pai poder estar com os filhos. No entanto, elas dizem ter perdoado os ex-maridos. Pois, pois...

É normal sentirmos vontade de nos afastarmos de quem não gostamos, de quem nos fez (ou faz) mal, de nos libertarmos. Isso é da natureza humana e está muito bem que seja assim. Que nos afastemos, pois não há mal nisso. Só que este procedimento está muito longe de ser o «perdão». A libertação em relação a outra pessoa está na mente e não no espaço físico. É a raiva e a mágoa que nos prendem. Enquanto estes sentimentos existirem, não se processa o acto de perdoar.

Só curando essa raiva e essa mágoa é que nos preparamos para iniciarmos o caminho do perdão. Repito: para iniciarmos o caminho do perdão.

Nem sequer vou entrar por aquele campo que nos diz isto: o nosso Eu Superior conhece a história completa...

18 Novembro 2012

3 comentários:

Astrid Annabelle disse...
18 de novembro de 2012 às 19:00  

Essa foto de sua cidade e rua é maravilhosa... fiquei aqui olhando para ela e me perdi por aí...rsss
Vamos perdoar...
Beijos meu querido António
Astrid Annabelle

António Rosa disse...
19 de novembro de 2012 às 18:53  

Astrid, querida,

Só percebi agora este seu comentário. Ando tão ocupado com o post caprichado do 5º aniversário do Cova no dia 22, pois ainda por cima estarei uma parte da tarde ausente a trabalhar na Ericeira.

:))) Bem perto de minha casa.

gloriou foure disse...
20 de novembro de 2012 às 16:05  

Seu blog é uma fonte de informação, eu sou um ávido leitor e desejo-lhe boa sorte.

Bichon maltais

18 de novembro de 2012

O difícil que é perdoar

Minha terra, ilha de Moçambque. A minha casa ficava para a direita da foto, a 50 metros, mesmo em frente à Câmara Municipal. Consigo ver as portas da Gráfica do meu pai. Foto do sr. Zulfikar Abdurremane Amur

Aquilo que chamamos de «perdão» é um atributo dos seres de grande estatura espiritual. Não vou falar aqui do princípio de tudo que é o 'auto-perdão', pois então iria complicar mais a questão. Fiquemo-nos no comum 'perdoar alguém'.

A maioria de nós acredita que 'perdoar' é tomarmos a decisão de afastarmos para o mais longe possível o objecto da nossa raiva ou mágoa. Claro que isto não é perdoar. O que eu tenho ouvido em tom muito baixinho: já perdoei o meu pai, a minha mãe, o meu ex, a minha amiga, a minha comadre, o meu colega. Na verdade decidiram que não querem mais incomodar-se com aquela ausência de afectos.

O mundo cor-de-rosa é pródigo em exemplos: ex-esposas de jogadores muito famosos que sempre facilitaram a presença do pai junto dos filhos comuns. Elas, entretanto, arranjaram novo namorado e, na cabecinha delas está tudo bem e podem conviver com os filhos do jogador. Quando eles arranjam namorada, começam a surgir os inúmeros obstáculos para o pai poder estar com os filhos. No entanto, elas dizem ter perdoado os ex-maridos. Pois, pois...

É normal sentirmos vontade de nos afastarmos de quem não gostamos, de quem nos fez (ou faz) mal, de nos libertarmos. Isso é da natureza humana e está muito bem que seja assim. Que nos afastemos, pois não há mal nisso. Só que este procedimento está muito longe de ser o «perdão». A libertação em relação a outra pessoa está na mente e não no espaço físico. É a raiva e a mágoa que nos prendem. Enquanto estes sentimentos existirem, não se processa o acto de perdoar.

Só curando essa raiva e essa mágoa é que nos preparamos para iniciarmos o caminho do perdão. Repito: para iniciarmos o caminho do perdão.

Nem sequer vou entrar por aquele campo que nos diz isto: o nosso Eu Superior conhece a história completa...

18 Novembro 2012

3 comentários:

Astrid Annabelle disse...

Essa foto de sua cidade e rua é maravilhosa... fiquei aqui olhando para ela e me perdi por aí...rsss
Vamos perdoar...
Beijos meu querido António
Astrid Annabelle

António Rosa disse...

Astrid, querida,

Só percebi agora este seu comentário. Ando tão ocupado com o post caprichado do 5º aniversário do Cova no dia 22, pois ainda por cima estarei uma parte da tarde ausente a trabalhar na Ericeira.

:))) Bem perto de minha casa.

gloriou foure disse...

Seu blog é uma fonte de informação, eu sou um ávido leitor e desejo-lhe boa sorte.

Bichon maltais

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