
Dedicado, sobretudo, à mulheres entre os 39 e 43 anos
Mas os homens também podem ler
Úrano em trânsito, em oposição a Úrano natal
Obviamente que o título é uma metáfora, com alguma graça e cujo mote me foi dado pela Susana Vitorino, neste post aqui.
Há uns tempos, numa palestra, dei por mim a dizer isto: “As mulheres de 39 – 43 anos, encontrando-se submetidas a uma intensa agitação interna, a uma incontrolável necessidade de mudança nas suas vidas, olham à volta e reparam que, para além de possíveis colegas e amigos, dentro da família, apenas podem “dispensar” o marido (o namorado, o companheiro), das suas vidas. Não se podem divorciar dos filhos, pais e irmãos. Mas dos maridos, sim. Divorciam-se deles para, algum tempo depois, perceberem que não era bem isso que desejavam fazer.” Sei que fui tremendamente injusto, generalizando tanto. Para nossa surpresa, uma senhora presente pediu a palavra e confirmou que esse tinha sido o seu caso, uns anos antes. Com muita graça, acrescentou: “Um ano depois, como ele não tinha arranjado outra, casei-me novamente com o meu ex-marido.” Foi aplaudida.
Tudo porque descobrem que o príncipe encantado já não tinha pilinha. É uma metáfora, no sentido de terem percebido que algo não as preenchia. Obviamente cada situação é um caso e esta é uma imagem geral, pois cada mulher pode passar pelo seu próprio inferno, mas diga-se em abono da verdade, sempre à procura do «tal», que não aparece, excepto a algumas. E todas sabem que o «Special One» já tem mulher. Depois, tudo se reduz a mais 'bla-bla-bla' ou menos 'bla-bla-bla', do género: 'Ele é casado mas quer separar-se da mulher' - 'Ele é casado mas não pode separar-se da mulher por causa disto e daquilo'. Tretas!

Nem imaginam a quantidade de situações destas que me aparecem nas consultas. Pilinhas à parte, este artigo também se aplica aos homens, e de que maneira! Só que vão atrás das mamocas mais jovens e com silicone.
Bom, faça-se justiça, agora mesmo, pois também há homens que descobrem que o seu novo príncipe encantado não tem pilinha! Assim como muitas mulheres que não acertam com as suas novas parceiras (princesas encantadas), mesmo sem pilinha. A pilinha neste texto é uma metáfora para o vazio de alma que se instala na mente dos seres humanos. O ser humano é muito especial, independentemente da sua sexualidade.
Variando de pessoa para pessoa, consoante o seu mapa astral, por volta dos 39 – 43 anos, Úrano em trânsito faz oposição ao Urano natal. É um trânsito que dura cerca de 2 anos. Este ciclo do ser humano é muito conhecido por coincidir com a chamada crise dos 40. É quando o ser humano, sentindo-se muito bem, toma profunda consciência que atingiu aquilo a que se chama meia-idade. Meia vida ficou para trás. E agora?
Está no auge da carreira profissional, filhos mais crescidos, casa própria, carro, boas roupas, informada, culta, desempoeirada, talvez autora de um blogue, faz reiki e talvez ande em círculos de meditação, cuida-se em ginásios, cabeleireiros, spa's, tentar ter férias de sonho, casamento de arromba (caríssimo) a atirar para o finaço, enfim, uma vida boa. Há muitas mulheres [e homens] que não têm nada disto. Mas não estão isentas do mesmo trânsito de Úrano.
Aparentemente, quando se chega àquela idade e tudo deveria estar em maior harmonia na sua vida, é quando percebe que, ao aproximar-se dos 40, descobre que dentro de nós inicia-se uma fase de angústias e sensações tão estranhas, que nem sabemos definir o que sente. Só mesmo a Oprah para convencer as suas audiências que as quarentonas são as 'novas' trintonas, e que as cinquentonas são as 'novas' quarentonas.
É frequente as mulheres mais modernas e desembaraçadas procurarem apoio mais técnico e acabam em consultórios fazendo análise e encharcando-se em comprimidos e, talvez, fazendo alguns disparates. Podem estar em plena depressão ou aquilo que chamam de depressão, pois para mim, como astrólogo isso é altamente discutível. O mais certo é não conseguirem resolver nada, por esta via. Os comprimidos apenas tentam abafar o seu conflito interno.
Que eu saiba, estes aí na foto, já não estão disponíveis.
Curiosamente, tenho notado que as mulheres que engravidam nesta idade, ficam tremendamente aliviadas do stress deste trânsito. Estão muito concentradas na sua gravidez, a merecerem a maior e amorosa atenção do núcleo familiar, com os filhos mais velhos na expectativa de um bébe a chegar e o marido a dar-lhe uma atenção especial, o que talvez não acontecera nos últimos anos. Não precisam de um novo Príncipe Encantado! O que está em casa tem pilinha, no sentido metafórico de as preencher como parceiros a quem dão, mas também recebem amor. Não têm tempo para pensarem em grandes mudanças nas suas vidas, porque elas próprias [e o marido] estão a introduzir uma das mudanças mais importantes na vida dos seres humanos: trazerem filhos a este mundo. Regra geral, são mulheres muito felizes e realizadas.
Voltando ao nosso tema, esta época na vida das mulheres [e dos homens também] é fértil em mudanças bruscas na sua existência, de transtornos nas suas condições de vida que a obrigarão a contar apenas consigo mesma. Irão encontrar-se perante circunstâncias inesperadas que podem alterar o seu comportamento.
É uma ruptura com o passado que se revela muitas vezes desconcertante e a adaptação a novas condições, que nem sempre serão fáceis. Podem sentir-se desorientadas com uma multiplicidade de pequenos problemas nos quais nunca tinham pensado até aí e que terá de os solucionar por si mesma. Pode representar tanto um simples clima de tensão, como uma verdadeira ruptura na sua linha de conduta na vida, através de uma revisão ou de uma renúncia indo até um enfrentamento para se superarem a si mesmas.
As características principais deste trânsito astrológico notam-se pelo aparecimento de uma acentuada individualidade, uma conduta que pode roçar a excentricidade e um obstinado desejo de liberdade que pode criar problemas com as suas relações em geral. Este trânsito habitualmente coincide com outro, de seis meses de uma severa actuação, na segunda oposição de Saturno ao seu próprio lugar no mapa natal, podendo trazer uma séria crise na vida das pessoas.
As mulheres [e os homens, também] sentem-se inseguras, desorientadas e é frequente sentirem-se desapegadas no que respeita aos seus sentimentos. Nesta época é quando surgem duas grandes dúvidas:
1 - Sou verdadeiramente feliz no meu relacionamento?
2 - Sou verdadeiramente feliz no meu trabalho?
Habitualmente, a resposta que se dão é “não”. Acontece, também, que este “não” não é acompanhado de uma análise mais profunda. É neste contexto que se dão as grandes separações e divórcios, depois de vários anos de união.

Este trânsito é muito rude, para todos, homens e mulheres: às mulheres pode aparecer-lhes um estranho maravilhoso, um Príncipe Encantado. Aos homens pode aparecer-lhes uma estranha que mais parece a Miss Mundo, certamente muito mais nova que ele. Então olham para o/a “velho/a” companheiro/a e sentem-se pouco atraídos/as e cansados deles/as. E sentem que os 'velhos' companheiros são «descartáveis», pois é o que está mais à mão.
Em poucas semanas ou meses, livram-se do/a “velho” marido/mulher para ficarem com o Príncipe Encantado, ou a Miss Mundo. Antes do trânsito terminar, o Príncipe Encantado desaparece com a melhor amiga dela e só prova que não tinha 'cojones' para afirmar-se numa relação a sério. Assim como a jovem Miss Mundo também desaparece porque conheceu um jovem futebolista da primeira divisão. E os “enamorados” mais velhos vão gastar anos em terapias de análise. Passe um pouco o exagero desta afirmação. Anos em terapias que poderiam ter evitado.
Só depois deste trânsito é que o conceito de amor passa por uma mudança radical. Aprende-se a valorizar o amor incondicional dos matrimónios sólidos, harmoniosos e seguros, onde a parceria, companheirismo e amizade são valores fundamentais. Para isso deve haver falta de controle e muito desapego. Não assaltem os telemóveis das caras-metades, pois vão encontrar sempre alguma coisa que as vai fazer pensar em tolices.
Este deve ser o período mais stressante que um ser humano possui em toda a sua vida. As pessoas começam a brincar com a crise da meia-idade, mas realmente não é uma brincadeira. E começam a reavaliar o seu estilo de vida para ver onde tem estado e para onde estará a ir. A questão da meia-idade pode ser terrível, pois se o corpo físico estiver em condições [e actualmente está], como lidam com essa crise? Sentem-se belas, em excelentes condições e aparece uma crise de meia-idade? Parece uma contradição. A questão reside mais na noção de morte, de um fim que se aproxima. Meia vida foi vivida e a que resta é uma incógnita. Surge então uma tentativa de apego à juventude dos trinta. Mas o tempo avança, não recua.
A maioria das pessoas sente que o tempo está a esgotar e que é necessário fazer algo. O tempo está a esgotar, a terminar o quê? Para enfrentarmos que a nossa vida é finita. Olhamos à volta e sentimos que “ainda” vamos a tempo de mudar, para aproveitarmos o tempo que passa.
Sente-se a necessidade de começar uma “coisa” nova. Nem sabemos o quê. Olhamos à volta e simplesmente, mudamos de casa, de carro, de emprego, de marido/mulher, de cidade, de país, etc.
Na verdade, não é necessário mudar nada. Basta apenas “vermos” a nossa vida de maneira diferente. Mas se se puder efectuar essa mudança sem destruir nada à nossa volta, será muito mais positivo.
Mais uma vez, nos tempos modernos, são os relacionamentos que quebram em primeiro lugar. Talvez bastasse mudarem-se todos de casa, sem terem que mandar os maridos para fora de casa. Ou, eles abandonarem as mulheres a troco de uma Miss qualquer que lhes dá um cheirinho de juventude e virilidade e podem exibir-se perante os amigos.
Os trânsitos de Úrano trazem liberdade e potencial de renascimento. Simbolizam estágios de libertação e autonomia. A energia eléctrica de Úrano ajuda-nos a quebrar os padrões rígidos com que nos programaram. Despertam novas formas de lidar com as crises e o crescimento. Úrano traz sempre mudanças. Ou aprenderemos a mudar ou sofreremos as consequências. Nada parece estável. Nada acontece como foi planificado. Com Úrano, a sorte bate à porta e as pessoas à nossa volta oferecem novas ideias, novas formas de pensar.
A aprendizagem nesta fase da vida é simples: ser flexível. Somos convidados a deixarmos de lado a crsitalização. As pessoas que não flexibilizam e ficam na mesma durante os trânsitos de Urano, perdem o seu potencial de crescimento. Perdem as descobertas de novas formas de lidar com velhos problemas.
Então, como verificamos se as pessoas incorporaram Úrano nas suas vidas? Há jovens chatos, rígidos, sem graça. E há pessoas mais velhas bem interessantes, com uma vida intensa. Qualquer trânsito de Úrano dura cerca de dois anos e, por vezes um pouco mais. Nesses trânsitos, nesta fase da vida, só nos resta escolher:
1 - Ficar em terra a ver a banda passar,
2 - Ou pular para o carro onde vai a banda e desfrutar essa mudança.