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Astrologia Cármica e as Casas nos mapas - Apontamentos para aula - nº 3

30 de Janeiro de 2011 · 37 comentários

[Texto © António Rosa, 2004, 2007, 2011]

Devido à sua extensão, este artigo foi dividido em 3 partes/posts.
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Estão autorizados a levar o texto para efeitos de estudo.

A CASA 4

Já falámos um pouco desta casa, mas ela merece uma atenção maior, dada a sua enorme importância cármica. Irmã gémea do signo Câncer / Caranguejo, ela revela a atitude da pessoa com a família, para com o lar e para com a segurança que espera disso tudo. E isso não só no que se refere à vida presente, mas também no que se refere àquelas, mais antigas, onde ele mesmo criou para si as atitudes mentais que ainda hoje o condicionam.

Por exemplo, a pessoa, frustrada numa infância precedente, tentará reencontrar os antigos parentes aos quais está ligado por poderosos laços cármicos. Através deles, procurará de novo a segurança que lhe faltara anteriormente. Se a sua relação com esses parentes tiver sido de amor, ele procurará encarnar-se de novo entre eles, por atracção de ternura. Se a relação tiver implicado dívidas, irá encamar-se também de maneira a que essas dívidas possam enfim ser pagas, num amor recíproco reencontrado (e um progresso espiritual comum).

É a casa do medo de sentir, por razões cármicas. É normal decifrar na casa 4, em analogia com Câncer / Caranguejo, traços do carma, já que ela concerne à infância: um número muito grande de crianças lembram-se ainda da sua vida precedente, e conseguem contá-la!

O Fundo-do-Céu, cúspide dessa casa 4
, é uma articulação importante: marca, num certo sentido, a acumulação, a sedimentação dos carmas acumulados, assim como o novo ponto de partida desta vida. O Fundo-do-Céu, assim como o Nodo Norte, dão a motivação profunda da encarnação.

Câncer / Caranguejo era considerado pelos antigos astrólogos gregos e latinos como a "porta de entrada das almas" neste mundo. Todo o seu simbolismo (o ovo, a água primordial, o crustáceo paleozóico, etc.) gira em torno dessa ideia do nascimento. O Câncer  / Caranguejo é um dos animais mais antigos do nosso planeta; ele não esquece nada. A sua memória é fenomenal. A casa 4 também!

Uma casa 4 muito habitada, recebendo muitos aspectos tem muitas revelações a fazer àquele que souber lê-la. Indica nitidamente o estado de espírito com o qual a pessoa retomou ao plano terrestre. [É o meu fado pessoal e ainda ando em aprendizagens.]

A CASA 8

Tendo a mesma significação de Escorpião (morte e ressurreição), muito rapidamente atraiu o olhar clarividente dos primeiros astrólogos esotéricos. Há muito tempo que se sabe que essas pessoas, cuja casa 8 está carregada, são mediúnicas e têm aptidões "parapsicológicas". Essas capacidades particulares foram adquiridas em outras existências, graças a um treino especial, por vezes muito duro: provações de iniciação das quais às vezes não se saía com vida

O treino religioso e parapsicológico, como era dado aos futuros iniciados nos templos do Egipto e da Atlântida (e ainda hoje no Tibete), era longo e exigente. Os candidatos à iniciação aprendiam a sair do seu corpo à vontade, e a retomar a ele sem dificuldades. Os iniciados eram capazes de ler os pensamentos daqueles que vinham fazer-lhes uma consulta, ou de ver imediatamente, segundo as cores da aura, qual era o órgão doente.

Podiam falar com os animais, prever certos acontecimentos, impor a sua vontade à distância, comunicar por telepatia, e ainda mil outras coisas muito úteis! Podiam comunicar-se com os mortos, curar pelo poder do pensamento. A sua memória era sistematicamente treinada de modo a nada esquecer. Actualmente, resta-lhes uma parte dessa memória: eles lembram-se mais ou menos das suas antigas aptidões. Nos templos, ensinava-se-lhes a concentrar o pensamento, para utilizá-lo como uma arma, e a forjar a vontade para utilizar esse pensamento.

Tais pessoas, reencarnados hoje, têm uma casa 8 interessante. Eu mesmo tenho a Lua nessa casa e tenho consciência de já ter sido outrora astrólogo. Ainda me vejo ali, e em TVP, isso foi confirmado em mais do que uma vida. E sinto realmente alguma dificuldade em compreender como estes assuntos espirituais e psicoterapeuticos podem não apaixonar todo o mundo, pois para mim eles são de uma evidência absolutamente brilhante! A presença do mundo invisível é-me familiar. Imagino como será o caso de pessoas com Sol, Vénus, Júpiter e Úrano nesta casa 8. Adoraria (re)viver essa situação

Só que tem acontecido que nem sempre essas capacidades têm sido utilizadas para servir. Desviados do seu objectivo - usados para fins egoístas e destrutivos criaram um carma muito pesado.

A pessoa deve retomar aqui para purgar esse desvio: feiticeiros, magos negros, falsos sacerdotes, bruxos malignos devem reparar o mal que fizeram. Na sua nova encarnação, essas pessoas, marcadas pela casa 8, têm o gosto pelo segredo, mas conseguem evoluir de forma muito evidente. Os seus parentes queixam-se de que são difíceis de compreender. É realmente curiosa a percepção inconsciente das pessoas que nos cercam: quantas vezes não me chamaram de “bruxo”? Nem mesmo praticava publicamente a astrologia nessa época.

Muitos dessas pessoas podem exercer uma influência oculta sobre os outros, que ainda estão sujeitos a cair nas suas armadilhas se eles abusam desse poder. Um certo número de pessoas beneficia de um grande magnetismo sexual, que assegura o seu sucesso junto às multidões.

Muitas vezes um pesado carma oculta-se por trás do seu mapa; esse carma não pode ser liquidado pela repressão pura e simples dos instintos, nem pela recusa em reconhecê-los. Mas antes pela dedicação total a uma causa desinteressada, na qual a pessoa prestará os serviços que se esperavam dele, outrora. Investindo nisso todas as forças, canalizará os seus talentos para fins construtivos e optimistas.

Esse tipo de pessoa aparece muitas vezes como dilacerado entre um desejo profundo de abnegação, que lhe trará enfim a paz interior esperada há muito tempo - e uma tentação permanente de correr atrás das suas velhas rotinas cármicas (a paixão do poder gerado pelo sexo, o dinheiro, o misticismo desviado de seus caminhos)!

Inúmeros são aqueles que, no momento actual, sucumbem à tentação de fazer o papel de gurus fascistas, aqueles que infantilizam os seus rebanhos para melhor pisar em cima deles. Falsos profetas, contra quem evidentemente é preciso prevenir-se, como da peste.

Como saber? Pois bem, é muito simples: os falsos profetas deixam em nós um sentimento de angústia. Os bons conselheiros, ao contrário, deixam-nos partir com um sentimento de leveza, de alegria de viver, de contacto com a alma.

As pessoas da casa 8 têm naturalmente a faculdade de reencontrar as suas vidas passadas. Estão aptas a compreender que a morte não é mais que uma porta pela qual todos nós passamos centenas de vezes. No entanto, as pessoas da casa 8 são as que têm a coragem de pensar no "pós-vida". Passam a ter menos medo desta do que outros, quando se decidem a fazer o trabalho espiritual necessário. Na verdade, só encontram a paz quando mergulham a fundo nessa pesquisa. Mas aqueles, dentre eles, que se obstinam na sua recusa têm, evidentemente, mais medo da morte do que os outros.

A morte é o seu domínio: se a abordam numa atitude positiva e espiritual, reencontram a serenidade - e também os seus talentos “psi”! Essas pessoas da 8 não podem viver como as demais pessoas, contentando-se em comer, beber, dormir, amar. O modelo de vida materialista que a sociedade de consumo lhes propõe jamais os satisfaz, e são os primeiros a se revoltar. Sabem que há muita coisa além da matéria. Mas como explicar o que sentem? Tenho encontrado muitos casos assim.

Toda a pesquisa das vidas passadas deve, portanto, estudar cuidadosamente a 8, os seus regentes, seus ocupantes, os planetas regentes do signo na ponta dessa casa, etc. Parece que esta casa 8 é a "porta de saída" das almas ao fim de uma vida terrestre. A situação dessa casa no momento da morte daria as indicações sobre a próxima encarnação (e, em particular, designaria o próximo Ascendente).

AS CASAS NO EIXO DAS CASAS DE ÁGUA


A casa 6

Em analogia com o signo de Virgem, esta casa 6 é oposta à 12; ela dá indicações precisas sobre a origem cármica das doenças. Estas são causadas por desequilíbrio mental, espiritual ou emocional que se somatizam no corpo.

Há sempre uma ligação às duas casas, quando menos por polaridade, porque elas estão no mesmo eixo. Se a casa 6 está muito carregada (planetas mal aspectados, retrógrados, nodos, etc.), pode-se concluir daí que faltou à entidade espírito de colaboração numa vida passada.

Segundo a natureza dos planetas, dos signos na casa e das regências, pode-se precisar em quê e como. De qualquer modo, a casa 6 actual oferece sempre os meios positivos e concretos de liquidar a dívida cármica descrita pela 12 (ou, por vezes, é o contrário: a situação da 12 indica um pagamento da 6).

A casa 2

Em analogia com o signo de Touro, mostra como a entidade procura tranquilizar-se pela posse - ou pela privação - dos bens terrestres!

Evidentemente, esta casa 2 tem muito a dizer, sobretudo se está ligada por planetas, regências e aspectos à casa 8, que está em frente a ela. O facto de que os nodos estejam em eixo lembra-nos que toda a casa e todo o signo devem ser interpretados em função daquele que lhe está oposto.

Isto vale tanto para a interpretação "actual" dos mapas, quanto para a sua interpretação cármica. Aquele que tiver acumulado bens terrestres no passado terá desta vez uma casa 2 de despojamento - se tiver abusado desses bens. Se ele tiver, por exemplo, uma casa 8 em Touro indicando esses abusos no passado, uma grande avidez e um grande materialismo, terá uma casa 2 em Escorpião. Esse sinal de despojamento indica as perdas que deverá enfrentar nesta vida, voluntariamente (ou a contra gosto, se o recusar).

Evidentemente, esta é apenas uma ideia geral, e supõe que os planetas presentes nessas duas casas confirmem esta interpretação. O contrário, uma casa 2 em Touro, indica um nativo que optou pela posse: e todas as variedades de motivações podem estar presentes, das piores às melhores.

A palavra bíblica "O trabalhador merece o seu salário" aplica-se de maneira muito exacta a essa casa 2. O salário actual, indicado na casa 2, é a remuneração dos trabalhos de uma vida passada. A noção cármica de "pagar as dívidas" encontra aqui a sua aplicação.

Eis aqui um exemplo que pode causar espanto a alguns: aqueles que ganham nas corridas de cavalos parecem, por vezes, ser herdeiros de uma vida passada onde haviam amado e protegido os cavalos! Em compensação, e de maneira mais geral, aqueles que perdem dinheiro com os animais (corridas, criações, etc.) parecem pagar por vidas passadas onde se haviam mostrado cruéis com eles.

Mas os traficantes de animais exóticos, que actualmente enriquecem com animais capturados, lamentavelmente transportados em caixas demasiado estreitas onde morrem de sede, de fome, de angústia e de sujeira, estão certamente fadados a acumular contra si um terrível carma: irão reencontrar-se arruinados e miseráveis na vida seguinte! De um modo ou de outro irão sofrer o que fizeram padecer as pequenas almas sem defesa do reino animal. Há cada vez mais testemunhos sobre isso!

Os animais estão particularmente ligados às casas 6 (animais domésticos) e 2 (quando eles fazem parte da propriedade ou do rebanho do criador). Estão também ligados aos signos de Virgem e de Touro, de Sagitário quando se trata de cavalos, de Capricórnio quando se trata de caprinos, de Gémeos no caso dos pássaros, etc.

A casa 10 e os trânsitos planetários


Indica o programa de inserção social e profissional escolhido pela entidade antes da sua encarnação. Se não contém nenhum planeta, mas apenas o Nodo Norte, por exemplo, a pessoa estabeleceu o projecto de participar do mundo do trabalho; sai da família após uma vida passada na qual permanecera confinado.

Existe também o caso contrário: um Nodo Sul indicando uma entidade que tem por trás de si uma longa experiência passada que tem como eixo o trabalho profissional - e que agora quer voltar-se para a vida de família. Como essas duas casas são opostas, isso não ocorre sem criar conflitos interiores e familiares.

Por exemplo, mulheres cujo mapa indica um programa de auto-realização pela vida profissional: a sua família e o seu marido não a entendem, persuadidos de que a única e exclusiva vocação da mulher está "no lar".

Embora se tenha sublinhado, mais ou menos em toda parte, na imprensa e na opinião, que o trabalho não era incompatível com uma vida feminina, esta verdade está longe de ser admitida universalmente: muitos pais não pensam em proporcionara às suas filhas uma qualificação que lhes garantiria, no entanto, uma dignidade e meios de vida. Infelizmente, a vida da mulher no lar, função de acolhida indispensável, está muito desvalorizada.

O imenso trabalho e a dedicação que ela exige são, hoje em dia, muito pouco reconhecidos. Certos temas indicam nitidamente que a pessoa fez esta escolha - outros, não. Mas esse não é um problema exclusivamente feminino: muito homens têm uma casa 10 desabitada, ao passo que o acento é colocado na casa 4: embora tenham escolhido uma encarnação masculina, prefeririam permanecer em casa. O rigor do conformismo social os culpabiliza, se fizerem isso. Vão, então, trabalhar fora, mas podem não se sentir felizes!

O Meio-do-Céu

É um ponto importante do mapa, por vezes, tanto quanto o Ascendente. Defini-lo como o início da casa 10 é insuficiente: é, na verdade, um ponto-chave, que focaliza todas as energias da entidade para esta vida. O Meio-do-Céu indica como a pessoa previu sua inserção profissional e social.

Alguns astrólogos dão uma atenção especial ao planeta "mais alto do céu" (que nem sempre coincide com o Zénite, ou Meio-do-Céu). Parece que esse planeta importante e influente, em virtude desse recente trânsito, é indicado de várias maneiras no mapa: em conjunção com o Meio-do-Céu, ou com o Ascendente (na casa 12, depois 11, e depois 10).

O astrólogo deve observar muito atentamente não só os planetas na 1, na 12 e na 11, mas também na 10; e mesmo aqueles que ultrapassaram um pouco o Zénite e que já invadem a casa 9, mas que ainda estão em conjunção com o MC.

Essa questão, ainda bastante misteriosa, dos trânsitos planetários, será, penso eu, esclarecida nos próximos anos. Chegar-se-á a determinar no mapa o planeta de onde chega a entidade, para recomeçar uma nova vida terrestre. Por enquanto, ainda não sou capaz de fazê-lo com toda a certeza. Pode-se conseguir uma tal precisão através de intuição e vidência, que se confirma, em seguida, pelo estudo do mapa.

AS CASAS 3, 5, 7, 9, 11

Todas elas têm também um conteúdo cármico, embora ele seja menos imediatamente visível do que no caso das "casas de água".

A casa 5

Diz respeito aos filhos e aos amores, e indica evidentemente as dívidas cármicas que se acumularam nesse campo: filhos negligenciados, ou amores maltratados. E como somos "filhos das nossas obras", vê-se por essa casa o quanto a nossa vida presente é "filha" das passadas!

E por isso que acontece frequentemente filhos e amores retornarem de uma vida para outra: as mesmas entidades, embora situadas diferentemente no "organograma" familiar! Os mapas de famílias mostram vários casos desse "carmas familiares" onde uma filha se reencontra irmã, e vice-versa; onde os amores de um homem se dirigem para uma antiga esposa, ou para um antigo filho. Daí o apego inexplicável e ilógico que liga dois seres, nutridos de experiências comuns durante séculos, ou mesmo - quem sabe - milénios!

As entidades que se encarnam em nós como filhos podem ter sido já antigos filhos, um cônjuge, um amor, um irmão, ou uma irmã.

E por isso que a casa 3, que é a dos irmãos e irmãs, dos primos e dos condiscípulos, permite decifrar esse tipo de relações cármicas. De uma vida para outra, como já disse

A casa 7, que descreve o cônjuge, dá também algumas explicações cármicas. Por que homens brilhantes e inteligentes, desposam mulheres que não tinham nem a cultura, nem a educação, nem a inteligência deles? Ou o contrário. Os seus contemporâneos julgam severamente esses casamentos, inteiramente "descombinados". Para retomar o termo de uma época antiga, esses "casamentos desiguais" só poderiam ser explicados por uma necessidade cármica. Por que, então, um homem muito brilhante, muito célebre, muito rico, acharia admirável uma pessoa feia, insignificante, ou de muito baixo nível moral? Por que essa atracção entre dois seres separados pela nacionalidade, pela raça, pela religião e pela língua? Porque teceram entre eles, outrora, laços que ainda hoje os aproximam. A casa 7 indica esses laços. Ela está em analogia com o signo do casamento, Balança. Muitas pessoas casam-se essencialmente para liquidar alguma velha dívida oculta no fundo de uma gaveta cármica.

A casa 7 deve ser lida tendo constantemente em vista a casa 1: não só ela indica as virtudes e lições que faltam à pessoa, e para as quais ela se deve orientar - como também as pessoas indicadas na 7 (pelos planetas) são os instrumentos dessa progressão necessária. Por vezes muito dolorosa!

Do mesmo modo, a casa 9 completa a casa 3: esta última descreve o círculo de relações imediatas (actual ou passado) da pessoa; mas a casa 9, a do alhures, indica a via pela qual ele tentava - e continua a tentar - transcender esse imediato - isto é, explicá-lo por uma filosofia, enquadrá-lo numa ética, num ideal que lhe dê um sentido. A casa 9 é reveladora dos ideais que motivaram a entidade nas vidas passadas. Saturno retrógrado mal aspectado na casa 9 pode significar alguém que a sede do poder político devorou numa existência passada, sede que provavelmente motivou a sua actual reencarnação, podendo continuar a motivar todos os seus actos nesta vida.

Se a casa 3 dá informações sobre a instrução, os estudos e o nível intelectual do sujeito (não só para esta vida, mas também para as passadas), a casa 9 mostra o que ele faz desse saber intelectual, dessas faculdades mentais; mostra a serviço de que ideal espiritual e filosófico ele põe essa bagagem mental. A casa 9 está em analogia com o signo de Sagitário.

Os falsos profetas e gurus malfazejos têm frequentemente indicadores cármicos nessas casas 3 e 9: é o caso de Rasputin e de Adolf Hitler. A habilidade deles para fascinar os seus contemporâneos provém de aptidões adquiridas numa vida passada. Infelizmente, o caminho no qual eles decidiram guiar os outros não é mais que o do culto da sua personalidade - disfarçado sob uma ideologia mística progressista.

Para terminar este apanhado das casas, certas pessoas têm mais especialmente um carma amistoso: a sua escolha de destino é reencontrar amigos de outrora. Partindo das bases dessas antigas amizades, deverão aprender algumas lições espirituais: por exemplo, o discernimento, a amizade desinteressada, o espírito de colaboração, o respeito aos direitos dos outros, etc. A casa 11, em analogia com Aquário, indica a aptidão para uma comunicação mais ampla, para uma comunicação à distância, como permite hoje os “media”.

A aptidão para comunicar-se com grupos mais amplos do que a família ou a profissão é, muitas vezes, herança de outras vidas. É possível que civilizações como a dos atlantes e dos primeiros egípcios, que foram herdeiros deles, tenham disposto de meios de comunicação semelhantes ao rádio e à televisão (que pensamos ter inventado!). As pessoas que tiveram, outrora, tais aptidões, que se haviam tomado amplamente conhecidos num grupo humano ou num país, têm uma casa 11 muito habitada. Os planetas retrógrados e os maus aspectos indicam que esta comunicação com grandes grupos humanos fora, no caso deles, pouco satisfatória.

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Astrologia Cármica e as Casas nos mapas - Apontamentos para aula - nº 2

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[Texto © António Rosa, 2004, 2007, 2011]

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A CASA 12

A atenção dos astrólogos tem-se fixado nesta casa. Com toda a certeza, é a mais "esotérica" das casas. Parece descrever a mais recente encarnação terrestre, ou pelo menos a mais marcante, das últimas vidas. Talvez não a vida imediatamente anterior, se esta tiver sido muito curta, ou apenas vivida como feto, ou sem rasgos: constatou-se que essas vidas de crianças mortas em idade muito tenra, ou nascidas mortas deixam por vezes poucos traços na memória da entidade, e no seu tema. Digamos que a casa 12 marca certamente a última experiência terrestre significativa.

Entre muitos astrólogos reencarnacionistas estudam-se os temas de mortos que precederam, por exemplo, casos de reencarnação quase imediata na mesma família. É um fenómeno que não é raro. Numa casa 12, o signo na cúspide, ou ponta, os planetas aí localizados, a sua situação celeste, seus aspectos, tudo fornece precisões sobre a vida anterior precedente. Uma casa 12 pode estar vazia de planetas. Mas se olharmos para o regente do signo situado na cúspide dessa casa, as coisas esclarecem-se.

A casa 12 tem o mesmo simbolismo do signo de Peixes. Este é regido por Neptuno, planeta da dissolução. Assim, nesta casa, os planetas indicam um desejo de dissolução dos laços cármicos, dos vínculos que ainda atavam a pessoa a este mundo. O signo é representado por duas pequenas sardinhas atadas, em sentido contrário, por um fio muito curto: não é preciso dizer que no signo - assim como na casa - enfrentam-se entraves de todos os tipos. Se esses entraves são aceites corajosamente, segue-se uma libertação: desemboca-se então no grande fogo irresistível de Carneiro, o grande salto para adiante, que nenhum freio consegue mais suster.

Notem também que a casa 12 é a dos inimigos secretos: os nossos piores e mais secretos inimigos não são os nossos defeitos? Ela é considerada como a prisão ou o hospital do mapa. No plano cármico, é bem um e outro: ali se curam as doenças espirituais e se "purgam" as penas. A casa 12 também diz respeito aos pés, às patas, aos sapatos - tudo o que permite avançar. Pode-se extrapolar no plano cármico e deduzir que essa é a casa que nos permitirá ir ainda mais longe, andar na Lua, ou tomar emprestado um raio de Sol como degrau de uma escada.

Há frequentemente dois, ou mesmo três signos na casa 12. Esses signos múltiplos podem estar relacionados com várias vidas, ou então ainda com a mesma, vista sob duas ou três iluminações diferentes.

Nunca se deve esquecer que a pessoa evolui, por sua liberdade e seu desejo de progresso. É o conhecido livre-arbítrio. Entre o Ascendente na hora do nascimento (portanto a casa 12 natal) e o Ascendente na hora da morte, todo um caminho pode ter sido percorrido ou, ao contrário, uma nova dívida cármica pode ter sido acrescentada às precedentes!

O Ascendente na hora da morte, e a casa 12 anterior marcam a posição e definem a próxima encarnação. Mas alguns atribuem também essa possibilidade à casa 8, que veremos mais adiante. Afinal, conhecemos muito mal as leis certamente precisas - que regem as nossas permanências nos diferentes planos do cosmos.

Os iniciados atlantes, depois os egípcios e os celtas, conheceram-nas, assim como, ainda hoje, certos monges tibetanos, mas tratam-se de conhecimentos de alta iniciação, reservados apenas a alguns sábios.

Nestes tempos em que a Nova Energia desce sob o nosso planeta, muitas dessas informações já estão ao alcance da maioria, mas ainda continua a ser uma incógnita o real funcionamento das leis do universo. Seria preciso poder comparar as casas 12 do nascimento, da morte e do renascimento. Apesar das muitas canalizações existentes sobre a vida nos outros planos, ou vida multidimensional, o certo é que ninguém nos explicou de forma básica, do género: 1 + 1 = x. Todos nós (eu incluído), que escrevemos sobre estas coisas,  apenas supomos como seja o tal funcionamento. Mas efectivamente, não sabemos ao certo. Este é um dos muitos motivos porque em 2005 escolhi «não ser terapeuta» e apenas tentar fazer alguma astrologia. Mas isso é outra conversa.

No tema de qualquer pessoa, a casa 12, sobretudo se está carregada, ocasiona provações específicas, às quais não pode subtrair-se: porque ele mesmo as escolheu, antes de aceitar uma nova encarnação.

Ao tomar conhecimento desse dado, a pessoa muitas vezes o intui de maneira muito nítida: Diz "que é assim, que não há nada a fazer", ou ainda "que o vinho está servido, e é preciso bebê-lo". Sente que deve passar por tudo aquilo. Sabe-se cativo; o que nem sempre sabe (e que os astrólogos poderão dizer-lhe), é que escolheu livremente as provações significadas por esta casa 12. Mas podem libertar-se desse sofrimento. Basta quererem.

Escolheu livremente a sua prisão, com um objectivo de progresso espiritual. Se aceitar essa ideia, a sua dor e a sua angústia poderão ser consideravelmente aliviadas. Em todo caso, tem o poder de se evadir dessa prisão material pela meditação, pela oração e pela imaginação. Pelo livre-arbítrio.

A saída involuntária do corpo físico durante o sono dá uma trégua e um alívio às desgraças terrestres. É também por isso - penso eu -, que a Natureza previu o sono! Quanto às técnicas voluntárias de saída para o astral, também não são "anormais": transe e desdobramento são do conhecimento dos iniciados desde sempre (era mesmo assim que se praticava a anestesia necessária às operações cirurgias no antigo Egipto).

A aptidão para o sonho, para a prece, para a meditação, para a cura pelo pensamento e pela luz e para sair do corpo físico é extremamente desenvolvida nos proprietários de casas 12 densamente habitadas. É certo que todos eles têm infelicidades, mas também, em contrapartida, têm grandes poderes.

Essas pessoas muito marcadas pela casa 12, se tiverem escolhido uma encarnação de expiação e de sacrifício, têm, mais do que ninguém, o coração aberto à compaixão. O espírito dessa casa é o de saber inclinar-se com bondade sobre os sofrimentos dos outros.

Entretanto, se há muitos planetas retrógrados e mal aspectados, eles tendem a fugir do sofrimento: conheceram-no numa vida anterior, fugiram dele, ou aceitaram-no mal. São tentados, então, nesta vida, a fugir novamente dele. Este sofrimento, no entanto, parece necessário à liquidação das suas dívidas, e eles devem enfrentá-lo. Eis porque escolheram provações que desta vez são inevitáveis!

INFLUÊNCIA DA CASA 12 SOBRE O ASCENDENTE

Tenho notado que muitas das pessoas à minha volta, das quais tenho o mapa natal, respondem mais ao signo imediatamente anterior ao do Ascendente, do que ao próprio Ascendente. Evidentemente, pode-se invocar a precessão dos equinócios, que acarreta actualmente uma desfasagem de 23° a 24° para a nossa época. Isto dá, efectivamente, um signo de diferença, e explica que as pessoas de um signo ainda sintam a influência da constelação anterior. Mas o ayanamsa não explica tudo.

Um de meus antigos consulentes, que tem o Ascendente a 25° de Sagitário, portanto perfeitamente no signo (menos 23° do ayanamsa, assim mesmo, dá para ele ainda 2° Sagitário!), tem todas as aparências físicas do tipo precedente, Escorpião: bem pequeno, bem escuro, traços cavados, olhar de laser brilhando com uma luminosidade metálica. Não só a aparência física, mas também, ao que parece, o comportamento também. E então?

Um dos meus amigos, nascido com o Sol em Leão, era o homem mais tímido, mais discreto, mais sentimental e mais passivo que conheci: mais Caranguejo -Caranguejo que outra coisa, e acabou sendo ludibriado por uma Leonina de verdade. Então, por que nasceu Leão?

Afinal, essas diferenças explicam-se na astrologia cármica: o signo que precede o Ascendente (portanto, na casa 12) indica as circunstâncias, os sentimentos, a profissão, o país e os actos, bastante recentes, que marcaram a pessoa na sua vida imediatamente anterior; não é de espantar que lhe fique uma forte impregnação disso tudo na actual encarnação.

Na primeira parte da vida, a pessoa ainda não se desligou bem dos seus hábitos cármicos; por vezes, mesmo, ele não se desliga de modo algum, ou porque não quer, ou porque não sente força para tanto. Funciona durante toda esta vida como na precedente, segundo esquemas hoje obsoletos, que ainda lhe estão colados à pele! Daí essa persistência dos traços de carácter do signo anterior.

O que vale para a casa 12 e para o Ascendente vale também para a casa que precede o Sol. Acontece, em astrologia, quando se ignora a hora do nascimento, tomar o Sol como Ascendente. A casa precedente é, então, a casa 12 "solar". Mas trabalhar assim é tremendamente resvaladiço.

Este sistema dá resultados interessantes, sobretudo quando é empregado em "casas derivadas". Exemplo: para ter uma ideia do pai de um consulente, tomo o Sol como ponto de partida, e conto as casas a partir desse Sol: a 1° indica a personalidade do pai, a 2, a dos seus bens, etc.

Os astrólogos reencarnacionistas têm boas razões para pensar que o Sol, assim como o Ascendente, progride de vida em vida, no sentido dos signos do Zodíaco. Estes últimos são como portas, pelas quais passamos, uma após a outra.

Assim, aqueles que nascem, por exemplo, com o Ascendente Áries / Carneiro (ou o Sol), viveram uma experiência precedente marcada por Peixes. Seriam eles marinheiros, doentes hospitalizados, prisioneiros, místicos?. Em todo caso, completam um ciclo de existências para começar um novo. A sua experiência precedente, ao impor-lhes o sofrimento e o confinamento (seja este devido à doença ou a qualquer outra limitação física ou social), consolidou a sua força interior; eles começam, portanto, esse novo ciclo, em Carneiro, com uma imensa sede de liberdade!

Entretanto, parece que, em muitos casos, essa libertação é apenas progressiva: Quem sabe se esses retardatários devem renascer várias vezes com o mesmo Ascendente (ou com o mesmo signo solar) para liquidar a etapa precedente?

Vocês já notaram, suponho, que um bom número de pessoas com Ascendente (ou o Sol) em Touro, cuja agressividade vem mais de Carneiro. Eu próprio reconheço-me ter vivido nesta categoria uma parte considerável da minha vida e, ainda hoje, tenho situações inesperadas de uma certa intensidade e alguma agressividade no comportamento. Tenho o Ascendente em Touro.

Eis aí, bem evidente, a influência de uma casa 12 (solar) em Carneiro. O Touro, portanto, não elimina logo as influências marcianas que regeram as vidas precedentes.

Poderia também causar espanto encontrar tantos grandes trabalhadores com o Ascendente Gémeos (ou o Sol): mas é que eles conservaram hábitos laboriosos de seu passado taurino. Com bastante frequência são menos “light” do que faz prever a descrição do tipo Gémeos. Também me incluo nesta categoria com o meu Sol em Gémeos, na casa I. Sempre fui um trabalhador compulsivo, além de ter uma grande resistência física, que, com a idade, se está a esbater.

Certamente muitos alunos recordam-se da avalanche de textos e informações enviadas, ao longo dos meses. O que eles não viram foram os dias, semanas e meses em que estive agarrado ao computador a trabalhar, escrevendo esses textos. Isso permitiu-me juntar imenso material, que desembocou na criação do site «Escola de astrologia Nova-Lis», anos depois. Se eu fosse um típico Gémeos, escreveria um apontamento ocasionalmente e seria tudo muito “clean”. Pois não, o que parece funcionar realmente é o signo anterior, que é o de Touro, tendo por outro lado, o meu ascendente também aí. Este próprio texto é um exemplo disso: escolhi trabalhá-lo e com intensidade. Alguém tirará proveito disso. Espero eu!

As pessoas do Ascendente Câncer / Caranguejo (ou o Sol) são muito mercurianas: lêem, escrevem, agitam-se e tagarelam como os Gémeos, quando o seu Mercúrio se espalha numa chuva de gotas brilhantes. Nos meios editoriais, onde trabalho, notei vários Caranguejo e Ascendente Caranguejo que me pareceram muito felizes nesse meio que, no entanto, é tipicamente mercuriano e geminiano.

De um Ascendente Leão (ou o Sol), espera-se uma personalidade que se afirma com vigor. Ora, não é raro encontrar, nessa savana, pessoas bastante menos vigorosas, que preferem demonstrar vigor e assertividade diante das pessoas, para poderem esconder as suas patas de argila. A casa 12 em Caranguejo é, por vezes, de tal maneira influente, que só se vê um ser sensível, emotivo, terno, agarrado com unhas e dentes ao status quo familiar. E não tendo coragem alguma para enfrentar as mutações afectivas que se imporiam.

O Ascendente Virgem (ou o Sol), em compensação, dá pessoas mais seguras, mais autoritárias do que anuncia o signo. Virgem designa simbolicamente o "colaborador dedicado", personagem eficaz, discreto, mas sem muito brilho. Em princípio, os Ascendentes Virgem têm por trás de si um passado anterior no qual abusaram do poder. O que lhes trouxe bastante transtorno! Assim, desconfiam das honras, da glória e de tudo o que chama muito a atenção. Entretanto, mesmo tendo escolhido a humildade para esta encarnação, essas pessoas de Virgem (Sol ou Ascendente) ainda têm bastantes reflexos leoninos. A sua casa 12 indica uma posição social brilhante na vida imediatamente anterior, uma educação aristocrática e refinada, da qual ainda permanecem traços.

O Ascendente (ou o Sol) Libra / Balança muitas vezes dá às pessoas uma juventude tímida; eles têm muito mais dificuldade de se afirmar do que os Virgem ainda leoninos. Foram eles que herdaram inibições virginianas! Muitas vezes o seu sucesso é tardio; precisam de tempo para conseguir livrar-se da lentidão, dos escrúpulos e das tendências críticas de Virgem.

Entre as pessoas do Ascendente Escorpião (ou o Sol), bem poucos encontram o equilíbrio afectivo e conjugal. A casa 12 em Balança permite adivinhar grandes problemas dessa ordem na vida precedente, fazendo com que as pessoas hesitem em dar totalmente o coração. Esses traumatismos ou dívidas antigas prolongam-se hoje, por vezes numa dificuldade ou impossibilidade de ter filhos, no caso das mulheres. E, no caso dos homens, uma infalível insatisfação na vida conjugal. Acontece também destes Ascendentes Escorpião renunciarem às alegrias amorosas, tal o traumatismo que ainda lhes provocam seus dissabores anteriores. Difíceis relações cármicas com a vida amorosa obscurecida por bastantes dívidas cármicas!

Notei também que os homens desse Ascendente Escorpião tinham problemas nas suas relações com o dinheiro. Culpabilizando-se quando a despesa não é perfeitamente justificada, podem ser bastante avaros com o dinheiro e, ao mesmo tempo, lançar-se em enormes e irresponsáveis despesas! É que o dinheiro, ligado a Vénus, símbolo do poder financeiro, e também ligado ao sexo foi, em várias circunstâncias, muito mal utilizado por eles na vida precedente. Outrora muito egoístas, não gastaram esse dinheiro para servir a justiça social. A hesitação em abrir a bolsa é mais sensível nos homens do que nas mulheres. Tudo isso vale também para o Sol em Escorpião: difíceis relações cármicas com o dinheiro, obscurecida por bastantes dívidas cármicas!

As pessoas de Sagitário no Ascendente (ou o Sol) não deveriam apresentar outras características que não satisfação e alegria de viver. Ora, muitas vezes têm problemas de depressão, de humores sombrios, mais escorpiónicos do que sagitarianos. O seu senso crítico, totalmente diferente do entusiasmo jupiteriano, mina na sua fé, na sua confiança na vida e neles mesmos. São, no entanto, atraídos pelo mistério, pelo ocultismo. Mas, em muitos casos, desconfiam dessas coisas, pois tiveram anteriormente experiências muito penosas nesses campos. Adoptam, então, uma posição de racionalismo: não querem mais correr o risco de se entregar de corpo e alma a um mago negro. Os únicos Sagitários de verdade são, em minha opinião, aqueles que têm Júpiter no Ascendente, em conjunção com o Sol.

As pessoas com Ascendente Capricórnio (ou o Sol) surpreendem pelo seu entusiasmo, pela sua audácia conquistadora, o seu espírito de empreendimento. Por vezes, mesmo, o seu amor pela brincadeira franca faz pensar que nos enganamos de Ascendente! Eles têm muito mais de Sagitário do que do austero Saturno, e muitas vezes estão bem longe do Capricórnio típico. Mesma observação para o Sol, que não dá necessariamente nativos austeros e frios. Tendo tido muitas farras em suas vidas anteriores, dissipando-se em aventuras pelo mundo inteiro, as pessoas sentem, é verdade, a necessidade de disciplina rigorosa que caracteriza o Capricórnio. Em certos casos, realmente, eles começam a se organizar desde esta vida. Mas em outros, o gosto pela farra ainda não se extinguiu; a atracção pelas aventuras reaparece, sobretudo na primeira parte da vida.

Em compensação, reencontram-se muito mais traços capricornianos nas pessoas com Ascendente Aquário (ou o Sol nesse signo). Saturno, regente de Capricórnio, ainda está exaltado em Aquário: o que leva, portanto, a várias vidas seguidas, onde o planeta representa um papel preponderante. A falta de calor é surpreendente entre esses nativos: inteligentes, amistosos, são mais generosos racionalmente do que afectivamente. Oferecem uma curiosa mistura de egoísmo gelado e de amizade fiel. A adaptação às técnicas de vanguarda não impede, neles, o apego às mais antigas tradições familiares.

Por fim, as pessoas Ascendente Peixes (ou o Sol) manifestam por vezes um carácter anárquico e revoltado, que vem dos hábitos de Aquário. A esse signo do Ar, que não tem os pés na Terra, assim como aos Peixes, que simplesmente não têm pés, só nos resta desejar um cônjuge que lhe imporá o seu senso prático. A recusa dos limites, que caracteriza ao mesmo tempo Aquário e Peixes, torna-lhes difícil a perseverança em qualquer contrato social. Saturno já era regente do seu período Capricórnio, no ciclo anterior. No entanto, herdaram de Aquário uma grande generosidade nas concepções. Com muita frequência, a sua vida anterior precedente foi marcada por rupturas violentas, revoluções, aventuras movimentadas em nome de ideologias de vanguarda. Assim, muitos deles preferem, desta vez, uma vida mais calma: perderam o gosto dos confrontos violentos.

Nem sempre se muda de Ascendente ou de signo solar, de uma vida para outra: e certos exemplos mostram mesmo que a ordem de sucessão dos Ascendentes de uma vida para a outra não segue necessariamente a ordem dos signos. Pode-se supor que, quando uma entidade não completou o programa que corresponde a um signo, ali se reencarna de novo (parece ser este o caso de pessoas que as datas de reencarnação reconduzem ao mesmo mês, ou ao mesmo dia do mesmo mês. Em suma, "repetimos o ano" das estrelas quando somos reprovados no exame cósmico!

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.Muiro obrigado.

Astrologia Cármica e as Casas nos mapas - Apontamentos para aula - nº 1

29 de Janeiro de 2011 · 15 comentários

[Texto © António Rosa, 2004, 2007, 2011]

Devido à sua extensão, este artigo foi dividido em 3 partes/posts.
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Estão autorizados a levar o texto para efeitos de estudo.

«Na realidade “o tempo” fora da terceira dimensão não existe, portanto
o que classifica como passado está ocorrendo no eterno agora.»
Astrid Ananbelle
[daqui]

Introdução
A Trajectória Cósmica do Nosso Espírito:
Astrologia Cármica, Reencarnação e Espiritualidade

Haveria muito a dizer sobre a forma circular do mapa astrológico: o círculo é um perfeito símbolo de unidade. O tema é uma mandala, isto é, uma visão do mundo, encerrada num círculo geometricamente dividido, cuja estrutura ajuda à meditação. Assim, o tema torna-se um "suporte de mancia": um objecto que, pela sua forma, permite que a intuição seja libertada. Os videntes de toda a Antiguidade utilizaram o fogo, a fumaça, os seixos jogados ao acaso no solo, etc.

A intuição divinatória costumava ter necessidade de um suporte para se manifestar: não há dúvida de que o mapa astral representa também esse papel; a sua forma redonda, as suas divisões geométricas activam os mecanismos secretos da intuição. A cruz formada pelo horizonte e o meridiano, inscrita nos 360° da circunferência, são os símbolos eternos que falam ao subconsciente de cada um de nós.

A divisão do espaço celeste em quatro quadrantes, cada um com três casas, ou seja, 12, tem ressonâncias numerológicas e simbólicas tão fortes, que todas as religiões do mundo o utilizaram. Mandala é uma palavra indiana, mas a realidade é universal. A estrutura íntima do cosmos está provavelmente baseada nos números 3, 4 e 12. As religiões cristãs falam das "12 tribos de Israel", dos “12 Apóstolos”, dos “4 Evangelistas”, da “Santíssima Trindade”, etc. quatro e três são sete, e se combinam ainda em 9, 12, 45 e tantos números "sagrados" utilizados pela astrologia.

A acrescentar a isto a ideia transmitida pela entidade Kryon, do Serviço Magnético, que diz que a matemática cósmica tem o sistema 12 como suporte universal e não o sistema decimal, como o utilizamos nesta nossa terceira dimensão, aqui na Terra.

A divisão do mapa em 12 casas delimitadas pelos quatro Ângulos do Céu é fundamental.

As casas são campos vitais, nos quais se aplica a nossa energia. Isso é válido não só para esta vida, como também para toda a nossa trajectória cósmica - compreendendo também as nossas vidas precedentes.

Teoricamente, a Terra está no centro do tema. Os detractores da astrologia vêem nisso uma prova de sua falsidade, já que sabemos bem que a Terra não é o centro do nosso sistema solar. A isto pode-se responder que o tema descreve o nosso ponto de vista de terreno. Quando tivermos adquirido “perfeição” e objectividade, quando estivermos livres das cargas terrestres, passaremos para um plano cósmico solar: poderemos ter então um tema "visto do Sol" – o chamado sistema heliocêntrico. Actualmente, aliás, muitos astrólogos utilizam tais temas, já nessa perspectiva espiritual.

O ASCENDENTE


Representa o estado presente da entidade, o "ponto" da sua evolução para esta encarnação. A partir desse local-chave organiza-se todo o horóscopo, esse mapa do céu que a pessoa "assinou" antes de nascer. O Ascendente e a casa 1 exteriorizam a personalidade da pessoa nesta encarnação - mas não necessariamente o seu Ser profundo. Certos espaços dele mesmo podem permanecer secretos, ocultos enquanto dura esta vida. Muito simplesmente porque a entidade decidiu desenvolver uma aptidão, em vez de outra, que está programada para a vida seguinte: não se pode procurar um desenvolvimento em todos os sentidos, ao mesmo tempo!

O crescimento da alma é um longo trabalho que se faz de vida para vida, um detalhe após o outro. Recantos inteiros do nosso ser permanecem adormecidos a cada encarnação. A partir do Ascendente, há quem pense que as casas 2, 3, etc. indicam vidas a vir, ao passo que, regredindo no sentido inverso, as casas 12, 11, 10, etc. significam as vidas precedentes, a começar pela última.

Inúmeros autores pensam que nós encarnamos segundo a ordem dos signos, de modo a aprender sucessivamente as 12 lições cósmicas inscritas no Zodíaco. Esse será, certamente, um dos segredos esotéricos melhor guardados da humanidade. Pensa-se que as pessoas que têm uma casa 12 muito "habitada" por um número importante de planetas, entre os quais Neptuno, já cumpriram todo um ciclo. Seria a sua última encarnação, para esse ciclo.

Mas é provável que percorramos várias vezes o Zodíaco a fim de rematar o que não fora terminado. A roda das casas e dos signos representa a "roda das reencarnações", ou Samsara indiano.

O Ascendente seria então como um dos ponteiros de um relógio sobre um quadrante, indicando a hora da evolução da alma. Em suma, em que ponto ela está, na sua jornada cósmica. (Cf. a Bíblia: "Para mim, um dia é como mil anos", diz o Senhor.) O Ascendente indica onde plantamos a nossa tenda, nessa viagem através do tempo e dos espaços interplanetários. É exactamente uma etapa.

AS CASAS DE ÁGUA

As três casas que correspondem, por analogia, aos três signos da Água: a casa 4, de Câncer/Caranguejo, a casa 8, de Escorpião, a casa 12 de Peixes, parecem estreitamente ligadas às coisas cármicas. Elas contêm uma enorme quantidade de informações sobre as nossas vidas anteriores. Todas as três estão carregadas de um passado que ainda nos marca, sobretudo se são densamente habitadas. Planetas retrógrados, nós, luminárias, recebendo inúmeros aspectos, revelam as suas dimensões cármicas nessas casas.

A casas 12, 8 e 4 trazem os reflexos que adquirimos nas nossas vidas anteriores, reacções emocionais criadas pelos traumatismos e erros de outrora. Devemos livrar-nos desses resíduos afectivos e físicos, desses comportamentos do passado, para nos adaptarmos à nova encarnação. Mas podemos decifrá-los ainda claramente nessas casas. As pessoas com "casas da Água" muito fortes, aliás, têm, em geral, reminiscências bastante fortes das suas vidas anteriores. Frequentemente são muito mediúnicos ou possuem enorme clarividência, e têm um contacto permanente com os planos invisíveis.

Infinitamente sensíveis aos ambientes, essas pessoas perceptivas sabem e sentem coisas que nem sempre têm palavras para exprimir. O tempo, para elas, não está limitado a esta encarnação; não vêem na matéria a simples realidade existente, como tantos dos nossos contemporâneos ocidentais. Não esquecem nada (se a 4 e a 8 estiverem, no seu caso, fortemente habitadas).

Esses "nativos da Água" vivem tempestades angustiantes, furacões internos que têm dificuldade em superar. Aspiram à serenidade, embora se apeguem a comportamentos obsoletos que só fazem acarretar outras tormentas. Isso verifica-se sobretudo quando o Sol e Lua se hospedam nessas casas.

Os psicólogos materialistas ocidentais - esses consertadores da alma - muitas vezes fracassam ao tratar essas pessoas, uma vez que as motivações destes têm raízes num nível cármico muito profundo - nas paixões violentas das suas vidas anteriores.

Evidentemente, os que cercam essas pessoas jamais compreendem por que eles reagem tão fortemente a tão pequeninas coisas. Um encontro aparentemente banal uma canção, uma paisagem, lançam-nos num estado de profunda perturbação, desencadeando as ressonâncias profundas da memória cármica.

A pessoa assim hospedada no fundo das grutas marinhas da casa 4 (ou 8, ou 12), não é feliz: aspira profundamente a se libertar de um fardo cármico de obsessões muito antigas. Os medos, os fantasmas, os espectros dos quais gostaria de se livrar estão inscritos nessas três casas.

Mas para limpar dos seus armários todos os fantasmas que ali foram encerrados, é preciso coragem: afrontar lúcida e bravamente todos esses fantasmas que apodrecem na memória.

Enquanto a pessoa se recusar a abrir o armário para dar a vassourada, permanecerá prisioneira desses laços emocionais passados que a estrangulam. E isto pode ser feito, actualmente, com o processo de terapia de vidas passadas. Uma parte da sua energia está paralisada. O primeiro passo para a libertação começa no dia em que a pessoa admite a possibilidade de ter dívidas para consigo mesmo. E talvez mesmo para com os outros!

Se se empenha nessa via de auto conhecimento, esses traumatismos tornarão a emergir à superfície consciente, criando um choque. A pessoa reviverá, para melhor exorcizá-las, as suas lembranças dolorosas e as suas fraquezas. Pouco a pouco, a força destas diminui, o seu peso alivia, libertando a energia vital do sujeito. Quase todos os grandes místicos descrevem esta experiência, embora sob formas muito diversas, segundo as regiões e as culturas. Toda a psicoterapia deveria, portanto:

1. Admitir o peso das vidas anteriores.

2. Avaliar esse peso e as suas consequências sobre o "aqui e agora".

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ASTROLOGIA E REENCARNAÇÃO - apontamentos para uma aula [2007]

27 de Janeiro de 2011 · 35 comentários



ASTROLOGIA E REENCARNAÇÃO

Por Dorothée Koechlin de Bizemont
Extraído do seu livro “Astrologia Cármica”
Transcrições, excertos e sublinhados de António Rosa

Obs: Para ser estudado e analisado coma muita atenção pelos leitores.
Eu sei que a maioria dos actuais leitores não têm tempo para ler textos longos,

mas será que queremos realmente aprofundar alguma coisa?
Ou apenas umas frases lindinhas no Facebook?

Os astrólogos actuais podem repartir-se em duas tendências: os racionalistas e os espiritualistas. Os primeiros praticam a astrologia como um meio de conhecimento imediato dos homens. Empoleirada nas técnicas de investigação psicológica do século XIX e XX (psicanálise etc.), essa astrologia recusa as dimensões espirituais esotéricas. E, em suma, a irmã gémea da "medicina de consertos" ocidental, que só conhece o corpo material. Recusando a existência do corpo esotérico e do corpo astral, essa medicina só vê no homem um conjunto de reacções psicoquímicas. Como a medicina derivada das teorias de Pasteur, a astrologia racionalista ignora a finalidade cósmica do homem.

Para os astrólogos da segunda tendência, os espiritualistas, o estudo do tema individual não só descreve o corpo doente, a mente desequilibrada, ou a vida emocional perturbada, como também, mais ainda, esse tema astrológico pode responder às questões fundamentais que o indivíduo se coloca: "Quem sou eu? Para que serve a minha existência? Aonde irei depois de minha morte? De onde vim?"

O astrólogo espiritualista recoloca o homem numa estrutura de espaço e de tempo que esclarece sua finalidade. A astrologia espiritualista ou esotérica é naturalmente reencarnacionista. Seu nível de explicação é muito mais amplo. O tema actual representa apenas uma encarnação, a mais recente, que é a resultante das precedentes... O tema (em particular no momento da morte) chega a dar indicações sobre a próxima encarnação!

Efectivamente, um tema analisado nessa perspectiva "cármica" explica luminosamente os gostos, o temperamento, os defeitos e as qualidades do nativo. Descemos aí a um nível de investigação muito mais profundo do que a psicanálise, já que essa astrologia espiritual reconhece a marca das experiências anteriores sobre o comportamento actual do sujeito. Os traumatismos das vidas anteriores podem ser lidos num tema se o astrólogo é suficientemente competente, e se as faculdades de juízo são suficientemente refinadas.

Sem ser ela uma religião, a astrologia espiritualista é uma espécie de revelação sobre a organização divina do Cosmos. Assim como a "religião" tem algo a ver com "ligar", a astrologia espiritualista nos liga ao "projecto divino". "No começo, Deus criou o céu e a terra"- diz o Génesis. E Deus diz: "Que haja luminárias no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que elas sirvam de sinais, tanto para as festas como para os dias e as estações." O estudo dessas luminárias devia ser uma forma de meditação transcendental. Assim praticada, a astrologia desemboca num deslumbramento, enlightment, como dizem os americanos (traduzindo assim a noção de iluminação, cara aos budistas). A astrologia, a cabala, a numerologia, a alquimia, o I Ching, etc. são os arcanos do conhecimento superior.

Esta era também a maneira de pensar dos grandes mestres da Antiguidade. Aí está por que reencarnação e astrologia nunca se opuseram nas civilizações antigas. Caminhavam lado a lado, com toda a naturalidade, como dois tipos de pesquisas paralelas conduzidas simultaneamente pelos sacerdotes e pelos iniciados. Terão eles, entretanto, feito a síntese entre as duas?

No Oriente, sim. No Ocidente é menos nítido. Um enorme número de tradições esotéricas ocidentais, que se transmitiam de boca em boca, perderam-se. Foi o caso do ensinamento dos druidas, por exemplo que, na Gália e na Grã-Bretanha, bem parecem ter coordenado astrologia e reencarnação, como testemunha César.

Um pouco de história

CALDEUS, GREGOS E ROMANOS

Os caldeus, observadores pacientes e apaixonados do céu, criaram a astrologia ocidental. Seus assombrosos conhecimentos astronómicos haviam feito com que descobrissem os planetas, até Saturno, inclusive. Já haviam medido suas revoluções - sideral e sinódica, com uma margem de erro muito pequena, e podiam prever com antecedência sua posição. Eram particularmente bem informados sobre as diferentes fases da Lua, e previam com precisão a volta dos eclipses. Foram eles que, tendo traçado os limites da eclíptica, haviam-na dividido em 12 porções, que se tornaram os "signos do Zodíaco". E como haviam compreendido que certas posições astronómicas pareciam ocasionar de novo os mesmos movimentos (os mesmos traços de carácter), tinham desenvolvido a interpretação simbólica daquelas posições astrais - ou seja, a nossa astrologia.

Mas teriam eles associado esta última à reencarnação? Numa palavra, seriam eles capazes de reencontrar as vidas anteriores através da leitura de um tema? Não se sabe exactamente.

Mestres consumados na arte de prever o futuro, interessar-se-iam pelo passado anterior? Os caldeus não eram certamente, assim como nós hoje em dia, estranhos à noção de reencarnação: Zoroastro parece ter sido herdeiro de uma velha tradição local. E altamente provável que certos sacerdotes-astrólogos iniciados utilizassem a astrologia para conhecer a evolução cármica das almas. Mas nenhum texto ou documento chegou até nós, actualmente.

Os babilónios, que vieram depois dos caldeus, retomaram e desenvolveram amplamente sua ciência, tanto em astronomia-astrologia, quanto em esoterismo. Transmitiram-na aos gregos, de quem a herdamos. Pensa-se que os egípcios não ignoravam de modo algum a astrologia reencarnacionista. Mas seus conhecimentos nesse assunto permanecem tão misteriosos quanto a Esfinge e a Grande Pirâmide...

Quanto aos gregos, um grande número deles, como vimos, acreditavam na transmigração das almas. Mas os filósofos do período clássico que a mencionaram não a ligaram à astrologia caldéia (que só foi vulgarizada tardiamente entre os gregos, no século III antes de Cristo).

Entretanto, Alexandre trouxera brâmanes da sua expedição à índia, intensificando assim os intercâmbios religiosos com o mundo grego. As tradições caldeia e egípcia, assim como a mitologia grega e a influência indiana irão misturar-se para dar aqueles "mistérios" iniciáticos, tão em voga no início da era cristã, mas não parecem ter convergido para criar uma verdadeira escola de astrologia reencarnacionista. Ninguém, no Ocidente, parece ter-se preocupado em coordenar astrologia e reencarnação.

Ninguém, salvo, talvez, os druidas. Mas estes logo vão desaparecer, sem deixar seus ensinamentos. A consciência das vidas anteriores apaga-se pouco a pouco na Europa, a partir do século VII. A astrologia, em compensação, permanece oficial ainda durante mil anos. Mas ninguém lhe pede que seja "reencamacionista". O Ocidente esqueceu tudo...

Nos séculos XVIII e XIX, grande buraco negro: a astrologia, por sua vez, cai num descrédito total. Raros esotéricos, rosacrucianos, alquimistas e cabalistas conseguiram, no entanto, manter viva a chama, por vezes à custa de suas vidas. Eles estarão na origem de um renascimento que só se ampliará no século seguinte. Na Alemanha, Goethe, no entanto, mostrar-se-á convencido da realidade da reencarnação, e se apaixonará pela astrologia. Não estabelecerá, no entanto, a ligação entre as duas.

Enfim, na segunda metade do século XIX, e no início do século XX, irão levantar-se alguns grandes espíritos que se voltarão para as fontes indianas e tibetanas: no Oriente não se rejeitou a reencarnação, nem a astrologia. Melhor ainda, integrou-se uma à outra, com toda a naturalidade! Corajosamente, pioneiros europeus e americanos reintroduzem no Ocidente esses dois espantalhos, "ilusões diabólicas", "especulações perigosas", nascidas de uma "mentalidade pré-científica".

Como me dizia recentemente uma velha senhora: "A reencarnação? Minha filha, é muito perigoso mexer com essas coisas! Não se meta nisso de jeito nenhum. Todos os meus conhecidos que caíram nessa história tiveram os piores aborrecimentos!"

A ASTROLOGIA INDIANA E TIBETANA

Ao leste do Éden, a Árvore do Conhecimento nem sempre foi sufocada. Nas índias, no Tibete, e em outros países do Extremo-Oriente, a reencarnação faz parte da vida quotidiana, assim como também a astrologia. Os astrólogos indianos, quando estudam um tema, têm sempre presente no espírito a "roda das reencarnações". Estimam que têm sob os olhos o "momento" da corrida milenar de uma alma. Nas Índias e no Tibete, não se cogita de empreender uma ascese espiritual sem procurar conhecer os erros das vidas precedentes. Essa busca é feita sob a orientação de um mestre, guru, swami, sishi... que guia o adepto no caminho muitas vezes difícil desse conhecimento.

A astrologia está muito naturalmente integrada nesta busca espiritual. Os astrólogos indianos não trabalham apenas na "análise lógica do tema" - utilizam sem qualquer reticência sua mediunidade para ler ali as vidas anteriores. Assim, o astrólogo indiano é, por princípio, um iniciado e um sábio. Sua função é religiosa.

Sem entrar nos detalhes que veremos mais amplamente na sequência dos capítulos deste livro, apresentaremos a seguir, em termos muito gerais, as configurações pelas quais os astrólogos indianos determinam as vidas anteriores (e futuras) de um nativo. Consideram eles, essencialmente:

O NIDÂNAS

Os "signos do Zodíaco" na astrologia indiana não correspondem exactamente aos nossos, por causa da defasagem entre signos e constelações, devida à precessão dos equinócios. Entretanto, o Zodíaco indiano admite, como o nosso, uma divisão do ano em 12 partes que correspondem às 12 constelações da eclíptica. Cada uma dessas constelações é como uma "porta", por onde entra a alma que se encarna de novo. Cada porta ou "nidâna" corresponde ao desejo, à paixão dominante, que impeliu a alma a se encarnar. Existe uma correspondência simbólica entre os 12 nidânas e os signos do Zodíaco.

Estes últimos são representados num círculo, o Bhava Chakra, ilustração gráfica da roda das transmigrações, e oferecidos sob esta forma à meditação dos fiéis.

0 primeiro nidâna é representado com os traços de uma velha cega, e simboliza a ignorância, a vontade inconsciente que leva a alma a se reencamar. Seu simbolismo lembra o de Áries, ser de desejo, movido por impulsos muitas vezes cegos.

O segundo nidâna é representado por um oleiro modelando a argila. Símbolo do apego às formas da vida física, está muito próximo de Touro.

O terceiro nidâna é representado por um macaco trepando lepidamente numa árvore. Ele simboliza o desejo de conhecimento e uma certa instabilidade, que evocam bem os Gémeos.

O quarto nidâna é representado por uma barca contendo ora apenas um homem, ora uma família. Simboliza o desejo de existir por si mesmo, de ser autónomo. Esse desejo, no Ocidente, nasce no nível de Câncer (que evoca também o Oceano primordial, como a barca).

O quinto nidâna é representado por uma casa vazia, ou por uma máscara humana: simboliza o desejo de exteriorizar o poder dos sentidos, e também a ambição (o que corresponde bem ao Leão).

O sexto nidâna é representado por um casal de esposos, ou por um trabalhador atrás do seu arado. Simboliza o desejo de realização concreta, a fecundação. Corresponde à nossa Virgem (representada no Ocidente com uma espiga de trigo na mão).

O sétimo nidâna é representado por uma figura humana cujo olho foi varado por uma flecha. Simboliza o desejo de ternura e de prazer, as ilusões do coração que terminam na dor. Corresponde a Libra.

O oitavo nidâna é representado por um homem que se embriaga, e por uma mulher segurando uma garrafa de vinho. Simboliza a sede insaciável de gozo, que acorrenta o homem à roda das reencarnações, e corresponde ao Escorpião.

O nono nidâna é representado por um homem colhendo frutos, que coloca num cesto. É o desejo dos bens materiais, o apego às gratificações deste mundo, análogo ao simbolismo de Sagitário.

O décimo nidâna é representado por uma mulher grávida. Ela representa a plenitude da existência material, e a sujeição aos trabalhos terrestres. Este nidâna corresponde a Capricórnio.

O décimo primeiro nidâna é representado por uma criança nascendo. Simboliza o desprendimento que foi adquirido e que dá ao ser o desejo de renascer uma última vez para liquidar todo o seu carma. Essa motivação espiritual corresponde a Aquário.

O décimo segundo nidâna é representado por um cadáver em seu cortejo funerário. Simboliza a dissolução (muito neptuniana) de todos os laços terrestres que aprisionavam o ser. Corresponde a Peixes.

Decanatos, graus e outras subdivisões do Zodíaco


Cada signo do Zodíaco - tanto na índia como no Ocidente estende-se, então, por 30° do céu. Um decanato - um terço de um signo - contém 10º.

Os astrólogos indianos dão muita atenção às subdivisões do Zodíaco; os decanatos permitem, segundo eles, um conhecimento das vidas anteriores; os dwads e os navamsas, subdivisões do decanato e do signo, indicariam mais o desenvolvimento futuro da Entidade.

Cada grau do círculo celeste indica também alguma coisa do carma do nativo. Não desenvolverei aqui esses tópicos - apesar de interessantes - por falta de espaço!

O Ascendente

É examinado com o maior cuidado. O signo que se encontra situado na XII casa, logo acima do horizonte, é considerado como o signo ascendente da vida precedente. Exemplo: um nativo nascido com o Ascendente Libra tinha o Ascendente Virgem na encarnação precedente; não deve, portanto, causar espanto que ele ainda apresente características de Virgem, sobretudo no início desta vida. A alma percorre, assim, o Zodíaco, experimentando em cada encarnação as possibilidades dos signos, segundo sua progressão.

Os seis mundos

Não se pode compreender a astrologia indiana esquecendo os seis mundos começando por baixo:

- O mundo infernal, que corresponde ao plano de Saturno

- O mundo dos espíritos famintos, que corresponde ao plano da Lua

- O mundo animal, que corresponde ao plano de Vénus

- O mundo humano, que corresponde ao plano de Mercúrio

- O mundo dos Titãs, ou Heróis, ou deuses ciumentos, que corresponde ao plano de Marte.

- O mundo dos deuses, mundo da felicidade e da luz, o mais alto de todos, que corresponde ao plano de Júpiter

O acesso a esses três últimos mundos se faz por um bom carma, ao passo que, ao contrário, um carma pesado obriga a entidade a se reencarnar em um dos três mundos inferiores, onde reina a infelicidade.

As almas passam de um a outro mundo, segundo seus méritos. A astrologia permite ver de que mundo vem o recém-nascido e, ao morrer, em que mundo o indivíduo se reencarnará. O Sol, energia luminosa, forma do Buda, indica, por sua posição no signo e no decanato, como se disse acima, de que mundo vem o nativo.

Resumi muito grosseiramente o ponto de vista da astrologia indiana: os especialistas que me perdoem essa simplificação.

OS PIONEIROS OCIDENTAIS

Os primeiros pioneiros ocidentais da astrologia reencarnacionista foram buscá-la nas índias. Teósofos, antropóssofos, rosacrucianos não ignoram as fontes indianas.

Depois da geração dos pioneiros, outros astrólogos desenvolveram a astrologia esotérica, apoiando-se mais na inspiração mediúnica do que nos textos indianos (Alice Fowler, Irys Vorel, Donald Yott, Charles Vouga). Mas é notável que haja uma convergência entre a inspiração desses pesquisadores e as tradições indianas.

O caso limite é o de Edgar Cayce, que nunca pôs os pés num ashram, nem estudou astrologia indiana, e nem mesmo qualquer tradição reencarnacionista, e que, por sua simples inspiração mediúnica, reencontra valores que a India conservara e que a nossa astrologia esquecera. Aliás, foi a propósito do tema astrológico de seu amigo Lammers que Cayce mencionou pela primeira vez esta evidência que é a reencarnação. Para seu próprio espanto, ele declarou, sob sono hipnótico: "Outrora, ele (Lammers) foi monge." Foi preciso, depois, que Cayce, assim como os astrólogos ocidentais, percorresse um caminho muito longo para chegar à astrologia reencarnacionista aqui apresentada.

EDGAR CAYCE CONFIRMA A REALIDADE DAS PERMANÊNCIAS PLANETÁRIAS

As leituras caycianas, evidentemente, contêm um imenso número de comentários astrológico-reencarnacionistas.

Essas referências são totalmente surpreendentes para um astrólogo ocidental "clássico". Entretanto, pôde-se verificar cem vezes a justeza das previsões de Cayce, e também o quanto seus diagnósticos, tanto físicos quanto psíquicos, se mostraram exactos. Pode-se, então, pensar que sua visão astrológica corresponde a uma realidade. A astrologia actual está, aliás, em plena evolução. O materialismo do século XIX lhe cortara as asas: o século XXI provavelmente dará razão a Cayce. Aqueles, dentre os meus leitores, a quem essa questão interessa, podem reportar-se ao excelente livro de Margareth H. Gammon: Astrology and the Edgar Cayce readings, publicado pela ARE (Edgar Cayce Foundation, 1967 e 1973).

A maioria das 2.500 leituras de vidas apresentadas por Cayce entre 1923 e 1945 evocam a reencarnação. Segundo ele, as Entidades permanecem em diferentes épocas no plano terrestre - é o que chamamos de encarnações sucessivas - mas também permanecem em outros planos planetários, entre duas vidas terrestres. Edgar Cayce está longe de ser o único a ter falado nisso. Allan Kardec faz alusão ao assunto: "A medida que os Espíritos se depuram, encarnam-se em mundos cada vez mais perfeitos" (O Livro dos Espíritos, Editorial Angelorum-Novalis).

As Lettres de Christopher, de Rose-Marie Tristam, também falam nisso. Christopher, morto aos 17 anos no naufrágio de um navio torpedeado durante a Segunda Guerra Mundial, retorna depois de morto, regularmente, para falar com sua mãe. Conta-lhe suas actividades nos outros mundos: "Depois de deixar Sirius, visitamos vários satélites em tomo daquele grande centro de luz...". Conta também as expedições a Marte, a Júpiter, a Orion... É bem possível que, depois da morte, os humanos possam realizar com muita facilidade viagens interplanetárias, ou mesmo interestelares!

Albert Pauchard, em seu L'Autre Monde, fala também do "raio de Neptuno", que ilumina "o último contingente de um ciclo solar" - isto é, os que vão nascer entre 20 de Fevereiro e 20 de Março, em Peixes.

Nos Estados Unidos, o famosíssimo médium Arthur Ford falara de suas viagens em "projecção astral" (isto é, saída do corpo físico ou "desdobramento") a outros planetas. Contou mesmo que visitou Arcturus.

Voltando a Cayce, ele diz que as Entidades permanecem em outros planos planetários (ou estelares); ele chama essas permanências de "sojourns". Qual será a finalidade disso? Segundo ele, o plano divino de desenvolvimento das almas humanas prevê para elas uma série de experiências planetárias, para ampliar o campo de seus conhecimentos. Os reencarnacionistas em geral, tanto do Oriente como do Ocidente, estão de acordo: o campo terrestre é demasiado limitado. Devendo a alma chegar ao perfeito conhecimento (já que "nós somos deuses", como diz Paulo), precisa passar por uma grande diversidade de experiências cósmicas. Isso é necessário para a aprendizagem do estado divino!

Segundo Cayce, esses "sojourns" em planos de consciência diferentes são descritos no tema individual pelos planetas, que simbolizam diferentes planos de energia cósmica. Podemos, portanto, ler no nosso tema as experiências planetárias precedentes. Essas vilegiaturas em outros mundos desenvolvem nossas faculdades mentais. Nossas ideias, nossas intuições, nossos conhecimentos inatos, em suma, nossas aptidões intelectuais e imaginativas seriam directamente provenientes das experiências planetárias e siderais. Esses "estágios de formação" em diferentes "lugares" do sistema solar nos dariam nosso dinamismo mental, ao passo que nossa vida emocional seria antes o fruto de nossas encarnações terrestres.

Cayce diz frequentemente: "Tal Entidade chega de Saturno" (ou de Mercúrio, ou de Vénus etc.). Em inglês, entered from Saturn (esta alma alçou voo em Saturno).

Essas viagens interplanetárias que asseguram a "formação contínua" das almas não se limitam ao sistema solar; Cayce faz inúmeras alusões a estrelas como Arcturus (que parece um elevadíssimo lugar espiritual), Sirius, as Plêiades, Rigel, Bellatrix, Betelgeuse, a Polar ou constelações extra zodiacais, como a Grande Ursa, Orion, etc.

Sabe-se que os astrólogos da Antiguidade, e depois os astrónomos árabes, atribuíram uma grande influência às "estrelas fixas". Distinguiam perfeitamente estas últimas das "estrelas errantes", que são os planetas. A astrologia ocidental desconhece - ou simplesmente ignora - essas estrelas fixas, com raras excepções, como Vivian Robson ou Volguine; ou como a astrologia rosacruciana, que sublinha a importância de certas estrelas como Alcione, as Plêiades (constelação de Touro), as Aselli ou Anons (constelação de Câncer), Antares (constelação de Escorpião).

Alice Bailey, outra astróloga reencarnacionista, fala também da influência de Betelgeuse, da Grande Ursa, de Sirius. É óbvio que os astrólogos indianos também não ignoram as estrelas fixas, e sabem que elas encerram grandes mistérios.

Enfim, se Cayce insiste nas permanências planetárias e estrelares detém-se muito pouco nos aspectos entre os planetas, e nos signos do Zodíaco. É que o valor destes, na nossa astrologia ocidental, é alterado pela precessão dos equinócios, de que é imprescindível falar aqui.


UM PONTO IMPORTANTE: OS SIGNOS DO ZODÍACO E A PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS

[Este texto sobre a precessão dos equinócios, à excepção dos restantes é da autoria de António Rosa. Ver aqui.]

Nas páginas que se seguem , trataremos dos planetas nos signos do Zodíaco. Ora, impõe-se um acerto: o astrólogo sério, reencarnacionista ou não, deve levar em consideração a precessão dos equinócios.

O grande público, muitas vezes mal informado sobre a astrologia, pensa que esta se resume aos signos do Zodíaco. "Ah, você é Touro? Como eu gosto desses bichos!" O estudante pôde se dar conta de que os signos do Zodíaco eram apenas uma das "chaves" da astrologia. Os planetas são tão ou mais importantes do que eles! Alguns astrólogos não vêem os signos do Zodíaco senão como um jogo de filtros coloridos: cada planeta nos envia suas vibrações através do filtro do signo zodiacal que as colore.

Por vezes, espantamo-nos: certos nativos só têm poucas características descritas pelos signos... em compensação, comportam-se mais como o signo precedente. Muita gente, ainda assim, espantou-se com o facto de Hitler ter nascido com o sol em Touro - signo pacífico por excelência! Teria sido bem mais lógico que seu Sol estivesse em Áries, signo da guerra, sob a regência de Marte. Ora, é esse o caso... se levarmos em consideração a precessão dos equinócios!

Assim também Luís XIV, que escolhera como símbolo o Sol e se comportou como um verdadeiro Leão, evidentemente não nasceu com o Sol em Virgem - signo do perfeito subordinado! (5 de Setembro de 1638).

Assim o Zodíaco no qual trabalhamos está alterado. Actualmente, as constelações não coincidem mais com os signos do mesmo nome.

Lembro que os astrónomos reagruparam as estrelas fixas em 89 constelações. Esses grupos, evidentemente, são arbitrários. Mas não se podia deixar de rotular o céu, para poder se orientar nele! Ora, o Sol não dá cambalhotas ao acaso nessas 89 constelações: limita-se, comportadamente, às 12 que percorre todo ano, e que constituem, para ele, uma espécie de auto-estrada celeste. A essas constelações os Antigos haviam dado nomes de animais: ignora-se completamente porque... Mas não se deve pensar que fosse pura fantasia: os astrónomos astrólogos da Caldéia possuíam profundos conhecimentos esotéricos sobre o reino animal.

Em suma, o início do ano zodiacal, o "ponto vernal", ou "grau 0 de Áries", deve coincidir com o primeiro dos 12 sectores - ou signos -repartidos no céu no caminho anual do Sol (é a auto-estrada celeste que chamamos de Zodíaco). Esses 12 sectores do céu, de 300 (30x 12 = 360), são baptizados de acordo com os nomes das constelações que devem enquadrar.

Ora, em virtude da percepção dos equinócios, o Sol hoje em dia não nasce mais, no dia 21 de Março, na constelação de Áries. Em 228 depois de Cristo, era assim: o Sol nasceu bravamente, como lhe haviam mandado ao mesmo tempo em Áries-signo do Zodíaco e em Áries-constelação. Depois, pouco a pouco, começou a nascer no fim do signo de Peixes. Os astrólogos, como Ptolomeu, não prestaram mesmo muita atenção nisso: era uma aproximação… O mal é que, hoje em dia, a "aproximação" tornou-se "bem pouco próxima"!

O eixo da Terra gira lentamente sobre si mesmo em 26.000 anos: e é esse fenómeno, chamado "precessão dos equinócios", que faz com que o Sol nasça, todo dia 21 de Março, um pouco mais atrás nos signos.

Em virtude dessa progressiva defasagem, os 12 sectores de 300 repartidos no céu não coincidem mais com as constelações que lhes haviam dado o nome. A defasagem é mesmo tão importante que atinge hoje em dia (em 1983) cerca de 24°.

Os astrólogos indianos conhecem perfeitamente essa defasagem, que chamam de ayanamsa, e que levam em consideração na interpretação dos horóscopos.

Assim, um nativo de 1983, com o Sol a 5° de Escorpião estaria, para os astrólogos de 20 séculos atrás (assim como para os astrólogos indianos actuais) com o Sol a 110 de Libra. Não será de estranhar, então, que em sua juventude ele apresente tantos traços de carácter de Libra.

Essa defasagem progressiva irá levar pouco a pouco o Sol a nascer, em 21 de Março, na constelação de Aquário (mas sempre no signo, isto é, no sector de Áries). Desde o ano 228 da era cristã até agora, o Sol nascera na constelação de Peixes. Irá deixá-la por voltado ano 2 377, para entrar na de Aquário.

Portanto, os astrólogos verdadeiramente honestos, verdadeiramente preocupados com a verdade, deveriam levar em consideração a defasagem ayanamsa em suas interpretações. Uma Lua natal a 6° de Touro, por exemplo, é, no dia do nascimento, o que há de mais Áries!

Cada vez que eu mencionar um planeta (ou um nó) num signo, entenda-se que se trata do signo real, depois de feita a correcção pelo ayanamsa.

Dito isto, a "progressão" dos planetas os faz evoluir através do Zodíaco. Assim, a criança que nasce actualmente com o Sol a 5° de Sagitário, nasceu na verdade em Escorpião - e manifestará as características deste. Entretanto, por progressão de um grau por ano, o Sol, aos 25 anos, entrará no 1ºgrau de Capricórnio. Se subtrairmos o ayanamsa de 24°, esse Sol estará na verdade a 6° da constelação de Sagitário. E então que esse jovem terá um comportamento sagitariano.

Na prática corrente, seria preciso considerar os dois signos, antes e depois da subtracção do ayanamsa.

Os astrólogos da Pérsia antiga, os caldeus e os babilónios levavam em conta esse fenómeno e corrigiam seus horóscopos a partir disso. Mas os egípcios, depois os astrólogos do Baixo Império romano, seus sucessores na Idade Média e depois os modernos esqueceram o ayanamsa, que não pára de crescer de século para século.

Para concluir, a astrologia ocidental comum, actualmente, trabalha sobre bases em parte falsas, a menos que leve em consideração o ayanamsa - cuja tabela para o século XX é apresentada abaixo:

Exemplo muito significativo: o tema de Hitler

Para o seu nascimento, em 20 de Abril de 1889, às 18h21 min., em Braunau am Inn, na Áustria, o Zodíaco habitual dá 0" 48 Touro. Corrigindo a posição do Sol, pela subtracção do ayanamsa, encontramo-lo no início de Áries, a = 7º 48”, o que dá a esse signo de guerra e de fogo toda a sua força.

E A LIBERDADE, O QUE SE FAZ DELA?

A Tradição afirma, desde sempre: Astra inclinant, sed non cogunt, isto é: "Os astros indicam, mas não obrigam." Assim, segundo Tomás de Aquino: “Tudo o que existe na superfície deste mundo sublunar está sujeito à influência dos astros - mas o sábio domina os astros."

Cayce está inteiramente de acordo com essa óptica. Eis o que ele diz, textualmente: "A mais forte influência exercida sobre o destino do homem é, em primeiro lugar, a do Sol, depois a dos planetas mais próximos da Terra, ou então dos que são ascendentes na hora do nascimento. Mas é preciso entender aqui que nenhuma acção, de qualquer planeta, nem as fases do Sol, da Lua ou de qualquer corpo celeste é mais forte do que a vontade do homem."

É, portanto, claro: o sábio domina os astros.

Nenhum astrólogo sério, seja oriental, indiano ou chinês, pensa realmente que sejamos totalmente determinados pelos astros, como se fôssemos fantoches manobrados por alguém.

Só as pessoas que têm noções muito superficiais de astrologia ainda imaginam que ela seja determinista, e que nosso destino estaria organizado de antemão nos seus mínimos detalhes. A "roda das reencarnações", o samsara dos astrólogos budistas, não é uma fatalidade: os textos sagrados indianos afirmam que é preciso sair dela, para isso utilizando nossa liberdade!

Tomás de Aquino manifestou-se a respeito, de modo magistral, em sua Suma teológica (questão 96, "Da Adivinhação pelos astros"): "Quando um médico - diz ele -, à cabeceira de um doente, faz um diagnóstico a partir de determinados sintomas, e depois faz um prognóstico sobre a evolução da doença, diz-se por acaso que ele faz profecias? É evidente que não! Ele apenas exerce sua profissão de médico.

Assim também o astrólogo: ao ver tal ou tal configuração no céu, deduz dela tal ou tal previsão." Tanto o médico como o astrólogo deixam, em seu "prognóstico", uma grande margem para a liberdade do doente (ou nativo). Este último pode, por sua atitude mental, fazer fracassar os prognósticos do médico (ou do astrólogo). Sabe-se de tantos doentes que se deixam morrer, e de tantos outros que ressuscitam pela força de vontade!

Toda astrologia que negue a liberdade seria totalmente débil. Todo aquele que pretende abusar do seu poder em nome dos astros, aterrorizando o seu consulente, sacudindo-lhe no nariz um destino implacável ("Está escrito no céu"), não é digno do nome de astrólogo.

Actualizado em 10 Junho 2007

Reorganizado em Janeiro de 2011
por António Rosa
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Oscar 2011 - Os nomeados

26 de Janeiro de 2011 · 20 comentários


Melhor Actor principal

Javier Bardem em “Biutiful”


Jeff Bridges em “True Grit” (Indomável)



Jesse Eisenberg em “The Social Network” (A Rede Social)

Colin Firth em “The King's Speech” (O Discurso do Rei)


James Franco em “127 Hours” (127 Horas)

 

Melhor Actor Secundário

Christian Bale em “The Fighter” (Último Round)


John Hawkes em “Winter's Bone”



Jeremy Renner em “The Town” (A Cidade)


Mark Ruffalo em “The Kids Are All Right” (Os Miúdos Estão Bem)


Geoffrey Rush em “The King's Speech” (O Discurso do Rei)


Melhor Actriz Pincipal

Annette Bening em “The Kids Are All Right” (Os Miúdos Estão Bem)


Jennifer Lawrence em “Winter's Bone”


Natalie Portman em “Black Swan” (Cisne Negro)


Michelle Williams em “Blue Valentine” (Blue Valentine)


Nicole Kidman em "Rabbit Hole"



Melhor Actriz Secundária

Amy Adams em “The Fighter” (Último Round)


Helena Bonham Carter em “The King's Speech” (O Discurso do Rei)


Melissa Leo em “The Fighter” (Último Round)


 Hailee Steinfeld em “True Grit” (Indomável)


 Jacki Weaver em “Animal Kingdom”


Melhor Realizador

(Cisne Negro)  “Black Swan” Darren Aronofsky


(Último Round) “The Fighter” David O. Russell


(O Discurso do Rei)  “The King's Speech” Tom Hooper


 (A Rede Social)  “The Social Network” David Fincher


(Indomável) “True Grit” Joel Coen e Ethan Coen


Melhor Filme (Produtores)

«Cisne Negro» / “Black Swan” Mike Medavoy, Brian Oliver e Scott Franklin, Produtores



«Último Round» / “The Fighter” David Hoberman, Todd Lieberman e Mark Wahlberg, Produtores



«Origem» / “Inception” Emma Thomas e Christopher Nolan, Produtores




«Os Miúdos Estão Bem » / “The Kids Are All Right” Gary Gilbert, Jeffrey Levy-Hinte
e Celine Rattray, Produtores



«O Discurso do Rei » / “The King's Speech” Iain Canning, Emile Sherman e Gareth Unwin, Produtores



«127 Horas » / “127 Hours” Christian Colson, Danny Boyle e John Smithson, Produtores



«A Rede Social» / “The Social Network” Scott Rudin, Dana Brunetti, Michael De Luca
e Ceán Chaffin, Produtores



“Toy Story 3” Darla K. Anderson, Produtor



«Indomável» / “True Grit” Scott Rudin, Ethan Coen e Joel Coen, Produtores



“Winter's Bone" Anne Rosellini e Alix Madigan-Yorkin, Produtores


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30 de Janeiro de 2011

Astrologia Cármica e as Casas nos mapas - Apontamentos para aula - nº 3

[Texto © António Rosa, 2004, 2007, 2011]

Devido à sua extensão, este artigo foi dividido em 3 partes/posts.
Clicar para aceder: Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 (este é o último texto)
Estão autorizados a levar o texto para efeitos de estudo.

A CASA 4

Já falámos um pouco desta casa, mas ela merece uma atenção maior, dada a sua enorme importância cármica. Irmã gémea do signo Câncer / Caranguejo, ela revela a atitude da pessoa com a família, para com o lar e para com a segurança que espera disso tudo. E isso não só no que se refere à vida presente, mas também no que se refere àquelas, mais antigas, onde ele mesmo criou para si as atitudes mentais que ainda hoje o condicionam.

Por exemplo, a pessoa, frustrada numa infância precedente, tentará reencontrar os antigos parentes aos quais está ligado por poderosos laços cármicos. Através deles, procurará de novo a segurança que lhe faltara anteriormente. Se a sua relação com esses parentes tiver sido de amor, ele procurará encarnar-se de novo entre eles, por atracção de ternura. Se a relação tiver implicado dívidas, irá encamar-se também de maneira a que essas dívidas possam enfim ser pagas, num amor recíproco reencontrado (e um progresso espiritual comum).

É a casa do medo de sentir, por razões cármicas. É normal decifrar na casa 4, em analogia com Câncer / Caranguejo, traços do carma, já que ela concerne à infância: um número muito grande de crianças lembram-se ainda da sua vida precedente, e conseguem contá-la!

O Fundo-do-Céu, cúspide dessa casa 4
, é uma articulação importante: marca, num certo sentido, a acumulação, a sedimentação dos carmas acumulados, assim como o novo ponto de partida desta vida. O Fundo-do-Céu, assim como o Nodo Norte, dão a motivação profunda da encarnação.

Câncer / Caranguejo era considerado pelos antigos astrólogos gregos e latinos como a "porta de entrada das almas" neste mundo. Todo o seu simbolismo (o ovo, a água primordial, o crustáceo paleozóico, etc.) gira em torno dessa ideia do nascimento. O Câncer  / Caranguejo é um dos animais mais antigos do nosso planeta; ele não esquece nada. A sua memória é fenomenal. A casa 4 também!

Uma casa 4 muito habitada, recebendo muitos aspectos tem muitas revelações a fazer àquele que souber lê-la. Indica nitidamente o estado de espírito com o qual a pessoa retomou ao plano terrestre. [É o meu fado pessoal e ainda ando em aprendizagens.]

A CASA 8

Tendo a mesma significação de Escorpião (morte e ressurreição), muito rapidamente atraiu o olhar clarividente dos primeiros astrólogos esotéricos. Há muito tempo que se sabe que essas pessoas, cuja casa 8 está carregada, são mediúnicas e têm aptidões "parapsicológicas". Essas capacidades particulares foram adquiridas em outras existências, graças a um treino especial, por vezes muito duro: provações de iniciação das quais às vezes não se saía com vida

O treino religioso e parapsicológico, como era dado aos futuros iniciados nos templos do Egipto e da Atlântida (e ainda hoje no Tibete), era longo e exigente. Os candidatos à iniciação aprendiam a sair do seu corpo à vontade, e a retomar a ele sem dificuldades. Os iniciados eram capazes de ler os pensamentos daqueles que vinham fazer-lhes uma consulta, ou de ver imediatamente, segundo as cores da aura, qual era o órgão doente.

Podiam falar com os animais, prever certos acontecimentos, impor a sua vontade à distância, comunicar por telepatia, e ainda mil outras coisas muito úteis! Podiam comunicar-se com os mortos, curar pelo poder do pensamento. A sua memória era sistematicamente treinada de modo a nada esquecer. Actualmente, resta-lhes uma parte dessa memória: eles lembram-se mais ou menos das suas antigas aptidões. Nos templos, ensinava-se-lhes a concentrar o pensamento, para utilizá-lo como uma arma, e a forjar a vontade para utilizar esse pensamento.

Tais pessoas, reencarnados hoje, têm uma casa 8 interessante. Eu mesmo tenho a Lua nessa casa e tenho consciência de já ter sido outrora astrólogo. Ainda me vejo ali, e em TVP, isso foi confirmado em mais do que uma vida. E sinto realmente alguma dificuldade em compreender como estes assuntos espirituais e psicoterapeuticos podem não apaixonar todo o mundo, pois para mim eles são de uma evidência absolutamente brilhante! A presença do mundo invisível é-me familiar. Imagino como será o caso de pessoas com Sol, Vénus, Júpiter e Úrano nesta casa 8. Adoraria (re)viver essa situação

Só que tem acontecido que nem sempre essas capacidades têm sido utilizadas para servir. Desviados do seu objectivo - usados para fins egoístas e destrutivos criaram um carma muito pesado.

A pessoa deve retomar aqui para purgar esse desvio: feiticeiros, magos negros, falsos sacerdotes, bruxos malignos devem reparar o mal que fizeram. Na sua nova encarnação, essas pessoas, marcadas pela casa 8, têm o gosto pelo segredo, mas conseguem evoluir de forma muito evidente. Os seus parentes queixam-se de que são difíceis de compreender. É realmente curiosa a percepção inconsciente das pessoas que nos cercam: quantas vezes não me chamaram de “bruxo”? Nem mesmo praticava publicamente a astrologia nessa época.

Muitos dessas pessoas podem exercer uma influência oculta sobre os outros, que ainda estão sujeitos a cair nas suas armadilhas se eles abusam desse poder. Um certo número de pessoas beneficia de um grande magnetismo sexual, que assegura o seu sucesso junto às multidões.

Muitas vezes um pesado carma oculta-se por trás do seu mapa; esse carma não pode ser liquidado pela repressão pura e simples dos instintos, nem pela recusa em reconhecê-los. Mas antes pela dedicação total a uma causa desinteressada, na qual a pessoa prestará os serviços que se esperavam dele, outrora. Investindo nisso todas as forças, canalizará os seus talentos para fins construtivos e optimistas.

Esse tipo de pessoa aparece muitas vezes como dilacerado entre um desejo profundo de abnegação, que lhe trará enfim a paz interior esperada há muito tempo - e uma tentação permanente de correr atrás das suas velhas rotinas cármicas (a paixão do poder gerado pelo sexo, o dinheiro, o misticismo desviado de seus caminhos)!

Inúmeros são aqueles que, no momento actual, sucumbem à tentação de fazer o papel de gurus fascistas, aqueles que infantilizam os seus rebanhos para melhor pisar em cima deles. Falsos profetas, contra quem evidentemente é preciso prevenir-se, como da peste.

Como saber? Pois bem, é muito simples: os falsos profetas deixam em nós um sentimento de angústia. Os bons conselheiros, ao contrário, deixam-nos partir com um sentimento de leveza, de alegria de viver, de contacto com a alma.

As pessoas da casa 8 têm naturalmente a faculdade de reencontrar as suas vidas passadas. Estão aptas a compreender que a morte não é mais que uma porta pela qual todos nós passamos centenas de vezes. No entanto, as pessoas da casa 8 são as que têm a coragem de pensar no "pós-vida". Passam a ter menos medo desta do que outros, quando se decidem a fazer o trabalho espiritual necessário. Na verdade, só encontram a paz quando mergulham a fundo nessa pesquisa. Mas aqueles, dentre eles, que se obstinam na sua recusa têm, evidentemente, mais medo da morte do que os outros.

A morte é o seu domínio: se a abordam numa atitude positiva e espiritual, reencontram a serenidade - e também os seus talentos “psi”! Essas pessoas da 8 não podem viver como as demais pessoas, contentando-se em comer, beber, dormir, amar. O modelo de vida materialista que a sociedade de consumo lhes propõe jamais os satisfaz, e são os primeiros a se revoltar. Sabem que há muita coisa além da matéria. Mas como explicar o que sentem? Tenho encontrado muitos casos assim.

Toda a pesquisa das vidas passadas deve, portanto, estudar cuidadosamente a 8, os seus regentes, seus ocupantes, os planetas regentes do signo na ponta dessa casa, etc. Parece que esta casa 8 é a "porta de saída" das almas ao fim de uma vida terrestre. A situação dessa casa no momento da morte daria as indicações sobre a próxima encarnação (e, em particular, designaria o próximo Ascendente).

AS CASAS NO EIXO DAS CASAS DE ÁGUA


A casa 6

Em analogia com o signo de Virgem, esta casa 6 é oposta à 12; ela dá indicações precisas sobre a origem cármica das doenças. Estas são causadas por desequilíbrio mental, espiritual ou emocional que se somatizam no corpo.

Há sempre uma ligação às duas casas, quando menos por polaridade, porque elas estão no mesmo eixo. Se a casa 6 está muito carregada (planetas mal aspectados, retrógrados, nodos, etc.), pode-se concluir daí que faltou à entidade espírito de colaboração numa vida passada.

Segundo a natureza dos planetas, dos signos na casa e das regências, pode-se precisar em quê e como. De qualquer modo, a casa 6 actual oferece sempre os meios positivos e concretos de liquidar a dívida cármica descrita pela 12 (ou, por vezes, é o contrário: a situação da 12 indica um pagamento da 6).

A casa 2

Em analogia com o signo de Touro, mostra como a entidade procura tranquilizar-se pela posse - ou pela privação - dos bens terrestres!

Evidentemente, esta casa 2 tem muito a dizer, sobretudo se está ligada por planetas, regências e aspectos à casa 8, que está em frente a ela. O facto de que os nodos estejam em eixo lembra-nos que toda a casa e todo o signo devem ser interpretados em função daquele que lhe está oposto.

Isto vale tanto para a interpretação "actual" dos mapas, quanto para a sua interpretação cármica. Aquele que tiver acumulado bens terrestres no passado terá desta vez uma casa 2 de despojamento - se tiver abusado desses bens. Se ele tiver, por exemplo, uma casa 8 em Touro indicando esses abusos no passado, uma grande avidez e um grande materialismo, terá uma casa 2 em Escorpião. Esse sinal de despojamento indica as perdas que deverá enfrentar nesta vida, voluntariamente (ou a contra gosto, se o recusar).

Evidentemente, esta é apenas uma ideia geral, e supõe que os planetas presentes nessas duas casas confirmem esta interpretação. O contrário, uma casa 2 em Touro, indica um nativo que optou pela posse: e todas as variedades de motivações podem estar presentes, das piores às melhores.

A palavra bíblica "O trabalhador merece o seu salário" aplica-se de maneira muito exacta a essa casa 2. O salário actual, indicado na casa 2, é a remuneração dos trabalhos de uma vida passada. A noção cármica de "pagar as dívidas" encontra aqui a sua aplicação.

Eis aqui um exemplo que pode causar espanto a alguns: aqueles que ganham nas corridas de cavalos parecem, por vezes, ser herdeiros de uma vida passada onde haviam amado e protegido os cavalos! Em compensação, e de maneira mais geral, aqueles que perdem dinheiro com os animais (corridas, criações, etc.) parecem pagar por vidas passadas onde se haviam mostrado cruéis com eles.

Mas os traficantes de animais exóticos, que actualmente enriquecem com animais capturados, lamentavelmente transportados em caixas demasiado estreitas onde morrem de sede, de fome, de angústia e de sujeira, estão certamente fadados a acumular contra si um terrível carma: irão reencontrar-se arruinados e miseráveis na vida seguinte! De um modo ou de outro irão sofrer o que fizeram padecer as pequenas almas sem defesa do reino animal. Há cada vez mais testemunhos sobre isso!

Os animais estão particularmente ligados às casas 6 (animais domésticos) e 2 (quando eles fazem parte da propriedade ou do rebanho do criador). Estão também ligados aos signos de Virgem e de Touro, de Sagitário quando se trata de cavalos, de Capricórnio quando se trata de caprinos, de Gémeos no caso dos pássaros, etc.

A casa 10 e os trânsitos planetários


Indica o programa de inserção social e profissional escolhido pela entidade antes da sua encarnação. Se não contém nenhum planeta, mas apenas o Nodo Norte, por exemplo, a pessoa estabeleceu o projecto de participar do mundo do trabalho; sai da família após uma vida passada na qual permanecera confinado.

Existe também o caso contrário: um Nodo Sul indicando uma entidade que tem por trás de si uma longa experiência passada que tem como eixo o trabalho profissional - e que agora quer voltar-se para a vida de família. Como essas duas casas são opostas, isso não ocorre sem criar conflitos interiores e familiares.

Por exemplo, mulheres cujo mapa indica um programa de auto-realização pela vida profissional: a sua família e o seu marido não a entendem, persuadidos de que a única e exclusiva vocação da mulher está "no lar".

Embora se tenha sublinhado, mais ou menos em toda parte, na imprensa e na opinião, que o trabalho não era incompatível com uma vida feminina, esta verdade está longe de ser admitida universalmente: muitos pais não pensam em proporcionara às suas filhas uma qualificação que lhes garantiria, no entanto, uma dignidade e meios de vida. Infelizmente, a vida da mulher no lar, função de acolhida indispensável, está muito desvalorizada.

O imenso trabalho e a dedicação que ela exige são, hoje em dia, muito pouco reconhecidos. Certos temas indicam nitidamente que a pessoa fez esta escolha - outros, não. Mas esse não é um problema exclusivamente feminino: muito homens têm uma casa 10 desabitada, ao passo que o acento é colocado na casa 4: embora tenham escolhido uma encarnação masculina, prefeririam permanecer em casa. O rigor do conformismo social os culpabiliza, se fizerem isso. Vão, então, trabalhar fora, mas podem não se sentir felizes!

O Meio-do-Céu

É um ponto importante do mapa, por vezes, tanto quanto o Ascendente. Defini-lo como o início da casa 10 é insuficiente: é, na verdade, um ponto-chave, que focaliza todas as energias da entidade para esta vida. O Meio-do-Céu indica como a pessoa previu sua inserção profissional e social.

Alguns astrólogos dão uma atenção especial ao planeta "mais alto do céu" (que nem sempre coincide com o Zénite, ou Meio-do-Céu). Parece que esse planeta importante e influente, em virtude desse recente trânsito, é indicado de várias maneiras no mapa: em conjunção com o Meio-do-Céu, ou com o Ascendente (na casa 12, depois 11, e depois 10).

O astrólogo deve observar muito atentamente não só os planetas na 1, na 12 e na 11, mas também na 10; e mesmo aqueles que ultrapassaram um pouco o Zénite e que já invadem a casa 9, mas que ainda estão em conjunção com o MC.

Essa questão, ainda bastante misteriosa, dos trânsitos planetários, será, penso eu, esclarecida nos próximos anos. Chegar-se-á a determinar no mapa o planeta de onde chega a entidade, para recomeçar uma nova vida terrestre. Por enquanto, ainda não sou capaz de fazê-lo com toda a certeza. Pode-se conseguir uma tal precisão através de intuição e vidência, que se confirma, em seguida, pelo estudo do mapa.

AS CASAS 3, 5, 7, 9, 11

Todas elas têm também um conteúdo cármico, embora ele seja menos imediatamente visível do que no caso das "casas de água".

A casa 5

Diz respeito aos filhos e aos amores, e indica evidentemente as dívidas cármicas que se acumularam nesse campo: filhos negligenciados, ou amores maltratados. E como somos "filhos das nossas obras", vê-se por essa casa o quanto a nossa vida presente é "filha" das passadas!

E por isso que acontece frequentemente filhos e amores retornarem de uma vida para outra: as mesmas entidades, embora situadas diferentemente no "organograma" familiar! Os mapas de famílias mostram vários casos desse "carmas familiares" onde uma filha se reencontra irmã, e vice-versa; onde os amores de um homem se dirigem para uma antiga esposa, ou para um antigo filho. Daí o apego inexplicável e ilógico que liga dois seres, nutridos de experiências comuns durante séculos, ou mesmo - quem sabe - milénios!

As entidades que se encarnam em nós como filhos podem ter sido já antigos filhos, um cônjuge, um amor, um irmão, ou uma irmã.

E por isso que a casa 3, que é a dos irmãos e irmãs, dos primos e dos condiscípulos, permite decifrar esse tipo de relações cármicas. De uma vida para outra, como já disse

A casa 7, que descreve o cônjuge, dá também algumas explicações cármicas. Por que homens brilhantes e inteligentes, desposam mulheres que não tinham nem a cultura, nem a educação, nem a inteligência deles? Ou o contrário. Os seus contemporâneos julgam severamente esses casamentos, inteiramente "descombinados". Para retomar o termo de uma época antiga, esses "casamentos desiguais" só poderiam ser explicados por uma necessidade cármica. Por que, então, um homem muito brilhante, muito célebre, muito rico, acharia admirável uma pessoa feia, insignificante, ou de muito baixo nível moral? Por que essa atracção entre dois seres separados pela nacionalidade, pela raça, pela religião e pela língua? Porque teceram entre eles, outrora, laços que ainda hoje os aproximam. A casa 7 indica esses laços. Ela está em analogia com o signo do casamento, Balança. Muitas pessoas casam-se essencialmente para liquidar alguma velha dívida oculta no fundo de uma gaveta cármica.

A casa 7 deve ser lida tendo constantemente em vista a casa 1: não só ela indica as virtudes e lições que faltam à pessoa, e para as quais ela se deve orientar - como também as pessoas indicadas na 7 (pelos planetas) são os instrumentos dessa progressão necessária. Por vezes muito dolorosa!

Do mesmo modo, a casa 9 completa a casa 3: esta última descreve o círculo de relações imediatas (actual ou passado) da pessoa; mas a casa 9, a do alhures, indica a via pela qual ele tentava - e continua a tentar - transcender esse imediato - isto é, explicá-lo por uma filosofia, enquadrá-lo numa ética, num ideal que lhe dê um sentido. A casa 9 é reveladora dos ideais que motivaram a entidade nas vidas passadas. Saturno retrógrado mal aspectado na casa 9 pode significar alguém que a sede do poder político devorou numa existência passada, sede que provavelmente motivou a sua actual reencarnação, podendo continuar a motivar todos os seus actos nesta vida.

Se a casa 3 dá informações sobre a instrução, os estudos e o nível intelectual do sujeito (não só para esta vida, mas também para as passadas), a casa 9 mostra o que ele faz desse saber intelectual, dessas faculdades mentais; mostra a serviço de que ideal espiritual e filosófico ele põe essa bagagem mental. A casa 9 está em analogia com o signo de Sagitário.

Os falsos profetas e gurus malfazejos têm frequentemente indicadores cármicos nessas casas 3 e 9: é o caso de Rasputin e de Adolf Hitler. A habilidade deles para fascinar os seus contemporâneos provém de aptidões adquiridas numa vida passada. Infelizmente, o caminho no qual eles decidiram guiar os outros não é mais que o do culto da sua personalidade - disfarçado sob uma ideologia mística progressista.

Para terminar este apanhado das casas, certas pessoas têm mais especialmente um carma amistoso: a sua escolha de destino é reencontrar amigos de outrora. Partindo das bases dessas antigas amizades, deverão aprender algumas lições espirituais: por exemplo, o discernimento, a amizade desinteressada, o espírito de colaboração, o respeito aos direitos dos outros, etc. A casa 11, em analogia com Aquário, indica a aptidão para uma comunicação mais ampla, para uma comunicação à distância, como permite hoje os “media”.

A aptidão para comunicar-se com grupos mais amplos do que a família ou a profissão é, muitas vezes, herança de outras vidas. É possível que civilizações como a dos atlantes e dos primeiros egípcios, que foram herdeiros deles, tenham disposto de meios de comunicação semelhantes ao rádio e à televisão (que pensamos ter inventado!). As pessoas que tiveram, outrora, tais aptidões, que se haviam tomado amplamente conhecidos num grupo humano ou num país, têm uma casa 11 muito habitada. Os planetas retrógrados e os maus aspectos indicam que esta comunicação com grandes grupos humanos fora, no caso deles, pouco satisfatória.

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Astrologia Cármica e as Casas nos mapas - Apontamentos para aula - nº 2

[Texto © António Rosa, 2004, 2007, 2011]

Devido à sua extensão, este artigo foi dividido em 3 partes/posts.
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A CASA 12

A atenção dos astrólogos tem-se fixado nesta casa. Com toda a certeza, é a mais "esotérica" das casas. Parece descrever a mais recente encarnação terrestre, ou pelo menos a mais marcante, das últimas vidas. Talvez não a vida imediatamente anterior, se esta tiver sido muito curta, ou apenas vivida como feto, ou sem rasgos: constatou-se que essas vidas de crianças mortas em idade muito tenra, ou nascidas mortas deixam por vezes poucos traços na memória da entidade, e no seu tema. Digamos que a casa 12 marca certamente a última experiência terrestre significativa.

Entre muitos astrólogos reencarnacionistas estudam-se os temas de mortos que precederam, por exemplo, casos de reencarnação quase imediata na mesma família. É um fenómeno que não é raro. Numa casa 12, o signo na cúspide, ou ponta, os planetas aí localizados, a sua situação celeste, seus aspectos, tudo fornece precisões sobre a vida anterior precedente. Uma casa 12 pode estar vazia de planetas. Mas se olharmos para o regente do signo situado na cúspide dessa casa, as coisas esclarecem-se.

A casa 12 tem o mesmo simbolismo do signo de Peixes. Este é regido por Neptuno, planeta da dissolução. Assim, nesta casa, os planetas indicam um desejo de dissolução dos laços cármicos, dos vínculos que ainda atavam a pessoa a este mundo. O signo é representado por duas pequenas sardinhas atadas, em sentido contrário, por um fio muito curto: não é preciso dizer que no signo - assim como na casa - enfrentam-se entraves de todos os tipos. Se esses entraves são aceites corajosamente, segue-se uma libertação: desemboca-se então no grande fogo irresistível de Carneiro, o grande salto para adiante, que nenhum freio consegue mais suster.

Notem também que a casa 12 é a dos inimigos secretos: os nossos piores e mais secretos inimigos não são os nossos defeitos? Ela é considerada como a prisão ou o hospital do mapa. No plano cármico, é bem um e outro: ali se curam as doenças espirituais e se "purgam" as penas. A casa 12 também diz respeito aos pés, às patas, aos sapatos - tudo o que permite avançar. Pode-se extrapolar no plano cármico e deduzir que essa é a casa que nos permitirá ir ainda mais longe, andar na Lua, ou tomar emprestado um raio de Sol como degrau de uma escada.

Há frequentemente dois, ou mesmo três signos na casa 12. Esses signos múltiplos podem estar relacionados com várias vidas, ou então ainda com a mesma, vista sob duas ou três iluminações diferentes.

Nunca se deve esquecer que a pessoa evolui, por sua liberdade e seu desejo de progresso. É o conhecido livre-arbítrio. Entre o Ascendente na hora do nascimento (portanto a casa 12 natal) e o Ascendente na hora da morte, todo um caminho pode ter sido percorrido ou, ao contrário, uma nova dívida cármica pode ter sido acrescentada às precedentes!

O Ascendente na hora da morte, e a casa 12 anterior marcam a posição e definem a próxima encarnação. Mas alguns atribuem também essa possibilidade à casa 8, que veremos mais adiante. Afinal, conhecemos muito mal as leis certamente precisas - que regem as nossas permanências nos diferentes planos do cosmos.

Os iniciados atlantes, depois os egípcios e os celtas, conheceram-nas, assim como, ainda hoje, certos monges tibetanos, mas tratam-se de conhecimentos de alta iniciação, reservados apenas a alguns sábios.

Nestes tempos em que a Nova Energia desce sob o nosso planeta, muitas dessas informações já estão ao alcance da maioria, mas ainda continua a ser uma incógnita o real funcionamento das leis do universo. Seria preciso poder comparar as casas 12 do nascimento, da morte e do renascimento. Apesar das muitas canalizações existentes sobre a vida nos outros planos, ou vida multidimensional, o certo é que ninguém nos explicou de forma básica, do género: 1 + 1 = x. Todos nós (eu incluído), que escrevemos sobre estas coisas,  apenas supomos como seja o tal funcionamento. Mas efectivamente, não sabemos ao certo. Este é um dos muitos motivos porque em 2005 escolhi «não ser terapeuta» e apenas tentar fazer alguma astrologia. Mas isso é outra conversa.

No tema de qualquer pessoa, a casa 12, sobretudo se está carregada, ocasiona provações específicas, às quais não pode subtrair-se: porque ele mesmo as escolheu, antes de aceitar uma nova encarnação.

Ao tomar conhecimento desse dado, a pessoa muitas vezes o intui de maneira muito nítida: Diz "que é assim, que não há nada a fazer", ou ainda "que o vinho está servido, e é preciso bebê-lo". Sente que deve passar por tudo aquilo. Sabe-se cativo; o que nem sempre sabe (e que os astrólogos poderão dizer-lhe), é que escolheu livremente as provações significadas por esta casa 12. Mas podem libertar-se desse sofrimento. Basta quererem.

Escolheu livremente a sua prisão, com um objectivo de progresso espiritual. Se aceitar essa ideia, a sua dor e a sua angústia poderão ser consideravelmente aliviadas. Em todo caso, tem o poder de se evadir dessa prisão material pela meditação, pela oração e pela imaginação. Pelo livre-arbítrio.

A saída involuntária do corpo físico durante o sono dá uma trégua e um alívio às desgraças terrestres. É também por isso - penso eu -, que a Natureza previu o sono! Quanto às técnicas voluntárias de saída para o astral, também não são "anormais": transe e desdobramento são do conhecimento dos iniciados desde sempre (era mesmo assim que se praticava a anestesia necessária às operações cirurgias no antigo Egipto).

A aptidão para o sonho, para a prece, para a meditação, para a cura pelo pensamento e pela luz e para sair do corpo físico é extremamente desenvolvida nos proprietários de casas 12 densamente habitadas. É certo que todos eles têm infelicidades, mas também, em contrapartida, têm grandes poderes.

Essas pessoas muito marcadas pela casa 12, se tiverem escolhido uma encarnação de expiação e de sacrifício, têm, mais do que ninguém, o coração aberto à compaixão. O espírito dessa casa é o de saber inclinar-se com bondade sobre os sofrimentos dos outros.

Entretanto, se há muitos planetas retrógrados e mal aspectados, eles tendem a fugir do sofrimento: conheceram-no numa vida anterior, fugiram dele, ou aceitaram-no mal. São tentados, então, nesta vida, a fugir novamente dele. Este sofrimento, no entanto, parece necessário à liquidação das suas dívidas, e eles devem enfrentá-lo. Eis porque escolheram provações que desta vez são inevitáveis!

INFLUÊNCIA DA CASA 12 SOBRE O ASCENDENTE

Tenho notado que muitas das pessoas à minha volta, das quais tenho o mapa natal, respondem mais ao signo imediatamente anterior ao do Ascendente, do que ao próprio Ascendente. Evidentemente, pode-se invocar a precessão dos equinócios, que acarreta actualmente uma desfasagem de 23° a 24° para a nossa época. Isto dá, efectivamente, um signo de diferença, e explica que as pessoas de um signo ainda sintam a influência da constelação anterior. Mas o ayanamsa não explica tudo.

Um de meus antigos consulentes, que tem o Ascendente a 25° de Sagitário, portanto perfeitamente no signo (menos 23° do ayanamsa, assim mesmo, dá para ele ainda 2° Sagitário!), tem todas as aparências físicas do tipo precedente, Escorpião: bem pequeno, bem escuro, traços cavados, olhar de laser brilhando com uma luminosidade metálica. Não só a aparência física, mas também, ao que parece, o comportamento também. E então?

Um dos meus amigos, nascido com o Sol em Leão, era o homem mais tímido, mais discreto, mais sentimental e mais passivo que conheci: mais Caranguejo -Caranguejo que outra coisa, e acabou sendo ludibriado por uma Leonina de verdade. Então, por que nasceu Leão?

Afinal, essas diferenças explicam-se na astrologia cármica: o signo que precede o Ascendente (portanto, na casa 12) indica as circunstâncias, os sentimentos, a profissão, o país e os actos, bastante recentes, que marcaram a pessoa na sua vida imediatamente anterior; não é de espantar que lhe fique uma forte impregnação disso tudo na actual encarnação.

Na primeira parte da vida, a pessoa ainda não se desligou bem dos seus hábitos cármicos; por vezes, mesmo, ele não se desliga de modo algum, ou porque não quer, ou porque não sente força para tanto. Funciona durante toda esta vida como na precedente, segundo esquemas hoje obsoletos, que ainda lhe estão colados à pele! Daí essa persistência dos traços de carácter do signo anterior.

O que vale para a casa 12 e para o Ascendente vale também para a casa que precede o Sol. Acontece, em astrologia, quando se ignora a hora do nascimento, tomar o Sol como Ascendente. A casa precedente é, então, a casa 12 "solar". Mas trabalhar assim é tremendamente resvaladiço.

Este sistema dá resultados interessantes, sobretudo quando é empregado em "casas derivadas". Exemplo: para ter uma ideia do pai de um consulente, tomo o Sol como ponto de partida, e conto as casas a partir desse Sol: a 1° indica a personalidade do pai, a 2, a dos seus bens, etc.

Os astrólogos reencarnacionistas têm boas razões para pensar que o Sol, assim como o Ascendente, progride de vida em vida, no sentido dos signos do Zodíaco. Estes últimos são como portas, pelas quais passamos, uma após a outra.

Assim, aqueles que nascem, por exemplo, com o Ascendente Áries / Carneiro (ou o Sol), viveram uma experiência precedente marcada por Peixes. Seriam eles marinheiros, doentes hospitalizados, prisioneiros, místicos?. Em todo caso, completam um ciclo de existências para começar um novo. A sua experiência precedente, ao impor-lhes o sofrimento e o confinamento (seja este devido à doença ou a qualquer outra limitação física ou social), consolidou a sua força interior; eles começam, portanto, esse novo ciclo, em Carneiro, com uma imensa sede de liberdade!

Entretanto, parece que, em muitos casos, essa libertação é apenas progressiva: Quem sabe se esses retardatários devem renascer várias vezes com o mesmo Ascendente (ou com o mesmo signo solar) para liquidar a etapa precedente?

Vocês já notaram, suponho, que um bom número de pessoas com Ascendente (ou o Sol) em Touro, cuja agressividade vem mais de Carneiro. Eu próprio reconheço-me ter vivido nesta categoria uma parte considerável da minha vida e, ainda hoje, tenho situações inesperadas de uma certa intensidade e alguma agressividade no comportamento. Tenho o Ascendente em Touro.

Eis aí, bem evidente, a influência de uma casa 12 (solar) em Carneiro. O Touro, portanto, não elimina logo as influências marcianas que regeram as vidas precedentes.

Poderia também causar espanto encontrar tantos grandes trabalhadores com o Ascendente Gémeos (ou o Sol): mas é que eles conservaram hábitos laboriosos de seu passado taurino. Com bastante frequência são menos “light” do que faz prever a descrição do tipo Gémeos. Também me incluo nesta categoria com o meu Sol em Gémeos, na casa I. Sempre fui um trabalhador compulsivo, além de ter uma grande resistência física, que, com a idade, se está a esbater.

Certamente muitos alunos recordam-se da avalanche de textos e informações enviadas, ao longo dos meses. O que eles não viram foram os dias, semanas e meses em que estive agarrado ao computador a trabalhar, escrevendo esses textos. Isso permitiu-me juntar imenso material, que desembocou na criação do site «Escola de astrologia Nova-Lis», anos depois. Se eu fosse um típico Gémeos, escreveria um apontamento ocasionalmente e seria tudo muito “clean”. Pois não, o que parece funcionar realmente é o signo anterior, que é o de Touro, tendo por outro lado, o meu ascendente também aí. Este próprio texto é um exemplo disso: escolhi trabalhá-lo e com intensidade. Alguém tirará proveito disso. Espero eu!

As pessoas do Ascendente Câncer / Caranguejo (ou o Sol) são muito mercurianas: lêem, escrevem, agitam-se e tagarelam como os Gémeos, quando o seu Mercúrio se espalha numa chuva de gotas brilhantes. Nos meios editoriais, onde trabalho, notei vários Caranguejo e Ascendente Caranguejo que me pareceram muito felizes nesse meio que, no entanto, é tipicamente mercuriano e geminiano.

De um Ascendente Leão (ou o Sol), espera-se uma personalidade que se afirma com vigor. Ora, não é raro encontrar, nessa savana, pessoas bastante menos vigorosas, que preferem demonstrar vigor e assertividade diante das pessoas, para poderem esconder as suas patas de argila. A casa 12 em Caranguejo é, por vezes, de tal maneira influente, que só se vê um ser sensível, emotivo, terno, agarrado com unhas e dentes ao status quo familiar. E não tendo coragem alguma para enfrentar as mutações afectivas que se imporiam.

O Ascendente Virgem (ou o Sol), em compensação, dá pessoas mais seguras, mais autoritárias do que anuncia o signo. Virgem designa simbolicamente o "colaborador dedicado", personagem eficaz, discreto, mas sem muito brilho. Em princípio, os Ascendentes Virgem têm por trás de si um passado anterior no qual abusaram do poder. O que lhes trouxe bastante transtorno! Assim, desconfiam das honras, da glória e de tudo o que chama muito a atenção. Entretanto, mesmo tendo escolhido a humildade para esta encarnação, essas pessoas de Virgem (Sol ou Ascendente) ainda têm bastantes reflexos leoninos. A sua casa 12 indica uma posição social brilhante na vida imediatamente anterior, uma educação aristocrática e refinada, da qual ainda permanecem traços.

O Ascendente (ou o Sol) Libra / Balança muitas vezes dá às pessoas uma juventude tímida; eles têm muito mais dificuldade de se afirmar do que os Virgem ainda leoninos. Foram eles que herdaram inibições virginianas! Muitas vezes o seu sucesso é tardio; precisam de tempo para conseguir livrar-se da lentidão, dos escrúpulos e das tendências críticas de Virgem.

Entre as pessoas do Ascendente Escorpião (ou o Sol), bem poucos encontram o equilíbrio afectivo e conjugal. A casa 12 em Balança permite adivinhar grandes problemas dessa ordem na vida precedente, fazendo com que as pessoas hesitem em dar totalmente o coração. Esses traumatismos ou dívidas antigas prolongam-se hoje, por vezes numa dificuldade ou impossibilidade de ter filhos, no caso das mulheres. E, no caso dos homens, uma infalível insatisfação na vida conjugal. Acontece também destes Ascendentes Escorpião renunciarem às alegrias amorosas, tal o traumatismo que ainda lhes provocam seus dissabores anteriores. Difíceis relações cármicas com a vida amorosa obscurecida por bastantes dívidas cármicas!

Notei também que os homens desse Ascendente Escorpião tinham problemas nas suas relações com o dinheiro. Culpabilizando-se quando a despesa não é perfeitamente justificada, podem ser bastante avaros com o dinheiro e, ao mesmo tempo, lançar-se em enormes e irresponsáveis despesas! É que o dinheiro, ligado a Vénus, símbolo do poder financeiro, e também ligado ao sexo foi, em várias circunstâncias, muito mal utilizado por eles na vida precedente. Outrora muito egoístas, não gastaram esse dinheiro para servir a justiça social. A hesitação em abrir a bolsa é mais sensível nos homens do que nas mulheres. Tudo isso vale também para o Sol em Escorpião: difíceis relações cármicas com o dinheiro, obscurecida por bastantes dívidas cármicas!

As pessoas de Sagitário no Ascendente (ou o Sol) não deveriam apresentar outras características que não satisfação e alegria de viver. Ora, muitas vezes têm problemas de depressão, de humores sombrios, mais escorpiónicos do que sagitarianos. O seu senso crítico, totalmente diferente do entusiasmo jupiteriano, mina na sua fé, na sua confiança na vida e neles mesmos. São, no entanto, atraídos pelo mistério, pelo ocultismo. Mas, em muitos casos, desconfiam dessas coisas, pois tiveram anteriormente experiências muito penosas nesses campos. Adoptam, então, uma posição de racionalismo: não querem mais correr o risco de se entregar de corpo e alma a um mago negro. Os únicos Sagitários de verdade são, em minha opinião, aqueles que têm Júpiter no Ascendente, em conjunção com o Sol.

As pessoas com Ascendente Capricórnio (ou o Sol) surpreendem pelo seu entusiasmo, pela sua audácia conquistadora, o seu espírito de empreendimento. Por vezes, mesmo, o seu amor pela brincadeira franca faz pensar que nos enganamos de Ascendente! Eles têm muito mais de Sagitário do que do austero Saturno, e muitas vezes estão bem longe do Capricórnio típico. Mesma observação para o Sol, que não dá necessariamente nativos austeros e frios. Tendo tido muitas farras em suas vidas anteriores, dissipando-se em aventuras pelo mundo inteiro, as pessoas sentem, é verdade, a necessidade de disciplina rigorosa que caracteriza o Capricórnio. Em certos casos, realmente, eles começam a se organizar desde esta vida. Mas em outros, o gosto pela farra ainda não se extinguiu; a atracção pelas aventuras reaparece, sobretudo na primeira parte da vida.

Em compensação, reencontram-se muito mais traços capricornianos nas pessoas com Ascendente Aquário (ou o Sol nesse signo). Saturno, regente de Capricórnio, ainda está exaltado em Aquário: o que leva, portanto, a várias vidas seguidas, onde o planeta representa um papel preponderante. A falta de calor é surpreendente entre esses nativos: inteligentes, amistosos, são mais generosos racionalmente do que afectivamente. Oferecem uma curiosa mistura de egoísmo gelado e de amizade fiel. A adaptação às técnicas de vanguarda não impede, neles, o apego às mais antigas tradições familiares.

Por fim, as pessoas Ascendente Peixes (ou o Sol) manifestam por vezes um carácter anárquico e revoltado, que vem dos hábitos de Aquário. A esse signo do Ar, que não tem os pés na Terra, assim como aos Peixes, que simplesmente não têm pés, só nos resta desejar um cônjuge que lhe imporá o seu senso prático. A recusa dos limites, que caracteriza ao mesmo tempo Aquário e Peixes, torna-lhes difícil a perseverança em qualquer contrato social. Saturno já era regente do seu período Capricórnio, no ciclo anterior. No entanto, herdaram de Aquário uma grande generosidade nas concepções. Com muita frequência, a sua vida anterior precedente foi marcada por rupturas violentas, revoluções, aventuras movimentadas em nome de ideologias de vanguarda. Assim, muitos deles preferem, desta vez, uma vida mais calma: perderam o gosto dos confrontos violentos.

Nem sempre se muda de Ascendente ou de signo solar, de uma vida para outra: e certos exemplos mostram mesmo que a ordem de sucessão dos Ascendentes de uma vida para a outra não segue necessariamente a ordem dos signos. Pode-se supor que, quando uma entidade não completou o programa que corresponde a um signo, ali se reencarna de novo (parece ser este o caso de pessoas que as datas de reencarnação reconduzem ao mesmo mês, ou ao mesmo dia do mesmo mês. Em suma, "repetimos o ano" das estrelas quando somos reprovados no exame cósmico!

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.Muiro obrigado.

29 de Janeiro de 2011

Astrologia Cármica e as Casas nos mapas - Apontamentos para aula - nº 1

[Texto © António Rosa, 2004, 2007, 2011]

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«Na realidade “o tempo” fora da terceira dimensão não existe, portanto
o que classifica como passado está ocorrendo no eterno agora.»
Astrid Ananbelle
[daqui]

Introdução
A Trajectória Cósmica do Nosso Espírito:
Astrologia Cármica, Reencarnação e Espiritualidade

Haveria muito a dizer sobre a forma circular do mapa astrológico: o círculo é um perfeito símbolo de unidade. O tema é uma mandala, isto é, uma visão do mundo, encerrada num círculo geometricamente dividido, cuja estrutura ajuda à meditação. Assim, o tema torna-se um "suporte de mancia": um objecto que, pela sua forma, permite que a intuição seja libertada. Os videntes de toda a Antiguidade utilizaram o fogo, a fumaça, os seixos jogados ao acaso no solo, etc.

A intuição divinatória costumava ter necessidade de um suporte para se manifestar: não há dúvida de que o mapa astral representa também esse papel; a sua forma redonda, as suas divisões geométricas activam os mecanismos secretos da intuição. A cruz formada pelo horizonte e o meridiano, inscrita nos 360° da circunferência, são os símbolos eternos que falam ao subconsciente de cada um de nós.

A divisão do espaço celeste em quatro quadrantes, cada um com três casas, ou seja, 12, tem ressonâncias numerológicas e simbólicas tão fortes, que todas as religiões do mundo o utilizaram. Mandala é uma palavra indiana, mas a realidade é universal. A estrutura íntima do cosmos está provavelmente baseada nos números 3, 4 e 12. As religiões cristãs falam das "12 tribos de Israel", dos “12 Apóstolos”, dos “4 Evangelistas”, da “Santíssima Trindade”, etc. quatro e três são sete, e se combinam ainda em 9, 12, 45 e tantos números "sagrados" utilizados pela astrologia.

A acrescentar a isto a ideia transmitida pela entidade Kryon, do Serviço Magnético, que diz que a matemática cósmica tem o sistema 12 como suporte universal e não o sistema decimal, como o utilizamos nesta nossa terceira dimensão, aqui na Terra.

A divisão do mapa em 12 casas delimitadas pelos quatro Ângulos do Céu é fundamental.

As casas são campos vitais, nos quais se aplica a nossa energia. Isso é válido não só para esta vida, como também para toda a nossa trajectória cósmica - compreendendo também as nossas vidas precedentes.

Teoricamente, a Terra está no centro do tema. Os detractores da astrologia vêem nisso uma prova de sua falsidade, já que sabemos bem que a Terra não é o centro do nosso sistema solar. A isto pode-se responder que o tema descreve o nosso ponto de vista de terreno. Quando tivermos adquirido “perfeição” e objectividade, quando estivermos livres das cargas terrestres, passaremos para um plano cósmico solar: poderemos ter então um tema "visto do Sol" – o chamado sistema heliocêntrico. Actualmente, aliás, muitos astrólogos utilizam tais temas, já nessa perspectiva espiritual.

O ASCENDENTE


Representa o estado presente da entidade, o "ponto" da sua evolução para esta encarnação. A partir desse local-chave organiza-se todo o horóscopo, esse mapa do céu que a pessoa "assinou" antes de nascer. O Ascendente e a casa 1 exteriorizam a personalidade da pessoa nesta encarnação - mas não necessariamente o seu Ser profundo. Certos espaços dele mesmo podem permanecer secretos, ocultos enquanto dura esta vida. Muito simplesmente porque a entidade decidiu desenvolver uma aptidão, em vez de outra, que está programada para a vida seguinte: não se pode procurar um desenvolvimento em todos os sentidos, ao mesmo tempo!

O crescimento da alma é um longo trabalho que se faz de vida para vida, um detalhe após o outro. Recantos inteiros do nosso ser permanecem adormecidos a cada encarnação. A partir do Ascendente, há quem pense que as casas 2, 3, etc. indicam vidas a vir, ao passo que, regredindo no sentido inverso, as casas 12, 11, 10, etc. significam as vidas precedentes, a começar pela última.

Inúmeros autores pensam que nós encarnamos segundo a ordem dos signos, de modo a aprender sucessivamente as 12 lições cósmicas inscritas no Zodíaco. Esse será, certamente, um dos segredos esotéricos melhor guardados da humanidade. Pensa-se que as pessoas que têm uma casa 12 muito "habitada" por um número importante de planetas, entre os quais Neptuno, já cumpriram todo um ciclo. Seria a sua última encarnação, para esse ciclo.

Mas é provável que percorramos várias vezes o Zodíaco a fim de rematar o que não fora terminado. A roda das casas e dos signos representa a "roda das reencarnações", ou Samsara indiano.

O Ascendente seria então como um dos ponteiros de um relógio sobre um quadrante, indicando a hora da evolução da alma. Em suma, em que ponto ela está, na sua jornada cósmica. (Cf. a Bíblia: "Para mim, um dia é como mil anos", diz o Senhor.) O Ascendente indica onde plantamos a nossa tenda, nessa viagem através do tempo e dos espaços interplanetários. É exactamente uma etapa.

AS CASAS DE ÁGUA

As três casas que correspondem, por analogia, aos três signos da Água: a casa 4, de Câncer/Caranguejo, a casa 8, de Escorpião, a casa 12 de Peixes, parecem estreitamente ligadas às coisas cármicas. Elas contêm uma enorme quantidade de informações sobre as nossas vidas anteriores. Todas as três estão carregadas de um passado que ainda nos marca, sobretudo se são densamente habitadas. Planetas retrógrados, nós, luminárias, recebendo inúmeros aspectos, revelam as suas dimensões cármicas nessas casas.

A casas 12, 8 e 4 trazem os reflexos que adquirimos nas nossas vidas anteriores, reacções emocionais criadas pelos traumatismos e erros de outrora. Devemos livrar-nos desses resíduos afectivos e físicos, desses comportamentos do passado, para nos adaptarmos à nova encarnação. Mas podemos decifrá-los ainda claramente nessas casas. As pessoas com "casas da Água" muito fortes, aliás, têm, em geral, reminiscências bastante fortes das suas vidas anteriores. Frequentemente são muito mediúnicos ou possuem enorme clarividência, e têm um contacto permanente com os planos invisíveis.

Infinitamente sensíveis aos ambientes, essas pessoas perceptivas sabem e sentem coisas que nem sempre têm palavras para exprimir. O tempo, para elas, não está limitado a esta encarnação; não vêem na matéria a simples realidade existente, como tantos dos nossos contemporâneos ocidentais. Não esquecem nada (se a 4 e a 8 estiverem, no seu caso, fortemente habitadas).

Esses "nativos da Água" vivem tempestades angustiantes, furacões internos que têm dificuldade em superar. Aspiram à serenidade, embora se apeguem a comportamentos obsoletos que só fazem acarretar outras tormentas. Isso verifica-se sobretudo quando o Sol e Lua se hospedam nessas casas.

Os psicólogos materialistas ocidentais - esses consertadores da alma - muitas vezes fracassam ao tratar essas pessoas, uma vez que as motivações destes têm raízes num nível cármico muito profundo - nas paixões violentas das suas vidas anteriores.

Evidentemente, os que cercam essas pessoas jamais compreendem por que eles reagem tão fortemente a tão pequeninas coisas. Um encontro aparentemente banal uma canção, uma paisagem, lançam-nos num estado de profunda perturbação, desencadeando as ressonâncias profundas da memória cármica.

A pessoa assim hospedada no fundo das grutas marinhas da casa 4 (ou 8, ou 12), não é feliz: aspira profundamente a se libertar de um fardo cármico de obsessões muito antigas. Os medos, os fantasmas, os espectros dos quais gostaria de se livrar estão inscritos nessas três casas.

Mas para limpar dos seus armários todos os fantasmas que ali foram encerrados, é preciso coragem: afrontar lúcida e bravamente todos esses fantasmas que apodrecem na memória.

Enquanto a pessoa se recusar a abrir o armário para dar a vassourada, permanecerá prisioneira desses laços emocionais passados que a estrangulam. E isto pode ser feito, actualmente, com o processo de terapia de vidas passadas. Uma parte da sua energia está paralisada. O primeiro passo para a libertação começa no dia em que a pessoa admite a possibilidade de ter dívidas para consigo mesmo. E talvez mesmo para com os outros!

Se se empenha nessa via de auto conhecimento, esses traumatismos tornarão a emergir à superfície consciente, criando um choque. A pessoa reviverá, para melhor exorcizá-las, as suas lembranças dolorosas e as suas fraquezas. Pouco a pouco, a força destas diminui, o seu peso alivia, libertando a energia vital do sujeito. Quase todos os grandes místicos descrevem esta experiência, embora sob formas muito diversas, segundo as regiões e as culturas. Toda a psicoterapia deveria, portanto:

1. Admitir o peso das vidas anteriores.

2. Avaliar esse peso e as suas consequências sobre o "aqui e agora".

Clicar para aceder: Parte 1 (é este texto) - Parte 2 - Parte 3

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27 de Janeiro de 2011

ASTROLOGIA E REENCARNAÇÃO - apontamentos para uma aula [2007]



ASTROLOGIA E REENCARNAÇÃO

Por Dorothée Koechlin de Bizemont
Extraído do seu livro “Astrologia Cármica”
Transcrições, excertos e sublinhados de António Rosa

Obs: Para ser estudado e analisado coma muita atenção pelos leitores.
Eu sei que a maioria dos actuais leitores não têm tempo para ler textos longos,

mas será que queremos realmente aprofundar alguma coisa?
Ou apenas umas frases lindinhas no Facebook?

Os astrólogos actuais podem repartir-se em duas tendências: os racionalistas e os espiritualistas. Os primeiros praticam a astrologia como um meio de conhecimento imediato dos homens. Empoleirada nas técnicas de investigação psicológica do século XIX e XX (psicanálise etc.), essa astrologia recusa as dimensões espirituais esotéricas. E, em suma, a irmã gémea da "medicina de consertos" ocidental, que só conhece o corpo material. Recusando a existência do corpo esotérico e do corpo astral, essa medicina só vê no homem um conjunto de reacções psicoquímicas. Como a medicina derivada das teorias de Pasteur, a astrologia racionalista ignora a finalidade cósmica do homem.

Para os astrólogos da segunda tendência, os espiritualistas, o estudo do tema individual não só descreve o corpo doente, a mente desequilibrada, ou a vida emocional perturbada, como também, mais ainda, esse tema astrológico pode responder às questões fundamentais que o indivíduo se coloca: "Quem sou eu? Para que serve a minha existência? Aonde irei depois de minha morte? De onde vim?"

O astrólogo espiritualista recoloca o homem numa estrutura de espaço e de tempo que esclarece sua finalidade. A astrologia espiritualista ou esotérica é naturalmente reencarnacionista. Seu nível de explicação é muito mais amplo. O tema actual representa apenas uma encarnação, a mais recente, que é a resultante das precedentes... O tema (em particular no momento da morte) chega a dar indicações sobre a próxima encarnação!

Efectivamente, um tema analisado nessa perspectiva "cármica" explica luminosamente os gostos, o temperamento, os defeitos e as qualidades do nativo. Descemos aí a um nível de investigação muito mais profundo do que a psicanálise, já que essa astrologia espiritual reconhece a marca das experiências anteriores sobre o comportamento actual do sujeito. Os traumatismos das vidas anteriores podem ser lidos num tema se o astrólogo é suficientemente competente, e se as faculdades de juízo são suficientemente refinadas.

Sem ser ela uma religião, a astrologia espiritualista é uma espécie de revelação sobre a organização divina do Cosmos. Assim como a "religião" tem algo a ver com "ligar", a astrologia espiritualista nos liga ao "projecto divino". "No começo, Deus criou o céu e a terra"- diz o Génesis. E Deus diz: "Que haja luminárias no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que elas sirvam de sinais, tanto para as festas como para os dias e as estações." O estudo dessas luminárias devia ser uma forma de meditação transcendental. Assim praticada, a astrologia desemboca num deslumbramento, enlightment, como dizem os americanos (traduzindo assim a noção de iluminação, cara aos budistas). A astrologia, a cabala, a numerologia, a alquimia, o I Ching, etc. são os arcanos do conhecimento superior.

Esta era também a maneira de pensar dos grandes mestres da Antiguidade. Aí está por que reencarnação e astrologia nunca se opuseram nas civilizações antigas. Caminhavam lado a lado, com toda a naturalidade, como dois tipos de pesquisas paralelas conduzidas simultaneamente pelos sacerdotes e pelos iniciados. Terão eles, entretanto, feito a síntese entre as duas?

No Oriente, sim. No Ocidente é menos nítido. Um enorme número de tradições esotéricas ocidentais, que se transmitiam de boca em boca, perderam-se. Foi o caso do ensinamento dos druidas, por exemplo que, na Gália e na Grã-Bretanha, bem parecem ter coordenado astrologia e reencarnação, como testemunha César.

Um pouco de história

CALDEUS, GREGOS E ROMANOS

Os caldeus, observadores pacientes e apaixonados do céu, criaram a astrologia ocidental. Seus assombrosos conhecimentos astronómicos haviam feito com que descobrissem os planetas, até Saturno, inclusive. Já haviam medido suas revoluções - sideral e sinódica, com uma margem de erro muito pequena, e podiam prever com antecedência sua posição. Eram particularmente bem informados sobre as diferentes fases da Lua, e previam com precisão a volta dos eclipses. Foram eles que, tendo traçado os limites da eclíptica, haviam-na dividido em 12 porções, que se tornaram os "signos do Zodíaco". E como haviam compreendido que certas posições astronómicas pareciam ocasionar de novo os mesmos movimentos (os mesmos traços de carácter), tinham desenvolvido a interpretação simbólica daquelas posições astrais - ou seja, a nossa astrologia.

Mas teriam eles associado esta última à reencarnação? Numa palavra, seriam eles capazes de reencontrar as vidas anteriores através da leitura de um tema? Não se sabe exactamente.

Mestres consumados na arte de prever o futuro, interessar-se-iam pelo passado anterior? Os caldeus não eram certamente, assim como nós hoje em dia, estranhos à noção de reencarnação: Zoroastro parece ter sido herdeiro de uma velha tradição local. E altamente provável que certos sacerdotes-astrólogos iniciados utilizassem a astrologia para conhecer a evolução cármica das almas. Mas nenhum texto ou documento chegou até nós, actualmente.

Os babilónios, que vieram depois dos caldeus, retomaram e desenvolveram amplamente sua ciência, tanto em astronomia-astrologia, quanto em esoterismo. Transmitiram-na aos gregos, de quem a herdamos. Pensa-se que os egípcios não ignoravam de modo algum a astrologia reencarnacionista. Mas seus conhecimentos nesse assunto permanecem tão misteriosos quanto a Esfinge e a Grande Pirâmide...

Quanto aos gregos, um grande número deles, como vimos, acreditavam na transmigração das almas. Mas os filósofos do período clássico que a mencionaram não a ligaram à astrologia caldéia (que só foi vulgarizada tardiamente entre os gregos, no século III antes de Cristo).

Entretanto, Alexandre trouxera brâmanes da sua expedição à índia, intensificando assim os intercâmbios religiosos com o mundo grego. As tradições caldeia e egípcia, assim como a mitologia grega e a influência indiana irão misturar-se para dar aqueles "mistérios" iniciáticos, tão em voga no início da era cristã, mas não parecem ter convergido para criar uma verdadeira escola de astrologia reencarnacionista. Ninguém, no Ocidente, parece ter-se preocupado em coordenar astrologia e reencarnação.

Ninguém, salvo, talvez, os druidas. Mas estes logo vão desaparecer, sem deixar seus ensinamentos. A consciência das vidas anteriores apaga-se pouco a pouco na Europa, a partir do século VII. A astrologia, em compensação, permanece oficial ainda durante mil anos. Mas ninguém lhe pede que seja "reencamacionista". O Ocidente esqueceu tudo...

Nos séculos XVIII e XIX, grande buraco negro: a astrologia, por sua vez, cai num descrédito total. Raros esotéricos, rosacrucianos, alquimistas e cabalistas conseguiram, no entanto, manter viva a chama, por vezes à custa de suas vidas. Eles estarão na origem de um renascimento que só se ampliará no século seguinte. Na Alemanha, Goethe, no entanto, mostrar-se-á convencido da realidade da reencarnação, e se apaixonará pela astrologia. Não estabelecerá, no entanto, a ligação entre as duas.

Enfim, na segunda metade do século XIX, e no início do século XX, irão levantar-se alguns grandes espíritos que se voltarão para as fontes indianas e tibetanas: no Oriente não se rejeitou a reencarnação, nem a astrologia. Melhor ainda, integrou-se uma à outra, com toda a naturalidade! Corajosamente, pioneiros europeus e americanos reintroduzem no Ocidente esses dois espantalhos, "ilusões diabólicas", "especulações perigosas", nascidas de uma "mentalidade pré-científica".

Como me dizia recentemente uma velha senhora: "A reencarnação? Minha filha, é muito perigoso mexer com essas coisas! Não se meta nisso de jeito nenhum. Todos os meus conhecidos que caíram nessa história tiveram os piores aborrecimentos!"

A ASTROLOGIA INDIANA E TIBETANA

Ao leste do Éden, a Árvore do Conhecimento nem sempre foi sufocada. Nas índias, no Tibete, e em outros países do Extremo-Oriente, a reencarnação faz parte da vida quotidiana, assim como também a astrologia. Os astrólogos indianos, quando estudam um tema, têm sempre presente no espírito a "roda das reencarnações". Estimam que têm sob os olhos o "momento" da corrida milenar de uma alma. Nas Índias e no Tibete, não se cogita de empreender uma ascese espiritual sem procurar conhecer os erros das vidas precedentes. Essa busca é feita sob a orientação de um mestre, guru, swami, sishi... que guia o adepto no caminho muitas vezes difícil desse conhecimento.

A astrologia está muito naturalmente integrada nesta busca espiritual. Os astrólogos indianos não trabalham apenas na "análise lógica do tema" - utilizam sem qualquer reticência sua mediunidade para ler ali as vidas anteriores. Assim, o astrólogo indiano é, por princípio, um iniciado e um sábio. Sua função é religiosa.

Sem entrar nos detalhes que veremos mais amplamente na sequência dos capítulos deste livro, apresentaremos a seguir, em termos muito gerais, as configurações pelas quais os astrólogos indianos determinam as vidas anteriores (e futuras) de um nativo. Consideram eles, essencialmente:

O NIDÂNAS

Os "signos do Zodíaco" na astrologia indiana não correspondem exactamente aos nossos, por causa da defasagem entre signos e constelações, devida à precessão dos equinócios. Entretanto, o Zodíaco indiano admite, como o nosso, uma divisão do ano em 12 partes que correspondem às 12 constelações da eclíptica. Cada uma dessas constelações é como uma "porta", por onde entra a alma que se encarna de novo. Cada porta ou "nidâna" corresponde ao desejo, à paixão dominante, que impeliu a alma a se encarnar. Existe uma correspondência simbólica entre os 12 nidânas e os signos do Zodíaco.

Estes últimos são representados num círculo, o Bhava Chakra, ilustração gráfica da roda das transmigrações, e oferecidos sob esta forma à meditação dos fiéis.

0 primeiro nidâna é representado com os traços de uma velha cega, e simboliza a ignorância, a vontade inconsciente que leva a alma a se reencamar. Seu simbolismo lembra o de Áries, ser de desejo, movido por impulsos muitas vezes cegos.

O segundo nidâna é representado por um oleiro modelando a argila. Símbolo do apego às formas da vida física, está muito próximo de Touro.

O terceiro nidâna é representado por um macaco trepando lepidamente numa árvore. Ele simboliza o desejo de conhecimento e uma certa instabilidade, que evocam bem os Gémeos.

O quarto nidâna é representado por uma barca contendo ora apenas um homem, ora uma família. Simboliza o desejo de existir por si mesmo, de ser autónomo. Esse desejo, no Ocidente, nasce no nível de Câncer (que evoca também o Oceano primordial, como a barca).

O quinto nidâna é representado por uma casa vazia, ou por uma máscara humana: simboliza o desejo de exteriorizar o poder dos sentidos, e também a ambição (o que corresponde bem ao Leão).

O sexto nidâna é representado por um casal de esposos, ou por um trabalhador atrás do seu arado. Simboliza o desejo de realização concreta, a fecundação. Corresponde à nossa Virgem (representada no Ocidente com uma espiga de trigo na mão).

O sétimo nidâna é representado por uma figura humana cujo olho foi varado por uma flecha. Simboliza o desejo de ternura e de prazer, as ilusões do coração que terminam na dor. Corresponde a Libra.

O oitavo nidâna é representado por um homem que se embriaga, e por uma mulher segurando uma garrafa de vinho. Simboliza a sede insaciável de gozo, que acorrenta o homem à roda das reencarnações, e corresponde ao Escorpião.

O nono nidâna é representado por um homem colhendo frutos, que coloca num cesto. É o desejo dos bens materiais, o apego às gratificações deste mundo, análogo ao simbolismo de Sagitário.

O décimo nidâna é representado por uma mulher grávida. Ela representa a plenitude da existência material, e a sujeição aos trabalhos terrestres. Este nidâna corresponde a Capricórnio.

O décimo primeiro nidâna é representado por uma criança nascendo. Simboliza o desprendimento que foi adquirido e que dá ao ser o desejo de renascer uma última vez para liquidar todo o seu carma. Essa motivação espiritual corresponde a Aquário.

O décimo segundo nidâna é representado por um cadáver em seu cortejo funerário. Simboliza a dissolução (muito neptuniana) de todos os laços terrestres que aprisionavam o ser. Corresponde a Peixes.

Decanatos, graus e outras subdivisões do Zodíaco


Cada signo do Zodíaco - tanto na índia como no Ocidente estende-se, então, por 30° do céu. Um decanato - um terço de um signo - contém 10º.

Os astrólogos indianos dão muita atenção às subdivisões do Zodíaco; os decanatos permitem, segundo eles, um conhecimento das vidas anteriores; os dwads e os navamsas, subdivisões do decanato e do signo, indicariam mais o desenvolvimento futuro da Entidade.

Cada grau do círculo celeste indica também alguma coisa do carma do nativo. Não desenvolverei aqui esses tópicos - apesar de interessantes - por falta de espaço!

O Ascendente

É examinado com o maior cuidado. O signo que se encontra situado na XII casa, logo acima do horizonte, é considerado como o signo ascendente da vida precedente. Exemplo: um nativo nascido com o Ascendente Libra tinha o Ascendente Virgem na encarnação precedente; não deve, portanto, causar espanto que ele ainda apresente características de Virgem, sobretudo no início desta vida. A alma percorre, assim, o Zodíaco, experimentando em cada encarnação as possibilidades dos signos, segundo sua progressão.

Os seis mundos

Não se pode compreender a astrologia indiana esquecendo os seis mundos começando por baixo:

- O mundo infernal, que corresponde ao plano de Saturno

- O mundo dos espíritos famintos, que corresponde ao plano da Lua

- O mundo animal, que corresponde ao plano de Vénus

- O mundo humano, que corresponde ao plano de Mercúrio

- O mundo dos Titãs, ou Heróis, ou deuses ciumentos, que corresponde ao plano de Marte.

- O mundo dos deuses, mundo da felicidade e da luz, o mais alto de todos, que corresponde ao plano de Júpiter

O acesso a esses três últimos mundos se faz por um bom carma, ao passo que, ao contrário, um carma pesado obriga a entidade a se reencarnar em um dos três mundos inferiores, onde reina a infelicidade.

As almas passam de um a outro mundo, segundo seus méritos. A astrologia permite ver de que mundo vem o recém-nascido e, ao morrer, em que mundo o indivíduo se reencarnará. O Sol, energia luminosa, forma do Buda, indica, por sua posição no signo e no decanato, como se disse acima, de que mundo vem o nativo.

Resumi muito grosseiramente o ponto de vista da astrologia indiana: os especialistas que me perdoem essa simplificação.

OS PIONEIROS OCIDENTAIS

Os primeiros pioneiros ocidentais da astrologia reencarnacionista foram buscá-la nas índias. Teósofos, antropóssofos, rosacrucianos não ignoram as fontes indianas.

Depois da geração dos pioneiros, outros astrólogos desenvolveram a astrologia esotérica, apoiando-se mais na inspiração mediúnica do que nos textos indianos (Alice Fowler, Irys Vorel, Donald Yott, Charles Vouga). Mas é notável que haja uma convergência entre a inspiração desses pesquisadores e as tradições indianas.

O caso limite é o de Edgar Cayce, que nunca pôs os pés num ashram, nem estudou astrologia indiana, e nem mesmo qualquer tradição reencarnacionista, e que, por sua simples inspiração mediúnica, reencontra valores que a India conservara e que a nossa astrologia esquecera. Aliás, foi a propósito do tema astrológico de seu amigo Lammers que Cayce mencionou pela primeira vez esta evidência que é a reencarnação. Para seu próprio espanto, ele declarou, sob sono hipnótico: "Outrora, ele (Lammers) foi monge." Foi preciso, depois, que Cayce, assim como os astrólogos ocidentais, percorresse um caminho muito longo para chegar à astrologia reencarnacionista aqui apresentada.

EDGAR CAYCE CONFIRMA A REALIDADE DAS PERMANÊNCIAS PLANETÁRIAS

As leituras caycianas, evidentemente, contêm um imenso número de comentários astrológico-reencarnacionistas.

Essas referências são totalmente surpreendentes para um astrólogo ocidental "clássico". Entretanto, pôde-se verificar cem vezes a justeza das previsões de Cayce, e também o quanto seus diagnósticos, tanto físicos quanto psíquicos, se mostraram exactos. Pode-se, então, pensar que sua visão astrológica corresponde a uma realidade. A astrologia actual está, aliás, em plena evolução. O materialismo do século XIX lhe cortara as asas: o século XXI provavelmente dará razão a Cayce. Aqueles, dentre os meus leitores, a quem essa questão interessa, podem reportar-se ao excelente livro de Margareth H. Gammon: Astrology and the Edgar Cayce readings, publicado pela ARE (Edgar Cayce Foundation, 1967 e 1973).

A maioria das 2.500 leituras de vidas apresentadas por Cayce entre 1923 e 1945 evocam a reencarnação. Segundo ele, as Entidades permanecem em diferentes épocas no plano terrestre - é o que chamamos de encarnações sucessivas - mas também permanecem em outros planos planetários, entre duas vidas terrestres. Edgar Cayce está longe de ser o único a ter falado nisso. Allan Kardec faz alusão ao assunto: "A medida que os Espíritos se depuram, encarnam-se em mundos cada vez mais perfeitos" (O Livro dos Espíritos, Editorial Angelorum-Novalis).

As Lettres de Christopher, de Rose-Marie Tristam, também falam nisso. Christopher, morto aos 17 anos no naufrágio de um navio torpedeado durante a Segunda Guerra Mundial, retorna depois de morto, regularmente, para falar com sua mãe. Conta-lhe suas actividades nos outros mundos: "Depois de deixar Sirius, visitamos vários satélites em tomo daquele grande centro de luz...". Conta também as expedições a Marte, a Júpiter, a Orion... É bem possível que, depois da morte, os humanos possam realizar com muita facilidade viagens interplanetárias, ou mesmo interestelares!

Albert Pauchard, em seu L'Autre Monde, fala também do "raio de Neptuno", que ilumina "o último contingente de um ciclo solar" - isto é, os que vão nascer entre 20 de Fevereiro e 20 de Março, em Peixes.

Nos Estados Unidos, o famosíssimo médium Arthur Ford falara de suas viagens em "projecção astral" (isto é, saída do corpo físico ou "desdobramento") a outros planetas. Contou mesmo que visitou Arcturus.

Voltando a Cayce, ele diz que as Entidades permanecem em outros planos planetários (ou estelares); ele chama essas permanências de "sojourns". Qual será a finalidade disso? Segundo ele, o plano divino de desenvolvimento das almas humanas prevê para elas uma série de experiências planetárias, para ampliar o campo de seus conhecimentos. Os reencarnacionistas em geral, tanto do Oriente como do Ocidente, estão de acordo: o campo terrestre é demasiado limitado. Devendo a alma chegar ao perfeito conhecimento (já que "nós somos deuses", como diz Paulo), precisa passar por uma grande diversidade de experiências cósmicas. Isso é necessário para a aprendizagem do estado divino!

Segundo Cayce, esses "sojourns" em planos de consciência diferentes são descritos no tema individual pelos planetas, que simbolizam diferentes planos de energia cósmica. Podemos, portanto, ler no nosso tema as experiências planetárias precedentes. Essas vilegiaturas em outros mundos desenvolvem nossas faculdades mentais. Nossas ideias, nossas intuições, nossos conhecimentos inatos, em suma, nossas aptidões intelectuais e imaginativas seriam directamente provenientes das experiências planetárias e siderais. Esses "estágios de formação" em diferentes "lugares" do sistema solar nos dariam nosso dinamismo mental, ao passo que nossa vida emocional seria antes o fruto de nossas encarnações terrestres.

Cayce diz frequentemente: "Tal Entidade chega de Saturno" (ou de Mercúrio, ou de Vénus etc.). Em inglês, entered from Saturn (esta alma alçou voo em Saturno).

Essas viagens interplanetárias que asseguram a "formação contínua" das almas não se limitam ao sistema solar; Cayce faz inúmeras alusões a estrelas como Arcturus (que parece um elevadíssimo lugar espiritual), Sirius, as Plêiades, Rigel, Bellatrix, Betelgeuse, a Polar ou constelações extra zodiacais, como a Grande Ursa, Orion, etc.

Sabe-se que os astrólogos da Antiguidade, e depois os astrónomos árabes, atribuíram uma grande influência às "estrelas fixas". Distinguiam perfeitamente estas últimas das "estrelas errantes", que são os planetas. A astrologia ocidental desconhece - ou simplesmente ignora - essas estrelas fixas, com raras excepções, como Vivian Robson ou Volguine; ou como a astrologia rosacruciana, que sublinha a importância de certas estrelas como Alcione, as Plêiades (constelação de Touro), as Aselli ou Anons (constelação de Câncer), Antares (constelação de Escorpião).

Alice Bailey, outra astróloga reencarnacionista, fala também da influência de Betelgeuse, da Grande Ursa, de Sirius. É óbvio que os astrólogos indianos também não ignoram as estrelas fixas, e sabem que elas encerram grandes mistérios.

Enfim, se Cayce insiste nas permanências planetárias e estrelares detém-se muito pouco nos aspectos entre os planetas, e nos signos do Zodíaco. É que o valor destes, na nossa astrologia ocidental, é alterado pela precessão dos equinócios, de que é imprescindível falar aqui.


UM PONTO IMPORTANTE: OS SIGNOS DO ZODÍACO E A PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS

[Este texto sobre a precessão dos equinócios, à excepção dos restantes é da autoria de António Rosa. Ver aqui.]

Nas páginas que se seguem , trataremos dos planetas nos signos do Zodíaco. Ora, impõe-se um acerto: o astrólogo sério, reencarnacionista ou não, deve levar em consideração a precessão dos equinócios.

O grande público, muitas vezes mal informado sobre a astrologia, pensa que esta se resume aos signos do Zodíaco. "Ah, você é Touro? Como eu gosto desses bichos!" O estudante pôde se dar conta de que os signos do Zodíaco eram apenas uma das "chaves" da astrologia. Os planetas são tão ou mais importantes do que eles! Alguns astrólogos não vêem os signos do Zodíaco senão como um jogo de filtros coloridos: cada planeta nos envia suas vibrações através do filtro do signo zodiacal que as colore.

Por vezes, espantamo-nos: certos nativos só têm poucas características descritas pelos signos... em compensação, comportam-se mais como o signo precedente. Muita gente, ainda assim, espantou-se com o facto de Hitler ter nascido com o sol em Touro - signo pacífico por excelência! Teria sido bem mais lógico que seu Sol estivesse em Áries, signo da guerra, sob a regência de Marte. Ora, é esse o caso... se levarmos em consideração a precessão dos equinócios!

Assim também Luís XIV, que escolhera como símbolo o Sol e se comportou como um verdadeiro Leão, evidentemente não nasceu com o Sol em Virgem - signo do perfeito subordinado! (5 de Setembro de 1638).

Assim o Zodíaco no qual trabalhamos está alterado. Actualmente, as constelações não coincidem mais com os signos do mesmo nome.

Lembro que os astrónomos reagruparam as estrelas fixas em 89 constelações. Esses grupos, evidentemente, são arbitrários. Mas não se podia deixar de rotular o céu, para poder se orientar nele! Ora, o Sol não dá cambalhotas ao acaso nessas 89 constelações: limita-se, comportadamente, às 12 que percorre todo ano, e que constituem, para ele, uma espécie de auto-estrada celeste. A essas constelações os Antigos haviam dado nomes de animais: ignora-se completamente porque... Mas não se deve pensar que fosse pura fantasia: os astrónomos astrólogos da Caldéia possuíam profundos conhecimentos esotéricos sobre o reino animal.

Em suma, o início do ano zodiacal, o "ponto vernal", ou "grau 0 de Áries", deve coincidir com o primeiro dos 12 sectores - ou signos -repartidos no céu no caminho anual do Sol (é a auto-estrada celeste que chamamos de Zodíaco). Esses 12 sectores do céu, de 300 (30x 12 = 360), são baptizados de acordo com os nomes das constelações que devem enquadrar.

Ora, em virtude da percepção dos equinócios, o Sol hoje em dia não nasce mais, no dia 21 de Março, na constelação de Áries. Em 228 depois de Cristo, era assim: o Sol nasceu bravamente, como lhe haviam mandado ao mesmo tempo em Áries-signo do Zodíaco e em Áries-constelação. Depois, pouco a pouco, começou a nascer no fim do signo de Peixes. Os astrólogos, como Ptolomeu, não prestaram mesmo muita atenção nisso: era uma aproximação… O mal é que, hoje em dia, a "aproximação" tornou-se "bem pouco próxima"!

O eixo da Terra gira lentamente sobre si mesmo em 26.000 anos: e é esse fenómeno, chamado "precessão dos equinócios", que faz com que o Sol nasça, todo dia 21 de Março, um pouco mais atrás nos signos.

Em virtude dessa progressiva defasagem, os 12 sectores de 300 repartidos no céu não coincidem mais com as constelações que lhes haviam dado o nome. A defasagem é mesmo tão importante que atinge hoje em dia (em 1983) cerca de 24°.

Os astrólogos indianos conhecem perfeitamente essa defasagem, que chamam de ayanamsa, e que levam em consideração na interpretação dos horóscopos.

Assim, um nativo de 1983, com o Sol a 5° de Escorpião estaria, para os astrólogos de 20 séculos atrás (assim como para os astrólogos indianos actuais) com o Sol a 110 de Libra. Não será de estranhar, então, que em sua juventude ele apresente tantos traços de carácter de Libra.

Essa defasagem progressiva irá levar pouco a pouco o Sol a nascer, em 21 de Março, na constelação de Aquário (mas sempre no signo, isto é, no sector de Áries). Desde o ano 228 da era cristã até agora, o Sol nascera na constelação de Peixes. Irá deixá-la por voltado ano 2 377, para entrar na de Aquário.

Portanto, os astrólogos verdadeiramente honestos, verdadeiramente preocupados com a verdade, deveriam levar em consideração a defasagem ayanamsa em suas interpretações. Uma Lua natal a 6° de Touro, por exemplo, é, no dia do nascimento, o que há de mais Áries!

Cada vez que eu mencionar um planeta (ou um nó) num signo, entenda-se que se trata do signo real, depois de feita a correcção pelo ayanamsa.

Dito isto, a "progressão" dos planetas os faz evoluir através do Zodíaco. Assim, a criança que nasce actualmente com o Sol a 5° de Sagitário, nasceu na verdade em Escorpião - e manifestará as características deste. Entretanto, por progressão de um grau por ano, o Sol, aos 25 anos, entrará no 1ºgrau de Capricórnio. Se subtrairmos o ayanamsa de 24°, esse Sol estará na verdade a 6° da constelação de Sagitário. E então que esse jovem terá um comportamento sagitariano.

Na prática corrente, seria preciso considerar os dois signos, antes e depois da subtracção do ayanamsa.

Os astrólogos da Pérsia antiga, os caldeus e os babilónios levavam em conta esse fenómeno e corrigiam seus horóscopos a partir disso. Mas os egípcios, depois os astrólogos do Baixo Império romano, seus sucessores na Idade Média e depois os modernos esqueceram o ayanamsa, que não pára de crescer de século para século.

Para concluir, a astrologia ocidental comum, actualmente, trabalha sobre bases em parte falsas, a menos que leve em consideração o ayanamsa - cuja tabela para o século XX é apresentada abaixo:

Exemplo muito significativo: o tema de Hitler

Para o seu nascimento, em 20 de Abril de 1889, às 18h21 min., em Braunau am Inn, na Áustria, o Zodíaco habitual dá 0" 48 Touro. Corrigindo a posição do Sol, pela subtracção do ayanamsa, encontramo-lo no início de Áries, a = 7º 48”, o que dá a esse signo de guerra e de fogo toda a sua força.

E A LIBERDADE, O QUE SE FAZ DELA?

A Tradição afirma, desde sempre: Astra inclinant, sed non cogunt, isto é: "Os astros indicam, mas não obrigam." Assim, segundo Tomás de Aquino: “Tudo o que existe na superfície deste mundo sublunar está sujeito à influência dos astros - mas o sábio domina os astros."

Cayce está inteiramente de acordo com essa óptica. Eis o que ele diz, textualmente: "A mais forte influência exercida sobre o destino do homem é, em primeiro lugar, a do Sol, depois a dos planetas mais próximos da Terra, ou então dos que são ascendentes na hora do nascimento. Mas é preciso entender aqui que nenhuma acção, de qualquer planeta, nem as fases do Sol, da Lua ou de qualquer corpo celeste é mais forte do que a vontade do homem."

É, portanto, claro: o sábio domina os astros.

Nenhum astrólogo sério, seja oriental, indiano ou chinês, pensa realmente que sejamos totalmente determinados pelos astros, como se fôssemos fantoches manobrados por alguém.

Só as pessoas que têm noções muito superficiais de astrologia ainda imaginam que ela seja determinista, e que nosso destino estaria organizado de antemão nos seus mínimos detalhes. A "roda das reencarnações", o samsara dos astrólogos budistas, não é uma fatalidade: os textos sagrados indianos afirmam que é preciso sair dela, para isso utilizando nossa liberdade!

Tomás de Aquino manifestou-se a respeito, de modo magistral, em sua Suma teológica (questão 96, "Da Adivinhação pelos astros"): "Quando um médico - diz ele -, à cabeceira de um doente, faz um diagnóstico a partir de determinados sintomas, e depois faz um prognóstico sobre a evolução da doença, diz-se por acaso que ele faz profecias? É evidente que não! Ele apenas exerce sua profissão de médico.

Assim também o astrólogo: ao ver tal ou tal configuração no céu, deduz dela tal ou tal previsão." Tanto o médico como o astrólogo deixam, em seu "prognóstico", uma grande margem para a liberdade do doente (ou nativo). Este último pode, por sua atitude mental, fazer fracassar os prognósticos do médico (ou do astrólogo). Sabe-se de tantos doentes que se deixam morrer, e de tantos outros que ressuscitam pela força de vontade!

Toda astrologia que negue a liberdade seria totalmente débil. Todo aquele que pretende abusar do seu poder em nome dos astros, aterrorizando o seu consulente, sacudindo-lhe no nariz um destino implacável ("Está escrito no céu"), não é digno do nome de astrólogo.

Actualizado em 10 Junho 2007

Reorganizado em Janeiro de 2011
por António Rosa
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26 de Janeiro de 2011

Oscar 2011 - Os nomeados


Melhor Actor principal

Javier Bardem em “Biutiful”


Jeff Bridges em “True Grit” (Indomável)



Jesse Eisenberg em “The Social Network” (A Rede Social)

Colin Firth em “The King's Speech” (O Discurso do Rei)


James Franco em “127 Hours” (127 Horas)

 

Melhor Actor Secundário

Christian Bale em “The Fighter” (Último Round)


John Hawkes em “Winter's Bone”



Jeremy Renner em “The Town” (A Cidade)


Mark Ruffalo em “The Kids Are All Right” (Os Miúdos Estão Bem)


Geoffrey Rush em “The King's Speech” (O Discurso do Rei)


Melhor Actriz Pincipal

Annette Bening em “The Kids Are All Right” (Os Miúdos Estão Bem)


Jennifer Lawrence em “Winter's Bone”


Natalie Portman em “Black Swan” (Cisne Negro)


Michelle Williams em “Blue Valentine” (Blue Valentine)


Nicole Kidman em "Rabbit Hole"



Melhor Actriz Secundária

Amy Adams em “The Fighter” (Último Round)


Helena Bonham Carter em “The King's Speech” (O Discurso do Rei)


Melissa Leo em “The Fighter” (Último Round)


 Hailee Steinfeld em “True Grit” (Indomável)


 Jacki Weaver em “Animal Kingdom”


Melhor Realizador

(Cisne Negro)  “Black Swan” Darren Aronofsky


(Último Round) “The Fighter” David O. Russell


(O Discurso do Rei)  “The King's Speech” Tom Hooper


 (A Rede Social)  “The Social Network” David Fincher


(Indomável) “True Grit” Joel Coen e Ethan Coen


Melhor Filme (Produtores)

«Cisne Negro» / “Black Swan” Mike Medavoy, Brian Oliver e Scott Franklin, Produtores



«Último Round» / “The Fighter” David Hoberman, Todd Lieberman e Mark Wahlberg, Produtores



«Origem» / “Inception” Emma Thomas e Christopher Nolan, Produtores




«Os Miúdos Estão Bem » / “The Kids Are All Right” Gary Gilbert, Jeffrey Levy-Hinte
e Celine Rattray, Produtores



«O Discurso do Rei » / “The King's Speech” Iain Canning, Emile Sherman e Gareth Unwin, Produtores



«127 Horas » / “127 Hours” Christian Colson, Danny Boyle e John Smithson, Produtores



«A Rede Social» / “The Social Network” Scott Rudin, Dana Brunetti, Michael De Luca
e Ceán Chaffin, Produtores



“Toy Story 3” Darla K. Anderson, Produtor



«Indomável» / “True Grit” Scott Rudin, Ethan Coen e Joel Coen, Produtores



“Winter's Bone" Anne Rosellini e Alix Madigan-Yorkin, Produtores


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