3 de março de 2011

«As Duas Faces da Moeda: Crise ou Criação?» por João Medeiros


João Medeiros é o criador e mentor do
Centro de Estudos e Inovação em Astrologia [CEIA)

«Num destes dias, ao andar pela rua encontrei uma moeda gigante. "Olha, que curioso", pensei, "uma moeda deste tamanho deve ser rara e, numa rua como esta, é impossível encontrar quem a perdeu". Algures entre a estranheza e o entusiasmo, peguei naquela moeda especial.

"C-R-I-S-E" dizia a inscrição na face voltada para cima, em letras bem grandes dentro de um globo cinzento que parecia representar o mundo num caos. "Meu Deus", exclamei, "é a Moeda da Crise". E, dentro de mim, surgiu um vendaval de perguntas.

"O que fazer? Levar a moeda às autoridades?... Mas foram eles que a fizeram! São eles os culpados! Será que isto me vai dar azar? Por isso é que ninguém a queria!... e não dá sequer para destruí-la... mas o que é que eu faço com isto nas mãos? Como lidar com a Moeda da Crise?"

E deambulei amargurado pelas ruas de Lisboa. O que parecia ser um bom presságio, tornou-se em pesadelo. Não bastava ser português, era agora um português com a Crise no bolso...

Com uma nuvem enorme sobre a cabeça, aos poucos, fui reparando nos rostos das outras pessoas. E numa angústia tão semelhante à minha: "Será que também encontraram a crise e a têm guardada na carteira?"

Nos olhos, via palavras como: desemprego... despedimento... dúvida... dor... desilusão... derrocada... dívidas... entre outras que se resumiam simplesmente em ... D, de Depressão.

"Raios", gritei, "não é possível que seja tudo mau". Afinal de contas, uma moeda sempre deve valer alguma coisa, em particular uma moeda tão grande... mesmo que seja a Moeda da Crise.

E lembrei-me, então, de voltar a olhar para a moeda que tinha no bolso. Ao virá-la na outra face, reparei que estava suja e limpei-a. "C-R-I-A-R", estava escrito, dentro de um globo dourado que era um sorriso, em torno do qual se via muitas figuras humanas unidas em círculo, pelas mãos.

Mas é óbvio! Não há moedas sem duas faces. A força da Crise é idêntica à força da Criatividade. Para que aconteça uma revolução positiva, não é possível que tudo permaneça como dantes. Em tudo na vida há dualidade e a nossa escolha é que realmente importa.

É como as pessoas que são assoladas por aparentes azares, como doenças graves ou perdas de familiares, e fazem disso o seu motor de consciência e iluminação. E acabam por melhorar radicalmente a sua atitude perante a vida, por exemplo, tornando-se atletas olímpicos ou criando projectos sociais.

E rapidamente comecei a lembrar das enormes alterações que estão a acontecer no globo: a democratização no mundo árabe; o poder social das manifestações convocadas via facebook; a exploração de energias renováveis; a expansão do voluntariado; o surgimento de cursos inovadores; o fim de sistemas financeiros corruptos; entre muitas outras mudanças de valores...

Envolvido nesta nova visão da Moeda da Criação não reparei que alguém se aproximou de mim. "Desculpe" perguntou um jovem curioso "reparei que tem uma moeda igual à minha. Sabe o que fazer com ela? Há meses que carrego esta incerteza."

"Olhe" respondi, "nos últimos segundos acabei de perceber. E uma pequena mudança de perspectiva bastou para entender o enigma. Estamos tão habituados a ouvir falar na crise que esquecemos de ver também o outro lado da moeda. No fundo, temos um tesouro nas mãos e a maioria não deu por isso."

"Está a falar a sério?" perguntou o jovem, imediatamente olhando para a sua moeda. Limpando um dos lados, como Aladino a esfregar a lamparina mágica, reluziu a palavra C-R-I-A-R. " Estou espantado... Que espectáculo! Realmente, isto muda tudo... até parece magia".

No rosto do rapaz comecei a ver expressões de grande ânimo: descoberta... dança... dignidade... dinamismo... desenvolvimento... e, sobretudo, um... D, de Direcção.

"Tenho uma ideia", disse-me cheio de brilho nos olhos. "Vamos juntar as moedas da Crise e fazer a maior riqueza alguma vez vista na Terra - a Arca da Criação. Quem quiser embarcar nesta viagem serão todas as pessoas que cheguem naturalmente a estas conclusões sobre a Moeda que têm no bolso:

1- TESOURO: A Crise (2010-2014) é um Tesouro precioso - provavelmente a maior oportunidade de mudança de valores da História conhecida da Humanidade - e nós estamos a vivê-la agora.

2- GRATIDÃO: Nesse sentido, é importante agradecer o privilégio e honra deste momento tão importante - de todas as gerações anteriores à nossa, incluindo fundadores da nação e navegadores, nenhuma atravessou um desafio civilizacional tão gigante.

3- CONSCIÊNCIA: A Crise obriga-nos a ser mais Conscientes dos nossos investimentos e daquilo que é realmente importante e essencial na vida - e isso é excelente.

4- CRIAÇÃO: Mais importante do que poupar dinheiro e ficar fechado em casa é investir em produtos, pessoas e iniciativas que façam realmente a diferença na sociedade - projectos sustentáveis, equilibrados e saudáveis, de todos os pontos de vista. Acreditar também nos nossos projectos e lembrar que, segundo a sabedoria popular, "a Necessidade Aguça o Engenho".

5- SIM: A Moeda que temos não é só o nosso dinheiro - mas sobretudo a nossa atenção, tempo e energia - daí que seja crucial apostar em pessoas e causas a "favor" de algo novo, em vez de "contra" o que já existe. Sempre que contribuímos para o "não" a alguma coisa, é melhor perceber antes se é possível mudar o discurso para um "sim" a uma mudança necessária.

6- SOLUÇÃO: É mais fácil criticar o que está feito do que propor soluções diferentes e práticas - estas sim, apostas construtivas e criativas. Se apoiamos um partido político é bom prestar atenção à sua mensagem e verificar se é realmente positiva.

7 - INICIATIVA: Se por acaso não nos identificamos com nenhum partido existente, porque não criar um novo movimento com amigos que tenham os mesmos princípios? As redes sociais podem ajudar a revolucionar não só as ditaduras, mas sobretudo as democracias..

8- DESCOBERTA: Será óptimo investir a Moeda da Crise (ou energia pessoal) numa actividade nova por mês e oferecer igual oportunidade a outras pessoas, sejam familiares, amigos ou desconhecidos.

9 -CULTURA: De preferência, "gastar" a Moeda em produtos mais imateriais (concertos, espectáculos, exposições, palestras, eventos, congressos,...) do que materiais (carros novos, roupas, televisores, ...). Assim privilegiamos a "experiência" humana, paramos a poluição, incentivamos a reciclagem e estimulamos as melhores qualidades humanas.

10 - SIMPLICIDADE: Sorrir para a vida e para todas as pessoas que nos rodeiam. Interiormente, somos seres infinitamente criativos e ricos.

Estes são os 10 princípios fundamentais da Arca da Criação."

"Afinal", pensei eu, "este é mesmo o meu dia de Sorte". E sorri para o jovem, com uma esperança infinita dentro de mim. O mundo está a mudar... e para algo muito melhor! Só é preciso reconhecer a importância da Crise e descobrir também... o outro lado da Moeda.»


Visite o site do
Centro de Estudos e Inovação em Astrologia [CEIA)
O CEIA  é um organismo de carácter educativo, informativo e humanístico.
Através das suas actividades pretende contribuir para o desenvolvimento integrado:
- dos Indivíduos;
- da Sociedade;
- da Astrologia.

As principais linhas de acção do CEIA são:
- a Investigação;
- a Formação
- a Consultoria de desenvolvimento pessoal e organizacional.

Contactos:
Tel: (00351) 93 4519934
E-mail: ceia.agenda@gmail.com 


.

13 comentários:

  1. UAU! adorei! adorei cada palavra, cada frase... espectacular! muito obrigada António por tamanho projecto, por tamanha postura. É assim mesmo! e eu andava esquecida...
    um beijo muito grande

    ResponderEliminar
  2. só agora percebi as aspas e li com atenção o titulo eheheh ops
    de qualquer das formas muito obrigada!
    beijo

    ResponderEliminar
  3. Olá querido António, gostei muito de ler cada frase deste excelente texto do João Medeiros.Há que saber ver o outro lado da moeda.Beijocas grandes.

    ResponderEliminar
  4. Somos sempre atraídos por energias afins! Ontem quando recebi este texto por email fiquei matutando o quanto ele é necessário. Parar de olhar o que está feito com os olhos críticos e empenhar o mesmo tempo em criações que beneficiem a huamnidade nesse novo tempo.
    Maravilhoso António. Maravilhoso João Medeiros!
    Um bom dia para um dia muito especial!
    Vou partilhar com toda a certeza!
    Beijo grande
    Astrid Annabelle

    ResponderEliminar
  5. Voltei para contar que está linkado no Navegante....
    Bjs

    ResponderEliminar
  6. Aprendi que a crise é a mãe da criação.
    Partilhando.
    Gratidão

    ResponderEliminar
  7. Maravilhoso Projeto !!!

    Transmutação =) Evolução

    Abração

    ResponderEliminar
  8. Boa tarde.

    Por vezes basta outro olhar para "a coisa" e... click... faz-se luz!!

    Muitos clicks de LUZ para todos..

    e beijinhos, claro!! :))

    Filomena

    ResponderEliminar
  9. Muito interessante António este artigo! Por vezes ficamos siderados só com um lado da questão, mas há sempre o verso e reverso! O mundo não se reduz só a uma das faces da moeda, isso seria um imobilismo fatal!
    Um grande abraço,
    Manu

    ResponderEliminar
  10. Arkana,
    Maria de Fátima,
    Astrid, Annabelle,
    Bloguinho da Zi,
    Hanah
    Filomena,

    Tenho estado a preparar o workshop «Morte - A Grande Viagem», que darei no próximo domingo de carnaval, na Ericeira (Portugal). Consta-me que já há pessoas inscritas para esse evento... :)))

    Por este motivo não tenho estado aqui no blogue a dar a atenção aos amigos que chegam. A partir da próxima semana tudo voltará a uma certa normalidade, pelo menos aqui no «Cova do Urso».

    Só estou a responder ao post de cima, porque é 'in memoriam'.

    Muito agradecido pelos vossos comentários, que sempre me ajudam a reflectir nestes assuntos.

    Beijos e abraços,

    António

    ResponderEliminar
  11. Fantástico João Medeiros!!! Bravo, bravíssimo!!!!!!!! Aplaudo de pé e vou compartilhar.
    Abraço querido

    ResponderEliminar
  12. Também acho. Criticar é o pão nosso dos portugueses, e como diria o maior filósofo luso, o Marco do Big Brother: "vejo para aí uns palhaços, eles falam, falam, e não os vejo a fazer nada". Viu-se agora com esta coisa do Kadhafi, em vez de irem para lá combater, ficaram em casa a postar.

    ResponderEliminar
  13. Texto muito interessante e inspirador. Um bom mote para reflexão, principalmente nos dias que correm, em que todos nos questionamos o que poderemos fazer.

    Um abraço

    ResponderEliminar

«O leitor tem o direito de discordar destes posts e de ter outras ideias, e eu lutarei até ao fim para que você mantenha o seu direito a dizer o que pensa, educadamente, de forma civilizada e até agradável, se conseguir. Se for difícil para si manter estas premissas, o melhor é não dizer nada. Tente comportar-se com os outros da mesma forma que quer ser tratado/a.»Esteja à vontade neste blogue, pois aqui não há letrinhas torcidas, nem moderação.Tente não ser anónimo, e crie a sua própria identidade, nem que seja com um pseudónimo. Clique aqui, para saber como.Grato pelo seu comentário, António Rosa